sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Como acabaremos com o DNA cultural da corrupção brasileira?




Não gosto quando ouço alguém me dizer que o Brasil é "um país corrupto" devido ao fato de "Portugal ter enviado para cá ladrões, assassinos e outros tipos de criminosos" durante o processo de colonização. Afirmações assim, além de serem flagrantemente preconceituosas (pois significaria termos herdado o caráter pela genética), configuram um tremendo erro em relação à História. Isto porque, embora a terra oficialmente "descoberta" por Pedro Álvares Cabral tenha recebido pessoas degredadas, jamais chegamos a ser, em essência, uma colônia penal, a exemplo do que foi Austrália em relação ao Império Britânico, hoje uma nação desenvolvida e considerada de primeiro mundo.

Entretanto, há que se levar em conta a mentalidade cultural motivadora da ocupação do território brasileiro em seus principais casos até 1808, ano da chegada da família real. De fato, enquanto os Estados Unidos foram uma colônia de povoamento para aliviar as tensões religiosas na Inglaterra, o Brasil caracterizou-se mais por ser um infeliz lugar de exploração econômica. Assim foi desde o início da extração da quase extinta Caesalpinia echinata, passando pela monocultura da cana-de-açúcar, depois pelo ciclo do ouro, até chegar no comecinho do plantio do café, quando D. Pedro I proclamou a Independência em 1822.

Sem dúvidas não podemos negar que, na nossa colonização, quando o estrangeiro aportava aqui, o seu objetivo costumava ser o de enriquecimento rápido com alguma atividade para então retornar à Europa. Mesmo os que adquiriam terras e outros bens no Brasil (da mesma maneira que seus descendentes nascidos aqui) sentiam-se mais portugueses do que brasileiros desejando desfrutar de uma futura vida luxuosa na metrópole de origem. Aliás, eram todos súditos do rei e muitos pretendiam obter favores e promoções junto à Corôa portuguesa, como muito bem explicou a historiadora Denise Moura numa matéria publicada pela BBC Brasil de 04/11/2012:

"Quando Portugal começou a colonização, a coroa não queria abrir mão do Brasil, mas também não estava disposta a viver aqui. Então, delegou a outras pessoas a função de ocupar a terra e de organizar as instituições aqui (...) Só que como convencer um fidalgo português a vir para cá sem lhe oferecer vantagens? A coroa então era permissiva, deixava que trabalhassem aqui sem vigilância. Se não, ninguém viria"

Apesar dos quase dois séculos de emancipação política brasileira, verifica-se até hoje que o pensamento de exploração não se modificou entre os ladrões do dinheiro público. A grande maioria desses corruptos sonha em comprar uma mansão em Miami, abrir conta na Suíça, dirigir carro importado de última linha e ostentar lá fora o que se apropriou ilicitamente aqui. Inclusive, o próprio D.  João VI teria deixado o seu belo exemplo quando depenou o Banco do Brasil, instituição que ele mesmo fundara, e se mandou com os nossos recursos para Portugal.

Ora, essa é a mentalidade cancerosa que precisa mudar no Brasil e aí lamento o fato da Igreja não ter conseguido implantar uma cultura de base bíblica que valorizasse a integridade do indivíduo e o seu amor pela terra. Pois como se percebe da leitura das Escrituras Sagradas, principalmente dos livros do Antigo Testamento, os israelitas do passado foram muito bem ensinados pelos profetas a amarem o massacrado país deles, tantas vezes devastado por sangrentas guerras. São diversas as passagens que, metaforicamente, chamam Israel de "vinha" ou "figueira" e valorizam os símbolos nacionais judaicos como o Monte Sião (lugar onde ficava o Templo de Jerusalém), o sacerdócio religioso, as festas típicas do calendário deles e o primeiro diploma ético-jurídico que tiveram - a Lei de Moisés. O desejo de retorno à Terra Prometida, gerado com as invasões assírias e mais ainda com o exílio babilônico (século VI a.C.), certamente serviu de fonte inspiradora nos 2000 anos da diáspora judaica imposta pelos romanos a ponto de terem construído, já desde o século XIX, uma sólida base ideológica do vitorioso movimento sionista até 14 de maio de 1948, data da criação do Estado de Israel.

Um povo que não possui identidade e nem preserva o respeito em relação à sua terra corre o sério risco de ser assimilado/dominado por outras culturas estrangeiras. Por isso, mais do que nunca precisamos aprender a amar o Brasil e a cultivar valores corretos. Através das escolas, dos ambientes religiosos saudáveis, das instituições sociais sérias e da boa convivência familiar, devemos manter a esperança de formar uma nova geração com princípios éticos mais elevados, o que, por sua vez, poderá se refletir na condução da política, na aplicação da justiça, na elaboração e no cumprimento das leis, bem como na gestão da coisa pública.

Lutemos por um país assim, meus amigos! E viva o Brasil!


OBS: A ilustração usada acima refere-se à cerimônia do beija-mão na corte carioca de D. João VI, em que os súditos faziam os seus pedidos ao rei, um típico costume da monarquia portuguesa que entrou para o nosso folclore.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Falta de interêsse, tempo, descaso ou conhecimeno?



  





Analisando o desempenho dos autores do “(ex)” grande blog C.P.F.G percebi que durante os últimos cinco meses, um só membro carregou o andor ocupando quatro  de seus seis lados. No decorrer destes últimos cinco meses foram pastados vinte e seis temas diversos incluindo política e economia, dentre as quais vinte e duas são de autoria do confrade Rodrigo Pharnadzis da Luz com quarenta e seis comentários. Esta confraria que conta com duzentos e noventa e dois membros e quinze autores não consegue prestigiar seus confrades. Me lembro que outrora, falar mal de Deus rendia melhor atenção mas, como o registro se refere a pensadores fora da gaiola, bem que temas como ciência, atualidades, medicina e até culinária despertasse atenção. Não conheço o nível intelectual do grupo, por isso ainda não descobri qual o assunto que desperta seu interesse além de saber se estarão à esquerda ou direita de Deus. Nesta sala, jamais publicarei assuntos religiosos, mesmo que meus raros temas só amealhem cinco comentários.

domingo, 23 de agosto de 2015

Pombas brancas



Um dos livros mais vendidos no ano de 1969 foi o romance “O Enigma de Andrômeda”, de Michael Crichton, que conta a história de um grupo de cientistas envolvidos no estudo de um micro-organismo que faz o sangue  humano coagular rapidamente, provocando a morte. Embora seja um livro de ficção, O Enigma de Andrômeda é um relato arrepiante da ameaça biológica que determinados organismos podem representar ao sistema imunológico humano, que por nunca ter sido exposto a eles, não tem como combatê-los. No livro os organismos vêm do espaço sideral. Na vida real eles podem ser desenvolvidos na terra mesmo, por meio de atividades biotecnológicas humanas, propositais ou acidentais.
Para ilustrar as possibilidades, alguns anos atrás um grupo de pesquisadores australianos  produziu uma cepa de ectromelia infecciosa, uma variante do vírus da varíola, esperando esterilizar os ratos. De modo geral, a ectromelia infecciosa não representa perigo para os camundongos que participam da experiência, e os cientistas só queriam incrementá-la para esterilizar os roedores. Infelizmente, produziram uma variação do vírus tão letal, que matou até os ratos vacinados contra a moléstia.
Este é um ótimo exemplo de como um erro de cálculo pode criar a cepa de um vírus semelhante à varíola que, se sair dos limites do laboratório, pode causar uma pandemia incontrolável. Principalmente quando pesquisadores, como os australianos, publicam  a fórmula de seus vírus mortíferos em revistas científicas abertas para o mundo ler.]
Um exemplo prático do que deveria acontecer numa escala mais ampla é a epidemia de gripe espanhola após a Primeira Guerra Mundial. Em 1918 uma cepa de gripe surgida nos EUA acabou matando de trinta a cinquenta milhões de pessoas no mundo inteiro no período de um ano. Agora, imagine uma praga ou vírus com o poder de viajar por todo o mundo, como a epidemia de 1918, matando e infectando mais rapidamente. Não há vacina ou antibiótico capaz de combater. Vale salientar que isto poderia acontecer como resultado de processos naturais, não somente via mutação intencional de pesquisadores em laboratórios. Portanto a ameaça de uma pandemia global deixa de ser mero desastre e passa â categoria de verdadeira catástrofe.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

DESGASTE DOS POLÍTICOS: PROXIMIDADE E INTIMIDADE!




Por César Maia (*)

1. A aproximação dos políticos da população passa por etapas, sendo todas cumulativas. A proximidade pessoal; a proximidade em comícios; a proximidade por acompanhar nas ruas a movimentação eventual deles; a proximidade através de desenhos em cartazes; a proximidade através das fotografias; a proximidade por panfletos, textos e livros; a proximidade pela voz através do rádio; a proximidade nos cinemas via cinejornais; a proximidade pela TV em tele-noticiário e entrevistas; a proximidade pela TV em tempo real; e a proximidade diversificada através da internet.
        
2. Nas primeiras etapas, a "distância" mitificava os políticos e atraía por curiosidade e não apenas pelas ideias e opiniões. A proximidade crescente vai produzindo intimidade em graus diversos. Se pode avaliá-los por um leque de razões, que passam pelo comportamento, pela vida pessoal e pelas opiniões. Quanto maior o grau de intimidade mais amplas as informações para avaliações.
        
3. As responsabilidades dos políticos pelos problemas enfrentados pelas pessoas se torna direta pela maior intimidade. As pessoas têm seu raio de intimidade que, quando ultrapassado, gera incomodidade e desconforto. A proximidade virtual dos políticos leva as pessoas a serem mais críticas em relação a eles.
        
4. Numa conjuntura adversa em que a taxa de insegurança em relação ao presente e ao futuro aumenta muito, a intimidade dada pela TV e pela internet exponencializa o desconforto e a incomodidade em relação aos que as pessoas acham responsáveis. A proximidade aumenta em muitas vezes o multiplicador da rejeição, pois a opinião se difunde de forma muito, muito mais veloz. É verdade também que o contrário produz paixão e popularidade.
         
5. A velocidade de reversão da paixão à rejeição pode até ser quase instantânea nos dias de hoje.  Por isso o cuidado que devem ter os políticos num ambiente adverso. A tentativa de reverter uma avaliação negativa através de exacerbar a proximidade e a intimidade pode ter consequências fatais e definitivas.
         
6. É como se entrasse no seu raio de intimidade alguém que você odeia, o que gera reações semelhantes a um animal acuado.  É semelhante a um odor desagradável que alguém impõe proximidade a você. A reversão radical da popularidade não é fato incomum na política, especialmente quando as pessoas se sentem enganadas, como no Plano Real, no curralito argentino, na adesão de Blair a guerra do Golfo, ou agora entre nós, no -digamos- Plano Dilma.
         
7. O caminho escolhido por Dilma e sua equipe nos últimos dias tem sido buscar uma superexposição, escolhendo cenários e discursos -diários para a TV. Provavelmente as TVs têm sido contatadas pela equipe presidencial para essa cobertura diária, em nome da estabilidade. E não tem se furtado a doar quase diariamente um bloco/palco para Dilma. O resultado será agravar a rejeição a ela. Se as pesquisas fossem além dos porcentuais e alcançassem sentimentos, se poderia mensurar a rejeição qualitativa.
        
8. Jacques Seguelá, publicitário, assessor de imagem de François Mitterrand, num capítulo do livro "Em Nome de Deus”, sobre a curva positiva de popularidade de Mitterrand, aconselhava intermitência e lembrava que a exposição "ao sol", contínua, de um presidente traz queimaduras e a superexposição, queimaduras de até terceiro grau que afetam definitivamente a saúde política do presidente. Dilma e equipe escolheram se expor ao sol excessivamente. Uma escolha desastrosa.

                                                    * * *

(*) César Maia é cientista político, economista e ex-preito da cidade do Rio de Janeiro.

OBS: Texto publicado originalmente na edição de 20/08/2015 do informativo Ex-Blog do César Maia.

sábado, 15 de agosto de 2015

De protestos assim, tô fora!!!!!!!




Lideranças reacionárias, sendo muitas delas fascistas e até defensoras de um novo golpe militar, estão convocando para este domingo (16/08) um protesto pelo impeachment da presidente Dilma. Mesmo sem haver ainda provas cabais de envolvimento da mandatária com a corrupção no escândalo da Petrobrás, temos nos deparado com as ações incoerentes de grupos sem nenhuma tradição política na história brasileira surgidos nas redes sociais, dentre os quais podemos mencionar os seguintes: Acorda BrasilRevoltados OnlineBrasil MelhorNas RuasPátria AmadaMovimento Brasil LivreVem Pra RuaUND (União Nacionalista Democrática) e Endireita Brasil.

Já as lideranças que estão indo às ruas podem ser citados o deputado extremista Jair Bolsonaro (PP), o ruralista Ronaldo Caiado (DEM) e o sindicalista "pelego" Paulinho da Força (SD), o qual foi vaiado na manifestação de março. Como representante da classe artística aguarda-se a presença não de personalidades como Gilberto Gil, Caetano ou Chico Buarque, mas, sim, do cantor Lobão. Quanto ao candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, o tucano Aécio Neves, a sua participação também é aguardada muito embora o PSDB não esteja oficialmente apoiando esses protestos que pretendem unicamente a desestabilização do governo a qualquer custo. 

Defensores históricos da democracia como Fernando Henrique Cardoso e José Serra não apoiam o "Fora Dilma"! Ora, ontem a presidenta voltou a defender o regime democrático e o respeito aos candidatos vitoriosos nas eleições, tendo ela lembrado o período em que esteve presa durante a ditadura militar:

"A democracia é algo que temos que preservar custe o que custar (...) Respeitar não é ficar agradando o adversário. Eu brigo até a hora do voto e depois, eu respeito o resultado da eleição."

A meu ver, estão em jogo tanto a democracia quanto a legalidade. Um processo de impeachment não pode se basear apenas num mero sentimento de insatisfação da sociedade com a condução da política, valendo ressaltar que, por vivermos num sistema presidencialista, o chefe de governo também representa o Estado de modo que o seu afastamento pode importar numa indesejável crise institucional. Além do mais, não tem qualquer cabimento ideias do tipo "intervenção militar" visto que não existe o mínimo respaldo quanto a isto na Constituição, sendo certo que as nossas lideranças nas Forças Armadas nem se pronunciam a respeito.

Conforme posicionou-se há cerca de quatro meses no 14º Fórum de Comandatuba, ocorrido em 19/04 do corrente ano, Fernando Henrique declarou que "impeachment não pode ser tese". De acordo com o ex-presidente, quem pode dizer se há ou não uma razão objetiva seriam "a Justiça e a Polícia", de modo que, a seu ver, "os partidos não podem se antecipar a tudo isso" pois configuraria "uma precipitação". Para ele é "especulação" tentar responsabilizar Dilma quanto às pedaladas fiscais.

Estou de pleno acordo com o que disse FHC e espero que ele mantenha firme o seu discurso. Inclusive, é importante diferenciar a situação atual do processo de impeachment de Collor ocorrido há cerca de 23 anos atrás. Na época, a denúncia contra o primeiro presidente eleito após o regime militar foi assinada pelos presidentes da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho, e da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Lavenère. Apenas para refrescar a nossa memória histórica (se é que o brasileiro possui uma), eis que, nas grandes manifestações de 1992, estavam nos palanques lideranças do porte de Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Lula e Fernando Henrique Cardoso, juntamente com os maiores nomes da sociedade civil organizada, da ABI, da CNBB e da OAB, do teatro, do cinema e da música popular brasileira, tal como havia sido na campanha das Diretas Já.

Espero que, neste próximo domingo, as pessoas sensatas da nossa sociedade não acompanhem a irracionalidade dos que querem prematuramente sair em defesa do impeachment da presidente. Respeito o legítimo direito de manifestação pacifica acerca de qualquer ideia esdrúxula, quer seja pelo fim da democracia, em favor da volta do absolutismo monárquico, uso livre de drogas pesadas, casamento gay infantil ou até um Estado teocrático. Porém, em que pese o direito fundamental de opinião assegurado pela nossa Constituição, posso dizer que constitui um grave erro as manifestações do "Fora Dilma" porque de alguma maneira desestabilizam o país e atrasam mais ainda a nossa recuperação econômica tendo em vista que milhares de brasileiros estão desempregados ou ganhando menos em 2015. Portanto, meus amigos, prefiro ficar em meu sofá no dia 16/08.

Um ótimo final de semana a todos!




OBS: Imagens acima extraídas da página da "comunidade" Não Me Representam na rede social do Facebook, conforme extraídas de https://www.facebook.com/NaoMeRepresentam?fref=photo

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

SIMULAÇÕES SOBRE A CRISE POLÍTICA! LEVY: BOA OU MÁ ESCOLHA? E CUNHA PRESIDENTE CONSENSUAL? E A SAÍDA DO PT? E AS SOLUÇÕES?

Por César Maia (*)


1. Forma-se um consenso entre parlamentares, analistas, empresários, economistas, etc., que a crise mais grave hoje é a crise política. O apoio parlamentar ao governo esfarelou, a linguagem econômica do governo é uma e a do parlamento é outra, o apoio de opinião pública de Dilma inexiste e por aí vai. Vão surgindo propostas de todos os tipos e de todas as latitudes e longitudes. Uma babel.
         
2. Dessa forma, é inevitável perguntar: e se Dilma tivesse um amplo apoio parlamentar, mudaria alguma coisa? A primeira simulação seria imaginar se o governo e o PT na eleição do presidente da Câmara apoiassem Eduardo Cunha. Com isso, a oposição orgânica seria empurrada para sua efetiva proporção parlamentar naquele momento, ou uns 20%. O acordo envolveria –naturalmente- as pautas a votar, o comando da reforma política, as questões econômicas e fiscais, etc.  A própria votação de Cunha mostrou que havia riscos de não vencer no primeiro turno. O apoio seria bem-vindo.
         
3. Mas para garantir efetivamente essa sua ampla base política, Levy não poderia ter sido escolhido ministro plenipotenciário da Fazenda. Essa escolha estilhaçou a esquerda do governo, a esquerda acadêmica e a esquerda social. Para manter a base de 80%, Levy não poderia ter sido escolhido. A escolha para acalmar os mercados ignorou a repercussão política na base orgânica do governo. Numa outra simulação se poderia imaginar a fórmula dos últimos 3 governos: FHC, Lula e Lula. FHC, após 1998, teve Malan como seu ministro de economia de relações exteriores. Armínio Fraga –no Banco Central- conduzia a política econômica.
         
4. Lula teve Palocci como seu vocalizador econômico num governo, e Mantega –vocalizador socioeconômico-; e Henrique Meireles –no Banco Central- conduzindo a politica econômica nos dois governos Lula. Dilma, par constante de Mantega, mudou essa equação e minimizou o Banco Central e passou a cogerir o Ministério da Fazenda. Dilma poderia ter tentado a mesma formula: um forte presidente do Banco Central e um vocalizador acalmando os mercados para dentro e para fora. Não o fez, pois pensa que entende de economia.
       
5. Ao escolher Levy para salvar o segundo governo, respondendo a pressão dos mercados, perdeu unidade até na sua base direta e, com isso, perdeu autoridade na sua base aliada. A decisão de dar uma guinada tecnoliberal no governo inevitavelmente abriria uma crise política. Fragilizou o seu apoio orgânico e seu apoio clientelar. Não adianta distribuir cargos sem poder e sem orçamento, na lógica da dita base aliada.
         
6. Se a crise política é o eixo das crises atuais, só há duas soluções para a permanência de Levy. A primeira seria o PT decidir não ocupar nenhum ministério, nenhuma empresa estatal, nenhuma posição governamental relevante e empurrar Dilma para um governo de personalidades. A segunda seria Dilma renunciar. Nesse momento, Levy sair seria uma enorme turbulência. Dilma se esqueceu da máxima politica: Nunca nomeie quem você não pode demitir.
         
7. A inflação beijando os 9% atuais é, desde 1999, uma rotina nos governos. O que não é rotina é a estagflação dos últimos anos e projetada para o futuro. Não há saída política por pacto ou consenso. Só com outro governo, seja de personalidades, com Dilma presidente descolada do chão, ou sem Dilma. Não dá mais para voltar atrás e reconstruir as decisões pós-eleitorais.

                                                    * * *

(*) César Maia é economista, político e ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro.


OBS: Texto extraído da edição de hoje (10/08/2015) do informativo Ex-Blog do César Maia.

sábado, 8 de agosto de 2015

Sobre ceroulas e a salvação da alma




QUEM NOS CONTA É O  Rubens Alves.

Um amigo, historiador, contou-me sobre uma carta curiosa, se não me engano datada do século XVII, escrita por um zeloso missionário a seus superiores em Portugal. 
Ele estava profundamente preocupado com o destino eterno das almas dos índios, que era sua missão salvar.
Acontecia que eles, sem as luzes das doutrinas da Igreja, nada sabiam sobre o pecado da nudez. andavam por todos os lugares, homens, mulheres, crianças, exibindo de forma despudorada as partes de seu corpo que deveriam ficar ocultas.
Como é do conhecimento geral dos homens civilizados, a visão das partes do sexo tem o poder de provocar pensamentos libidinosos, pecaminosos, que põem as almas em perigo de ir para o inferno.
Deus prefere os homens vestidos aos homens nus.
Ele então informava seus superiores de que sua missão salvífica só poderia ser realizada se a pregação da doutrina fosse acompanhada por uma distribuição de ceroulas.
Solicitava, então, que lhe fossem enviadas de Portugal algumas centenas de ceroulas para cobrir a vergonha dos índios, tornando, assim, possível a salvação de suas almas. No céu todos usam camisolas brancas...


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Hawking e Deus



Em 2010*, o físico teórico Stephen Hawking lançou um livro em parceria com Leonard Mlodinow que suscitou polêmicas por muitos acharem que ele estaria tentando provar a inexistência de Deus com base em argumentos científicos. O livro diz que agora a física pode explicar de onde surgiu o Universo e por que as leis da natureza são o que são. Diz que o Universo surgiu do “nada” como resultado da força da gravidade e e as leis da natureza são um acidente desta parcela do Universo que habitamos. Diz Hawking que “É possível responder a essas questões exclusivamente dentro do domínio da ciência e sem invocar qualquer seres divinos”.

Evidente que teólogos não gostaram do que leram pelo fato de que a existência de um criador está fora do domínio da ciência. O reverendo Robert E. Barron, professor de teologia da Universidade of. St. Mary of the Lake, ressaltou que o livro é filosoficamente ingênuo, pois a existência das leis que deram origem ao Universo devem ser anteriores ao Big Bang. Declarou também que “As leis da gravidade parecem ser algo diferente de 'nada'".

O assunto ganhou a mídia, os blogues e os tuites. Os autores reagiram dizendo que nunca pretenderam alegar que a ciência houvesse provado que Deus não existe. Hawking declarou no programa Larry King Live, da CNN que “Deus pode existir, mas a ciência pode explicar o Universo sem a necessidade de um criador”. Mlodinow disse também que “nem ao menos dizemos que provamos que Deus não criou o Universo”. Segundo ele, no que diz respeito às leis da física, alguns podem preferir chamá-las de Deus. “Se acreditam que Deus é a personificação da teoria quântica, tudo bem”.

A questão é que a explicação científica da origem do Universo pode não ser tão completa quanto a apresentada por Hawking. Ela está baseada na teoria das cordas e em uma versão dela ainda mais misteriosa -e não testada – chamada teoria-M. O cósmologo brasileiro Marcelo Gleiser declarou que “As teorias que Hawking e Mlodinow utilizam para embasar seus argumentos têm tanta evidência empírica quanto Deus”. Gleiser lembrou que não temos instrumentos capazes de mensurar toda a Natureza, e portanto, não podemos nunca estar certos de temos uma teoria final.


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* Scientific American Brasil, Dezembro de 2010
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