quarta-feira, 23 de março de 2011

De quem é o mérito.


           O organismo humano assemelha-se a um sistema cibernético com seus mecanismos de direção e regulagem, é um circuito fechado de funções. O cérebro comanda determinada reação muscular e recebe suas informações de vários sensores, tais como o toque, o tato, a visão, o olfato, a audição, a sensação de dor,  frio e assim por diante. Se, por exemplo, o coração parar, imediatamente o cérebro registra uma situação de pânico. Emite contracomandos intensivos ao músculo cardíaco, aos quais este obedece, a não ser que seja impedido por condições incomuns, como o congestionamento de uma artéria. Neste sentido a ação de pensar pode levar à instituição e transformação de vias preferenciais ao cérebro e, assim, outorgar ao indivíduo o poder de auto formar sua mente de maneira ponderada. Processo biológico de influência recíproca entre as funções de recepção e execução em um sistema de comando que envolve os sentidos e os órgãos executivos. Entendeu ?

Aquilo que os teólogos continuam a deixar de pronunciar claramente, a título de explicação do ‘MILAGRE”, já era conhecido 500 anos atrás. THEOFRASTUS BOMBASTUS Von HOHEIHEIN (1494-1541), chamado Paracelso foi fundador de uma nova medicina, ressaltando a primazia da alma na vida normal, patológica e foi o primeiro a reconhecer nexos patológicos e síndromes novas tal como a neurose e a psicose. Denominou esta ciência de psicologia e o animal humano era o seu microcosmo central baseado na  força da  imaginação.

O homem fica sujeito à imaginação que apesar de invisível e inconcebível, age materialmente em uma substância e através desta, como se ela própria fosse uma substância. A imaginação pode provocar doenças horríveis, bem como alegria,  saúde e felicidade. Deduz-se daí que a imaginação supera a natureza, que domina; elimina atributos inatos, de maneira que desconhece tanto o céu como a natureza da terra. Assim sendo, muitas pessoas saram, enquanto outras adoecem.

A título de terapia eficaz, cantam-se canções marianas, reza-se o rosário, pedidos de oração... calcula-se e promete-se o óbolo para a cura eventual. O doente não sabe que, com isto, já se iniciou o processo de auto cura, posto em funcionamento por ele próprio num processo psicológico de influência recíproca entre as funções de recepção e execução em um sistema de comando que envolve os sentidos e os órgãos executivos.  Não entendeu ?

Por meio de tal imaginação, surge a fé, tanto nos milagres dos santos quanto nos remédios. O povo acredita na força terapêutica dos  remédios, que, depois, atribui aos santos e aos milagres, não obstante tudo tem sua origem na fé da imaginação. Seja a fé justa ou injusta, muitas pessoas saram enquanto outras adoecem em função da imaginação. Mesmo que um falso(falso?) profeta chegue a impressionar as pessoas, fazendo com que o venerem como beato ou bem-aventurado, para disto tirar proveito, apostando na fé do amor e da esperança, tais milagres realizar-se-ão, não pela força do “falso” profeta, mas pela força da imaginação das pessoas, tão grande em sua fé genuína. A g o o o ra!...

Não quero questionar a fé de ninguém mas só a título de informação e refrescamento de memórias, cito a bíblia em Mateus 9; 20,21,22 e tanscrevo Marcos 5: A cura da mulher enferma que durante 12 anos sofria de uma hemorragia incurável e desenganada por médicos. Capítulo 27; Tendo ouvido falar de Jesus, vindo por trás dele, tocou-lhe as vestes. 29, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue e ela teve a sensação de ter sido curada. 34, e ele, Jesus, disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do seu mal”.

Para se crer num ato, têm-se que crer no outro também. O que se dá é a crença pela metade. Interpreta-se a bíblia como se fossem caolhos por conveniência e o inexplicável fica por conta do Espírito Santo. Por isso, até hoje, pastores operam “milagres” em nome de Jesus, Deus, Javé, Buda, Maomé, Pomba Gira, Tranca Rua, Xangô etc. Ninguém dá crédito a sua própria imaginação. À sua própria força de vontade.

sábado, 19 de março de 2011

Perigos do Coração Partido - Lamentações de Tamar à Amnon Sobre o Incesto Cometido!

Eu aprendi que o perigo de um coração partido se agrava com o tempo que passamos para consertá-lo. Você me abusou, humilhou e iludiu. Porque não pedistes ao meu pai? Por quê? Por quê? Sentimentos de desgosto desabrocharam da minha inocência. Desconfiança, desesperança, falso conforto do por vim é o que minha alma apalpa.

Extinguiu a pureza do meu vocabulário. Evaporou os juramentos que tomei na minha virgindade. O meu selo foi violado, perdi o chão da existência. Não irei ocultar, não ameace com papinhos de “nós jurarmos a nós mesmos”.

O perigo que te atingiu nem passa perto do meu perigo. Senti-me repudiada, rejeitada, enojada, jogada na lata do lixo. Algo dentro de mim foi partido no meio. Precisei costurá-lo. Mas sei que os pontos no meu coração não vão cair. Sinto que eles estão lá para ficar. E por que deve ficar? 

O pior de tudo é saber que não foi por causa do Amor que fizeste isso comigo. Tu perfeito, viraste num homem imperfeito. Cai numa nuvem de tristeza, rasguei a minha veste, joguei cinzas sobre a minha cabeça e sai gritando feito uma louca, com a minha mão cobrindo o meu rosto.

Agora é tarde para chorar pelo leite derramado. O que foi feito, se fez. Penso, se nós dois tornássemos um, ou meio de um..., viveríamos em eterna tristeza. Sei que meio não é inteiro. Mas, estaríamos cometendo um delito menos grave sendo meio-irmã. E agora estou condenada... Condenada a ser solteira pelo resto da vida.

Sabe Amnon, tenho certeza que você concluiu o obvio; um minuto de prazer pode trazer perdas irreparáveis. Por capricho seu, tu me tiraste a coroa, o manto e me jogou na rua... Tudo porque nosso pai não tinha direito de questionar, ele questionaria o que entre nós? Ele mesmo cometeu um assassinato seguido de adultério, e agora você, cometeu um estupro, pior, você cometeu um incesto.

O meu medo está por vim, sei que meu irmão te matará, mas a conseqüência desse ato pode ser a própria morte dele. Fico pensando, quantas Tamar tem neste mundo? Quantas?

E pensar que meu nome significava “fruta doce”, mais que doce tem numa fruta violada. Eu seria uma princesa, era um sonho de infância, digo “era” porque você roubou este sonho de mim. Ouço a voz do mestre: Ele tornou meu marido, meu pai, meu irmão, meu tudo! Eu sinto muito por você, Amnon, você nunca me amou!

 Obrigada Amnon :-(

Att. Tamar, irmã de Absalão

Texto Base: 2 Samuel 13


sábado, 12 de março de 2011

A Difícil Arte do Diálogo


Por Levi B. Santos



O que será que desejamos ou procuramos numa boa conversa ou diálogo? Por que será que somos atraídos ou induzidos ao intercâmbio de palavras ou idéias? Quais os temperos que tornam apetitosos os nossos encontros virtuais, além do simples gozo de discordar do outro? Será que o diálogo é um jogo psíquico onde as duas faces da moeda que representam o ser humano são expostas frente a frente? Uma moeda em repouso tem sempre uma face “oculta”. Será que ao discordamos do outro não estamos rejeitando o lado (oculto) da moeda que esquecemos fazer parte de nós?


O velho ditado “dois bicudos não se beijam” nos remete a pensar que duas pessoas de pensamentos idênticos não colhem bons resultados. Levando essa máxima popular para o tema em pauta, me parece que as conversas ou os diálogos não podem ser produzidos entre duas pessoas que estão numa mesma sintonia. Conclusão: para o jogo da dialética é essencial a presença das instâncias opostas.


Então, é uma fatalidade inexorável a afirmação de que “os opostos se atraem”. Mas a felicidade do pensamento único, de um céu onde todos compartilham de um mesmo “néctar” continua a nos encantar e ao mesmo tempo a nos meter medo. Sentimos medo dessa tal de “plenitude” onde não nos falta nada.


Da harmonia do nosso paraíso intra-uterino onde vivíamos numa condição de homeostase, em UNO com a deusa mãe, saímos para a desarmonia e tivemos a primeira experiência traumática por ocasião do parto. Saímos para o mundo da confirmação e da negação dos desejos. E isso é muito bem explicado na metafórica linguagem da Criação, no Livro de Gênesis, que explica o nascimento do contraditório, representado simbolicamente pela figura dos “anjos rebeldes”, que foram expulsos do céu, e dos “anjos conservadores” que lá ficaram.


Ah, se pudéssemos compreender que no cerne do cristianismo há uma grande metáfora que quer mostrar exatamente a impossibilidade de viver sem a ambivalência, sem esse confronto dos afetos contraditórios. A história do cristianismo é uma história inversa de um Deus correndo atrás do homem. O cristianismo se resume na busca dos “anjos caídos do céu”, e que está muito bem explicitada no “Eu vim buscar o que se havia perdido”, dito por Cristo. E o que se havia perdido ou jogado fora, nada mais é do que o outro lado da moeda, que representam os nossos afetos transgressores, descrito de forma alegórica, como “os anjos que resolveram discordar” da autoridade máxima, que exigia silêncio, glórias para si, e não a conversação ou a troca de idéias.


Na realidade, crescemos em lares em que, via de regra, um dos pais era diferente do outro. Enquanto um por ser impulsivo era tido como egoísta, o outro por ser passivo era tido como generoso. Ficamos expostos a esses dois modos de ser desde a mais nossa tenra idade. Não é por acaso que se costuma dizer: “essa menina puxou ao pai, ou esse menino puxou a mãe”.
A conversa ou briga entre irmãos terá sempre como pano de fundo os afetos opostos presentes nos pais.


Quando se lê na Bíblia a afirmação de que Deus criou o “bem” e o “mal”, subtende-se que nela residem a “Tese” e a “Antítese”, e que o cristianismo quis realizar exatamente a Síntese entre esses dois polos. Como estamos em constante evolução, então, a síntese não pode ser algo fixo, tem de ser também dinâmica ou renovável.


Theodore Zelden — Historiador e Humanista Inglês, conta que na Inglaterra existia um tal de Dr. Johnson, tido como o Rei da conversação. Conversar era seu prazer supremo, trazia-lhe alívio, mas não funcionava como troca. A divergência não o interessava, porque ele findava sempre como uma das partes vitoriosas. Ele lutava ferozmente para assegurar sempre o primeiro lugar. O Dr. Johnson morreu sem nunca ter descoberto o valor de ser contestado. Foi apenas um elaborador de teses, e, por não admitir a antítese, nunca experimentou a síntese.


A conversa é recheada por palavras ditas e contraditas; é como uma nuvem que abriga nossas alegrias e gratificações, e ao mesmo tempo oculta os terrores, os males e as tristezas que constantemente nos assaltam.


Quando dialogamos, entramos numa aventura difícil e muito arriscada. Digo arriscada, por que os nossos valores não podem ser deslocados para dentro da subjetividade do outro de forma despojada, como intencionamos.


Há uma máxima de Ortega y Gasset (*), que penso ser irretocável, por entender que nela existe o “porquê” dessa nobre arte do diálogo nos animar tanto:


Pontos de vista e formas de ser parecidas nos fazem sentir acolhidos, enquanto as diferenças e a diversidade de opiniões nos fazem sentir sozinhos e desamparados”.




(*) José Ortega y Gasset (1883 – 1955) foi um importante filósofo espanhol. Deixou um vasto acervo de obras consagradas na área da Filosofia, dentre elas destacamos – "Rebelião das Massas".




Imagem: http://gratisexo.blogspot.com/2010/10/dialogo-do-orcamento.html

terça-feira, 8 de março de 2011

Praticamente inofensivos


Somos uma espécie jovem. O homem moderno surgiu a meros 200 mil anos, e o que conhecemos como civilização foi praticamente a segundos atrás, considerando-se a idade da Terra (nem 10 mil anos) a apenas 10 mil anos, praticamente um instante, se considerarmos a idade da Terra (4,65 bilhões de anos). Entretanto, neste pouco tempo, fomos capazes de modificar o curso da vida em nosso planeta, pousarmos em nosso satélite e mandar sondas para os confins da via láctea.

Mas isso é só o começo. Daqui a milhares de anos, possivelmente teremos colonizado outros planetas. Talvez não fisicamente, pois pode ser biologicamente impossivel viajar distâncias tão longas. Mas há tecnologias possíveis que podem nos levar a qualquer lugar. Construiremos máquinas conscientes, teremos nossos "avatares", com os quais poderemos visitar as luas de Saturno e sentir tudo que passa lá, poderemos habitar Marte, torná-la habitável e quem sabe fazer a vida crescer lá.

Nossas máquinas conscientes poderão viajar aos confins do Universo durante milhares de anos até encontrarem algum planeta com vida. Realizarão nosso maior sonho. Farão conquistas que nenhum humano ousou pensar.

Lá então, estes milhares de anos que passamos, nossas guerras, nossos deuses, nossos preconceitos, nossas religiões, nossas desavenças, os males causados, serão um pequeno episódio da história. Terão talvez um único capítulo dedicados no livro. Quem sabe uma única frase, como diria Adams em seu Guia* sobre a Terra: "praticamente inofensiva".

Aí então, um dia, encontraremos uma civilização perdida, contaremos toda nossa história para eles, e seremos confortados por eles: "tudo bem, nós também passamos por isso". Talvez a gente encontre um letreiro como o encontrado por Marvin, e entenderemos tudo*

Estes dois videos de Sagan são melhores do que quaisquer debates. Qualquer pensamento de que somos algo a mais do que mera poeira cósmica se esvai, e qualquer sentimento de sentido, de motivo, fica pequeno. Somos só isso, mero acaso, e não temos objetivo ou razão de estarmos aqui. Mera sorte, ou azar.

*do "Guia do Mochileiro das Galáxias", livro que mudou minha visão de mundo, e minha filosofia de vida.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ateu X Crente (repente)

Me disseram que você
Acredita até em Deus
E não podes entender
Como pensam os ateus
É por isso que os seus filhos
São mais burros que os meus

Sou ateu graças a Deus!


Você diz que os meus filhos
São mais burros que os teus
Podem até ser burros mesmos
Mas verão ao nosso Deus
Já os teus vão para inferno
O lugar de todo ateu


Sou ateu graças a Deus!

Todo ateu vai pro inferno
E o crente vai pro céu?
E nos tempos de inverno
Tem até papai Noel
Tu navegas no oceano
Num barquinho de papel


Sou ateu graças a Deus!

Tá dizendo que eu sou besta?
Me chamando de fanático?
Mas talvez você esteja
Sendo muito, muito prático
Quero agora que perceba
Que crente não é lunático


Sou ateu graças a Deus!

Não preciso perceber
Que você é um tapado
Não consegue nem viver
Se esquivando do pecado
Sua vida é se esconder
Do tridente do Diabo

Sou ateu graças a Deus!


Do tridente não me escondo
Pois tem anjo a meu favor
Outro dia eu tive um sonho
Que era um filme de terror
Eu vi tu correr pelado
Clamando ao redentor


Sou ateu graças a Deus!

Só em sonho tu vais ver
Eu clamando a Jeová
E no dia em que eu morrer
Não irei pra outro lugar
Toquem fogo no meu corpo
Depois atirem no mar

Sou ateu Graças a Deus!


No mar eu atirarei
Suas cinzas com prazer
E no juízo eu verei
Sua alma se foder
Queimarás no fogo eterno
Sem chance de arrepender


Sou ateu graças a Deus!

Minh'alma no fogo ardente?
E a sua onde estará?
Vivendo como um zumbi
Nos braços de Jeová?
Prefiro a aniquilação
Do que não raciocinar

Sou ateu graças a Deus!


Toda sua erudição
De nada adiantará
Porque na tribulação
Não adianta chorar
Pois todo filho do cão
Jesus despedaçará


Sou ateu graças a Deus!

Seu Jesus é muito mau
Sanguinário e violento
Parece até o pai dele
Do antigo testamento
Matou até o seu filho
Por causa de um juramento

Sou ateu graças a Deus!


Seu ateu filho da puta
Para de me perturbar
Senão eu chamo por Deus
Pra poder te arrebentar
Pois saiba que a minha luta
É a guerra de Jeová


Sou ateu graças a Deus!

Seu deusinho não existe
Será que você é cego?
O Deus que tu acreditas
É o mesmo deus que eu nego
Não passa de um fantasma
Criado pelo seu ego

Sou ateu graças a Deus!


Eu desisto de tentar
Encaminhá-lo a salvação
Por mim tu vai se lascar
Nas garras do cramunhão
Será atirado no lago
Depois da ressurreição


Sou ateu graças a Deus!

Eu desejo que você
Um dia seja acordado
Espero que não esteja
Muito velho e acabado
Pois verá tudo que tinhas
Mas não foi aproveitado


Sou ateu graças a Deus!

Edson Moura



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