quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Criatura e o Criador [2ª Parte]




O Criador desce do seu trono de glória, com três dos seus principais arcanjos, para se inteirar dos acontecimentos ocorridos durante a primeira semana presidencial de sua criatura re-eleita para reger o destino do complicado povo da  terra de Vera Cruz. Um dia antes de sua descida tinha dado ordens a sua criatura para que saísse do infecto planalto central e se dirigisse a montanha de ar ameno onde está encravada a cidade de Petrópolis ― precisamente no palácio que pertenceu a D. Pedro II.

Lá chegando, foi recebido com guloseimas acompanhadas do champagne francês, Dom Perignon, de RS 18.000 reais a unidade.

Brindaram ao sucesso da nova república. O Criador, que adora piadas, mostrando seus dentes de ouro através de um riso sincero, disse: “fosse no Nordeste estaria a divindade tomando agora uma caipirinha com tira-gosto de buchada de bode e sarapatel”. A gargalhada foi geral.

Mas vamos ao que interessa, disse o divino criador, sentando-se na cadeira que pertenceu ao último imperador da terra de Vera Cruz:

―Minha divina criatura, apesar de ser onisciente, quero saber como reagiram os anjos que vão ser despedidos do Congresso no final do ano, ante a minha proposta de Reforma eleitoral e do Marco Regulatório?

― Meu querido criador já tem gente importante que votou em mim, chamando o seu projeto de “reforma placebo”.

― Eu sei minha serva, falar em Reforma é o mesmo que discutir o sexo dos anjos: ninguém não sabe, nem nunca viu, nem jamais verá. Mas lembre-se que esse povinho de Vera Cruz, acredita em tudo. Acredita que os males da república cessarão com a Reforma que eles consideram a mãe de todas faxinas. Eu que não cursei Universidade sei que o tal de Lutero se lascou todinho com esse negócio de Reforma. Aqui em Vera Cruz, só de 2004 para cá, ocorreu um escândalo por ano, e em todos eles a tônica dos revoltados era: ”reforma política já!”.

A Criatura com ares de espanto, disse:

― A vossa divindade, quer dizer que de 2004 à 2014 foi a década dos escândalos? Não me lembro de tanto escândalo, meu Mestre e Salvador?

― Já que tens um déficit neuronal, vou refrescar tua memória:
Em 2004 foi o escândalo de Waldomiro Diniz e Carlinhos Cachoeira; em 2005 a farra dos correios; em 2006 os aloprados inventaram um dossiê contra Serra; em 2007, o envolvimento da Abin no caso Daniel Dantas; em 2008 a farra escandalosa dos cartões corporativos; em 2009 a investigação sobre a família Sarney; em 2010 as negociatas de tua secretária, Erenice; em 2011 foi a vez do Lupi da Pasta do Trabalho; em 2012 a bomba do mensalão; em 2013 o caso Rosemary, e em 2014 o Petrolão, que acho o mais grave de todos.

― Mestre! O senhor esqueceu o Bolsolão.

― Ah, esse bolsolão, não é problema, a gente tira de letra! Mas voltando ao tema da reforma política: eu acho que se a nova bancada do congresso de 2015 fixar um teto para o caixa dois, talvez fique mais fácil a reforma política passar.

Dilma faz um muxoxo, como querendo dizer: “vai sobrar para mim”.
― Você tem que ser firme e representar bem, minha doce criatura. Você tem de insistir que o inimigo número um do Brasil é essa imprensa burguesa e golpista que anda nos atrapalhando ao se meter em negócios dos nossos companheiros dentro do palácio.

― Acho que vou ter muita dor de cabeça! ― disse a criatura esfregando as têmporas.

― Olha minha filha: claro que vai dar trabalho. Acho que o Brasil chega lá, tenha fé em mim!. Você veja que no mensalão ninguém nem fala mais: virou sítio arqueológico. Como aquela música de Nelson Ned: “Mas tudo passa/tudo passará/E nada fica/nada ficará./Só se encontra a felicidade/Quando se entrega o coração.”

A criatura emocionou-se e chegou às lagrimas ao ouvir esse divino refrão ser entoado por uma miríade de anjos ao som de violinos e harpas.

Depois de um lauto almoço, desceram a rampa e se dirigiram a uma belíssima varanda para abordarem o tema “marco regulamentório”:

― Aqui no céu onde habito, foi o marco regulamentório que salvou a mim e mais dois terços dos meus queridos e obedientes anjos e arcanjos. Expulsei um terço dos anjos rebeldes, inclusive, entre eles estava o mais belo de todos, que queria saber demais e tomar o meu lugar. Sei que eles, os expulsos, eram de uma inteligência incomum. Denominavam-me de apedeuta, e isso me irava muito. Incomodavam-me muito os seus arroubos filosóficos e científicos, que terminei por alijá-los para a Terra de Vera Cruz.

― Em que países os marcos regulatórios da mídia já estão a pleno vapor, meu Criador? ― pergunta, a amnésica criatura.

― Oh, minha frágil criatura! É uma pena não saberes ainda que na Venezuela, desde março de 2000 existe o “Marco Legal das Telecomunicações”; que na Bolívia funciona, desde agosto de 2011, a “Lei Geral de Telecomunicações e informações”; que desde 2009 está em vigor na Argentina de Cristina  Kirschner uma legislação super-abrangente sobre a regulação do setor de comunicações, com cerca de 166 artigos.

― Só nós aqui da terra de Vera Cruz é que estamos sem lei que domine o monstro das redes de comunicações, minha inocente criatura – concluiu o Criador, vermelho de raiva.

―Estou confusa, meu Mestre: Quanto mais Pronatecs, Universidades eu inauguro, mais pessoas de Vera Cruz me vaiam. E aí, que faço, meu adorado criador?

― Olhe bem, aqui nessa terrinha sem deus, o teu grande projeto é manter a ocupação da máquina pública com os amigos que nos ajudam quando liberamos projetos para eles. Se vai ajudar a educação, fique só na básica. Se faltar doutores, temos Cuba, a Bolívia e a Venezuela para nos suprirem, e ponto.  A “Frente Contra Corrupção”, que será uma das nossas bandeiras de fachada, não deve nunca ser aparelhada com a parentela de anjos rebeldes que expulsei do meu Reino e que está aí por toda parte querendo nos tragar. Não seja pautada pela mídia. Não ligue para as manchetes escandalosas sobre superfaturamento. Eles fazem barulho por um certo tempo e depois esquecem, e tudo volta a normalidade. Lembra-te do “Não Vai Ter Copa”? Houve Copa sim, e sem baderna. Se baderna e vergonha ocorreram foi dentro de campo, por conta dos jogadores brasileiros que amarelaram e foram arrasados vergonhosamente pela Alemanha.

― Quanto ao desempenho de nossas universidades, a USP caiu do 158º posição no ranking para a 250º. Isso não é uma vergonha. meu venerado Criador?

―Vergonha que nada! Eu quero é que essas arapucas de ensino das elites fiquem na lanterna. Menos aperreio para mim. Não estou esquecido do que aconteceu com o meu Reino Celestial, onde a terça parte enveredou para conhecer o que não devia e se deu mal.

― Sabias que a bancada do Temer, o meu vice do PMDB, votou contra o teu projeto de regulação da mídia?

― Cuidado, trate o Michel Temer com mãos de seda. O que seríamos nós sem o PMDB? “Ele é o amigo das horas incertas”. Antes de o Criador terminar a frase, a orquestra sinfônica, e seu coro de anjos celestiais, emplacou a canção “Amigo” de Roberto Carlos.



[ Por Levi B.Santos ]

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A CRIATURA E O CRIADOR [1ª Parte]





A criatura em sua campanha por mais quatro anos no Paraíso de Vera Cruz está em apuros e pede socorro ao seu Criador:

― Meu criador, onde estás que não me ouves?

― Estou onde sempre estive. Estou aqui em cima no meu trono a olhar se estás cumprindo com o script que com tanto esmero e cuidado te entreguei. Por que andas te escondendo de mim?


― Meu criador. Tu és onipotente, onisciente e onipresente, e sabes muito bem que a natureza humana não se muda. Perdoa-me pois não consigo representar como bem me ensinaste. Tenho o pavio curto. Coisa da genética.


― Como queres ficar no paraíso por mais quatro anos, se não sabes te amoldar às circunstâncias. Lembra-te bem  daquele tiro que deste no pé ao revelar que o fruto da venda da refinaria que jorrava o ouro negro caríssimo que estava nos servindo, não foi com a tua aprovação. Tu, como personagem central da “Divina Comédia”, jamais poderia ter cometido tamanho pecado!


― Mas não só eu, quanto Tu também, meu criador, estamos correndo perigo! Peço humildemente a tua proteção. Apareces aqui para ajudar a tua serva que corre perigo de ser alijada do paraíso.  O inimigo de nossas almas, segundo as pesquisas do anjo Manoel, está na dianteira, e o prazo é curto para me recuperar. Os anjos do segundo escalão que aqui deixaste para me assessorar estão todos perdidos.

― És teimosa demais! Se andas te atropelando nas palavras, para que inventar de falar de improviso? Por que teimas em recusar ler meu manual para iniciantes? Às vezes, chego a me arrepender de ter te escolhido entre outras mulheres mais sábias do meu Reino.

― No capítulo primeiro do meu manual está escrito: “Não cometerás sincericídio”. No segundo capítulo está escrito: “Em política a verdade dita fora do tempo não liberta, antes traz confusão e discórdia”. Como é que foste cometer pecado tão grave?   

― Vou te conceder perdão. Serei misericordioso contigo. Alegra-te e incendeia a cambada de anjos que te seguem. Eu te livrarei do laço do passarinheiro.

― As lágrimas que saem dos meus olhos agora, meu Mestre, são sinceras. De joelhos agradeço a tua divina intervenção. Só tu podes me livrar de tamanha humilhação, age rápido!

― É! Mas isso não vai sair de graça não. Farei o diabo para te dar vitória. Tem uma coisa: ganharás por pouco. Vou preparar um discurso que irás fazer no final da votação. Não poderás errar uma vírgula sequer.

― Fala-me rápido, meu Criador. A tua serva é só ouvidos. Fala! Fala!

― Calma! Pega o discurso que redigi para leres depois que o nosso nobre amigo do TSE divulgar a tua vitória. Decora-o tim-tim por tim-tim.

A criatura passa seus olhos pelas laudas do discurso redigido pelo auxiliar-mor do criador, e se arrepia toda.


― Que cara é essa? Que tens? Estás passando mal? ― brada o criador.

― Perdoa-me meu Mestre e Criador: é que eu estou vendo palavras indigestas nos teu divino discurso.

― O que? Tens a ousadia de dizer que estou a escrever porcarias?

― É de minha natureza meu criador. Tu sabes como ninguém. É que eu passo mal quando ouço palavras como: “diálogo”, “união sem ação monolítica”, “responsabilidade fiscal”. E o pior, meu criador é ter que falar em “Reforma Política” e negociação com aqueles que me ofenderam.

― Vais dormir. Pedes uma semana de férias, e lá, num litoral bem secreto te ungirei com o óleo milagroso que o Chavez me presenteou. Lá, teus olhos se abrirão e verás a gloria do filho de Garanhuns que te sucederá por mais oito anos.

― E o Petrolão, meu Mestre, como conviverei com ele?

― Não temas! Agrada-me o perigo. Acredita que podemos nos perder?.  Aquilo que procuro desenvolver e frutificar dentro de minha matéria e nas circunvoluções do meu cérebro jamais se extinguirá. Alegria, alegria, nobre criatura! Saibas que eu e tu somos uma só pessoa. Não te deixarei, nem te desampararei.

― E se a reforma política não passar nesse novo e complexo congresso, meu mestre?

― Melhor pra nós, criatura! Eles vão bater cabeça com cabeça e não sairão do lugar.


― Estás rindo com tanta confiança, meu criador, que estou toda inflamada de emoção e coragem.

― Avante, minha camarada!

― Avante meu pai, meu mestre e criador! 



[Por Levi B. Santos]
                                                                                                  Site da Imagem: historiasemquadrinhos.blogspot          

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"Tomara Que Deus Não Exista"



Sob o título “Tomara que Deus não exista“, o artigo a seguir é de autoria do procurador da República Davy Lincoln Rocha, de Joinville (SC), que manifesta sua discordância sobre a concessão do auxílio-moradia. Texto replicado por Frederico Vasconcelos na Folha de São Paulo de 09/10/2014.




“TOMARA QUE DEUS NÃO EXISTA”


 “Brasil, um país onde não apenas o Rei Está nu. Todos os Poderes e Instituiçōes estão nus, e o pior é que todos perderam a vergonha de andarem nus. E nós, o Procuradores da República, e eles, os Magistrados, teremos o vergonhoso privilégio de recebermos R$ 4.300,00 reais de “auxílio moradia”, num país onde a Constituição Federal determina que o salário mínimo deva ser suficiente para uma vida digna, incluindo alimentação, transporte, MORADIA, e até LAZER.

A Partir de agora, no serviço público, nós, Procuradores da República dos Procuradores, e eles, os Magistrados, teremos a exclusividade de poder conjugar nas primeiras pessoas o verbo MORAR.

Fica combinado que, doravante, o resto da choldra do funcionalismo não vai mais “morar”. Eles irão apenas se “esconder” em algum buraco, pois morar passou a ser privilégio de uma casta superior. Tomara que Deus não exista…
Penso como seria complicado, depois de minha morte (e mesmo eu sendo um ser superior, um Procurador da República, estou certo que a morte virá para todos), ter que explicar a Deus que esse vergonhoso auxílio-moradia era justo e moral.

Como seria difícil tentar convencê-Lo (a ele, Deus) que eu, DEFENSOR da Constituição e das Leis, guardião do princípio da igualdade e baluarte da moralidade, como é que eu, vestal do templo da Justiça, cheguei a tal ponto, a esse ponto de me deliciar nesse deslavado jabá chamado auxílio-moradia.

Tomara, mas tomara mesmo que Deus não exista, porque Ele sabe que eu tenho casa própria, como de resto têm quase todos os Procuradores e Magistrados e que, no fundo de nossas consciências, todos nós sabemos, e muito bem, o que estamos prestes a fazer.

Mas, pensando bem, o Inferno não haverá de ser assim tão desagradável com dizem, pois lá, estarei na agradável companhia de meus amigos Procuradores, Promotores e Magistrados.

Poderemos passar a eternidade debatendo intrincadas teses jurídicas sobre igualdade, fraternidade, justiça, moralidade e quejandos.
Como dizia Nelson Rodrigues, toda nudez será castigada!”


sábado, 18 de outubro de 2014

Ética e Política São Inconciliáveis?




Nas nações supostamente democráticas, muito se tem debatido sobre ética na política. Aqui nas terras de D. João VI a vivência demonstra com tons fortes que os conselhos de ética em política ao invés de lutarem pela transparência de suas ações, caminham mais no sentido de abafar os delitos cometidos por seus próprios membros.
 

Mas será que existe mesmo um abismo intransponível entre a política e a ética?

O cientista político, Noberto Bobbio (falecido em 2004) foi de longe quem mais se aprofundou no estudo nas relações da moral com a política. Ele diz no seu livro “Elogio da Serenidade” (página 50) que, “o problema das relações entre ética e política é mais grave porque a experiência histórica mostrou, que o político pode se comportar de modo diferente da moral comum, que um ato ilícito em moral pode ser considerado e apreciado como lícito em política, em suma, que a política obedece a um código de regras ou sistema normativo que não se coaduna, e em parte é incompatível com o código de regras ou sistema normativo de conduta moral”.

Mais adiante (na página 90) o cientista político italiano, afirma: “Não há esfera política sem conflitos. Ninguém pode esperar levar a melhor num conflito sem recorrer à arte do fingimento, do engano, do mascaramento das próprias intenções. A “finta”, o “mentir” fazem parte da suprema estratégia para enganar o adversário. Não há política sem o uso do segredo. O segredo não só tolera como exige a mentira. Ficar preso ao segredo significa ter o dever de não revelá-lo, o dever de não revelá-lo implica o dever de mentir”.

Segundo Bobbio, a tradicional máxima Salus Rei Publicae Suprema Lexa ‘Salvação do Estado é a Lei suprema’, se explica dessa maneira: “A separação entre a moral política nasce do fato de que a conduta política é guiada pela máxima de que ‘os fins justificam os meios’. Nesse caso, o bem público, o bem comum ou coletivo é tão superior ao bem do indivíduo, que acaba por justificar a violação das regras morais fundamentais que valem para os indivíduos”.

Há quem traduza o episódio da tentação de Cristo, relatada nos evangelhos, como uma metáfora que mostra claramente uma faceta intrínseca ou inseparável dos fundamentos da política. No mito cristão, há um messias que em uma de suas crises existenciais (tentação) chega a desejar, talvez num nível inconsciente, o poder político. O “Tudo isso será meu, se eu aceitar o código do “toma lá dá cá” – deve ter passado por Sua imaginação. E o “posso, mas não devo” – pilar básico e central da ética, deve ter rechaçado a sua vontade de, quem sabe, tornar-se chefe de uma facção política de um sofrido proletariado urbano, que em Jerusalém proporcionara-Lhe uma entrada triunfal digna de um grande revolucionário, que enfim, iria livrar os oprimidos do jugo romano.

Os evangelhos dão a entender que Cristo já percebia a inconciliabilidade entre a ética e a política do seu tempo. Recusou enveredar pelos meandros do poder político que ele denominava “O Reino desse Mundo. Trezentos anos depois de sua morte, o imperador Constantino numa atitude totalmente diversa, e destruindo tudo que o Mestre plantara em seus ensinamentos, selou um pacto político com a igreja, acordo esse, que dura até os dias de hoje. Ora, o que a maioria dos negociadores “cristãos” sempre desejou inconscientemente, foi sentar à mesa do rei. Mas para isso, a ética que é incompatível com a política teve que ser jogada às favas.

Constantino, um exemplo de cristão político “nota dez” do nosso tempo, mudou as diretrizes de Cristo, reforçou de forma inteligente o seu poder, tanto é, que atenuou a crise do Estado com a colaboração da “santa igreja”, realizando àquilo que Cristo não conseguira: premiar os apóstolos ainda nessa frágil vida terrena, alçando-os aos mais altos cargos do império (consulados, prefeitura de Roma, Prefeitura do Pretório).

Pablo Henrique de Jesus, em sua tese de mestrado que versou sobre “A Cisão Entre Ética e Política na Filosofia de Hannah Arendt”  , assim escreveu:

“A política, e considerando junto com ela todas as referências conceituais que lhe competem, é um fenômeno estritamente mundano, ao passo que a ética pode-se dizer, considerada estritamente na relação de seus princípios fundamentais, é um evento que de toda sorte compete exclusivamente à vida interna da consciência. [...] É aí que se situa, pode-se dizer, o motivo principal da cisão entre a vida ética e a vida política do ser humano”.

Maquiavel, na sua maior obra, “O Príncipe”, já dava a entender que, o objetivo principal de um político, não é apenas conquistar o poder político do Estado, mas se manter lá, a qualquer custo, não importa o que ele tenha que fazer para se manter lá no poder”.


E o leitor e eleitor amigo o que me diz?



Por Levi B. Santos

Guarabira, 30 de julho de 2011



Imagem: http://juliomahfus.blogspot.com/2009/04/etica-na-politica.htm

domingo, 12 de outubro de 2014

É preciso cautela diante das pesquisas eleitorais!





Curioso como as pesquisas eleitorais andam falhando ultimamente?!

O fato é que, no primeiro turno de 2010, Dilma venceu o Serra com 43,1%. Já este ano, ela caiu para 37,7%, o que significa uma perda de 5,4 pontos percentuais. Isso é fato comprovado! Não é fruto de pesquisas e nem de projeções.

É certo que Aécio e Marina cresceram pouco em relação às eleições presidenciais passadas, comparando-se o PSDB com seu candidato anterior José Serra e a Marina Silva consigo mesma quando ela veio pelo PV. Só que os nulos e brancos dessa vez somaram 10,44%. Já a abstenção que, em 2010, fora de 18,12%, subiu em 2014 para 19,39%.

Pois bem. Vamos tomar o Datafolha como exemplo. Em 08/10/2010, nas pesquisas de segundo turno, esse instituto mostrou Dilma com 48%, Serra com 41% enquanto os brancos, nulos e indecisos somavam ao todo 11%. Este mês, logo após o primeiro turno de 2014, mostraram Aécio com 46%, o que seria um crescimento de 5 pontos sobre Serra, enquanto a Dilma só teria 44%, importando numa suposta queda de 4 pontos sobre os dados de 2010.

Realmente é curioso como que, em tão pouco tempo, Aécio teria crescido 15,7 pontos sobre o primeiro turno enquanto Dilma apenas subiu 6,3 pontos! Isso significa que o tucano teria aumentado uns 70% sobre os 21,6% que Marina e os demais candidatos tiveram no primeiro turno enquanto somente 30% foram para Dilma. Surpreendente, não? Entretanto, como a metade dos eleitores inscritos não votou em nenhum dos dois no primeiro turno, tem-se aí um sugestivo campo para ficções estatísticas.

Inegavelmente uma pesquisa precisa ser analisada por gênero, instrução, renda, faixa etária, religião, região, etc. Na verdade, o que os institutos podem fazer agora é avaliar os potenciais de migração de votos, nunca retratar a realidade.

Não dá para o Datafolha ir a um bairro de classe A de SP e entrevistar os eleitores do lugar como sendo eles representativos do país todo!

Ora, não estaria o Nordeste em sua maioria com Dilma?!

E o que esperar dos mineiros que acabaram de eleger um governador petista e que, certamente, não vão querer contar com a hostilidade de um governo federal tucano no repasse de verbas para o estado deles?!

Assim, é quanto aos potenciais de votos que os institutos precisam fazer suas respectivas avaliações, coisa que não pode ser concluída em tão pouco tempo. Por exemplo, aquele eleitor evangélico que, no 1º turno, votou no Pastor Everaldo ou na Marina tende a identificar no Aécio alguém representativo de seus anseios políticos. Mas nada impede que Dilma venha a fazer o mesmo na conquista desse voto sendo certo que temos aí quem sabe cerca de 1 milhão de eleitores considerando que nem todo crente necessariamente vai votar em quem o pastor mandou. E este é um terreno que, por experiência, posso dizer que é bem diversificado sendo um erro alguém falar generalizadamente "os evangélicos" (confiram o artigo Afinal, quem são "os evangélicos"? de autoria do Ricardo Alexandre e que foi publicado aqui dia 08/09).

De qualquer maneira, estamos diante de um quadro bem recente de modo que não podemos afirmar agora se será Dilma ou Aécio quem irá ser eleito(a). Se o candidato do PSDB possui uma curva ascendente e, supostamente, maior intenção de votos no momento, é preciso que a tendência se cristalize até dia 26. E, como bem escreveu o cientista político César Maia em seu informativo eletrônico, "a campanha eleitoral na TV e no boca a boca que provoca é que vai ajustando ou sedimentando esta reação inicial".

Por outro lado, temos hoje na sociedade brasileira um forte sentimento de mudança que é notadamente maior que em 2010. Neste cenário, pode-se considerar que essa tendência seria capaz de tirar muitos votos de Dilma, caso o eleitor venha a identificar Aécio com a renovação que o país necessita, mesmo tendo o PSDB já governado de 1994 a 2002. Só que, como as pessoas não votam em partidos, mas sim em candidatos, existe alguma chance para o Aécio assim como Dilma também pode vencer. E, neste sentido, pouco importa se o PSB, Eduardo Jorge, Pastor Everaldo, Eymael e até a própria Marina Silva declararem algum apoio político ao tucano porque não existe uma transferência automática de votos. Quando o cidadão entra na urna eletrônica da seção eleitoral e fica de frente para aquela maquinha, são as suas próprias razões/convicções que irão determinar o voto.

Que Deus ilumine a consciência do eleitor brasileiro!


OBS: Ilustração acima extraída da página oficial do Casseta & Planeta no Facebook.
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