sábado, 28 de setembro de 2013

O noticiário de 2063

Considerando a tendência de aumento na expectativa de vida, existem boas possibilidades de que uma pessoa de minha idade, nascida nos anos 70, viva mais uns 50 anos. No entanto, fico a pensar nas condições do nosso planeta na segunda metade do século XXI. Será que o mundo dará algum gosto para as pessoas quererem viver tanto?

Com tantas variáveis incidindo sobre as tendências sociais, políticas, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, qualquer projeção do cenário global para daqui cinco décadas será pura fantasia. Temos, a meu ver, um número bem grande de probabilidades. Imaginando um futuro pessimista, mas que deixe muitos de nós vivos para conferirmos os resultados de ações e omissões praticadas, imaginei esta fictícia apresentação de um noticiário da TV do ano de 2063:

Às nove e meia da noite de uma sexta-feira de setembro, um homem octagenário chega em seu apartamento de vinte metros quadrados no sexto andar do subsolo de um prédio na cidade grande cujas prestações do programa habitacional ainda pagava. Após ter trabalhado onze horas, ele precisaria acordar bem cedo no dia seguinte para dar continuidade ao serviço na empresa onde era empregado. A única distração que tinha era o telejornal.

Através de um gesto feito no sensor da residência, ligado ao computador único do apertamento, a telinha inteligente de TV é automaticamente ligada exibindo o fechamento da cômica novela das oito. Pega então uma bebida na geladeira e senta exausto no seu sofá cama.

Começa o noticiário e os dois apresentadores surgem em três dimensões como se estivessem dentro da casa. Ou melhor, como se o telespectador fosse sugado para o interior da TV. Começam então a falar:

- Brasília, 28 de setembro. O Congresso Nacional reunindo-se extraordinariamente aprova mais uma mudança no Estatuto da Terceira Idade. Passam a ser considerados idosos os cidadãos com 110 anos.

- Houve manifestações violentas em todo o país e mais de duzentas pessoas mascaradas foram presas pela polícia. Sindicalistas protestavam também contra a proposta de aumento da idade mínima da aposentadoria de 100 para 120 anos.

- Um ataque com armas nanotecnológicas deixou oito mil mortos no Oriente Médio e até agora nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do atentado.

- Nos Estados Unidos o governo emitiu alerta máximo contra furacões. É esperada a tempestade mais forte dos últimos dez mil anos.

- O dólar torna a subir e, segundo a Fundação Getúlio Vargas, a inflação da semana passada foi de 43%.

- É criado o imposto sobre a propriedade de animais domésticos.

- Um avião cai misteriosamente no deserto amazônico sem deixar pistas e a aeronáutica ainda não pôde iniciar as buscas por falta de combustível.

- O advogado do ex-senador Carlos Antonio Tetraneto, acusado de desviar um trilhão de reais novos da Fundação José Sarney, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal e vai responder ao processo em liberdade.

- Robôs assassinos voltam a assaltar motoristas na Avenida Luís Inácio Lula, em São Paulo.

- Evangélicos fazem show gospel em Belo Horizonte e pastores protestam contra a nova lei que determina a destruição de sêmen e de óvulos nos bancos genéticos de pessoas falecidas.

- A governadora do Rio Mariana Menininha anunciou que vai construir um terceiro Maracanã para a Copa de 2070.

- Meteorologistas estão prevendo calor de 50 graus para este final de semana.

- E assistam ainda os gols do Flamengo pela série B do Brasileirão.

- Tudo isso você vai ver em instantes depois da propaganda eleitoral obrigatória do Partido Zoofilista Islâmico Brasileiro.

Com raiva dos políticos, o homem resolve desligar a TV e, naquele mesmo instante, ocorre mais um apagão de energia. Sem nada para fazer, ele vai dormir.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Biblicamente Falando... Existe Espirito Humano?

“Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade, antes que... (contexto deve ser acoplado ao que aponto aqui)... E o pó volte a terra como era, e o espírito a Deus que o deu...” 

Eclesiastes 12:1 e 7

Estávamos estudando "cristologia" e surgiu uma pergunta interessante sobre a encarnação de Cristo. Perguntaram se ao chegarmos ao paraíso encontraremos dois "Jesus", o que possuía o espirito humano e o que possuía o espirito divino. Nem preciso dizer que isso causou um rebuliço na sala de aula kkkkkkkk Mas confesso que foi uma pergunta interessante e perspicaz... E agora??? Existe um "espirito humano"??? É óbvio que se trata de um assunto teológico e que para alguns aqui, pouco importa isso. Mas gostaria de ler as opiniões dos eruditos confrades que por aqui transitam e emitem seus tratados. Abaixo listo as argumentações bíblicas que encontrei, e que me respaldaram a emitir uma posição sobre o assunto, mesmo sendo contrariado por praticamente toda a classe.

  1. As escrituras afirmam e contribuem para a manutenção da ideia de tricotomia do ser humano em relação a sua composição. Somos corpo, alma e espírito (I Tessalonicenses 5:23 e Hebreus 4:12), cada qual com uma origem, função e um destino especifico. Com base nisto, a sentença que cito acima me fornece condições lógicas de afirmar que a expressão “espírito humano” é apenas uma força de expressão não tendo existência no campo teológico e filosófico por deficiências etimológicas e também por não se enquadrar na lógica racional das escrituras. Posso como força de expressão afirmar que o espírito é humano, somente se estiver me referindo à posse, ou seja, o “espírito é humano por estar no humano”. Afinal, o ser humano nada pode criar de si mesmo, e sendo assim, tanto Cristo como nós mesmos não possuímos um “espírito humano”, e sim um “espírito divino”. Por isso ele, o espírito esta pronto (Mateus 26:41) como bem disse Jesus, e no momento da morte ele retorna a Deus como pontuou o autor de Eclesiastes (Eclesiastes 3:7).
  2. A pré-existência de Cristo (João 1:1, Hebreus 1:2 e I Pedro 1:20) o dota de espírito, o qual anula qualquer possibilidade de que Deus o dê outro espírito. Sendo assim, fica simples de se compreender que Cristo apenas recebe corpo e alma ao vir a terra, considerando já ter o espírito divino em si. Logo, a ideia de que haja dois espíritos, ou que Jesus recebeu um ao nascer, é antibíblica devido a sua pré-existência.
  3. A diferença do que é apresentado nestas linhas em relação ao que Apolinario afirmou nos primeiros séculos da igreja se dá pela confusão que se faz etimologicamente entre os termos “espirito e alma”, fazendo relação a posição de mente/coração. Sendo que o termo mais apropriado para definirmos como mente seria a alma e ele utiliza espírito, pois é na alma que se concentram todas as emoções, sentimentos e desejos do ser humano (Provérbios 4:23), e que pela lógica e pela ciência corresponde a mente. Pois se a mente fosse definida pelo espírito, ele (espírito) jamais estaria pronto (Mateus 26:41), e sim em constante transformação, sendo sujeito a enganos e erros (Jeremias 17:9 e Romanos 12:2).
  4. Sendo assim, minha defesa é esta, “que Cristo ao se tornar Verbo Encarnado em Jesus, ele recebe um corpo para que haja materialização humana, e uma alma para que nela sejam lançados os pecados da humanidade e assim cumprir a sua missão de redenção, não recebendo um espírito, por já possuir o mesmo, o qual foi dado por Deus como a todos os homens”.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Via Sacra



Procuro encontrar razões para justificar minha descrença. Faço parte de uma minoria que não se envolve em movimentos eclesiásticos. Estive eu ouvindo o Papa e a apresentação da via crucis e matutei; Será que esta grande massa se contenta com ilusões?
  Construímos nossas crenças por várias e diferentes razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas, em contextos criados pela família, por amigos, pela cultura e a sociedade. Uma vez consolidadas essas crenças, nós as defendemos, justificamos com uma profusão de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. Primeiro surgem as crenças e depois as explicações. O cérebro é uma máquina de crenças.
Historiadores de religião tem uma regra irônica para avaliar as referências históricas na bíblia. Quanto menos sentido tiver a referência, mais provável que ela seja verdadeira. Esta é uma das razões que tornam críveis os relatos bíblicos da história de um filho de Deus. Por toda a história os deuses haviam sido seres para quem se fazia sacrifícios. Os hebreus criaram um deus que não só exigia sacrifícios rituais mas que ele próprio fazia sacrifício. “Amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Jesus não era descendente de Davi, não nasceu em Belém, sua mãe era uma moabita, pertencia a um clã fruto de uma relação incestuosa entre Lot e uma filha. Seus milagres eram explicitamente simbólicos. Quando Jesus curou um cego, disse; “Eu sou a luz do mundo”. Em João, Jesus transforma o milagre em espetáculo. Antes de ressuscitar Lázaro ele diz que a doença de Lázaro era para glorificar o filho de Deus. Quando cura um paralítico diz: “Vá e nada conte a ninguém”. Mesmo pregando a redenção conquistou poucos seguidores.
Usando o critério de dissimilaridade a crucificação de Cristo não passa no teste da inconveniência teológica. A crucificação é um sério problema de retórica. O Messias seria um Rei, a redenção viria através de castigo aos ímpios, um guerreiro com o dom da palavra e perder a vida não fazia parte das atribuições do Messias. Também a atitude de Jesus diante da própria morte. Se ele sabia ser filho de Deus e enviado ao mundo para morrer, acharíamos que ele aceitaria sua morte com gratidão ou pelo menos com certa resignação nobre. Afinal, sendo ele e o pai a mesma pessoa, sabia também que ressuscitaria no final do ato. No entanto, suas palavras em Marcos são: Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?
Por mais que eu leio a bíblia, por mais que eu ouço pregações papais ou evangélicas ou qualquer coisa que o valha, não consigo acreditar nas pífias evidências. Será que o errado sou eu?...Então por que me foi dado a faculdade do discernimento?
Portanto, talvez a solução para atenuar a superstição e a crença no sobrenatural esteja em ensinar como a ciência funciona, e não apenas o que a ciência descobriu.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ossuário de Tiago: evidências do Jesus histórico?




Peritos negam que ossuário de irmão de Jesus seja falso

Depois de cinco anos de processo, Justiça israelense afirma que caixa mortuária de Tiago tem dois mil anos e encerra o caso

Rodrigo Cardoso

O ossuário descoberto por Golan (acima) pode ser a primeira
conexão arqueológica de Cristo com o Novo Testamento.
Em parte da inscrição (abaixo) está escrito, em aramaico: “irmão de Jesus”
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Ela pesa 25 quilos. Tem 50 centímetros de comprimento por 25 centímetros de altura. E está, indiretamente, no banco dos réus de um tribunal de Jerusalém desde 2005. A discussão em torno de uma caixa mortuária com os dizeres “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” nasceu em 2002, quando o engenheiro judeu Oded Golan, um homem de negócios aficionado por antiguidades, revelou o misterioso objeto para o mundo. A possibilidade da existência de um depositário dos restos mortais de um parente próximo de Jesus Cristo agitou o circuito da arqueologia bíblica. Seria a primeira conexão física e arqueológica com o Jesus do Novo Testamento. Conhecido popularmente como o caixão de Tiago, a peça teve sua veracidade colocada em xeque pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA). Em dezembro de 2004, Golan foi acusado de falsificador e a Justiça local entrou no imbróglio.No mês passado, porém, o juiz Aharon Far­kash, responsável por julgar a suposta fraude cometida pelo antiquário judeu, encerrou o processo e acenou com um veredicto a favor da autenticidade do objeto. Também recomendou que o IAA abandonasse a defesa de falsificação da peça. “Vocês realmente provaram, além de uma dúvida razoável, que esses artefatos são falsos?”, questionou o magistrado. Nesses cinco anos, a ação se estendeu por 116 sessões. Foram ouvidas 133 testemunhas e produzidas 12 mil páginas de depoimentos.
Especialista em arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Rodrigo Pereira da Silva acredita que todas as provas de que o ossuário era falso caíram por terra. “A paleografia mostrou que as letras aramaicas eram do primeiro século”, diz o professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). “A primeira e a segunda partes da inscrição têm a mesma idade. E o estudo da pátina indica que tanto o caixão quanto a inscrição têm dois mil anos.” O professor teve a oportunidade de segurá-lo no ano passado, quando o objeto já se encontrava apreendido no Rockfeller Museum, em Jerusalém.
Durante o processo, peritos da IAA tentaram desqualificar o ossuário, primeiro ao justificar que a frase escrita nele em araimaco seria forjada. Depois, mudaram de ideia e se ativeram apenas ao trecho da relíquia em que estava impresso “irmão de Jesus” – apenas ele seria falso, afirmaram.
A justificativa é de que, naquele tempo, os ossuários ou continham o nome da pessoa morta ou, no máximo, também apresentavam a filiação dela. Nunca o nome do irmão. Professor de história das religiões, André Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, levanta a questão que aponta para essa desconfiança. “A inscrição atribuiria a Tiago uma certa honra e diferenciação por ser irmão de Jesus. Como se Jesus já fosse um pop­star naquela época”, diz ele. Discussões como essa pontuaram a exposição de cerca de 200 especialistas no julgamento. A participação de peritos em testes de carbono-14, arqueologia, história bíblica, paleografia (análise do estilo da escrita da época), geologia, biologia e microscopia transformou o tribunal israelense em um palco de seminário de doutorado. Golan foi acusado de criar uma falsa pátina (fina camada de material formada por microorganismos que envolvem os objetos antigos). Mas o próprio perito da IAA, Yuval Gorea, especializado em análise de materiais, admitiu que os testes microscópicos confirmavam que a pátina onde se lê “Jesus” é antiga. “Eles perderam o caso, não há dúvida”, comemorou Golan.
O ossuário de Tiago, que chegou a ser avaliado entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões, é tão raro que cerca de 100 mil pessoas esperaram horas na fila para vê-lo no Royal Ontario Museum, no Canadá, onde foi exposto pela primeira vez, em 2002. Agora que a justiça dos homens não conseguiu provas contra sua autenticidade, e há chances de ele ser mesmo uma relíquia de um parente de Jesus, o fascínio só deve aumentar.
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Publicado na IstoÉ

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O aprendizado no descobrimento





por Altamirando Macedo



Após algum tempo você perceberá as diferenças entre ter nascido e ser parido, ser criado ou ser tratado, ser conduzido ou ser tangido. Aprenderá que a escola existe para nos nutrir de conhecimentos e não de alimentos. Descobrirá que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Aprenderá a construir sua estrada no hoje porque o terreno acidentado do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio aos vãos. Com o tempo você irá descobrir que o sol queima com o tempo. Descobrirá que pode fazer coisas num instante das quais poderá se arrepender pelo resto da vida. Aprenderá que se leva anos para adquirir confiança e segundos para perdê-la. Descobrirá com o tempo que a simplicidade, também, é uma virtude. Aprenderá que os ambientes e as circunstâncias tem influências sobre nós mas somos os únicos responsáveis por nós mesmos. Descobrirá que não temos que mudar de amigos se percebermos que os amigos mudam. Descobrirá que levará muito tempo para se tornar a pessoa que você quer ser e que esse tempo é muito curto. Descobrirá que algumas vezes a pessoa que você esperava que o chutasse quando você caísse seria umas das poucas que o ajudaria a levantar. Aprenderá que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para e nem espera que você o concerte. Aprenderá que o tempo não é algo que possa retroceder. Descobrirá que sua vida será um eterno e constante aprendizado e começará a aceitar suas derrotas de cabeça erguida. Aprenderá que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Seria uma tragédia se ela acreditasse. Aprenda a cultivar bem o seu sonho. É preferível morrer com ele, a deixar que ele morra sozinho. como importar roupas



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publicado originariamente em:

O Lado ou a Parte
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