quinta-feira, 28 de julho de 2016

Questões acerca da morte (2ª Parte, por um viés psicológico)


Diante da questão da morte, os filósofos não poderiam simplesmente ignorar sua importância. Muitos filósofos, no decorrer da história da Filosofia, dedicaram profundas reflexões sobre o assunto na tentativa de apaziguar suas próprias consciências, e dar sentido àquilo que parece uma fatalidade, um absurdo, um castigo. A seguir veremos alguns dos principais filósofos nessas reflexões. 

Segundo a tradição, um dos maiores filósofos foi Sócrates, embora nada tenha escrito e quase tudo que conhecemos acerca de seu trabalho fora escrito por seu discípulo Platão. Os últimos momentos da vida de seu mestre encontra-se narrado no diálogo de “Fédon” ou “Da Imortalidade da Alma”. Sócrates corajosamente aceita a sentença que seus pares lhe impuseram, negando-se a fugir como propunha seus discípulos, pois para Sócrates, obedecer as leis da cidade era uma questão de honra. Devemos nos lembrar que Sócrates também era político, uma espécie de deputado ou senador de Atenas.

Aceitando sua sentença de morte, Sócrates dá sua última “aula” aos discípulos, revelando o caráter moral de sua decisão, de coerência com o que havia dito e vivido como cidadão ateniense. Fala das virtudes (temperança, coragem, justiça) e convida seus discípulos a serem fiéis aos apelos de suas consciências, mesmo enfrentando tamanha injustiça. Diz Sócrates: “Se morrer é encontrar-se com os grandes da história de Atenas (como Péricles, pai da democracia), a morte então seria um prêmio para ele”. Impressionado com a vida e também com a morte de seu mestre, Platão revelará em praticamente todos os diálogos que escreveu, como  no “A defesa de Sócrates”, o quanto seus ensinamentos e coerência de vida eram fundamentais para construção de uma sociedade justa e de uma vida feliz.

Podemos também falar de Epicuro, nascido na cidade de Samos, tornou-se discípulo de Demócrito com apenas quatorze anos de idade. Depois de muitas idas e vindas, instala-se em Atenas onde funda sua escola filosófica para homens e mulheres, que, como não podia deixar de ser, foi alvo de fofocas escandalosas. Epicurismo ou Hedonismo, tem como princípio de sua doutrina, pregar que a felicidade humana deve se basear na vivência do prazer, o que não significa desregramento ou, imoralidade. Para ele, o prazer devia ser regido pela razão, pelo equilíbrio, ou seja, a justa medida de Aristóteles.

Epicuro ensina seus discípulos a não temer a morte, pois pior seria viver para sempre e pior, viver em desgraça, miséria ou dor. Antecipar o pensamento de morte não vale a pena, pois o morrer, em si, não faz parte da vida. Será apenas um momento que, de repente nos conduzirá para outros horizontes ou para o nada. Assim como dormimos todas as noites e não percebemos como isso acontece, assim será a morte. Portanto, o que vale na vida de verdade, é procurar viver bem, desfrutar o que há de bom, viver intensamente cada instante, e estar com os amigos.

Também Martin Heidegger, filósofo alemão, e um dos principais pensadores do século vinte, que escreveu obras como “O ser e o Tempo”, é tido como um pensador Existencialista (embora não tenha aceitado o adjetivo). Mas, ao se preocupar com um sentido mais profundo para a existência humana, ou com a questão metafísica do “ser aí”, e ao afirmar que “o homem é um ser para a morte”, Heidegger certamente se inscreve entre aqueles que tiveram uma preocupação comum, aos filósofos denominados existencialista, como Sartre.

O ser humano vive sua existência como projeto, com suas infinitas possibilidades de realização no futuro, mas somente uma poderá ser sua escolha, que nunca é definitiva. A todo momento a liberdade humana é chamada a se posicionar, a se ajustar, mas sabendo que a própria liberdade não é um dado pronto e acabado. A liberdade se faz a cada momento que se coloca, a cada ato, livre ou não. Todavia o homem sabe que há uma “situação-limite” colocada pela morte. E este é um fato do qual homem algum poderá escapar, fazendo surgir assim a angústia existencial e as tantas perguntas sobre o sentido de nossa existência.

“Por que, e para que viver, se tudo acabará com a morte?” Quem nunca se fez esta pergunta? Devemos nos lembrar que para Heidegger, não podemos contar com a saída da crença em vida eterna, ou seja, imortalidade da alma, possibilidade dado pelos filósofos metafísicos tradicionais como Platão, Descartes, ou Leibniz.

Diante da angústia perante a desagradabilíssima e inevitável experiência da morte, o que não significa medo psicológico, depressão ou pensamento mórbido sobre a morte, temos duas saídas apenas: Uma existência autêntica dos que assumem essa angústia e aceitam sua finitude, voltando-se para um viver crítico, responsável e quem sabe livre. Se esta é a única vida que tenho, cabe somente a mim vivê-la em plenitude, a construí-la com os outros no mundo, sem medo, sem amarras, sem escravidão e mesquinharias.

A outra posição que um ser humano pode tomar diante dos pensamentos aterradores acerca de sua morte é o do homem inautêntico, que foge da angústia da morte, que nega a sua realidade por meio de mil subterfúgios, refugiando-se na impessoalidade, alienação religiosa e massificação. E por negar a angústia da morte, acaba por negar-se a si mesmo e a autenticidade de sua vida.

Mas e os que ficam? Deixemos de lado um pouco os Filósofos, e falemos dos psicólogos que buscam uma explicação e até uma sistematização do luto para quem perde um ente querido. Os psicólogos, observam, na clínica, o aumento do volume dessa demanda significativa no vivenciar e expressar essa dor, e que experimenta sensações e emoções até então desconhecidas e inconcebíveis.

Para quem fica, o que lhe resta é conviver com a “presença da ausência” e cada um lidará de uma maneira diferente com este sentimento. Não é uma dor física, produzida pela estimulação de terminações nervosas específicas em sua recepção, mas a dor com sentido, com razão de ser e significados muito subjetivos, com sentimento de pesar, de aflição. Alguns primeiramente NEGARÃO a existência desta dor. Criarão estratagemas para lidar com ela, fingirão que não aconteceu, inventarão situações que proporcionem certa alienação da realidade da perda e geralmente não quererão falar sobre o assunto.

Então surge a RAIVA, a indignação, os questionamentos do “por quê comigo?”, o que eu fiz para merecer isso?”. Revoltar-se-á com Deus, com os outros e até consigo. Alguém é o culpado e precisa ser punido. Vai tentar BARGANHAR na sequência. Dirá certamente que “há males que vem para o bem”, que “o que não me mata me deixa mais forte” e nesta negociação consigo mesmo, dirá que se sair desta situação será uma pessoa melhor, amará mais, ouvirá mais, perdoará mais, acertará mais, e se importará menos com problemas pequenos.

Até aqui tudo parece bem, mas então vem a DEPRESSÃO. É agora que a pessoa se afasta para um mundo que é só seu, acaba por isolar-se dos demais, inclusive das pessoas que lhe querem ajudar. Mergulha na melancolia e definitivamente se vê totalmente impotente para lutar com esta dor. Agora arrasada, se entristece muito mais do que outrora. O mundo fica cinza, as flores perdem as cores, o canto dos pássaros não agradam mais, pelo contrário, a felicidade impressa no canto deles chega a incomodar, assim como a felicidade de qualquer outro ser. A raiva retorna, aliás, não há uma sequência lógica para esses sentimentos, hora aparece um, hora surgirá outro. A mente da pessoa mais parece um barril de pólvora prestes a explodir à menor faísca.

Não há mal que dure cem anos”, já disse alguém não sei quem e não sei quando. Alguns...alguns repito, ACEITARÃO. Se a pessoa conseguiu vislumbrar uma luz no fim do túnel, e bravamente superou as fases mais atrozes de uma perda, ou de um luto mais especificamente, finalmente ela estará pronta para prosseguir sua vida. Não há mais desespero, não há mais raiva nem negação ou depressão, a dor agora já é quase imperceptível. Restou apenas uma saudade. O cheiro da pessoa que se foi, ficará em outras pessoas com as quais consequentemente cruzará na rua. Se não se desfez dos objetos do que se foi, as roupas ainda penduradas nos cabides trarão boas lembranças. Uma comida que ela gostava, uma canção que lembrará uma dança que aconteceu, e possivelmente lágrimas brotarão, e serão pesadas, difíceis de segurar, mas não serão lágrimas desesperadas, não serão lágrimas de dor, e sim de alegria. Alegria por poderem ter convivido com alguém tão especial.

Continua...

Edson Moura.

terça-feira, 26 de julho de 2016

"Questões acerca da morte" (1ª Parte, por um viés religioso)

A filosofia, ao contrário do que muitos imaginam, não deve ser complicada, ao invés disso, ela deve ser o mais objetiva possível, sem palavras difíceis que muita das vezes estão ali, presentes nos artigos filosóficos apenas para dar um ar de intelectualidade ao autor. Costumo escrever muito sobre morte, o que me rendeu um rótulo de pessimista, mórbido, desiludido ou decepcionado com a vida, ou seja, uma pessoa propensa ao suicídio. Pois bem, que pensem o que quiserem. Não me importo (muito) com esses detalhes. Enquanto vão me tachando de frustrado eu vou vivendo e sorvendo cada minuto da minha existência como se não fosse haver outros mais. 

Muitos dizem (eu inclusive) que a morte faz parte da vida, o que não soa muito correto se formos ser rigorosos com os termos. Ninguém que ainda esteja vivo, (eu, você que está lendo, todos nós) experimentou de fato o que é morrer. A morte é o fim de um processo orgânico, que ao cessar de pulsar como vida, se acaba, se extingue. Portanto, a morte faz parte do “além-vida”, a morte pertence apenas ao mundo dos mortos. O problema é que o mundo dos mortos faz parte do mundo dos vivos, seja no culto aos mortos, nos cemitérios, nos rituais fúnebres das tantas religiões, na poesia, na literatura, na saudade que fica ao perdermos um ente querido e na “esperança de um dia o encontrarmos novamente na eternidade”. É aqui que entra a Filosofia.

Se a morte não faz parte da vida, pelo menos ela deve fazer parte do pensamento dos que estão vivos. A consciência que nós “sapiens” temos da morte nos persegue e nos obriga a tomarmos uma posição, mesmo que esta seja fugir de sua lembrança inventando mil desculpas e sublimações. Mas já os que possuem fé, ou acreditam na continuação desta vida, concebem em suas cabeças, um paraíso ou um inferno, um nirvana, um renascer, ou seja, morrer de forma alguma é o fim para essas pessoas. Platão e Sócrates acreditavam nisso, portanto, filosofaram sobre a Vida e a Morte. Já Nietzsche e Sartre não acreditavam, mas também filosofaram. E se para Cícero, “Filosofar é aprender a morrer”, poderíamos reescrever esta frase e dizer: “Filosofar é aprender a viver”.

Todos os seres vivos morrem. Eu disse Todos! Esta é uma lei natural e universal a que ninguém escapa, logo, o ser humano, como animal, também morre. É certo que os avanços na medicina ou na engenharia genética andam prometendo certa “imortalidade” para em breve. Mas não sabemos quando, nem como e sequer, se atingiremos este sonho. Mas só o homem tem consciência de que vai morrer. E por este motivo, já antes de nossa morte, podemos senti-la, pensá-la, vivê-la, o que não deixa de ser um paradoxo. O fato é que, dessa consciência que temos de que vamos morrer, surge uma gama de possibilidades e consequências históricas, culturais, sociais e filosóficas sobre a significação humana da morte. Daí surgiu as grandes religiões, com a promessa de que o homem não morre para sempre, de que ele sobreviverá à morte física. Sejam eles os Cristãos, os Muçulmanos, os Judeus ou os Budistas.

Mas embora tantos prometam uma vida após a morte, a ressurreição, o renascer, o reencarnar-se, o nirvana, ainda persiste o problema de que cada ser humano terá que enfrentar sozinhos a “travessia com o barqueiro para o outro lado”. Mesmo com o consolo das crenças e das religiões, o medo de deixar a vida continua assombrando a humanidade, provocando calafrios, fugas, alienações, neuroses e orações. E ainda que as religiões prometam a salvação eterna, muitos de seus fiéis abarrotam as igrejas com seus corpos mortais adoecidos em busca de um milagre, curas físicas ou espirituais, prosperidade financeira, o retorno de um amor perdido, ou seja, a felicidade aqui e agora, o mais longe possível da famigerada morte. Ninguém que morrer, nem tampouco falar da morte... da sua morte. O medo da morte é um dos maiores incentivos para a atividade humana, atividade esta, em boa parte destinada a evitar a chegada da inevitável morte, buscando inutilmente vencê-la, enganando-se com a negação de que ela seja o destino final do homem.

Se olharmos com atenção para as diversas civilizações e povos da história da humanidade veremos que todos tiveram e têm uma relação ritual e simbólica com a presença da morte, embora, possamos encontrar sociedades que lidem de diferentes formas com a mesma. Desde que se criaram as religiões e os deuses, os rituais criados pelo homem nada mais são do que formas de se relacionarem, de “negociarem” com o sagrado, com o sobrenatural, o mistério divino, tendo como anseio galgarem uma vida que supostamente se estenderia para além desta. Assim o homem buscou, busca e continuará buscando por muito tempo ainda a imortalidade e o eterno. Foi assim que as civilizações antigas inventaram suas crenças absurdas, seus rituais grotescos (a começar pela feitiçaria).

Certamente os feiticeiros foram os primeiros a tentar controlar, pela magia, as forças, sejam elas do bem ou do mal, em benefício do próprio homem e suas necessidades de sobrevivência histórica ou para além dela. Depois deles vieram os sacerdotes, os profetas, os enviados por  Deus ou pelos deuses, tentando mostrar assim que, mesmo sem experimentar literalmente a morte era possível um prelúdio de como seria o mundo dos espíritos, de como os heróis mitológicos iam e vinham do reino dos mortos, vitoriosos, carregando a cabeça de seus inimigos, ou amarrando as serpentes infernais em cativeiros no submundo. Assim foram os deuses do Egito Antigo, Ísis, Osíris, Néftis, entre tantos outros. A crença da imortalidade da alma, que certamente inspirou a fé judaica, marcou toda a milenar cultura egípcia, cujas pirâmides que até hoje erguem-se imponentes nas areias do deserto do Saara, nada mais são do que túmulos de seus reis, guardando sarcófagos com suas múmias embalsamadas e cheias de tesouros, esperando a volta de suas almas do mundo dos mortos.

Na Grécia, os cultos a Orfeu e a Dionísio e os mistérios de Átis e de Adônis possuem a mesma essência, a saber, a morte e o renascimento. Por aí podemos avaliar que, enterrando ou cremando seus mortos, a humanidade sempre revelou e continua a revelar essa crença ou, como alguns gostam de chamar, fé, na eternidade da vida para além da morte.
 
Continua...

Edson Moura

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Conflitos de vizinhança




Muitos são os motivos de brigas entre vizinhos, as quais, em diversas vezes, chegam a parar na Justiça ou até mesmo na Polícia. Os problemas mais comuns costumam estar relacionados ao direito às vagas de garagem nos condomínios, rateio de despesas, construção de muros, abertura de janelas e danos provocados por uma obra mal feita capaz de afetar a estrutura de outros imóveis. Porém, a maior das queixas nos dias atuais parece ser o barulho. Principalmente nos apartamentos ou nos grupos de casas muito próximas situadas ao lado uma da outra.

Normalmente o que as pessoas reclamam acerca do barulho têm a ver com as festas e os volumes dos aparelhos de TV ou de rádio que ficam ligados até tarde, além dos vizinhos do andar de cima que, frequentemente, arrastam a mobília, as discussões entre casais, latidos de cachorro e, pasmem, até o choro dos inocentes bebês.

Contudo, a convivência dentro das cidades exige que aprendamos a nos relacionar com mais respeito e, ao mesmo tempo, termos mais tolerância quanto aos costumes alheios. O morador de um apartamento não pode ser hostilizado por causa do choro de seu filho de alguns meses de idade. Criar um animal de pequeno porte que não faça muito barulho, mesmo contrariando a convenção condominial, já tem sido reconhecido pela Justiça como um direito do morador de maneira que ninguém mais pode se opor ao fato de ter um gato ou um cachorro como seus vizinhos. E, quanto às festas, deve-se regrar apenas os horários conforme a intensidade dos ruídos visto que não seria razoável um síndico proibir aniversários ou uma confraternização de amigos.

Num conflito entre vizinhos, se conversarmos com cada parte, perceberemos que ninguém tem completa razão no seu pleito. Uma pessoa que exige o cumprimento de normas pode estar motivada por mera implicância com a outra ou agindo com má-fé visando outros interesses. Quando comparecem numa audiência de conciliação na Justiça, dificilmente entram em acordo porque nem o autor ou o réu às vezes querem ceder. Por isso, é muito comum, nos processos de Juizado Especial Cível (o antigo "Pequenas Causas"), o reclamado ainda contra-atacar formulando o que a lei chama de pedido contraposto.

Como advogado, costumo evitar casos que envolvam brigas entre vizinhos ou parentes, sendo que me recuso a alimentar a picuinha de pessoas mal resolvidas pois não quero fazer de tais conflitos uma fonte de lucro. Ainda mais sabendo que há injustiças bem mais relevantes acontecendo no mundo, como se vê nos hospitais públicos onde pacientes não estão recebendo apoio jurídico diante das graves injustiças cometidas nas unidades de saúde. Porém, uma das primeiras causas que peguei na época em que me saí da faculdade foi uma briga entre dos vizinhos de área rural que tinha a ver com os riscos de queda de uma árvore. Meu cliente sentia-se ameaçado com um enorme eucalipto do imóvel confrontante e me trouxe laudos da Defesa Civil de Nova Friburgo comprovando isso. Ganhamos a causa, obtendo uma liminar logo no começo para que o vizinho cortasse a árvore dentro do prazo estipulado pelo juiz, o que foi obedecido. Só que, evidentemente, havia muito mais coisas do que aquela simples controvérsia envolvendo o pobre vegetal...

Mas falando em processos judiciais sobre briga de vizinhos, lembrei-me de um engraçado caso que aconteceu quase dez anos anos atrás na comarca de Paracambi, interior do Rio de Janeiro, envolvendo um galo histérico, onde a decisão inicial foi proferida pela polêmica juíza de direito Dra. Mônica Labuto Fragoso Machado. Não cheguei a ver os autos e nem fui lá assistir a audiência, mas tenho a suspeita de que o conflito aconteceu por causa do barulho da ave, tirando minhas conclusões pelo que li na internet e compartilhei em comunidades do finado Orkut. Na época, a magistrada negou-se a julgar o caso declarando-se impedida:

"DECLARO-ME SUSPEITA PARA O JULGAMENTO DA LIDE EM RAZAO DO DISPOSTO NO ART. 135 C/C 409, I DO CPC EM RAZAO DOS ESCLARECIMENTOS QUE PASSO A PRESTAR.1-ESTA MAGISTRADA, NOS DIAS UTEIS, PENOITA NA CIDADE DE PARACAMBI, SENDO QUE USUALMENTE EM HOTEIS. POR CERCA DE 3 OU 4 VEZES, ESTA MAGISTRADA PERNOITOU NA CASA DE AMIGOS SITUADA NA RUA VEREADOR ANTONIO PINTO COELHO, QUE FICA A CERCA DE 50 METROS DA RUA KARDEC DE SOUZA, Nº885, OCASIOES EM QUE NAO CONSEGUIU DORMIR PORQUE UM GALO CANTAROLOU, ININTERRUPTAMENTE DAS 2:00 AS 4:30 HS DA MADRUGADA, O QUE CAUSOU PERPLEXIDADE, JA QUE AVES NAO CANTAM NA ESCURIDAO, COM EXCECAO DE CORUJAS E, ADEMAIS, O GALO PAROU DE CANTAR JUSTAMENTE QUANDO O DIA RAIOU. 2- A MAGISTRADA PERGUNTOU AOS SEUS AMIGOS PROPRIETARIOS DO IMOVEL SE SABIAM AONDE RESIDIA O TAL GALO ESQUIZOFRENICO, SENDO QUE OS MESMOS DISSERAM DESCONHECER O SEU DOMICILIO. 3- AO LER A PRESENTE INICIAL, CONSTATOU A MAGISTRADA QUE O ENDERECO ONDE SE ENCONTRA O GALO E MUITO PROXIMO DA CASA DE SEUS AMIGOS, RAZAO PELA QUAL, CONCLUIU QUE O GALO QUE LHE ATORMENTOU DURANTE AQUELAS MADRUGADAS SO PODE SER O MESMO QUE O OBJETO DESTA LIDE, DEVENDO SE RESSALTAR QUE A JUIZA NAO CONHECE NEM O AUTOR E NEM O REU. 4- CONSIDERANDO QUE ESTA MAGISTRADA NUTRE UM SENTIMENTO DE AVERSAO AO REFERIDO GALO E, SE DEPENDESSE DE SUA VONTADE, O GALO JA TERIA VIRADO CANJA HA MUITO TEMPO, NAO HA COMO APRECIAR O PEDIDO COM IMPARCIALIDADE. 5- HA DE SE SALIENTAR QUE O ART. 409 DO CPC DISPOE QUE O JUIZ DEVE SE DECLARAR IMPEDIDO SE TIVER CONHECIMENTO DE FATOS QUE POSSAM INFLUIR NA DECISAO E, NA PRESENTE LIDE, ESTA MAGISTRADA SE COLOCA A DISPOSICAO PARA SER TESTEMUNHA DO JUIZO CASO SEJA NECESSARIO.REMETAM-SE OS AUTOS AO JUIZ TABELAR". (decisão proferida no Proc. n° 2007.857.000344-6 no Juizado Especial Adjunto Cível da Comarca de Paracambi do Estado do Rio de Janeiro)

Que fim levou o caso do galo eu desconheço. Apenas sei, conforme as movimentações registradas na internet, que tudo acabou num acordo entre as partes numa audiência ocorrida em 15/08/2007 e compartilhei isso nas redes sociais. Porém, duvido que o bicho não tenha parado em outro lugar senão na panela de alguém e possa ter servido para as partes comemorarem o acordo.



Só que, infelizmente, nem todos os conflitos entre vizinhos são engraçados. Alguns acabam até em homicídio e só depois as pessoas descobrem o terrível mal que fizeram ao cultivarem o ódio e o rancor dentro de si. Então, algo bem pequeno acaba se tornando um grande problema de difícil solução. Só que esta pode muito bem ser buscada pela parte que, inicialmente, toma consciência de seu mal.

Assim, concluo dizendo que muitas das vezes, para que sejamos respeitados, precisamos primeiro respeitar quem está ao nosso lado, em cima ou no andar de baixo. No Sermão da Montanha, Jesus falou que devemos dar a outra face, o que, sob um certo aspecto, significa tomar a iniciativa de pedir perdão e admitir os nossos erros antes do adversário vir a reconhecer os dele. E isso pode incluir a dispensa do exercício de determinados direitos que julgamos ter ao invés de insistirmos na nossa própria versão dos fatos.

Uma ótima semana para todos!


OBS: A primeira ilustração acima extraída de uma postagem do sítio Café com Notícias, em http://www.cafecomnoticias.com/2009/10/briga-entre-vizinhos-e-arte-da.html#.V5WG0dIrKM9, sendo que a segunda imagem eu a encontrei em http://www.paginalegal.com/2008/08/15/a-juiza-e-o-galo-cantador/

domingo, 24 de julho de 2016

Consultório sexual da Dra Tonha




por H. Thiesen



Bem, meus queridos pacientes, ops digo, leitores, mais algumas dúvidas, que me enviaram por e-mail, às quais tentarei responder e esclarecer:




Menino Impaciente

Doutora Tonha, vou fazer 12 anos, não sou muito bonito e ainda sou virgem, como faço pra conseguir comer umas "mina"?
- Garotinho querido e impaciente, na sua idade, a coisa mais erótica que você pode comer é uma caixa de bombons, tá bom?



Mulher Indignada e Indecisa

Tonha, terminei com meu ex-namorado porque ele sempre dava em cima das minhas amigas e aquelas putas acabavam dando pra ele, o que vem a mostrar que ele é um galinha, aliás galinhão. Agora estou com outro namorado, mas ainda gosto do meu ex-namorado e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?
- Querida Indignada e Indecisa, aproveite a situação convide todos os envolvidos e faça uma suruba, pelo jeito é tudo farinha do mesmo saco!



Virgem Desesperada

Toinha, sou virgem e rolou sexo oral, dias atrás dentro do carro, pela primeira vez. Terminei engolindo o negócio e uma amiga me disse que faz mal, quero saber se corro o riscos. Estou desesperada!
- Claro que sim. Engolir aquele negócio pode dar nó nas tripas!



Atenciosa

Minha amiga Tonha, vamos fazer um ano de namoro e gostaria de surpreender meu namorado, o que posso fazer? 
- Vá para o motel, deixe ele pelado e vá para o banheiro. Vista uma cinta exibindo um brinquedinho de 30cm. Apareça e grite alto: SURPRESA!



Mulher Virgem

Doutora, tenho 20 anos e nunca fiz sexo anal, porque gostaria que a primeira vez fosse inesquecível. O que faço?
- Arranje um namorado hiperdotado!



Mulher Decepcionada

Tonha Querida, sou bem atualizada e trabalho numa empresa excelente, ganho bem, sou bonita e transo muito, mas não consigo me realizar profissionalmente e sexualmente, quero ser promovida, mas sou extremamente apaixonada pelo meu chefe!
- Ora, dê para o chefe! Goze muito e seja promovida!



Gatinha Medrosa

Tonha, sempre a leio e resolvi lhe escrever, saí a primeira vez com um gatinho lindo, totalmente tímido e recatado. Foi ótimo, fiz tudo o que é possível para ele se satisfazer e se apaixonar por mim, barba, cabelo e bigode, entende? Mas, ele nunca mais apareceu! Mas agora, estou com medo de ligar pra ele. Ele pode estar achando que eu sou puta. Será que devo?
- Maigódi! Você escaldou o gatinho!



Erótica

Tonha me ajude! Meu namorado é machista e gostaria de enlouquecê-lo nas preliminares, como faço?
- No meio do rala e rola, entre o chupa lá que eu chupo aqui, faça um fio-terra nele!



Pretenciosa

Doutora, você é a ultima opção para mim, namoramos a dois anos e nos damos muito bem na cama, no próximo mês faremos uma noite especial, gostaria que ele ficasse louco, antes mesmo de irmos para o motel, o que posso fazer?
- Durante o trajeto, ainda no carro, quando parar no sinal, diga-lhe baixinho no ouvido: Minha menstruação está atrasada três meses!!



Menina Mulher

Eu tenho 18 anos e adoro brincar de bonecas com a minha irmã de 2 anos. O Ken me excita muito e quando vou navegar na internet sinto necessidade de acessar cenas e videos de sexo para me masturbar. Será que sou normal?
- Querida Menina Mulher, as fantasias sexuais são coisas normais na vida, mas para não deixar dúvidas, passe num sexshop e compre um boneco inflável com as proporções do tamanho da sua necessidade e de um descanso para o Ken da sua irmãzinha!



Gostosão

Por que, na hora do sexo, durante o vai e vem, faz aquele barulho que parece alguém batendo palmas?
- É realmente, parece que tem torcida, na próxima vez grite e jogue beijinhos pra galera!



Invicta

A primeira vez dói? Qual a melhor posição para a menina na primeira transa? Tenho 39 anos e ainda não transei porque tenho medo que vai doer e não vou aguentar.
- Invicta, dói, dói muito, dói tanto quanto estar num coma profundo. Deixa de frescura e dá esta birosteca de uma vez, já passou da hora e faz muito tempo! Olha que a terra come!



Diversificada

Tenho seis namorado, um para cada dia da semana e transo com todos eles. Minhas amigas dizem que sou ninfomaníaca, por que não consigo ficar sem sexo. Estou pensando arrumar mais um para o domingo, mas acho que não vou aguentar. O que você acha? Será que as minhas amigas tem razão?
- Não, pelamor... Não arrume outro para o domingo, faça o seguinte, junte todos para uma festinha! Ah... Você não é ninfomaníaca, isso tem outro nome, procure saber o que as suas amigas falam pelas suas costas!







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sexta-feira, 22 de julho de 2016

“Fadados estamos a imperfeitos sermos”



Droga!!! Por que a perfeição do outro me incomoda tanto? O cara é bonito, rico, porte atlético, inteligente...tantas mulheres o querem. E eu assim, magrelo, feio, pobre e a pé. É como diria Fernando Pessoa: “Só vejo príncipes! Quem me dera ouvir de alguém a voz humana. Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?” Mas tenho um acalento...e não é o álcool.


Elas não estão satisfeitas com a perfeição, não, querem mais..muito mais. Querem perscrutar, virar do avesso, descobrir a carne, revelar os músculos e os vasos e achar ali, bem no fundo, no fundo, no fundo do ser masculino, um defeito que o torne tão vil quanto eu. E acham. Sim, sempre acham um defeito parte, que será analisado como se o todo fosse. Ele tem mal hálito, ele é mulherengo, ele sai aos domingos pra jogar futebol com os amigos e me deixa só, ele tem o pau pequeno, torto, grande demais sei lá, ele tem um defeito.

Porra, não dá! Perfeito só Deus! E o cara é tão egocêntrico (Deus) que não se preocupa em asseverar o tempo todo que só Ele é assim, e por ser assim, precisou criar um ser que não fosse como ele, para que não perdesse o posto de “fodão”. Mandou um pra cá que também era perfeito, mas logo trataram de apontar suas falhas: “Ele anda com putas e ladrões, ele deixou de socorrer um amigo que estava morrendo em Betânia, Ele era frouxo e chorava sozinho pedindo para que lhe afastasse o cálice, ele expulsava demônios em nome do Diabo, ele abraçava leprosos (que nojo), Crucifiquem o Príncipe, mas ponham-lhe antes uma coroa de rei, só pra sacanear.

Novamente me tranquilizo, e de novo não é com o álcool como o poema sugere. Acham defeito em tudo, em todos, porque não encontrariam em mim? Se nem a natureza é perfeita, ora, flores de várias cores, seres de várias espécies, planetas de vários tamanhos, mas tem tsunami, furacão e terremoto. Tem homem que nasce mal (defeito na natureza humana), tem homem que nasce bom e a sociedade o corrompe (defeito da sociedade), tem outros que nascem neutros (ser neutro é não ter características, logo, defeito também).

Quero ser franco me chamam de mal educado, quero ser honesto me chamam de trouxa, quero ser ético me chamam de demagogo, quando quero ser romântico o título que ganho é de fresco, viado, sem pegada, mas quando resolvo ser homem, aí sou machista, bruto, insensível...grosso. Então prefiro mentir, prefiro ser dois, três e até quatro pessoas diferentes dentro de um só ser. Agrado falando o que querem ouvir, finjo o tempo todo ser o que elas querem que eu seja. Deixo-me usar como um pedaço de carne, como um lenço pra enxugar lágrimas (descartável de preferência), sou apenas um absorvente sem abas que dá conforto mas só querem me ver nos dias ruins, e assim vou enganando a elas e a mim.

E mesmo esses, aparentemente perfeitos, o Grey de todas as mulheres, mesmo esses devem ter um defeito que vai incomodar cedo ou tarde, por isso, elas preferem deixá-lo, traí-lo, ignorá-lo, pois não estão prontas para o homem perfeito. Na verdade acho que nem querem um, porque se tiverem... a quem vão poder apontar o dedo e vomitar impropérios numa DR de pelo menos duas horas? Se o cara não tiver defeitos elas não vão ter sempre razão, e não há tragédia pior para uma mulher do que não ter sempre razão.

É Fernando... em linha reta não dá pra agradar.

Edson Moura

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Poema do amigo




Sendo esta data de 20/07 considerada como o Dia do Amigo, compartilho com vocês a letra da música de um cantor mineiro, lembrando aqui da importância daqueles que acompanham nossas vidas ou parte delas.


Por Silvio Brito

Amigo não tem dia, não tem hora, amigo é sempre agora
Amigo não tem jeito faz morada dentro do peito pela vida a fora
Por um amigo se põe a mão no fogo sem receio de nenhuma dor
Amigos são parceiros de um jogo onde não há perdedor

Amigo é feito agulha no palheiro
É meio a meio e os dois inteiros
Amigo é sincero dá de 10 a zero na força do poder e do dinheiro
Amigo é aquele que nos representa em qualquer lugar
A gente estando ou não estando lá
Aliás, é como se a gente estivesse lá na figura do amigo

E é por isso que se diz que é difícil ser amigo
Pois ser amigo não é fácil não
E é por isso que se diz que lealdade não tem preço
E que amizade é o avesso da solidão

Em tempos tão doentes de amores tão distantes
Amigo é uma espécie de transplante de coração
Amigo é feito um pai que se adota feito um filho
É o Espírito Santo um Anjo Guardião


OBS: Imagem acima extraída de http://img1.recadosonline.com/218/276.jpg

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Tolerância




por H. Thiesen 

Perdoo-me pelas minhas possíveis faltas, 
por que sei que não sou perfeita,
Perdoo quem quer que comigo falte,
por que preciso desse perdão,
Não somos de todo ruins,
Evoluímos com o tempo,
e no tempo necessário,
Não existe ser humano que passe
todo tempo na ociosidade,
e na desarmonia
Mas existe uma palavra que nos auxilia
a romper todas as barreiras do nosso ser:
- TOLERÂNCIA.

Tolerância significa “suportar em silêncio", entretanto a palavra possui outros sentidos:
Enfrentar o contraditório para testar os limites do que acreditamos ou pensamos acreditar. Olhar de frente para o contraponto, que se reflete nas palavras alheias, sem vê-las como adversárias.
Entender que a verdade é muito maior e que ninguém a possui em plenitude. O processo de construção da verdade passa pela capacidade do entendimento entre os indivíduos.
Quem pensa diferente não é nosso inimigo, apenas pensa diferente.
A diversidade de opiniões possibilita, que na lógica da existência, existam respostas contraditórias para as mesmas questões. Assim sendo, podemos estar certos a partir de A ou B, como outros, com outras respostas, também podem estar certos, baseados nas suas filosofias, modos de vidas, costumes, épocas, etc. E, à propósito, também podemos estar todos errados.
Uma condição de escutar, entender e responder sem paixão, sem pré-julgamentos, ou até mesmo silenciar.
Quem concorda conosco não é, por isso, melhor ou mais inteligente, é somente alguém que nos agrada e que tem paridade de pensamento conosco.
A verdade é um paradoxo, perspectivas e pontos de vistas diferentes podem convergir para resultados válidos, mesmo que pareçam contraditórios.
Quais são os nossos limites? São os limites da lei vigente e do respeito pelo outro. 
Devemos fazer, ou ter, um acordo social sobre as conjunturas da convivência, começando por nós mesmos, exercitando a aceitação no nosso íntimo.
Tudo pode ser avaliado e discutido. O requisito essencial para a não-barbárie é aceitar as diferenças, como uma riqueza possível, desejável e recomendável, para que não caiamos em extremismos.


OBS: Texto extraído da postagem feita em 16/07/2016 no blogue Sublime Pensamentos, conforme consta em https://sublimespensamentos.blogspot.com.br/2016/07/tolerancia.html 

Síntese do Manifesto Convivialista: declaração de interdependência




Jamais a humanidade dispôs de tantos recursos materiais e competências técnicas e científicas. Considerada em sua globalidade, ela é rica e poderosa, como ninguém nos séculos anteriores poderia imaginar. Nada comprova que ela esteja mais feliz. Porém, nenhuma pessoa deseja voltar atrás, pois todos percebem que, cada vez mais, novas possibilidades de realização pessoal e coletiva se abrem todos os dias.

Mas, por outro lado, ninguém pode mais acreditar que essa acumulação de poder possa prosseguir indefinidamente, tal qual em uma lógica de progresso técnico inalterada, sem se voltar contra ela mesma e sem ameaçar a sobrevivência física e moral da humanidade. As primeiras ameaças que nos assaltam são de ordem material, técnica, ecológica e econômica. Ameaças entrópicas. Somos muito mais incapazes de sequer imaginar respostas para o segundo tipo de ameaças. Ameaças essas de ordem moral e política. Ameaças que podemos qualificar como antrópicas.

O problema primordial

A constatação está aí: a humanidade soube realizar progressos técnicos e científicos fulgurantes, mas ela permanece ainda incapaz de resolver seu problema essencial: como gerir a rivalidade e a violência entre os seres humanos? Como incitá-los a cooperar, permitindo-lhes ao mesmo tempo se opor sem se massacrar? Como criar obstáculos à acumulação de poder, de agora em diante ilimitada e potencialmente auto-destrutiva, sobre os homens e sobre a natureza? Se a humanidade não souber rapidamente responder a essa questão, ela desaparecerá. Muito embora todas as condições materiais estejam reunidas para que ela prospere, contato que tomemos definitivamente consciência de suas finitudes.

Dispomos de múltiplos elementos para resposta: aqueles que sustentaram ao longo de séculos as religiões, as morais, as doutrinas políticas, a filosofia e as ciências humanas e sociais. E as iniciativas que seguem no sentido de uma alternativa à organização atual do mundo são inumeráveis, produzidas por dezenas de milhares de organizações ou associações e por dezenas ou centenas de milhões de pessoas. Essas iniciativas se apresentam sob nomes, sob formas ou em escalas infinitamente variadas: a defesa dos direitos do homem, do cidadão, do trabalhador, do desempregado, da mulher ou das crianças; a economia social e solidária com todas suas componentes: as cooperativas de produção ou de consumo, o mutualismo, o comércio justo, as moedas paralelas ou complementares, os sistemas de troca local, as diversas associações de apoio mútuo; a economia da contribuição digital (Linux, Wikipedia etc.); o decrescimento e o pós-desenvolvimento; os movimentos slow food, slow town, slow science; a reivindicação do buen vivir, a afirmação dos direitos da natureza e o elogio à pachamama; o altermundialismo, a ecologia política e a democracia radical, os indignados, Occupy Wall Street; a busca por indicadores de riqueza alternativos, os movimentos de transformação pessoal, de simplicidade voluntária, de abundância frugal, de diálogo de civilizações, as teorias do care, os novos pensamentos dos communs etc.

Para que essas iniciativas tão ricas possam se contrapor, com força suficiente, às dinâmicas mortíferas de nosso tempo e para que elas não sejam confinadas a um papel de simples contestação ou de atenuação, torna-se crucial reunir suas forças e suas energias, daí a importância de destacar e nomear o que elas têm em comum.

Do convivialismo

Elas têm em comum a busca por um convivialismo, por uma arte de viver juntos (con-vivere) que habilita os humanos a cuidar um dos outros e da Natureza, sem negar a legitimidade do conflito, mas fazendo dele um fator de dinamismo e de criatividade. Um meio de evitar a violência e as pulsões de morte. Para encontrar esse meio, precisamos, a partir de agora, e com toda urgência, de uma base doutrinal mínima partilhável que permita responder simultaneamente e em escala planetária, ao menos, a quatro questões essenciais (mais uma):

A questão moral: o que é permitido aos indivíduos esperar e o que devem eles se proibir?

A questão política: quais são as comunidades políticas legítimas?

A questão ecológica: o que nos é permitido retirar da natureza e o que devemos lhe restituir?

A questão econômica: qual quantidade de riqueza material nos é permitido produzir, e como devemos produzir, de modo a sermos coerentes com as respostas dadas às questões moral, política e ecológica?

Cada um é livre para adicionar ou não a essas quatro questões aquela concernente ao sobrenatural ou ao invisível: a questão religiosa ou espiritual. Ou ainda: a questão do sentido.

Considerações gerais:

A única ordem social legítima universalizável é aquela que se inspira em um princípio de comum humanidade, de comum socialidade, de individuação e de oposição ordenada e criadora.

Princípio de comum humanidade: acima das diferenças de cor de pele, de nacionalidade, de língua, de cultura, de religião ou de riqueza, de sexo ou de orientação sexual, há somente uma humanidade, que deve ser respeitada na pessoa de cada um de seus membros.

Princípio de comum socialidade: os seres humanos são seres sociais para quem a maior riqueza existente é a riqueza de suas relações sociais.

Princípio de individuação: em conformidade com os dois primeiros princípios, a política legítima é aquela que permite a cada um afirmar da melhor maneira sua individualidade singular em devir, desenvolvendo sua potência de ser e de agir sem prejudicar a dos outros.

Princípio de oposição ordenada e criadora: porque todos têm vocação para manifestar sua individualidade singular, é natural que os humanos possam se opor. Mas só é legítimo fazê-lo enquanto isso não coloca em risco o plano da comum socialidade que torna essa rivalidade fecunda e não destrutiva.

Desses princípios gerais decorrem:

Considerações morais

O que é permitido a cada indivíduo esperar é o reconhecimento de sua igual dignidade para com todos os outros seres humanos, é ter acesso a condições materiais suficientes para levar a cabo sua concepção de vida boa, respeitando as concepções dos outros

O que lhe é proibido é cair em desmedida (a hubris dos Gregos), i.e. violar o princípio de comum humanidade e por em perigo a comum socialidade

Concretamente, é dever de cada um lutar contra a corrupção.

Considerações politicas

Na perspectiva convivialista, um Estado, ou um governo, ou uma instituição política nova só podem ser tidos como legítimos se:

– Respeitam os quatro princípios de comum humanidade, de comum socialidade, de individuação e de oposição ordenada, e se facilitam a realização das considerações morais, ecológicas e econômicas que deles decorrem;

Mais especificamente, Estados legítimos garantem a todos seus cidadãos mais pobres um mínimo de recursos, uma renda básica, seja lá qual for sua forma, que os protege da abjeção da miséria, bem como impedem progressivamente aos mais ricos, via instauração de uma renda máxima, de cair na abjeção da extrema riqueza, ultrapassando um nível que tornaria inoperantes os princípios de comum humanidade e de comum socialidade.

Considerações ecológicas

O Homem não pode mais se considerar como dono e senhor da Natureza. Tendo em conta que longe de se opor a ela, ele faz parte dela, ele deve estabelecer com a Natureza, ao menos metaforicamente, uma relação de dom/contra-dom. Para legar às gerações futuras um patrimônio natural preservado, ele deve assim devolver à Natureza tanto ou mais do que dela toma ou recebe.

Considerações econômicas

Não há correlação comprovada entre riqueza monetária ou material, de um lado, e felicidade ou bem-estar, de outro. O estado ecológico do planeta torna necessário buscar todas as formas possíveis de prosperidade sem crescimento. É necessário para isso, em uma perspectiva de economia plural, instaurar um equilíbrio entre Mercado, economia pública e economia de tipo associativo (social e solidária), dependendo se os bens ou os serviços a serem produzidos são individuais, coletivos ou comuns.

Que fazer?

Não podemos negar que, para obtermos êxito, será necessário enfrentar forças consideráveis e terríveis, tanto financeiras quanto materiais, tanto técnicas, científicas ou intelectuais quanto militares ou criminosas. Contra essas forças colossais e frequentemente invisíveis e ilocalizáveis, as três principais armas serão:

– A indignação experimentada em face da desmedida e da corrupção, e a vergonha, sendo necessária ser sentida por aqueles que diretamente ou indiretamente, ativamente ou passivamente, violam os princípios de comum humanidade e de comum socialidade.

– O sentimento de pertencimento a uma comunidade humana mundial.

– Muito além das “escolhas racionais” de uns e de outros, a mobilização dos afetos e das paixões.

Ruptura e transição

Toda política convivialista concreta e aplicada deverá necessariamente levar em consideração:

O imperativo da justiça e da comum socialidade, que implica a supressão das desigualdades vertiginosas irrompidas no mundo desde os anos 1970 entre os mais ricos e o resto da população

A preocupação de dar vida aos territórios e às localidades, e assim de reterritorializar e de relocalizar o que a globalização desterritorializou e deslocalizou em demasia.

A absoluta necessidade de preservar o meio ambiente e os recursos naturais.

A obrigação imperiosa de fazer o desemprego desaparecer e oferecer a todos uma função e uma atribuição reconhecidas entre as atividades úteis à sociedade.

A tradução do convivialismo em respostas concretas deve articular, na prática, as respostas à urgência de melhorar as condições de vida das camadas populares, e de construir uma alternativa ao modo de existência atual tão carregado de múltiplas ameaças. Uma alternativa que cessará de fazer crer que o crescimento econômico ilimitado ainda poderia ser a solução para todos nossos males.


OBS: Ilustração do artigo extraída de uma postagem no blogue do Professor Luciano Paez sobre o assunto. Já o texto acima trata-se da versão resumida do Manifesto Convivialista, publicado em 14 de junho de 2013 pela editora Le Bord de l’eau (40 págs, 5€), sendo que, na internet é possível facilmente encontrar a versão completa traduzida para o português, tratando-se de uma obra de domínio público. Conforme li hoje no blogue do Leonardo Boff, subscreveram até a presente data de 18/07/2016 cerca de 3200 personalidades de muitos países, inclusive do Brasil, entre as quais estas:

Claude Alphandéry, Geneviève Ancel, Ana Maria Araujo (Uruguai), Claudine Attias-Donfut, Geneviève Azam, Akram Belkaïd (Argélia),Yann-Moulier-Boutang, Fabienne Brugère, Alain Caillé, Barbara Cassin, Philippe Chanial, Hervé Chaygneaud-Dupuy, Eve Chiapello, Denis Clerc, Ana M. Correa (Argentina), Thomas Coutrot, Jean-Pierre Dupuy, François Flahault, Francesco Fistetti (Itália),Anne-Marie Fixot, Jean-Baptiste de Foucauld, Christophe Fourel, François Fourquet, Philippe Frémeaux, Jean Gadrey,Vincent de Gaulejac, François Gauthier (Suíça), Sylvie Gendreau (Canadá), Susan George (Estados Unidos), Christiane Girard (Brasil), Françoies Gollain (Reino Unido), Roland Gori, Jean-Claude Guillebaud, Paulo Henrique Martins (Brasil), Dick Howard (Estados Unidos), Marc Humbert, Éva Illouz (Israel), Ahmet Insel (Turquia), Geneviève Jacques, Florence Jany-Catrice, Hervé Kempf, Elena Lasida, Serge Latouche, Jean-Louis Laville, Camille Laurens, Jacques Lecomte, Didier Livio, Gus Massiah, Dominique Méda, Margie Mendell (Canadá), Pierre-Olivier Monteil, Jacqueline Morand, Edgar Morin, Chantal Mouffe (Reino Unido), Osamu Nishitani (Japão), Alfredo Pena-Vega, Bernard Perret, Elena Pulcini (Itália), Ilana Silber (Israel), Roger Sue, Elvia Taracena (México), Frédéric Vandenberghe (Brasil), Patrick Viveret, Zhe Ji (China) Leonardo Boff (Brasil)

sábado, 16 de julho de 2016

Uma espécie cada vez mais dividida




Ultimamente tenho refletido sobre o acelerado desenvolvimento científico da humanidade que, já nesta década, alcançou um nível de tecnologia que muito me faz lembrar os desenhos animados da Hanna-Barbera assistidos em minha infância - Os Jetsons. Para quem não pegou essa época, a série exibida no Brasil pelo SBT, tendo como tema a era espacial, mostrava o cotidiano de uma família que vivia num ambiente futurista de cidades suspensas com carros voadores, trabalho automatizado, toda sorte de aparelhos eletrodomésticos e de entretenimento, robôs servindo como criados, relógios com câmeras digitais utilizados para fins de comunicação, etc.

Curiosamente, parte desse imaginário ficcional tornou-se realidade nos dias atuais com a invenção dos telefones celulares com acesso à internet, os quais transmitem imagens e conversas de áudio. No Japão, a robótica encontra-se surpreendentemente bem desenvolvida enquanto que, na China, já existe o trem de alta velocidade capaz de levitar sem precisar mais de trilhos. Além disso, é esperado para as próximas décadas o envio da primeira missão tripulada a Marte onde, no decorrer deste século, pretende-se construir uma colônia habitada por humanos para a exploração econômica do planeta vermelho.

Se você considera tudo isso um enorme avanço, espere o que nossos netos, bisnetos e tataranetos ainda poderão testemunhar no tempo deles, caso o desenvolvimento científico mantenha-se numa velocidade igual ou maior que na atualidade. Pois não tenho dúvidas de que as gerações futuras poderão não só explorar o espaço, viajando para outros sistemas solares, como também aumentaremos a nossa longevidade, migraremos de corpos com a preservação da consciência, criaremos descendentes transgênicos mais inteligentes por meio da reprodução in vitro (gerados num útero artificial) e talvez façamos até seres adaptados à gravidade e a atmosfera de outros mundos, conforme à nossa imagem e semelhança.

Entretanto, uma grande multidão na superfície terrestre caminha bem distanciada dessas inovações discutidas nos laboratórios, reproduzindo a miséria pelo planeta e trazendo consigo inúmeros problemas capazes de ameaçar a concretização desse futuro prodigioso da nossa espécie. Aliás, conforme alguém comentou num outro blogue com relação à charge acima,  

"Eis os nossos desconectados sociais…sem nome, sem emprego, sem cidadania, sem teto, sem comida, sem internete…"

Ocorre que, além dos pobres marginalizados nas ruas das cidades brasileiras, temos também muitos outros aqui e lá fora que se acham excluídos, sendo incapazes de acompanhar as tendências modernas. Cuida-se, por exemplo, da maioria dos trabalhadores ativos que, mesmo estando ainda empregados, também ficariam de fora do mundo novo por não estarem capacitados para participar do padrão a ser criado. E, neste sentido, a maior parte da humanidade seria um peso para o futuro juntamente com a cultura que lentamente evolui de maneira que algum dia poderá haver a divisão do Homo sapiens em dois grupos.

No livro espírita Os Exilados da Capela (1949), Edgard Armond pressupôs a existência de uma civilização muito desenvolvida, moral e intelectualmente, que habita o quarto planeta em órbita de Capella, estrela da constelação do Cocheiro. Segundo o autor, um grupo de "capelinos" não correspondeu à evolução moral dessa civilização e seus espíritos teriam sido banidos para o planeta Terra há cerca de cinco milênios atrás, dando início à jornada civilizacional humana por meio de sucessivas encarnações.

Pois bem. Como em todo mito sempre podemos encontrar um quê de verdade, nem que seja pelo aspecto psicanalítico, pondero sobre os sentimentos de separação/união que acompanham a ambígua humanidade em sua progressiva trajetória cheia de recuos e avanços. Ou seja, por não sabermos conviver com o outro, pretendemos, mesmo inconscientemente, a exclusão daqueles considerados inferiores, inaptos ou fora dos padrões. Tanto é que pensadores anti-sociais já tiveram até a ousadia de defender a eliminação de parte da população mundial inspirando ainda mais as ideias sensacionalistas sobre conspiração.

Todavia, o temor de que a humanidade possa ser extinta um dia devido ao seu próprio comportamento não seria infundado. Além dos riscos de uma guerra nuclear, ocorrer um grande atentado terrorista ou as consequências do aquecimento global piorarem, cientistas não descartam que a inteligência artificial ou o surgimento de um super vírus possam acabar com a nossa espécie. E, por diversas vezes, o astrofísico Stephen Hawking declarou que, se não forem as máquinas nem os alienígenas, nós mesmos iremos nos auto-exterminar.

Como o futuro é um mar de possibilidades, prefiro acreditar na solução educacionista, apostando na inclusão social para que o desenvolvimento científico ocorra harmonicamente. Pois não dá para concordarmos com uma produção de conhecimento incapaz de proporcionar qualidade de vida para a população, sendo urgente dialogarmos com as necessidades de todo o coletivo humano e darmos uma atenção maior com os valores éticos. Pois é assim que conseguiremos realmente prosseguir no caminho de um projeto de harmonia e felicidade junto com as descobertas maravilhosas da ciência.


OBS: Ilustração acima referente à charge do Angeli, publicada no jornal Folha de S. Paulo, conforme consta no Blog do Gusmão em http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2009/09/17/charge-do-angeli/ 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Em direção ao século XXI




Por Lurdinha Henriques


Muito se discute sobre o uso da tecnologia na educação. Mas, em grande parte das ações nessa área, trata-se a tecnologia como equipamento, sem que se desdobre nas suas infinitas possibilidades de fazer o encontro entre o hoje e o futuro. 

O currículo da escola ainda é rígido, com divisão inflexível de disciplinas e a transdisciplinaridade, mais adequada ao mundo de hoje e ao futuro, com sua crescente complexidade, não se realiza. Essa dificuldade é que tem isolado a tecnologia como um fim em si mesmo, inútil, portanto, como meio de aprendizagem. E, o que é pior, na realidade do Rio de Janeiro, por exemplo, nem como fim funciona, porque os administradores públicos se preocupam mais com aquisições que com as funcionalidades. Mal comparando, é a obra sem projeto, a alteração no funcionamento da cidade sem discutir qual o projeto de cidade é o mais adequado para as pessoas. As políticas públicas têm padecido de falta de projeção para o futuro. Trata-se o imediato, que, num conceito temporal, já é passado. Isto aplicado à educação é mortal para as novas gerações. Os que dizem investir nas camadas populares, ao tratarem de forma conservadora a educação, estão impedindo-as de ascenderem socialmente, porque, desprotegidas socialmente, precisam da educação escolar como um sistema compensatório de sua realidade. Sem isso, faz-se um círculo vicioso que, se repensado, poderia transformar-se num círculo virtuoso. 

Voltemos à questão da transdisciplinaridade. Acho que, infelizmente, a grande maioria dos agentes públicos não tem clareza do que isso significa, não importa qual seja sua área de atuação. Cada espaço a ser ocupado na cidade precisa ser pensado também transdisciplinarmente, porque os seres humanos são múltiplos.

Não somos um somatório de caixinhas fechadas. Mas seres repletos de conceitos, sentimentos que se misturam e se contradizem. Assim caminha a humanidade e assim devem caminhar as políticas públicas.


OBS: Ilustração extraída da postagem feita em 13/07/2016 na página do Facebook da autora em https://www.facebook.com/lurdinhahenriques.psdb/photos/a.540653069430681.1073741828.539627186199936/611899118972742/?type=3&theater

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O começo de uma nova política na Câmara dos Deputados



Achei surpreendente a vitória do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na disputa pela presidência da Câmara Federal, em que o parlamentar irá representar o órgão até o início de fevereiro de 2017, completando o mandato do biênio 2015-2016 devido à renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No segundo turno da eleição, foram 285 votos contra 170 para o segundo colocado, Rogério Rosso (PSD-DF).

O primeiro ponto positivo de sua eleição talvez seja em relação à agenda econômica brasileira já que o novo presidente da Casa mostrou-se bem habilidoso na obtenção de apoio para a sua vitória, o que, provavelmente, terá na aprovação de propostas que podemos considerar emergenciais a fim de voltarmos a crescer. Porém, não creio que a atuação de Maia irá se prender apenas a este aspecto pois, como discursou ontem, ao agradecer os votos recebidos no primeiro turno da eleição interna dos deputados, o objetivo será o resgate do protagonismo da Câmara nas grandes decisões do país, tendo ele acrescentado que:

"É política com P maiúsculo que queremos regatar, política onde as grandes ideias e os grandes projetos saiam dessa Casa (...) Se eu sentar naquela cadeira, eu serei um dos 513, e nós vamos governar essa casa juntos e vamos devolver ao Plenário sua soberania, porque hoje poucos decidem pela gente (...) Vamos colocar essa casa para funcionar como sonhamos e como merecemos".

Em sua campanha, o que mais me chamou a atenção foi a capacidade de Maia em dialogar com a esquerda mesmo sendo ele um notório defensor de ideias liberais para a economia. Segundo o líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), a diferença de 115 votos se deu por uma aliança que incluiu até parte do PT, PCdoB e PDT. Ou seja, o novo presidente da Câmara mostrou que, numa democracia justa, os representantes de todos os setores da sociedade precisam ser ouvidos, tendo Rodrigo assim se justificado:

"Fui muito criticado porque dialogava com a esquerda. Esta Casa precisa de diálogo. Esse Plenário tem 513 deputados eleitos e nenhum pode ser excluído. Quem quer calar a oposição, não quer democracia. Queremos uma oposição forte, que nos ajude a enxergar nossos erros".

Sem dúvida, essa é a postura que se espera de quem faz política com um "P" maiúsculo. Pois, num Parlamento, deve-se contar com a presença dos que representam tanto os ruralistas quanto os trabalhadores sem-terra, ambientalistas, índios, quilombolas, empresários, sindicalistas, estudantes, feministas, LGBTs, ativistas de direitos humanos, religiosos conservadores, funcionários públicos, aposentados, etc. Logo, numa época em que a radicalização ganhou espaço nos últimos anos e a estagnação econômica nos fez perder o rumo nesta década do século, nada melhor do que elegermos um líder apto a lidar com a nossa diversidade social, reunindo todos em torno de um projeto nacional de consenso.

Com 46 anos e estando já em seu quinto mandato como deputado federal, o ex-bancário Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro César Epitácio Maia, hoje nos dá uma verdadeira lição de política. Aliás, conforme consta no blogue do Lauro Jardim do jornal O GLOBO, o seu pai de 71 anos, ao ser perguntado no começo da madrugada de hoje sobre qual conselho daria ao novo presidente da Câmara, assim respondeu: "Conselho, eu já dei em 1998 e ele lembrou no discurso. Agora eu é que preciso de conselhos do Rodrigo".

Enfim, que venham novos tempos de luz e de sabedoria para o Parlamento brasileiro a fim de recuperarmos os rumos do mais amplo progresso com total respeito aos valores democráticos, trazendo de volta a ética.

Uma ótima quinta-feira a todos!


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Gustavo Lima/Câmara dos Deputados. 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

CIENTISTAS ATEUS EXISTEM? SE EXISTEM...E EXISTEM...SÃO CONFIÁVEIS?


Por Edson Moura 

Embora recentemente os criacionistas tenham tentado retratar a sua perspectiva como sendo puramente secular e científica (numa tentativa desesperada de legislar e introduzir em sala de aula), dentro de suas próprias fileiras eles sempre foram muito transparentes no que diz respeito à sua base religiosa (teísta) para sua "ciência", e nunca esconderam sua crença de que, em todos os lugares em que existem conflitos entre a ciência e a Bíblia, a ciência tem que ser rejeitada a Priori. Explico:

"Estudantes das ciências biológicas (e eles realmente existem Edu, neste ponto você está certo) que acreditam na Bíblia, ou numa teoria criacionista, possuem a priori um guia para suas interpretaçôes dos dados disponíveis, qual é este guia?: o registro da Criação Divina contido no livro do Gênesis" (Robert Kofahl e Kelly Segraves)

 " O estudante cristão das origens, aborda a evidência da GEOLOGIA e da PALEONTOLOGIA com o registro bíblico em mente, obviamente, interpretando esta essa evidência científica com os fatos divinamente revelados na Bíblia"  (Robert Kofahl e Kelly Segraves)

" A "ciência da criação" começa com pressuposições completamente bíblicas e interpreta os dados de toda a realidade, incluindo a ciência, dentro desse enquadramento" (Donald Chittick, recebeu um Ph.D. em Física Química da Universidade Estadual de Oregon em Corvallis, Oregon, e um Bachelor of Science pela Universidade de Willamette em Salem, Oregon. Seu currículo inclui o seguinte: 
Presidente da Divisão de Ciências Naturais da Universidade de Fox George em Oregon, professor adjunto da química na Institute for Creation Research , em Dallas, e Professor Associado de Química da Universidade de Puget Sound em Washington. Chittick é também um inventor ativo e recebeu várias patentes para combustíveis alternativos e "instrução programada", ou seja, homeschooling. Ele tem um membro da American Chemical Society , eo Creation Research Society )

" Se a Bíblia é a palavra de Deus (e ela é) e se Jesus Cristo e o Criador infalível e onisciente (e Ele é), então tem que se acreditar firmemente que o mundo, e todas as coisas nele, foram criadas em 6 dias naturais e que longas eras geológicas da história evolucionária realmente nunca ocorreram" (Henry Morris no livro, Criacionismo científico de 1974, página 251) Sobre este autor: Henry Madison Morris Ph.D (6 de outubro de 1918 — 25 de fevereiro de 2006) foi um líder cristão americano e um defensor do Criacionismo. É um dos fundadores da Creation Research Society e do Institute for Creation Research. É autor da famosa Bíblia The New Defender's Study Bible que trata das questões criticas da fé de um ponto de vista literal a partir do Criacionismo. Morris se graduou na Universidade Rice com um bacharelado em engenharia civil em 1939.Em 1961, Morris e John C. Whitcomb escreveram o livro "Genesis Flood", que advogava o Criacionismo e trata sobre o dilúvio universal bíblico e sua geologia. Nele, citou uma influência de George McCready Price, um professor Adventista do Sétimo Dia e defensor do Criacionismo no início do século 20. Em 1963, Morris e nove outros fundaram a Creation Research Society. Ele é considerado por muitos como "o pai da moderna ciência da criação "

"É porque a revelação bíblica é absolutamente autoritativa e clara, que os fatos científicos corretamente interpretados, darão o mesmo testemunho que os da Escritura."  (Henry Morris no livro, Criacionismo científico de 1974, página 15)
"É mais produtivo encarar a Bíblia LITERALMENTE e depois interpretar os fatos reais da ciência dentro do seu enquadramento de revelação." (Henry Morris no livro, Aguas problemáticas da Evolução 1974, página 184)
"Embora os criacionistas, na sua qualidade de cientistas, tenham que estudar tão objetivamente quanto possível os dados reais da geologia, na nossa qualidade de cristãos (pode-se ler...teístas) crentes na Bíblia também temos que insistir que esses dados sejam correlacionados dentro do enquadramento da revelação bíblica."  (Henry Morris noTrimestral da Sociedade de Pesquisa da Criação, 1974, página 173)

"Estamos COMPLETAMENTE limitados àquilo que Deus achou por bem dizer-nos, e esta informação é sua Palavra escrita. Este é nosso manual na Ciência da Criação." (Henry Morris em Morris, 1966, pagina 114)

" O cristão instruído sabe que as evidências para a completa inspiração das Escrituras têm MUITO MAIS PESO do que as evidências para qualquer FATO DA CIÊNCIA. Quando confrontado com o testemunho Bíblico consistente sobre um dilúvio Universal, o crente TEM QUE ACEITÁ-LO COMO SENDO  INQUESTIONAVELMENTE VERDADEIRO." John Whitcomb. Sobre o autor: Whitcomb era o filho de um oficial do exército. Ele viveu no norte da China entre as idades de 3 e 6, e mais tarde frequentou a Escola McCallie em Chattanooga, Tennessee . Ele estudou geologia histórica e paleontologia por um ano e formou-se em 1948 com honras na antiga e história europeia. Quem quiser saber mais sobre o autor, favor, procurem no Wikipedia

"A evidência final e CONCLUSIVA contra a Evolução é o fato de a Bíblia a negar. A Bíblia é a palavra de Deus. absolutamente inerrante e verbalmente inspirada." O tal do Morris de novo

"A única conclusão que concorda com a Bíblia é que Gênesis 1-11 é a verdade histórica real, independentemente de quaisquer problemas científicos ou CRONOLÓGICOS envolvidos." Mais uma vez o Morris, e não esqueçam que ele é cientista, Geólogo.

Duane Tolbert Gish (17 de fevereiro de 1921 - 5 de março de 2013[1] ) foi um bioquímico americano e um dos membros mais proeminentes e francos do movimento criacionista (na vertente "Criacionismo Biblicista").[2] Gish foi ex-vice-presidente do Institute for Creation Research (ICR, Instituto de Pesquisa da Criação) e autor de numerosas publicações sobre o tema ciência da criação. Livro deste autor: "Os fósseis dizem não"

"Depois de muitos anos de estudo intenso do problema das origens, tanto de um ponto de vista bíblico, como do ponto de vista científico, estou CONVENCIDO que os fatos da ciência declaram que a criação especial é a única explicação lógica para as origens, "no princípio Deus criou" O tal do Gish

Bom Edu, vou dar uma paradinha por aqui, e espero que você leia com atenção, reflita bem antes de querer usar "cientistas" que não são cientistas, ou mesmo os antigos cientistas que ao trabalheres determinado objeto, acabaram, mesmo sendo crentes, respondendo alguns questionamentos acerca da origem do universo, o que não passou de um acidente, ou seja, um efeito colateral de se pesquisar algo que poderá culminar numa resposta a qual nem estávamos procurando. Como disse, 'provar que Deus não existe não é uma necessidade da ciência verdadeira, mas sim uma consequência, assim como aconteceu com Roger Bacon (1214-1294) o precursor do método científico,  Robert Boyle, considerado o fundador da Química Moderna, Issac Newton (1642-1727) é um dos maiores gênios da História e um cristão amante da Palavra de Deus, John Flamsteed (1646-1719), criador do primeiro catálogo de estrelas moderno, e que era um cristão fervoroso, o pastor inglês Stephen Hales (1677-1761) foi o primeiro a levar os métodos da Física para a Biologia. Ele é considerado um dos maiores fisiologistas, químicos e inventores do mundo,  o pastor inglês John Mitchell (1724-1793) é considerado "O pai da Sismologia" e o primeiro a considerar a existência de buracos negros, isso cerca de 200 anos antes destes serem descobertos. Além de fazer medições sensíveis da atividade abaixo da superfície da Terra, ele organizou o primeiro experimento laboratorial para medir a força da gravidade.

Esqueci de mencionar o francês Georges Cuvier (1769-1832), fundador dos estudos da Paleontologia e Anatomia Comparativa, foi, por exemplo, o homem que primeiro dividiu os seres vivos em quatro categorias: vertebrados, moluscos, articulados e radiados. Luterano e cristão apaixonado pela Bíblia, ele realizou estudos que comprovaram que o Dilúvio Bíblico, dos dias de Noé, realmente aconteceu. Cuvier foi forte opositor do Darwinismo, ensinando que cada espécie havia sido especialmente criada por Deus e que cada órgão tinha um propósito exclusivo para aquela criatura. Creio que sem ele não teríamos chegado onde chegamos, mas é isso mesmo, um acidente agradável, assim como a descoberta da penicilina.
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