quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pais crentes, filhos crentes? Pais ateus, filhos ateus?



Achei esse artigo bem interessante, já que os relatos nele expostos, vão na contramão do que alguns ateus pensam de que é só criar seus filhos sem religião, para que quando eles crescerem, estejam  livres da "ilusão". O mesmo processo que aconteceu com alguns de nós(da fé ao ateísmo) acontece na via inversa(do ateísmo para a fé). É por isso que os seres humanos são tão fascinantes pois  adoram quebrar supostas regras "matemáticas existenciais".
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Larissa Queiroz recebe uma carta de uma instituição filantrópica e, dentro do envelope, descobre um terço de plástico de brinde. A filha Beatriz, de sete anos, adora a novidade e coloca no pescoço na mesma hora. “Expliquei que aquilo não era um colar, disse do que se tratava e me parece que ela ficou ainda mais interessada”, conta a mãe recifense que vive em São Paulo. Desde então, a pequena pede para rezar toda noite. Outro dia, convenceu o pai a levá-la a uma missa pela primeira vez.

As novas gerações de céticos, agnósticos e ateus não casam na igreja, não batizam seus filhos, nem têm religião ou falam de fé. Eles simplesmente desconsideram a existência de Deus. “Esse assunto jamais foi tocado aqui casa, inclusive escolhemos a escola com base nisso. Descartamos todas aquelas com qualquer enfoque religioso”, completa Larissa.

Mas isso não impede que, em alguns casos, seus filhos sintam a necessidade e até cobrem uma discussão sobre fé e religião. De acordo com Eduardo Rodrigues da Cruz, professor do Programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de São Paulo, os psicólogos cognitivos tem estudado o assunto com crianças de várias faixas etárias. “Suas conclusões: todos somos naturalmente teístas, e, à medida que crescemos, vamos diversificando nossas posturas”, afirma o doutor em teologia, que também é mestre em física. Ou seja, para ele, a fé é uma postura “natural”, que é racionalizada conforme amadurecemos.

Crente por natureza

O polêmico cientista britânico Richard Dawkins também defende essa ideia. Conhecido como ‘devoto de Darwin’, em seu bestseller “Deus, um delírio”, o autor sugere que todas as crianças são dualistas (aceitam que corpo e alma sejam duas coisas distintas) e teleológicas (demandam designição de um propósito para tudo) por natureza. Assim, o darwinista dá conta de explicar o que poderíamos chamar de hereditariedade religiosa na qual, inevitavelmente, acabamos por seguir a opção de fé de nossos pais. Só que nem sempre é assim.

Em uma noite de mais de uma hora de apagão, escuro total e absoluto, Beatriz, a filha de Larissa, teve uma ideia: "vamos rezar para a luz voltar”. “Eu lógico, relutante, tentei explicar que não adiantaria, mas ela insistiu, insistiu e rezamos. Um minuto depois, a luz voltou”, descreve. Em seu blog, Larissa desabafa: “será que temos como evitar isso? Estou achando que não”.

Marina de Oliveira Pais, carioca, é filha de pai ateu. Sua mãe, assim como muitos brasileiros, foi batizada, mas não pratica nenhuma religião. “Minha mãe não sabe dizer de que doutrina é, por isso também nunca soube muito bem no que acreditar. Eu tinha fé na ‘força do pensamento’, que se pensássemos positivo atrairíamos coisas positivas e se pensássemos negativo atrairíamos coisas negativas”, diz a jovem de 22 anos.

Quando decidiu morar sozinha pela primeira vez, Marina conheceu Bernardo Nogueira, de 20 anos. Apaixonada, ela conseguiu resistir aos convites da família do namorado para ir a uma igreja evangélica só por alguns meses. Mas relata que, já na primeira vez que assistiu ao culto, teve certeza de que estava no lugar certo. “Fiquei maravilhada”, descreve.
Ela então mudou drasticamente seu estilo de vida. “Cortei a bebida, as baladas e os palavrões. Hoje meus pais respeitam minha situação de convertida justamente por essas minhas mudanças comportamentais”, afirma. 

Sentir-se acolhida em uma doutrina que se baseia na Bíblia é justamente o que importa hoje para Jaqueline Slongo, de 23 anos. Depois de um tempo separados, ela voltou a viver na cidade natal de Curitiba com o pai ateu. Ironicamente, por conta de uma bolsa de estudos, a então adolescente foi estudar em um colégio católico. O retorno à cidade grande, onde as desigualdades sociais são mais gritantes, o descobrimento da Bíblia e a fase de mudanças, levantaram muitos questionamentos. “Comecei a me questionar sobre a existência de Deus, fazia perguntas para as freiras do colégio, mas as respostas não me saciavam", lembra.

Black out

Jaqueline começou a achar que havia alguma coisa errada entre o que lia e o que pregavam suas 'instrutoras espirituais'. "Elas me mandavam rezar, mas eu não curtia”, confessa. Seu pai viajava muito e, como não acreditava em Deus, a filha preferia não falar sobre o assunto com ele. O processo foi sofrido, e aconteceu em meio às transformações da adolescência, à ausência dos pais, e à angústia causada por sintomas de depressão. “Eu era muito agressiva, rebelde, intolerante. Não tinha amigos e sempre me isolava”, conta.

Ela então buscou alívio e conforto na religião. Hoje, a estudante se considera protestante, mas passou por diversas comunidades cristãs diferentes. Diz que não se importa com rótulos, mas sente que é preciso estar em grupo. “Acho importante a vivência em comunidade, pois é no relacionamento com outros que seu caráter se constrói”, afirma.

Com o pai, ficou cinco anos sem poder comentar nada sobre sua fé. Até que, há três meses, consciente da mudança espiritual da filha, ele lhe pediu que comentasse, ‘de forma sucinta’, no que exatamente ela acreditava. A partir de então, ela diz, ele tem pedido que também reze por ele.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Mudar pra quê?


                          

Por Edson Moura

Medrios estava deitado de lado, super cansado, a uma pequena distancia do moinho. Apenas o som abafado de sua respiração ofegante quebrava o silêncio da manhã. Vagamente Medrios conseguia recordar da onda de adrenalina que há tanto tempo acompanhara seus primeiros passos enérgicos em direção à linha de chegada, que imaginava ele, estava logo à sua frente. Ele não conseguia mais se lembrar de quando de fato começara a correr, e nem o porquê estivera correndo. Fora tão excitante no começo, mas de repente, ao longo do trajeto, a euforia tinha sido substituída pela exaustão, e uma sensação de amortecimento acabara com toda a esperança: não existia uma linha de chegada.

Deitado ali sobre a palha úmida e com cheiro de urina, Medrios fechou os olhos e esperou que sua respiração lentamente voltasse ao normal. Nesse raro momento de inatividade, sentiu o cheiro da realidade do mundo à sua volta pela primeira vez em muito tempo. Perscrutou tudo aquilo em pensamento, mas apenas por um brevíssimo momento, pois o som que vinha do moinho chamou sua atenção, fazendo-o abrir os olhos. Virou a cabeça na direção do som e ainda pode ver o instante em que a imensa roda do moinho rangia enquanto parava.

Sentou- se vagarosamente e olhou para a máquina que tanto dominara a sua vida. Uma voz interior dizia: “Esse moinho está te matando Medrios”, era uma voz familiar que lhe falava lá do fundo do coração. “Não desperdice nem mais um momento nessa corrida”, insistia a voz enquanto ele bebia um grande gole de água fresca que havia na fonte ao seu lado. Devia haver mais coisas na vida do que a máquina oferecia. A água fresca lhe devolveu as forças e sua respiração já estava normal. Sentiu-se refrescado. Talvez pudesse começar uma vida nova, pensou. Talvez hoje mesmo! Mas como? O que poderia fazer a seguir? Pra onde iria? Que alvos buscaria? Já nem sei há quanto tempo minha vida está assim.

Bem, aquelas decisões poderiam ser tomadas mais tarde. No momento, Medrios sentia-se um pouco assustado com a perspectiva de mudanças. Até que pudesse elaborar os detalhes de sua nova empreitada, ficaria com o que lhe parecia conhecido, verdadeiro e seguro. Assim, ainda sonhando com as coisas que poderiam acontecer, inconscientemente subiu na roda do moinho pela milésima vez em sua efêmera vida. Não demorou muito para ouvir o zumbido hipnotizador do moinho ganhando velocidade e o reflexo da luz passando pelos raios da roda. A dor foi bloqueada. A angústia já não mais incomodava Medrios. A liberdade e a aventura poderiam esperar. Aquela roda não exigia riscos, nem raciocínio, nem pensamento. Poderia viver suas aventuras mais tarde. No momento, só era preciso correr.

Conto a história de Medrios apenas para traçar um paralelo com a vida de muitos homens e mulheres no século XXI. Vivem presos numa roda de monotonia e conformismo. Trancafiados em crenças e religiões de seus avós e dos avós de seus avós. Pessoas assim percebem apenas vislumbres das verdadeiras possibilidades e oportunidades que a vida tem para oferecer. Oportunidades essas que certamente serão perdidas, pois muitos vivem num circulo vicioso.

Manter a roda girando os deixa ocupados demais para planejar uma mudança significativa. Preferem continuar girando a roda que não leva a lugar nenhum. Mudar aquilo que sempre foi de determinado jeito é desafio para os bravos. Além do mais, traçar um novo rumo para um futuro desconhecido é assustador, e a vida rotineira, embora enfadonha, é muito mais segura.

Esqueci de dizer: Medrios é só o hamster de um garotinho que conheci.

Edson Moura










quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um manual de vida para o brasileiro do século XXI


O século XX foi um tempo marcado por grandes conquistas científicas e pela desconstrução de importantes valores que sustentaram a sociedade ocidental por mais de um milênio. Houve sangrentas guerras, revoluções, regimes autoritários e diversos conflitos violentos, mas não podemos deixar de considerar que todos estes acontecimentos vieram acompanhados dialeticamente da promoção dos direitos individuais, sociais e políticos, solidificando os ideais sonhados pelos filósofos iluministas do século XVIII.

Por outro lado, todo este processo de desconstrução levou o Ocidente a uma perda de raízes, fragilizando a sociedade para lidar com maturidade quanto aos assuntos do seu cotidiano. O afastamento da religião do poder secular e do sistema educacional moderno fez com que os ensinamentos de vida baseados na Bíblia ficassem restritos às esferas do lar e eclesiástica (quando uma família segue a orientação religiosa), de modo que a escola de hoje tem suas atividades absorvidas pelo despejo de um conteúdo informativo nas mentes dos alunos, incapaz de formar cidadãos. Principalmente no nosso tão desmantelado Brasil.

Enquanto isto, no Oriente, os livros sagrados e as práticas religiosas não se acham separados da vida em sociedade, mas influenciam toda a cultura desses povos onde jamais ocorre uma compartimentação da realidade (o sagrado e o secular formam uma unidade). Em muitos desses muitos desses países, as crianças aprendem desde cedo a lidar com as suas emoções e desejos através da meditação, das artes marciais e da aplicação do ensino sapiençal. Mitos, metáforas, enigmas, narrativas, pensamento imagístico e provérbios integram o dia a dia do homem oriental, mantendo presente as suas tradições herdadas dos antepassados. E isto se vê mesmo nas sociedades modernas como Japão e Israel onde o povo busca integrar vida e conhecimento.

Contudo, livros sagrados estão se tornando cada vez mais estranhos para os ambientes cultos do homem ocidental que faz uma separação entre o espiritual e o secular. Mesmo a Bíblia cristã é até hoje mal compreendida. E aí o que as pessoas comuns acabam absorvendo dela muitas das vezes é a interpretação dada pelos seus líderes, visto que há passagens que requerem um senso poético e um grau de conhecimento mais elevado, envolvendo mais compreensão da história. Então, aquilo que padres e pastores falam na igreja vira lei. Sem falar que, por ser considerada uma obra de cunho religioso, a Bíblia não é aceita como fonte de autoridade pela sociedade inteira.

Foi refletindo sobre estas questões que tenho pensado em propor o projeto de um livro cujo texto seja escrito numa linguagem atual e se aplique aos problemas do nosso cotidiano, tornando-se um manual de consulta para toda a vida. Algo que seria apresentado à criança antes da alfabetização, ensinado em todas as séries escolares, reverenciado pelas instituições públicas como um símbolo da pátria e serviria para toda a vida adulta do indivíduo até sua morte.

Assim, nos momentos de sofrimento e de dificuldades, o leitor encontraria consolo nas páginas deste livro. Casais contariam com ensinamentos para manter a aperfeiçoar o relacionamento conjugal. Pais achariam ali um apoio para a educação dos filhos. E, afim de trabalhar as tensões emocionais das pessoas, estas seguiriam os exercícios de relaxamento, reflexão e auto-conhecimento.

Por sua vez, a cosmoética seria trabalhada constantemente no livro, instigando a racionalidade, o remodelamento do self sem incutir culpas, do incentivo à responsabilidade pessoal e coletiva, bem como da reverência pela vida como o valor elevado que deve ser contemplado nas dimensões social e ambiental. Ao invés de basear-se em dogmas ou afirmações que tentam absolutizar a verdade, o livro estaria permanentemente aberto às mudanças através da refutação, do estímulo à pesquisa e ao debate entre os leitores.

Outras coisas que o livro também trabalharia seriam a consciência política e cidadã, o amadurecimento da democracia, o respeito pelo meio ambiente dentro da visão de reverência pela vida, a inclusão social, a construção de uma economia cooperativista e o combate à pobreza. A convivência comunitária iria ser tratada como um precioso fato social e que requer a participação atuante e consciente das pessoas afim de que a coletividade humana possa desfrutar de uma melhor qualidade de vida. E aí a pluralidade seria sempre bem vinda e instigada.

Sem nenhuma pretensão de compor um livro sagrado que venha tomar o lugar das tradições já existentes, proponho algo que possa também ser manejado tanto pelas religiões como pelas escolas. Aliás, a minha ideia é buscar passagens bíblicas capazes de enriquecer também o conteúdo junto com frases de filósofos, poemas da literatura de língua portuguesa, vários ditos proverbiais da cultura popular, letras de músicas, narrativas romanceadas sobre a história da humanidade e do Brasil capazes de transmitir ensinamentos de vida, além de trechos escritos por outros autores. Tudo numa linguagem bem didática e acessível.

Certamente que esta ideia ainda é um projeto aberto e que requer a contribuição e a participação de várias pessoas para ser executado. Colaboradores com diferentes aptidões iriam se unir para escrever tal carta de amor ao povo brasileiro, com o comando de que uma geração vá transmitir o conhecimento para outra. Assim, os tutores esboçariam o cânon desta “bíblia secular”, definindo os temas, a bibliografia que será consultada e a seleção de passagens das escrituras sagradas que não tornem o livro místico. Depois, é só criar uma sociedade sem fins lucrativos para compor a obra, publicá-la, divulgá-la, atualizá-la e trabalhar para que, dentro de algumas décadas, ela venha a ser oficializada pelo Estado brasileiro.


OBS: Segundo a matéria "Um filósofo Britânico Escreve Bíblia Para ateus", publicada no site site do UCB PORTUGAL (http://www.ucbportugal.pt/arquivo.php?p=3115&s=tua), pode-se perceber que a sociedade secular e pós-cristã dos nossos tempos carece do resgate de ensinamentos éticos. Tal obra, ainda que seja um contraponto aos livros considerados sagrados, demonstra também uma necessidade de retorno à instrução e ao que o hebraico chama de Torá.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fontes de Informação


Temos várias fontes de informações; as evidenciais, as tradicionais, as autoritárias e as reveladas.
As evidenciais são prováveis e às vezes só significam ver, perceber pelo tato, olfato ou simplesmente ouvir se algo é verdadeiro. A isto damos o nome de observação. Para se provar um crime, o detetive trabalha com uma série de observações e quando se dá conta de que todas as evidencias se encaixam e fazem sentido, aí está a prova esperada.
Os cientistas e os médicos trabalham com hipóteses e usam as evidencias para provar seus diagnósticos. Não necessitamos ver que a luz viaja à velocidade de 300.000 km/s, existem evidencias e qualquer pessoa podem requerer provas.


Já as fontes de informações tradicionais, autoritárias e reveladas são irrefutáveis. Se estão contidas em livros antigos são críveis por tradição. Apesar de que a mentira não se torna verdade com o tempo. Se são pregadas por um Papa, um Aiatolá, um Pastor ou um Padre elas passam a serem verdades impostas por autoridades. Quando as pessoas religiosas sentem que alguma coisa deve ser verdade, muito embora não tenham nenhuma evidencia comprobatória, elas chamam este sentimento de revelação através do espírito santo. Esta é uma das principais razões que as levam a acreditar no que acreditam. Nada nem ninguém consegue provar o contrário.


Os cristãos acreditam em muitas ¨coisas¨, acreditam que, a cor negra foi o sinal com que Deus identificou Caim por haver assassinado seu irmão Abel. Também acreditam no dilúvio com todas as suas incongruências. Ora... partindo da informação contida na tradição bíblica, todas as raças existentes hoje são descendentes de Noé, os negros, os esquimós os índios e os arianos. O dilúvio extinguiu com todos os outros seres que não conseguiram adentrar na arca, inclusive os descendentes de Caim.


O dilúvio ocorreu, segundo a Biblia, no ano de 2.400 aC ou seja; 500 anos antes do reinado de Hamurábi na Caldéia, ou 1.150 anos antes de Ramsés II no Egito, época da escravidão dos hebreus. Portanto não existe tempo nem para uma micro evolução. Todos o animais contemporâneos a Noé continuam iguais; o leão, a cobra, o elefante, a girafa e nem a raça humana poderia mutar tanto. O gato endeusado no Egito há 3.700 anos, é o mesmo siamês de hoje. O leão que estava na cova em que fora jogado Daniel, há 2.600 anos, tinha a mesma ferocidade dos existentes na África de hoje.O porco continua com o casco fendido como a 6.000 anos. O jumento que foi objeto de adoração e cobiça, reprimida por Deus a Moisés, continua o mesmo taciturno agora e simbolizando idiotas.
Nada mudou desde Atlantida e Lemuria que soçobrou com seus 64 milhões de habitantes há 11.580 anos de acordo ao ¨Codex Cortesianos¨ na página 51. Portanto, no mínimo, 5.500 anos antes de Adão.


Dos 148 grandes mamíferos, herbívoros, terrestres e selvagens existentes há 8.000 anos e candidatos à domesticação só 14 passaram no teste, de acordo a provas evidenciais. Sendo os cinco principais; a ovelha, a cabra, a vaca, o porco e o cavalo. Todos autóctones do sudoeste da Ásia com provas de domesticação entre 6.000 e 8.000 anos . Todos continuam sem grandes mutações, a vaca, o porco e a ovelha ficaram um pouco menores até meados do século xx .


Não necessito explicar porque abomino igreja mas espero a qualquer momento alguém me abordar. Ô.. idiota! Me dê o seu dinheiro para que eu possa convencer outros abestados a me darem os seus , também.

sábado, 3 de setembro de 2011

Ética e Política São Inconciliáveis?



Nas nações supostamente democráticas, muito se tem debatido sobre ética na política. Aqui nas terras de D. João VI a vivência demonstra com tons fortes que os conselhos de ética em política ao invés de lutarem pela transparência de suas ações, caminham mais no sentido de abafar os delitos cometidos por seus próprios membros.
Mas será que existe mesmo um abismo intransponível entre a política e a ética?
O cientista político, Noberto Bobbio (falecido em 2004) foi de longe quem mais se aprofundou no estudo nas relações da moral com a política. Ele diz no seu livro “Elogio da Serenidade” (página 50) que, “o problema das relações entre ética e política é mais grave porque a experiência histórica mostrou, que o político pode se comportar de modo diferente da moral comum, que um ato ilícito em moral pode ser considerado e apreciado como lícito em política, em suma, que a política obedece a um código de regras ou sistema normativo que não se coaduna, e em parte é incompatível com o código de regras ou sistema normativo de conduta moral”.

Mais adiante (na página 90) o cientista político italiano, afirma: “Não há esfera política sem conflitos. Ninguém pode esperar levar a melhor num conflito sem recorrer à arte do fingimento, do engano, do mascaramento das próprias intenções. A “finta”, o “mentir” fazem parte da suprema estratégia para enganar o adversário. Não há política sem o uso do segredo. O segredo não só tolera como exige a mentira. Ficar preso ao segredo significa ter o dever de não revelá-lo, o dever de não revelá-lo implica o dever de mentir”.

Segundo Bobbio, a tradicional máxima Salus Rei Publicae Suprema Lexa ‘Salvação do Estado é a Lei suprema’, se explica dessa maneira: “A separação entre a moral política nasce do fato de que a conduta política é guiada pela máxima de que ‘os fins justificam os meios’. Nesse caso, o bem público, o bem comum ou coletivo é tão superior ao bem do indivíduo, que acaba por justificar a violação das regras morais fundamentais que valem para os indivíduos”.

Há quem traduza o episódio da tentação de Cristo, relatada nos evangelhos, como uma metáfora que mostra claramente uma faceta intrínseca ou inseparável dos fundamentos da política. No mito cristão, há um messias que em uma de suas crises existenciais (tentação) chega a desejar, talvez num nível inconsciente, o poder político. O “Tudo isso será meu, se eu aceitar o código do “toma lá dá cá” – deve ter passado por Sua imaginação. E o “posso, mas não devo” – pilar básico e central da ética, deve ter rechaçado a sua vontade de, quem sabe, tornar-se chefe de uma facção política de um sofrido proletariado urbano, que em Jerusalém proporcionara-Lhe uma entrada triunfal digna de um grande revolucionário, que enfim, iria livrar os oprimidos do jugo romano.

Os evangelhos dão a entender que Cristo já percebia a inconciliabilidade entre a ética e a política do seu tempo. Recusou enveredar pelos meandros do poder político que ele denominava “O Reino desse Mundo. Trezentos anos depois de sua morte, o imperador Constantino numa atitude totalmente diversa, e destruindo tudo que o Mestre plantara em seus ensinamentos, selou um pacto político com a igreja, acordo esse, que dura até os dias de hoje. Ora, o que a maioria dos negociadores “cristãos” sempre desejou inconscientemente, foi sentar à mesa do rei. Mas para isso, a ética que parece ser incompatível com a política, teve que ser jogada às favas.

Constantino, um exemplo de cristão político “nota dez” do nosso tempo, mudou as diretrizes de Cristo, reforçou de forma inteligente o seu poder, tanto é, que atenuou a crise do Estado com a colaboração da “madre igreja”, realizando àquilo que Cristo não conseguira: premiar os apóstolos ainda nessa frágil vida terrena, alçando-os aos mais altos cargos do império (consulados, prefeitura de Roma, Prefeitura do Pretório).

Pablo Henrique de Jesus, em sua tese de mestrado que versou sobre “A Cisão Entre Ética e Política na Filosofia de Hannah Arendt” , assim escreveu:
“A política, e considerando junto com ela todas as referências conceituais que lhe competem, é um fenômeno estritamente mundano, ao passo que a ética pode-se dizer, considerada estritamente na relação de seus princípios fundamentais, é um evento que de toda sorte compete exclusivamente à vida interna da consciência. [...] É aí que se situa, pode-se dizer, o motivo principal da cisão entre a vida ética e a vida política do ser humano”.

Maquiavel, na sua maior obra, “O Príncipe”, já dava a entender que, o objetivo principal de um político, não é apenas conquistar o poder político do Estado, mas se manter lá, a qualquer custo, não importa o que ele tenha que fazer para se manter lá no poder”.
E o leitor e eleitor amigo o que me diz?


Por Levi B. Santos
Guarabira, 30 de julho de 2011
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