segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O palhaço e os livros





Carlos Telles na biblioteca que montou com livros jogados fora.



Segundo o Ministério da Educação, só 23% das 149.968 escolas públicas de ensino fundamental têm uma biblioteca. Em 2007 uma pesquisa do Instituto Pró-Livro(sabiam que este instituto existia??) revelou que três em cada quatro brasileiros não frequentam bibliotecas e 45% deles não pegaram num livro em três meses. Num quadro assim tão deprimente, atitudes que pipocam aqui e ali chamam a atenção pelo inusitado. Carlos Roberto Telles é um palhaço. Fugiu de casa aos 7 anos e foi viver nas ruas de Curitiba. Consumiu drogas e cometeu assaltos. Para se proteger do frio e das crianças mais velhas, buscava abrigo na Biblioteca Municipal. Ele diz que nunca conseguia entrar na biblioteca pois sempre era barrado pelos seguranças por estar sujo e malvestido.

O destino do Palhaço mudou. Ah, o destino...certa vez policiais levaram Telles para um abrigo de menores. Lá começou a ter aulas de teatro e virou o palhaço Chameguinho, personagem que até hoje ele interpreta nas ruas. Com o dinheiro que ganhou das apresentações comprou uma casa na Vila das Torres. Um dia (destino?) observou catadores de papel da comunidade desmanchando livros encontrados no lixo. Um país onde livros são jogados no lixo para servirem a reciclagem de papel pretende chegar aonde...? Pois bem, o palhaço teve uma brilhante ideia: montar uma biblioteca diferente da Municipal, onde qualquer um poderia entrar, mesmo sujo ou malvestido.

Primeiro ele teve que convencer aos catadores que doar os livros para ele era uma opção mais produtiva que destruí-los para vender papel. Aos poucos, vários deles começaram a dor os livros que encontravam. Em 2009 a biblioteca foi instalada num prédio alugado. Para mantê-los o palhaço conta com doações dos frequentadores, cerca de 2 mil cadastrados.

Iniciativas como essa são louváveis e vêm de onde menos se espera. Uma outra iniciativa parecida com a de Telles foi a que teve Sebastião Carlos dos Santos, líder da Associação dos Catadores do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho. Ele encontrou um exemplar do “Príncipe”, de Maquiavel no meio do lixo (Que país joga Maquiavel no lixo!!??). Intrigado com o título, resolver ler. A partir desse dia, passou a levar para casa todos os livros que encontrava. Ficou famoso quando sua história foi contada pelo documentário Lixo extraordinário, do artista plástico Vik Muniz. Com a ajuda da prefeitura, Sebastião criou um programa para exibir um filme uma vez por semana num telão ao ar livre e organiza apresentações de dança e música para a comunidade do bairro.

Sebastião resume sua missão:

 “Minha intenção é levar cultura para aqueles que não têm acesso a ela, assim como um dia eu também não tive”.



Nem tudo está perdido.

(Li sobre o Telles na revista Época de outubro de 2011)

sábado, 13 de outubro de 2012

...NO MERCADO HUMANO





Foi nos idos de 1967, como acadêmico do curso de Medicina da U.F.Pb  que, em um dos sebos de João Pessoa – Paraiba, me deparei pela primeira vez com as obras do Alemão Erich Fromm (1900 ― 1980) —, sociólogo, psicanalista e filósofo, contemporâneo de Freud. Foi a partir do livro “Ter ou Ser?” que me tornei um leitor aficionado desse humanista, chegando a adquirir com muito esforço, dez livros do acervo de suas vinte e duas obras.

O livro “O Dogma Cristão” (1963) de sua autoria, em sua quinta edição -esgotada (Editora Zahar – 1974), tem, na página 30, um ensaio emblemático ainda muito válido para nossa época, com o título: “A Presente Condição Humana”

Alguns trechos desse capítulo, quero aqui destacá-los, pela impecável exposição do autor, quanto ao caráter do homem moderno e sua função mercantil.

Diz, Erich Fromm:

No século XX o caráter do homem foi moldado pelas exigências do mundo que ele construiu com as próprias mãos. Esse caráter foi determinado pelo desejo de explorar os outros e poupar os ganhos para obter novos lucros.
O homem contemporâneo é, sem dúvida, passivo durante a maioria do seu tempo. É um consumidor eterno, que aceita bebidas, alimentos, cigarros, conferências, panoramas, livro, cinemas — tudo isso é consumido, engolido. O mundo é um grande objeto de seu apetite, uma garrafa grande, um seio grande. O homem tornou-se o amamentado, o que espera sempre — e o eternamente desapontado.

Que tipo de homem, portanto, necessita nossa sociedade a fim de funcionar sem atrito? Precisa de homens que cooperem facilmente dentro de grandes grupos, que desejem consumir mais e mais, e cujos gostos padronizados possam ser facilmente influenciados e previstos [...]. [...] O Homem se sente como o portador ativo de suas forças e riquezas, mas como uma “coisa” empobrecida, dependente de outras coisas fora dele, e nas quais projetou sua substância vital.

[...] Alegamos serem nossos os objetivos da tradição judaico-cristã: o amor de Deus e o de nossos vizinhos. Ouvimos dizer que atravessamos um período de promissora renascença religiosa. Nada poderia estar mais longe da verdade. Usamos símbolos pertencentes a uma tradição religiosa autêntica e os transformamos em fórmulas, que servem às finalidades do homem alienado. A religião tornou-se uma concha vazia, foi transformada num sistema de auto-serviço para aumentar a nossa capacidade de êxito. Deus tornou-se um sócio nos negócios. [...]. [...] Tal como o homem primitivo estava impotente frente às forças naturais, também o homem moderno se encontra desarvorado frente às forças sociais e econômicas por ele mesmo criadas.

O ensaio, do qual pincei os trechos acima, foi escrito na Alemanha em 1930. Estamos em 2012, e a evolução tecnológica e científica nem de longe conseguiu substituir ou modificar o seu conteúdo. Uma prova disso é que as mostras de mecanização do homem se repetem na nossa atual vida afetiva, econômica, psicológica e política. O desejo do renascimento do Novo Homem saturou-se. Nem o avassalador desenvolvimento cibernético conseguiu aproximar o homem dele mesmo.

E agora José?

Site da Imagem: agracadedeusmebasta

domingo, 7 de outubro de 2012

Propaganda Subliminar



A Mensagem Subliminar é a arte da persuasão inconsciente. Ela trabalha com o subconsciente das pessoas. Dá-se o nome de mensagem ou propaganda subliminar toda aquela mensagem que é transmitida em um baixo nível de percepção, tanto auditiva quanto visual. Embora não possamos identificar esta absorção da informação, o nosso subconsciente capta-a e ela é assimilada sem nenhuma barreira consciente, e aceitamo-la como se tivéssemos sido hipnotizados.
Por definição, subliminares são as mensagens que nos são enviadas ocultas, abaixo dos limites da nossa percepção consciente, e que vão influenciar nossas escolhas, atitudes, motivar a tomada de decisões posteriores. Subliminares são mensagens que entram na nossa mente de contrabando, como um vírus de computador que fica inerte, latente, e só é ativado na hora certa. Este tipo de propaganda fere as normas do bom senso e do livre arbítrio, pois não nos dá opção de escolha, seja na compra de um produto, uma filosofia ou ideal político.
Você tem ideia do que é propaganda subliminar? Provavelmente não, mas com certeza já foi ou é vítima dela. A propaganda subliminar é a arte da persuasão inconsciente. Ela trabalha com o inconsciente das pessoas.

A primeira experiência do gênero foi realizada em 1956, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, pelo publicitário Jim Vicary. Durante a projeção de um filme, ele inseriu a frase "Beba Coca-Cola" numa velocidade tão rápida - aparecendo com apenas 0,003 segundo de duração - que ela passava desapercebida. O olho humano só capta imagens que duram no mínimo 0,02 segundo, mas, de acordo com Vicary, as mensagens ficavam gravadas na mente das pessoas - tanto que, no intervalo do filme, as vendas do refrigerante aumentaram 60%. Ele repetiu a experiência com a mensagem "coma pipoca" e obteve o mesmo resultado. Também é possível fazer propaganda subliminar com sons. "Uma técnica comum é usar batidas de coração como ruído de fundo para propaganda política. O som fica quase imperceptível, principalmente se misturado à trilha sonora ou à fala do candidato, mas passa uma sensação de calma e segurança. O expediente já foi utilizado por políticos como Covas e Maluf, e nas propagandas de carro da Chevrolet", afirma o publicitário Flávio de Alcântara Calazans, professor da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. "Propaganda subliminar é crime em países como Estados Unidos e França, mas aqui no Brasil não existe uma legislação específica sobre isso - embora o Código de Defesa do Consumidor deixe claro que esse tem o direito de saber quando está diante de uma mensagem publicitária". Propaganda subliminar tem o poder de transformar vendedor de laranjinha em presidente de republiqueta.

A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo, por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber, comer algo ou votar em alguém), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse grau de persuasão deveria variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e a personalidade do receptor.

. No entanto, até hoje, a persuasão subliminar não conseguiu ser comprovada, ainda que alguns pesquisadores independentes aleguem terem experimentos que de fato comprovariam a existência da persuasão. Infelizmente até hoje ainda não existe nenhum trabalho publicado em periódicos científicos que confirme essa afirmação, desde a época em que o conceito de mensagem subliminar foi definido.

É unânime entre os neurocientistas e psicólogos que o inconsciente não é facilmente manipulado, como acredita o senso popular. Segundo Henrique Schützer Del Nero, Especialista em Psiquiatria pelo H.C da Faculdade de Medicina da USP, o inconsciente não pode levar o consciente a fazer algo que ele julgue errado ou que realmente não queira: "O inconsciente como um depósito de complexas decisões, desejos, preferências etc., é, sem dúvida, o principal alicerce [para a crença nas 'mensagens subliminares']. No entanto, esse inconsciente 'esperto', contido na visão popular da psicologia, tem sido rejeitado pelas modernas pesquisas cognitivas", afirmam os psicólogos Birgit Mayer e Harald Merckelbach, através do artigo "Unconscious Processes, Subliminal Stimulation, and Anxiety", publicado pela Clinical Psychology Review.

Mas, então, é preciso entender como é o funcionamento da parte não-consciente do cérebro. Subconsciente é um termo utilizado em psicologia para designar aquilo que está situado abaixo do nível da consciência ou que é inacessível à mesma. São todas as lembranças que não podem ser imediatamente recordadas, como também as diversas características de nossa personalidade. O subconsciente não é uma consciência paralela, ele é a "engrenagem" que sustenta a mente consciente, o reservatório de informações e sensações. Portanto o subconsciente não é capaz de tomar decisões, embora como parte do processamento, seja capaz de responder a estímulos - seja enviados do consciente como também estímulos dos cinco sentidos. (O conceito de subconsciente como uma mente paralela só aparece na psicanálise, mas não é apoiado pela psicologia moderna.)
Algumas igrejas usam a mensagem subliminar para converter novos membros a aceitar Jesus como seu salvador, principalmente as que usam TVs como veículo de propaganda e as maiores vítimas são crianças.
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