sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quando começou a manipulação das massas






Por Atena




Não vivemos (países ditos democráticos) uma real democracia. (...)



Como comigo a sincronia funciona mesmo, vi na internet uma referência a um documentário que chamou-me a atenção e após assisti-lo todo (4 horas de duração ) passo a resumir aqui.

The Century of Self (o século do ego) é um premiado documentário britânico de Adam Curtis. Ele se concentra em como a obra de Sigmund Freud, Anna Freud e Edward Bernays influenciou a forma como os governos e as corporações têm analisado, tratado e controlado o povo na era da democracia de massa.

O Século do Ego faz perguntas profundas sobre as raízes e os métodos do consumismo moderno, democracia representativa, marketing e suas implicações. Ele também questiona a maneira moderna de vermos a nós mesmos, as atitudes em relação à moda e à superficialidade.

Edward Bernays (sobrinho de Freud), considerado pela revista Life Magazine como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX e considerado o pai da ciência chamada Relações Públicas, foi a primeia pessoa (após 1ª Grande Guerra) a usar as ideias de Freud sobre a mente para manipular as massas.

Com base nas ideias de seu tio, ele ensinou aos empresários americanos como podiam fazer com que as pessoas desejassem coisas das quais não necessitavam. Estava nascendo a ideia política de “como contolar as massas”: satisfazendo os desejos inconscientes das pessoas para torná-las felizes e dóceis. Era o pontapé inicial da era do consumismo.

Logo de início Bernays já demonstrou ser um baita marqueteiro pois criou o termo Relações Públicas substituindo a palavra propaganda já que esta estava mal vista por causa de seu uso pelos alemães.

A certa altura se perguntou se poderia ganhar dinheiro manipulando o inconsciente das pessoas e como assessor de um grande industrial do fumo lançou-se à sua primeira tarefa: convencer as mulheres a fumar em público (um tabu na sociedade da época). Convencido de que o cigarro é um símbolo fálico com idéias de poder, independência e liberdade embutidos nele, percebeu que poderia fazer com que o cigarro fosse adotado pelas mulheres como um desafio ao poder masculino. Com uma certeira e espalhafatosa jogada de marketing o conseguiu, aumentando incrivelmente as vendas de cigarro para o seu contratante.

Até então a publicidade se focava nas necessidades do povo e era dirigida ao seu lado racional. Bernays iria mudar essa ótica, pois já que seu tio tinha dito que o homem é controlado por impulsos irracionais, ele percebeu que poderia influenciar as pessoas apelando para o seu lado inconsciente e desenvolveu técnicas de persuasão a partir desses impulsos. É o que vemos acontecer até os dias atuais na publicidade e propaganda.

Além dos grandes empresários, Bernays sempre esteve muito ligado aos governos dos EUA. Em 1917 foi contratado pelo então presidente Woodrow Wilson para criar uma campanha para influenciar os americanos a apoiar a entrada de seu país na primeira guerra mundial. Em seis meses um imenso repúdio ao povo alemão estava instalado na América.

Em 1930, um banqueiro da Lehman Brothers, considerando que seu banco estava faturando pouco, decidiu: nós precisamos mudar a cultura americana da necessidade para o desejo, as pessoas têm de ser treinadas para desejar novas coisas. O encarregado de mudar tal mentalidade foi Bernays. Este, então, criou uma campanha para convencer as pessoas a pegar empréstimos para comprar ações (o que mais tarde teria suas consequências no crash da bolsa de 29).

Em 1929 Hoover é eleito e diz para seus assessores em RP (Bernays já havia feito vários discípulos) que deveriam transformar as pessoas em “máquinas de felicidade em constante movimento” ou “máquinas-chave para o progressso econômico”. Estava sendo criada uma nova maneira de como dirigir a democracia de massas, sua chave era o consumismo per si.

As ideias de Matthew Lipman (filósofo americano influente na época) e Bernays contaminaram a democracia e a transformaram num paliativo – “se continuar-se a estimular o lado irracional dos humanos, a elite pode continuar fazendo o que quiser” (as massas não têm capacidade racional para governar-se, pois são comandadas por impulspos primitivos).

A ideia de democracia para Bernays era manter as relações de poder metendo-se na vida psicológica das pessoas quando isso fosse necessário. Incutiu no povo a crença de que não poderia haver democracia sem o capitalismo - “a democracia se reduz de uma cidadania ativa para um consumidor passivo”.

As barbáries nazistas constatadas durante a Segunda Grande Guerra levaram os governantes americanos a voltar à ideia de que as massas são controladas por inconscientes perigosas forças destruidoras. O governo americano, grandes corporações e a CIA uniram-se para desenvolver técnicas que controlassem a mente do povo americano porque temiam que o lado humano irracional poderia tomar conta do povo e repetir o comportamento dos alemães durante a guerra.

Gigantesco experimento social para controlar a vida mental interior do povo americano foi criado, o programa “Saúde Mental da Nação” (lei aprovada pelo presidente Truman em 1946).

Centenas de psicanalistas foram treinados para aplicar as ideias de Anna Freud. Ela acreditava que era possível ensinar às pessoas como controlar as irracionais forças internas. Havia realizado a terapia de algumas crianças e considerou que seu método era válido (há que ensinar às crianças a ajustar-se às regras da sociedade), o que foi desmistificado posteriormente, mas, infelizmente, anos mais tarde.

No final da década de 1950 a CIA investiu milhões de dólares nos departamentos de psicologia das universidades americanas,financiando secretamente experimentos para controlar as forças internas das pessoas. Destacou-se nesta época Ewen Cameron que, como outros tantos psicanalistas, acreditava que dentro do ser humano residiam forças que ameaçavam a sociedade. Acreditava também que era possível eliminar da memória dos indivíduos tudo aquilo, que no seu critério, não era positivo à sociedade. Com este objetivo submeteu seus pacientes a doses maciças de eletrochoques, consumo de LSD e outras drogas procurando apagar a memória deles e posteriormente incluir nessa “tabula rasa” novos conteúdos, novos comportamentos. O resultado de suas experiências foi um completo desastre, pois deu origem a uma dezena de pessoas desmemoriadas de sua vida prévia e somente com a habilidade de repetir frases como: “estou contente comigo mesmo”.

Outros experimentos financiados pela CIA também resultaram num fracasso. Os estudiosos envolvidos finalmente começaram a se dar conta do quão difícil era comprender e controlar os mecanismos da mente humana.

Em 1978 um grupo de economistas e psicólogos da Stanford Research University decidiram encontrar uma maneira de ler, medir e cumprir os desejos dos novos imprevisíveis consumidores (os que queriam a autoexpressão). Foi criado então o “marketing por estilo de vida”.

Novos instrumentos de pesquisa psicológica do consumidor foram criados (os chamados grupos de discussão – focus groups) para explorar os sentimentos dos grupos divididos pelo “estilo de vida”. Posteriormente as empresas passam a fabricar produtos que permitam aos componentes desses grupos expressar o que consideram sua individualidade. A geração que uma vez já tinha se revoltado contra o consumismo, agora se rende ao mesmo porque o ajuda a ser a si mesmo (filosofia do eu centrado em si próprio).

Resumindo, no documentário é constatado que para criar-se uma sociedade estável é preciso reconhecer que o cidadão comum compensa suas frustrações gastando em auto-gratificações (consumo de produtos).

Dois exemplos da influência de Bernays:

- Achava que em vez de tentar dinminuir o medo das pessoas em relação ao comunismo este devia ser induzido e incentivado porque, desencadeando medos irracionais, faria americanos leais ao Estado e ao capitalismo de maneira a tornar-se uma arma na “guerra fria”.

- Seu papel no golpe de Estado da Guatemala em 1953, que culminou com a derrubada do presidente Jacobo Arbenz, eleito com a promessa de promover a reforma agrária em terras da United Fruit Company. Por meio dos jornais, Bernays foi capaz de aumentar o apoio da população ao golpe e à invasão do exército norteamericano, porém não pôde evitar a guerra civil que durou 36 anos e resultou em mais de um milhão de guatemaltecos mortos. (Aqui)

Bernays nunca realmente acreditou que a democracia podia funcionar.

O restante do documentário ainda mostra as influências das ideias freudianas em outros eventos, tanto nos USA como na Europa desde a época da Primeira Guerra Mundial, mostrando magistralmente como tem funcionado a manipulação das massas seja pelos políticos ou pelas empresas visando o consumo.

E então? Continuaremos sendo massa de manobra? Até quando?

Há que expandir a consciência para que a manipulação acabe!

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=HjzMHt2s4cI&feature=fvwrel



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Publicado originalmente no blog
Expansão da Consciência

Ilustração: http://meueufaellemartins.blogspot.com.br/2010/09/manipulacao.html

domingo, 23 de setembro de 2012

A verdade fundamental



A existência de uma ordem moral que a humanidade possui, tem algum sentido ou propósito superior. Talvez a origem deste propósito seja algo que possa ser chamado de Deus. Há os deuses que povoaram a história humana, deuses da chuva, da guerra, dos trovões, deuses criadores, deuses para todos os fins como o Deus Abraãmico. Estes deuses existem na mente das pessoas e, provavelmente, em nenhum outro lugar. Então, alguns religiosos que gostariam de ser mais modernos, criaram um Deus à sua imagem e semelhança, sobre humano, com uma mente parecida com a nossa com uma abrangência muito maior, fruto de sua própria antroponomia. Um Deus onisciente, onipotente e com o bônus de ser infinitamente bom. Este  não é o único tipo de Deus que existe.
Os cientistas elegeram uma pequena partícula como sendo uma realidade científica absoluta, o elétron. Mas os elétrons são, uma partícula ou uma onda?  Concebê-los com apenas uma das fórmulas seria incompleto, embora concebê-los como sendo ambas, seria inconcebível...  Os elétrons são apenas a ponta do iceberg. Em geral, o mundo quântico se comporta de maneira que não faz sentido para nossas mentes. Vários aspectos da física evidenciam a propriedade a qual Héinz Pagels chamava de estranheza quântica. A falta de conhecimento para entender alguma coisa com exatidão não significa que esta coisa não exista. Ao que parece, algumas coisas são só inconcebíveis, mesmo assim são coisas. O mesmo princípio rege as religiões onde todas são inconcebíveis aos olhos das outras. Muitas se comportam evidenciando o que Richard Dawkins chama de caos cristão.
Embora os cientistas sustentem que conceber sem precisão a realidade subatômica seja uma forma válida de conhecimento, muitos destes físicos não aprovariam se tentassem adotar artifício semelhante em um contexto teológico.
Ora!... Qual é, exatamente, a diferença entre a lógica da crença dos físicos nos elétrons e a lógica numa crença em Deus?   Cientistas percebem padrões no mundo físico tais como no comportamento da eletricidade, postulam uma origem para este padrão e chamam esta origem de elétrons.
Aquele que acredita em Deus, percebe padrões morais no mundo físico, postula uma origem para estes padrões e o chama de Deus. Deus é o desconhecido que dá origem à ordem moral, é o responsável moral por a vida ser sensível, passível de bons e maus sentimentos. Deus deu a cada ser humano um eixo moral em torno do qual organizamos nossas vidas se assim o quisermos.  Sendo humanos, sempre concebemos esta origem de ordem moral de maneira erradamente grosseira mas, poderíamos dizer o mesmo acerca de conceber elétrons. Logo, nossa atitude diante da origem de ordem moral será a mesma que a dos cientistas diante da origem subatômica de ordem física, como um elétron. Com uma diferença: O embasamento científico não é abstrato.
Se não podemos entender com clareza o que é um elétron, quais seriam as nossas chances de entender Deus com clareza?   Mas se dissermos que acreditamos em Deus mesmo reconhecendo que não temos uma ideia clara do que é Deus e que não podemos provar se ele existe por si mesmo, então nossa crença não tem fundamentos. O homem criou este Deus.

domingo, 16 de setembro de 2012

Verdade ou Mentira?! — O Tempo Dirá...





Estou estarrecido com as declarações veiculadas hoje (15 de setembro) pela revista VEJA – edição 2287, que coloca Lula no epicentro do escândalo do mensalão.

 Diz a reportagem que Marcos Valério, responsabilizado pelo maior esquema de corrupção da história, enfrenta um dilema terrível. Valério guarda segredos tão estarrecedores sobre o mensalão que não consegue mais reter só para si. Nos últimos dias ele disse a pessoas mais próximas que teme que se contar tudo o que sabe estará assinando a pior de todas as sentenças — a de sua morte: “Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje!”.

Diz mais ainda: “O PT me fez de escudo, me usou como um boy de luxo. Mas eles se ferraram porque agora vai todo mundo para o ralo”.

SERÁ???

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A cabeça cortada do monstro que torna a crescer nas eleições


"E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (Apocalipse 13:1-4; destaquei)

Mais uma eleição se aproxima e novamente o povo brasileiro é convocado a comparecer obrigatoriamente às urnas afim de escolher quem serão os futuros prefeitos e vereadores de suas respectivas cidades pelos próximos quatro anos (2013/2016). Panfletos, cartazes e carros de som estão por todo canto assediando o eleitor de maneira até exaustiva.

Impressionante como que os candidatos em destaque costumam ser os mesmos das eleições passadas! Porém, quando há alguma renovação nas câmaras municipais e prefeituras, os políticos novos que chegam lá, em regra, seguem os mesmos passos de iniquidade dos seus antecessores por eles criticados tão duramente no palanque. Isto quando não são os próprios filhos, cônjuges e apadrinhados dos que já se corromperam no poder, os quais, por mero impedimento legal, não estão podendo disputar reeleição ou cumular cargos, pelo que apoiam alguém feito à sua imagem e semelhança ou que seja osso de seus ossos e carne de suas carnes.

Pois é, amigos. A história da politicagem suja e barata tende a se repetir enquanto o Reino de Deus não estiver plantado nos corações governando a sociedade rumo a uma realidade diferente daquilo que ela vem experimentando passivamente. De pouco adianta as pessoas irem votar em outubro se elas continuam inertes quanto aos problemas do cotidiano e às necessidades coletivas. Só que parece fazer parte da natureza carnal do ser humano aplaudir os perversos como diz o salmista da Bíblia abordando o tema da prosperidade dos maus:

"Por isso o seu povo se volta para eles e bebem suas palavras até saciar-se" (Salmos 73:10)

Em que pese a maldade dos ímpios, ainda assim o povo prefere "beber" as suas palavras mentirosas. Enganado (ou querendo iludir a si mesmo), o cidadão dá crédito ao político que irá oprimi-lo após tomar sua posse no cargo. Vota no cara que desviará o dinheiro público, privatizará as escolas, deixará que os hospitais continuem quebrados atendendo mal os pacientes do SUS, fará da prestação do serviço público um mero favor ao pobre, aumentará a tarifa dos ônibus urbanos em comum acordo com os empresários do transporte, cobrará propina de quem realmente produz, inventará novos impostos e usará até da violência física e institucional para proteger os seus esquemas de corrupção.

Falando mais uma vez da Bíblia, é interessante observar que certos fatos configuram como reincidentes nas Escrituras Sagradas. Em Êxodo, diz o texto que um faraó decidiu afogar no rio Nilo os bebês das mulheres hebreias afim de controlar o aumento populacional da descendência de Abraão no Egito (ver Ex 1:22). E, cerca de um milênio e meio depois, um outro monarca (Herodes, o Grande) resolveu fazer praticamente a mesma coisa mandando exterminar os meninos de até dois anos na cidade de Belém (Mt 2:6). Isto porque o rei intencionava matar o Messias prometido com medo de que viesse a perder o trono de Jerusalém para o legítimo herdeiro da casa real de Davi.

É certo que, nos tempos de Herodes, acreditava-se na vinda de um cristo político cuja missão seria a de restaurar a soberania perdida de Israel. Muitos judeus aguardavam que o Messiah iria liderar o povo na libertação do domínio de Roma, a qual oprimia a nação com sua potente força militar, cobrava pesados tributos, escravizava, estabelecia trabalho forçado nas minas, e punia cruelmente os revoltosos que se opusessem a César. Mas quanto ao desempenho desse papel guerrilheiro, Jesus parece ter frustrado as expectativas de seus compatriotas, inclusive dos discípulos que o seguiam. Principalmente quando resolveu entregar a sua vida voluntariamente em favor da humanidade ao invés de resistir com armas a ponto de Pedro tê-lo negado durante sua prisão mais provavelmente pela vergonha do que pelo medo de morrer junto.

Durante a tentação sofrida no deserto, o diabo chegou a apresentar um atalho a Jesus para este concretizar rapidamente o projeto messiânico, oferecendo-lhe todos os reinos do mundo "se, prostrado, me adorares" (Mt 4:9). Porém, o Senhor rejeitou de plano aquela proposta ilusória de Satanás e seguiu firme no seu ministério valoroso afim de arrancar o mal pela raiz, limpando do coração dos homens toda semente maligna. Sobre este mesmo solo, ele plantou as boas novas de um reino que não é deste mundo e que não funciona segundo a lógica pecaminosa dos governantes visto que o Evangelho busca primeiramente a transformação íntima do ser humano pela via do arrependimento e da conversão sincera. Do contrário, caso Cristo viesse a se tornar um novo rei no lugar de Herodes, os resultados de justiça e de paz pretendidos seriam de curta duração de modo que o seu governo passaria como um dia também passaram os reinados terrenos de Davi, Salomão, Asa, Josafá, Ezequias e Josias, todos estes considerados importantes líderes da nação judaica em sua fase monárquica.

Ora, do que adianta cortarmos uma das cabeças da besta se ela volta a crescer? Pois digo ser necessário expulsar de dentro dos nossos corações aquele monstro do Apocalipse visto que somos os verdadeiros responsáveis pela manutenção desse sistema sujo, o qual embriaga os líderes do mundo com a bebida entorpecedora de sua prostituição. É a nossa própria cobiça, distorção da realidade, lascívia, impulsividade, omissão e valores egoístas cultivados interiormente que ainda contribuem para manter no poder não apenas as mesmas pessoas, mas também as velhas práticas rotineiras de exploração e de violência.

O Reino precisa estar em nós! É algo que deve ser compreendido no íntimo de cada um e ser posto em prática dentro das relações estabelecidas com o próximo e com a comunidade. E aí, sendo a sociedade alcançada em sua base com o amor sacrificial de Cristo, conseguiremos ver transformada essa dura realidade que ainda nos aflige. Mesmo que contemplemos esta visão pela fé no cumprimento da história.

Que sejamos os agentes desse bendito Reino de Deus e do seu Cristo! Aleluia!


OBS: Ilustração extraída do acervo da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:La_B%C3%AAte_de_la_Mer.jpg

domingo, 2 de setembro de 2012

O 11 de Setembro Está Vivo



Por Levi B. Santos



Os turistas que estão visitando Nova York, dizem que estão se sentindo em casa, chegando até a compará-la com a nossa São Paulo. Dizem eles que ao redor da Times Square, o que mais se vê são bugigangas (olhe o respeito!) como chaveiros, porta-retratos, canetas, camisetas e outras quinquilharias para que os turistas as adquirem como lembrança da tragédia que se abateu sobre um dos seus maiores símbolos ― as Torres Gêmeas. A criatividade dos americanos foi muito além: há até rolos de papeis higiênicos com a cara de Bin Laden com os dizeres: “acabe com o terrorismo!”. Há também estatuetas de policiais e bombeiros que foram os grandes heróis. Nessa época, bandeiras brasileiras se juntam às americanas numa irmandade patriótica fora do comum. Há até brasileiros de dois corações que levam as duas bandeiras, uma em cada mão.

Não é à toa que a expressão — “O Brasil é o Quintal dos EUA” ― já entrou para Wikipédia como “um conceito utilizado em Ciência Política e nos contextos de relações internacionais para se referir à esfera de influência dos Estados Unidos”.

Como acontece desde 2002, Nova York, nesta semana, vai parecer mais uma festa dos mais variados povos do mundo e, não poderia faltar nesta miscelânea o “brasileiro-americano”, que não perde essas ocasiões para exteriorizar seu ufanismo. Ele se vê hasteando a bandeira americana no meio dos escombros imaginários, talvez, sentindo os eflúvios da reminiscência histórica internalizada em sua psique: Estaria ele erguendo, inconscientemente, o pendão nacional em Monte Castelo na Itália, sei lá de que forma, por ocasião da segunda Guerra Mundial?

Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da Folha de São Paulo, que faz constantemente a ponte aérea Brasil — EUA, em um de seus artigos, oferece uma explicação para toda a evocação patriótica que, nessa época, faz Nova York fervilhar de gente de todos os recantos do mundo.

Quanto à compra de bugigangas, como recordação do 11 de setembro de 2001, Contardo faz uma abordagem interessante. Diz ele:

“O propósito dos turistas de comprar todas essas lembrancinhas não é para embelezar suas residências nem lembrar suas viagens. Seu propósito é a domesticação do mundo. Nem todos os turistas viajam para negar a intolerável alteridade do mundo. Alguns, ao contrário, viajam para conhecê-la e reconhecê-la. Mas todos parecemos voltar de viagem com objetos encarregados de conciliar a estranheza dos lugares visitados com a familiaridade de nossa casa e de nossa vida”.

As Torres Gêmeas, nesta semana, estarão no centro dos noticiários, e também no centro de nossa mesa. Quanto a Osama você poderá encontrá-lo na privada, impresso em um rolo de papel higiênico. E se ele morder?... (rsrs)

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