domingo, 30 de outubro de 2011

O Positivismo Filosófico como Religião


Por Edson Moura

Há algum tempo venho escrevendo textos sobre religiões digamos, desconhecidas, mas que de forma silenciosa, influenciou e ainda influencia muitos pensamentos. Sinto certa dificuldade em me manter imparcial frente a algumas delas. Evito também exagerar no sarcásmo e ironia, traço bem característicos dos meus escritos. Pois bem, coletei informações e resolvi trazer à baila (como diria o mestre Levi) para que pudessemos dissecar mais esta vertente religiosa, ou filosófica, para então, por meu de nosso trabalho especulativo, possamos aprender um pouco mais à medida que ensinamos.

O que é “Positivismo”?

Positivismo é um conceito que possui diferentes significados, englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século desenove quanto outras do século vinte. Desde o seu início, com Augusto Comte (1798-1857) na primeira metade do século desenove, até a atualidadeI, o sentido da palavra mudou de forma absurda, incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Nesse sentido, existem correntes de outras disciplinas que se consideram "positivistas" sem guardar nenhuma relação com a obra de Augusto Comte.

Exemplos paradigmáticos disso são o “Positivismo Jurídico”, do austríaco Hans Kelsen, e o “Positivismo Lógico”, de Rudolph Carnap, Otto Neurath e seus associados. Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial (processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). Assim, o Positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.

O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência(na concepção positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. O Positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos observáveis). Em sua obra Apelo aos conservadores, Augusto Comte definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

A ideia-chave do Positivismo Comteano é a Lei dos Três Estados, de acordo com a qual o homem passou e passa por três estágios em suas concepções, isto é, na forma de conceber as suas ideias e a realidade:

1º Teológico: o ser humano busca explicar a realidade por meio de "deuses", buscando responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?"; além disso, busca-se o absoluto;

2º Metafísico: é um meio-termo entre a teologia e a positividade. No lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: "o Éter", "o Povo", "o Mercado financeiro", etc. Continua-se a procurar responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?" e procurando o absoluto é a busca da razão e destino das coisas. é o meio termo entre teológico e positivo.

3º Positivo: etapa final e definitiva, não se busca mais o "porquê" das coisas, mas sim o "como", por meio da descoberta e do estudo das leis naturais, ou seja, relações constantes de sucessão ou de coexistência. A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto.

Auguste Comte deu vida à “Religião da Humanidade”. Após a elaboração de sua filosofia, Comte concluiu que deveria criar uma nova religião, afinal de contas, para ele, as religiões do passado eram apenas formas provisórias da única e verdadeira religião, “A religião positiva”. Segundo os positivistas, as religiões não se caracterizam pelo sobrenatural, pelos "deuses", mas sim pela busca da unidade moral humana. Daí a necessidade do surgimento de uma nova Religião que apresentasse um novo conceito do “Ser Supremo”, então surge a Religião da Humanidade.

Os positivistas diziam que a Teologia e a Metafísica, nunca inspiraram uma religião verdadeiramente racional, cuja instituição estaria reservada ao advento do espírito positivo. Estabelecendo a unidade espiritual por meio da ciência, a Religião da Humanidade possui como principal objetivo a Regeneração Social e Moral. A Religião da Humanidade possui como Ser Supremo a Humanidade. Ela representa o conjunto de seres convergente de todas as gerações, passadas, futuras e presentes convergentes, isto é, que contribuíram, que contribuem e que contribuirão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento humano.

O dogma da Religião da Humanidade é a ciência. Também foram construídos templos e capelas onde são celebrados cultos elaborados à Humanidade. A religião positivista caracteriza-se pelo uso de símbolos, sinais, estandartes, vestes litúrgicas, dias de santos (grandes figuras humanas), sacramentos, comemorações cívicas e pelo uso de um calendário próprio, o Calendário Positivista (um calendário solar composto por 13 meses de 28 dias). O lema da religião positivista é : "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" (sôa familiar?)

Augusto Comte foi o criador da palavra "altruísmo", palavra que segundo o fundador, resume o ideal de sua nova religião. A idéia de uma unidade humana (moral, intelectual e prática) considera que o ser humano só poderá ser harmônico, coerente e, portanto, feliz, se puder manter uma unidade mental individual e, ao mesmo tempo, puder relacionar-se bem com seu meio. Para isso, precisa cultivar o altruísmo e manter idéias sintéticas; com isso, terá sentimentos e noções gerais que permitirão uma conduta generosa e esclarecida em suas atividades cotidianas, que tendem a ser egoístas e dispersivas.

A influência positivista no Brasil ocorreu de diferentes formas e lugares, desde a década de 1870 até meados do século vinte, mas estendendo-se até o século vinte e um. Entretanto, foi no Rio de Janeiro, entre o final do Império e a I República que o Positivismo foi mais notável no Brasil, desempenhando um papel central tanto no processo de Abolição da Escravatura quanto no de Proclamação da República. Além disso, a laicização do Estado e das instituições públicas foi uma das grandes preocupações dos positivistas, além da realização da justiça social e do progresso social. Nessas ações, os nomes mais conhecidos são os de Benjamin Constant Botelho de Magalhães (o "Proclamador da República") e o de Raimundo Teixeira Mendes, autor da bandeira nacional.

O modelo atual da bandeira Brasileira é um reflexo dessa influência na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista “Ordem e Progresso”, surgida a partir do lema comteano: “O Amor por princípio e a Ordem por base, o Progresso por meta, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. Como não poderia faltar, fica a pergunta:

Alguém aqui é positivista?

Noreda Somu Tossan

Fontes: Discurso sobre o Espírito Positivo/Sistema de Política Positiva/Wikipedia

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PRAZER E CATARSE DA FAMÍLIA CIBERNÉTICA


Por Levi B. Santos

São 19 horas de um dia qualquer. Lá está reunida a família da pós-modernidade. Os pais devoram seu hambúrguer + batatas fritas + coca-cola com os olhos fixos na telinha que pode ser da TV, do moderno celular, do Tablet, ou laptop. Os filhos jantam em torno de uma mesa com o olhar fixo numa tela de LCD, jogando vídeo-game. Em outra sala se encontra a netinha ou netinho de apenas seis anos de idade com o seu sanduiche numa mesinha ao lado do computador, mergulhada absorta na cultura das imagens em busca das tecno-surpresas que surgem a todo momento.
Bendita e maravilhosa mídia que faz brotar em nós necessidades a todo momento. A única maneira de acompanhá-la, já que o dia só tem 24 horas, é correr, mas correr mesmo.
A velocidade é o que conta. O lema é correr depressa, ler depressa, trocar depressa de canal, enviar e receber e-mail digitando abreviaturas de palavras (o porque ― vira “pq”). As torrentes de imagens, músicas e histórias, e textos de blogs têm que ser acessados de forma rápida. Nos blogs de confrarias, basta ler o título da postagem e arriscar um comentário: se colar colou. O importante é saciar a fome dos olhos como faz uma criança à frente de um saco de pipocas.
Para que sair de casa e olhar o mundo lá fora, se na internet tenho tudo a um clique. Posso me encantar em minha poltrona com títulos balançando na telinha, com anúncios coloridos piscando, com palavras de cores vivas que murcham e incham para depois explodirem em bolhas flutuantes. A tecnologia virtual nos leva para fora da Terra, numa alucinante viagem que durante a noite (que é uma criança) não percebemos as horas passarem. O negócio principal não é o aprofundamento nos estudos, mas o “boiar” na superficialidade dos instantâneos textos bem delineados do Google.
Quem não deseja consumir ou produzir idéias a um leve toque, sem recorrer à velha estante de livros mofados, é tido como um otário que não quer evoluir, pois a mídia requer que o internauta escreva qualquer coisa, a cada 24 horas, para alimentar a Wikipédia e os canais de procura de assuntos. A voz que se ouve já internalizada é: obtenha acesso mais rápido, crie mais sites na rede para ser visitado, procure fazer mais listas extensas de amigos na rede, publique mais tratados e difunda de todas as maneiras mais informações para seu conforto espiritual e diversão de muitos”.
Um perfeito internauta, para a mídia, é aquele que choca, que muda sempre a definição dos seus conceitos para confundir, ainda que não saiba exatamente o que se está a sentir enquanto digita. Sentimentos são descartáveis, a efervescência é a regra. O importante é atiçar as paixões e afundar-se nas dramaticidades.
Nas tetas do mundo cibernético você pode fazer “gratuitamente” o seu lobismo popular e seu protesto social. Pode organizar sua “primavera dos jovens” incitando a substituição de governos totalitários, por outros super-totalitários. Pode engajar-se na arte da política, da religião, adquirindo o seu diploma de Ganhador de almas em cursos relâmpagos de dois fins de semanas, com direito a registrar a sua igreja pela internet, sem sair de casa. Pode ultrapassar os limites interpostos por seus antigos pais, para de forma agressiva se auto-flagelar: ferir os outros e desfazer os elos fraternos dão a sensação momentânea de orgulho, ao reavivar o narcisismo primário. Aqui não vale o axioma freudiano de que “o nosso maior inimigo é interno e, de forma definitiva nos pertence”.
Golpear, assustar, bombardear ― é o lema das empresas do monstro midiático que agradecem a desnaturação humana.
Nas teias desse monstro midiático você pode realizar a sua catarse sem limites, e, no seu altar realizar o seu ritual de limpeza. É lá que o desejo de ser único se exalta em conflito com os anseios do OUTRO. É o canal apropriado para dar vazão aos instintos mais primitivos —, aqueles afetos de destruição presentes no mito de Caim e Abel. É lá que destruímos parte do que construímos a fim de preservar o que nos parece “essencial”.
Permaneça, a maior parte do tempo com sua mão direita a repousar sobre o “mouse” e, esqueça o que escreveu Ariel Dorfman, sobre Mickey Mouse: “Ele une poder e infantilização”. “Ele domina sobre todos enquanto seu sorriso desarma todas as críticas.”
Site da imagem: profsezimar.com

domingo, 16 de outubro de 2011

AS ASSOCIAÇÕES CRISTÃS E SEU PAPEL NA PERIFERIA URBANA: UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA




Por J.Lima, professor, Mestre em Ciências da Religião



O FATOR RELIGIOSO é um dos principais agentes transformadores da sociedade. Hoje no Brasil não é possível fazer uma analise social sem levar em conta a participação da religião, principalmente as pentecostais históricas quanto as “neopentecostais” .

No entanto, para entendermos os aspectos positivos e negativos dessas ações e necessário avaliar os pressupostos axiomáticos que estão como forca motora dessas atividades. Os atos são efeitos de uma convicção, elaborada numa formulação teológica. A proposta dessa reflexão é fazer uma analise dos pressupostos como causa para as ações sociais efetivas da religião cristã na periferia urbana.


A valorização da pessoa como individuo

A CONTRIBUIÇÃO da religião na periferia urbana tem sua gênese no axioma teológico da bíblia no Antigo Testamento. Já nos livros do Pentateuco havia uma preferência para com os pobres, desvalidos, as pessoas excluídas da sociedade. O oficio do messias era um ministério primariamente que se voltava para os pobres: “Levar boas noticias aos POBRES, anunciar LIBERDADE AOS CATIVOS”(Isaias 61.1)

O êxito da religião evangélica está no fato de que na sociedade, a condição financeira determina a aceitação das pessoas nas redes sociais. Ele só poderá se relacionar de acordo com sua estrutura sócio economica. 

A religião cristã proclama uma mensagem sociológica inclusiva, visto que esta fundamentada toda ideologia na seguinte premissa: “Todos os homens são criaturas de Deus”, por isso, as diferenças sociais não são relevantes diante do criador que vê todos de forma igual.

A religião cristã oferece uma proposta que torna se irrecusável, após a consciência de criatura universal, prossegue: “Mas você pode ir mais longe, pode tornar-se filho de Deus ao “aceitar a Jesus como salvador”. Isso significa que a pessoa que estava excluída da sociedade, agora passa a ter uma “família”, onde “Deus” é o “Pai” e todos os participantes da comunidade se consideram “irmãos”.

Essa construção sem duvida torna-se o primeiro beneficio para a sociedade, pois o individuo, de excluído que muitas vezes não tem sequer uma família, ganha um senso de pertencer, ser amado, há uma mudança sintomática na sua vida. As ações efetivas na sociedade são reflexos do poder dos laços criados a partir da inserção da pessoa na comunidade de fé, visto que elas ganham senso de autoridade.

Essa realidade e descrita por BAUMAN, 2010, p. 76: "Assim os fatores unificadores são valorizados como mais fortes e importantes do que qualquer coisa que possa causar divisões, e as diferenças entre os integrantes, são secundarias em relação as similaridades”. 

A religião cristã ressalta o valor da individualidade ao mesmo tempo em que a coletividade o imerge numa dimensão reflexiva de respeitar princípios que estão além de si, pertencem a um bem maior da comunidade.

A solidariedade social como o reflexo da valorização do individuo

As AÇÕES SOCIAIS governamentais buscam obras que venham abranger um bem coletivo, visam a comunidade numa forma geral, buscando na medida do possível atuar na esfera das necessidades básicas. Contudo muito pouco ou quase nada, fazem para outra dimensão do individuo na sociedade que é a necessidade de "pertencer", da "auto-imagem", de valores que transcendem ao ser humano.

Quando uma pessoa chega na igreja e se "converte" a fé cristã, logo os cooperadores da igreja anotam seu endereço e fazem constantes visitas, ao perceberem que ele precisa de alimentos, ou qualquer outra coisa básica para a sua subsistência logos dão um jeito de tirar ofertas entres os irmãos da comunidade para suprir as necessidade mais básicas da pessoa. 

Contudo a  ajuda maior está na mudança de cosmovisão, a pessoa passa a sacralizar o tempo e o espaço. Tempo porque ele passa a crer que agora há um propósito de “Deus” para sua vida, e o espaçotambém passa a ser sacro, pois "aquele momento" que está notemplo, está fora do “dia normal”, o fiél entra nele e nesse "momento", ele resignifica todos os outros momentos, como se recebesse uma carga energética.

O cristão sente-se o protagonista da sua historia, não apenas um "ser" que vai passar, passa a ter  perspectivas que vão além, uma cosmovisão de continuidade e não de finitude. Essa realidade e bem expressa por Leonardo BOFF, 1980 p.65: “Essa fé cria uma mística que não foge nem teme a perseguição, a prisão a tortura e a morte, porque ela liga a pessoa a um absoluto. Mas insere dentro da normalidade da vida de fé na cruz de Jesus Cristo”.


 Status: "Ser" como primazia sobre o "Ter"

A SOCIEDADE CAPITALISTA tem como premissa básica o acumulo dos bens, automaticamente exclui os indivíduos de baixa ou sem renda. Todas as exigências para se obter um status na sociedade e irrelevante na comunidade cristã. A pessoa torna-se integrante de uma família, ter uma inumerável quantidade de “irmãos na Fé” eleva a sua estima pelo fato dos valores do capitalismo estar no “Ter”, enquanto na religião Cristã esta no “Ser”.

Há uma inversão epistemológica na maneira de refletir a vida, o “Ser” tem primazia sobre o “Ter”. O primeiro passa a ser o Status maior, o segundo torna-se efeito de como ele vai se relacionar com o seu “Deus”. A partir daí ele ganha condições para se ver diferente, ao mesmo tempo em que suas ações vão refletir na sociedade.


A vida religiosa com movimento em direção ao outro

A VIDA RELIGIOSA parte do principio que há necessidade de valorização do individuo, o insere numa “família” que forma uma comunidade de pessoas que agora tem um alvo, por em pratica a ética de Jesus relatada no evangelho, o que significa uma participação mais ativa na rede solidária com o outro. As ações legitimarão o direito dos fiéis entrarem no reino eterno. O julgamento final e descrito como uma reunião de todas as nações onde haverá uma separação entre “ovelhas” e “bodes” em lados opostos.

O cenário é descrito com o rei que dirá para os fiéis vir receber por herança o que foi preparado, isso em razão de terem sido solidários com os excluídos: “Pois eu tive fome; e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro e vocês me acolheram; necessitei de roupas e vocês me vestiram; estive enfermo e vocês cuidaram de mim; estive preso e vocês me visitaram.”(Mateus 7.35,36). As pessoas são chamadas de justas e perguntarão quando foi que fizeram isso ao rei, visto que não fizeram pessoalmente a Ele? (Mateus 7. 37-39). A resposta é: “O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram”(Mateus 7. 40).

Essa e uma condição sine qua non para se alcançar o objetivo proposto pela fé cristã, ou seja, a ação solidária não é uma opção, mas um dever, visto que a isenção do cristão leva-o a exclusão do futuro reino, além de o descaracterizar como cristão, seria o mesmo que ignorar o próprio rei que se coloca no lugar dos marginalizados se identificando com eles: “O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram” (Mateus 7. 40).


O exclusivismo: O aspecto negativo

Se POR UM LADO o fato de ter um absoluto, da sentido a vida na religião cristã, paradoxalmente esse fato que traz benesses, também e responsável por um dos mais graves problemas: O exclusivismo como gerador da intolerância; isso acontece devido aos axiomas teológicos que permeiam toda a reflexão cristã. Esse exclusivismo tem sua origem na definição do conceito de "verdade".


A verdade metafísica, fora do corpo e da historia

O que e a verdade? Essa e a gênese de toda a intolerância religiosa, o cristão normalmente se envolve em conflitos quando responde a essa pergunta. A reflexão cristã tem seus postulados na filosofia grega, a verdade é a concordância entre “sujeito e objeto”, produto da “contemplação”. A verdade tem sua gênese na “teoria”, a “práxis” é apenas o efeito é legitimada pela teoria.

A verdade pronta, nasce na “razão” por isso é “eterna e imutável”. O cristão precisa conhecê-la através da interpretação bíblica, e viver de acordo com ela, o que é chamado de “revelação”. Essa “revelação” para o cristão e metafísica, não leva em conta o tempo, a historia e as situações contingências. Na cosmovisao grega o sujeito precisa interpretar o mundo, a verdade e estática, diferente da teoria marxista onde o homem precisa transformar o mundo, a verdade é dialética, e provisória.

A “verdade” é produto do conflito entre o homem e sua luta pela sobrevivência, portanto nasce no corpo. Na teologia cristã a verdade nasce do "espírito, alma, razão", fora do corpo. Essa forma de refletir é prejudicial por produzir dois tipos de reducionismo: O religioso e o Político.


Reducionismo religioso

Se A "VERDADE" está circunscrita a esfera da hermenêutica com pressupostos nas doutrinas herdadas da tradição, logo, todos os que não pensarem dentro desse circulo, não estão com a “verdade”, assim as demais religiões que professam um credo diferente, são alvo de uma “conversão”, o que causa conflitos.

O que foi positivo para inserir o individuo na comunidade, torna-se a causa geradora de conflitos na comunidade, principalmente com os familiares, pelo fato que agora ele vai lidar com categorias de "sagrado" (tudo que se relaciona com a fé) e "Profano", (tudo o que não relaciona com a fé, chamando de "mundo"). Nessa óptica, a experiência só e legitimada a partir da aceitação da “fé crista”. Esse e um caso muito claro na relação entre católicos e cristãos evangélicos, na reforma protestante (1050 - 1500 d.C). Há certa animosidade quando a pessoa sai da "fé católica" e se "converte" a fé cristã, há rupturas e afastamento por parte do novo fiél da fé evangélica.


  Reducionismo político

O REDUCIONISMO POLÍTICO É outro efeito da herança teológica neoplatônica inserida nas interpretações dos chamados pais da igreja primitiva, século IV d.C. Agostinho praticamente determina o curso da reflexão teológica da igreja, seu pensamento dicotômico herança da filosofia grega estabelece um pensamento dualista, de dois mundos em oposição.

A política foi interpretada como uma dimensão antitética, “secular” e, portanto, em oposição ao “sagrado”, isso fez com que a igreja Cristã de origem protestante, se relacionasse com a política de forma alienada, não e sem razão que Marx a nominou como “ópio do povo”.

A religião atuou com um anestésico frente ao poder da classe dominante. O catolicismo embora tenha uma postura política mais engajada, pode se dizer que foi omissa na maior parte da historia e ainda usou a teologia como meio de legitimar a dominação com uma hermenêutica tendenciosa a favor dos ricos.

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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUMANN, Zigmunt. Aprendendo a pensar Sociologicamente. Rio de Janeiro-RJ. Zahar 2010.

BOFF, Leonardo. Teologia do cativeiro e da Libertação. Rio de Janeiro-RJ. Ed. Vozes 3ª Ed. 1982.

ALVES, Rubem. O suspiro dos Oprimidos. Ed. Paulus. São Paulo - SP. 6ª Edição 2006.


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TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM
http://jl-reflexoes.blogspot.com

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A empregada e a patroa


Nos idos tempos da Ditadura Militar(tempos que meu pai, militar roxo e caxias se lembra com saudades) os jornais costumavam publicar receitas nos espaços de matérias censuradas pelo governo. Enquanto esperamos o Wolkrs ou o Bill se manifestarem com um texto(que não será censurado!!!!! como é bom a democracia...) vou tapar o buraco negro com uma piadinha.








Há algum tempo, minha avô contratou uma faxineira para cuidar da limpeza da casa. Depois de alguns dias, constatou  que os móveis não estavam sendo limpos. Insatisfeita, aproximou-se de uma estante já cheia de pó e conseguiu desenhar uma árvore com o dedo. Chamou a ajudante e mostrou o móvel, mas para sua surpresa a moça exclamou:

_ Nossa! Como a senhora desenha bem!


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(contada por Carla Freitas, RS)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Humor e comportamento social


Elídia Rosa

De uns dias para cá, ascendeu a discussão sobre um conhecido comediante-apresentador-provocador, que acompanho já há bastante tempo - por ser conterrâneo - desde quando ainda postava vídeos no youtube e pequenas inserções nas rádios locais. O tempo passou, o rapaz hoje visto na bancada de um programa de TV com grande audiência, faz provocações  (humor?) que seguem a mesma linha .

Na esteira de declarações polêmicas, uma a mais não faria diferença... só que fez. O artista foi afastado do programa que integrava e gerou um debate dos limites sobre o que é humor ‘aceitável’, o que fomentou também uma discussão sobre o comportamento das pessoas, seja em grupos íntimos ou em público, quando o assunto é ‘tirar onda dos outros’. Não vou entrar na discussão geral, da suspeita de conspiração de pessoas influentes envolvidas, enfim. Mas pensar junto nessa questão:

É muito difícil separar a linha tênue do que é socialmente aceitável ou não.

Acompanhei dia desses um outro programa que o mesmo moço apresenta, com reportagens de jornalismo investigativo, e por um instante consegui dissociar o apresentador da persona que proferia tiradas irônicas (piadas?) na bancada da outra atração dias atrás. Vi alguém muito atuante naquele momento, no que se propunha a fazer, e não pude deixar de admirá-lo.

Só alguém com certo talento conseguiria fazer as duas coisas (‘humor’ e reportagens sérias), mas ao mesmo tempo creio que isso contribuiu para que uma sucessão de erros começasse a ocorrer tanto na cabeça do espectador quanto no papel do que o humorista exerce nos locais onde transitam suas idéias (TV/internet).

Aí alguém diz:

"- Mas o stand-up americano é muito mais irreverente e ácido que o humor brasileiro” (faz piadas com minorias). Aí entra a questão de perfil de público, creio eu, e o fato de que muitos desses comediantes geralmente falam (e riem) muito de si. Acredito que não dá pra jogar na TV algo que um público específico paga pra assistir.

Para finalizar, acredito que hipocrisia não seja uma palavra que defina totalmente o que está sendo discutido, (no sentido de que a as pessoas que aplaudiam o moço agora o criticam, por ser um comportamento aceitável socialmente). Há algo muito interessante nessa discussão, que vai além de simples definições de conceitos:

 - O que nosso ‘infinito particular’ fala sobre nós socialmente? E o que o social nos diria enquanto indivíduos?

Mais sobre a polêmica: 





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