segunda-feira, 29 de agosto de 2016

AFINAL, O QUE É UM VOTO CONSCIENTE?



Por Dag Vulpi 29/08/2016

É comum em época de eleições ouvirmos a frase, faça um voto consciente. Por certo você já ouviu esta frase algumas vezes nessa época de campanhas. Porém, dizer é muito mais fácil que o ato de votar consciente. Afinal, não existe uma fórmula única para o voto consciente, o que há, são critérios a serem seguidos que poderão contribuir sobremaneira para que cada um tenha a certeza de que está fazendo uma boa escolha.

Um dos principais pontos a serem considerados para votar conscientemente, está na importância que cada eleitor dará na busca de informações adequadas, de forma a certificar-se que o candidato que receberá seu voto de fato é o mais apto a atender às demandas da população.

Um voto somente será consciente quando feito com a certeza de que aquela foi uma escolha apropriada. O eleitor podendo afirmar com conhecimento adequado que escolheu o candidato segundo seus critérios de avaliação e que, o candidato escolhido é o mais apto entre todos os demais, para gerir o patrimônio e o interesse públicos.

Além de certificar-se de que aquele candidato é o mais preparado, outro ponto que difere um voto consciente de um voto irresponsável, é o fato de ele vir “desapegado” de interesses em obter vantagens pessoais.  O eleitor não pode usar seu voto pensando no que ele poderá ganhar, mas sim, pensar como seu voto poderá colaborar para o bem estar coletivo. Antes de pensar em vantagens pessoais o eleitor deverá pensar nas pessoas que o rodeiam, no que elas querem e no que ele acredita que elas precisam. É esse tipo de questionamento que deve estar na mente de um eleitor na hora de definir seu voto.

PONTOS A SEREM OBSERVADOS ANTES DE DEFINIR SEU VOTO

Um dos aspectos mais importante a ser considerado é a lisura do candidato. Seria aquele um candidato corrupto, interessado apenas no que ele pode ganhar para si com a política? Qual o passado desse candidato?

Conheça as principais propostas de cada candidato e veja com quais delas você mais se identifica. A afinidade ideológica é muito importante, afinal existem grandes ideias sobre a melhor maneira de se gerir uma sociedade.

Outro aspecto que devemos observar é a competência. Muitas vezes um candidato pode ser uma ótima pessoa, um bom pai, um exemplo de vizinho, mas simplesmente não possui perfil para o cargo a que está concorrendo.

Outro ponto importante é observar se o candidato possui uma vida dedicada à política. Estar envolvido com a política há muito tempo pode ser um sinal positivo – já que pode demonstrar que o candidato realmente se dedica a isso – como pode também ser um sinal negativo, afinal, existe a possibilidade de ele estar envolvido em negociatas escusas que existem nesse meio.

De qualquer forma, saber a história do seu candidato em detalhes revelará coisas importantes sobre seu passado e suas convicções e lhe dará uma ideia melhor sobre sua aptidão ao cargo em questão. O Tribunal Superior Eleitoral mantém um site com diversas informações sobre os candidatos durante as eleições. A internet oferece farto material sobre a política brasileira e pode trazer muitas informações sobre os candidatos que você está avaliando.

Outro fator que é fundamental para um voto consciente é fazer um exercício para tentar encontrar entre os candidatos que buscam a reeleição, o que aqueles fizeram em beneficio da coletividade nos últimos quatro anos, sendo que no caso dos vereadores é certo de que 99% dos que estão ocupando as atuais cadeiras das Câmaras Municipais espalhadas por esse Brasil afora, tentaram a reeleição. Certamente não será fácil encontrar, apesar de serem quatro anos, projetos que algum deles tenha sugerido e aprovado e que tenha impactado positivamente na vida dos cidadãos que eles representam.

Por certo, e isso afirmo sem receio de errar, todos os que buscam a reeleição construíram ao longo dos quaro anos de mandato uma forma de garantir seus dividendos políticos, popularmente conhecido como “curral eleitoral”. Esses dividendos políticos são na sua totalidade, conseguidos através de vantagens pessoais que foram concedidos a determinado grupo que orbitam em torno do candidato. Entre as benesses mais comuns estão os cargos comissionados que normalmente são concedidos para certas lideranças e seus familiares.  


Votar consciente também é não votar em quem busca a reeleição e que nada tenha feito durante os quatro anos que teve todas as possibilidades para isso. Vote naquele candidato que preencha os pré-requisitos citados acima, não cometa o mesmo erro duas vezes.  

sábado, 27 de agosto de 2016

“O voto para vereador”




Por Marcello Richa *

Apenas três meses depois das eleições de 2012, um levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas apontou que 35,7% dos curitibanos não lembravam para quem votou a vereador. Infelizmente isso não é algo incomum em todo o país, que costuma valorizar mais o poder Executivo e dar menor importância o papel do Legislativo, especialmente o municipal, que possui menor cobertura da mídia e acompanhamento da população.

Responsável pela discussão, votação e fiscalização das leis municipais que devem ser executadas pela Prefeitura, o Legislativo Municipal desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento sustentável de uma cidade. Passam pela Câmara desde a Lei Orçamentária Anual (LOA), plano plurianual (que determina objetivos, diretrizes e metas da administração municipal), concessões de isenções e benefícios fiscais, fiscalização dos gastos públicos, projetos e leis. Indiscutivelmente todas são matérias que irão afetar, positiva ou negativamente, a qualidade de vida da população.

Além de seu papel legislador e fiscalizador, o vereador também representa o político mais próximo da população e deve atuar como uma ferramenta de comunicação entre a sociedade e a Prefeitura, auxiliando o poder executivo a identificar e atender as principais prioridades do município. Dessa forma, precisa estar em sintonia com os anseios e demandas das comunidades e apresentar mecanismos para atrair e estimular a participação nas atividades parlamentares.

Valorizar e lembrar para quem votou é essencial para destacar quem realmente defendeu os interesses do município e da população, bem como para evitar colocar novamente no cargo pessoas que não fizeram por merecer a confiança que receberam dos eleitores. Tornar o legislativo mais efetivo exige um acompanhamento constante de suas atividades e, em período eleitoral, uma análise minuciosa das propostas e histórico dos candidatos.

O distanciamento da população com o Legislativo faz com que os trabalhos da Câmara sejam menos produtivos e fora de sintonia com os anseios do cidadão. A mudança desse cenário começa nas eleições, com votos conscientes em pessoas que buscam o diálogo e que dominam as atribuições do cargo, e continua com a participação da sociedade no debate e fiscalização da gestão pública, que representa o exercício pleno da cidadania e o necessário avanço da nossa democracia.

(*) Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR).


Você acha que você é livre mesmo?




Por Márcio Alves 

Penso que a liberdade “verdadeira” - no sentido de não ser ilusória, autoenganosa – passa pela tomada de consciência de que somos, em um certo nível, “escravos”.

Parece paradoxal (e, é), mas aqui, a grande virada de "chave", está em reconhecer nossos próprios limites, nossas próprias amarras, e assim, podermos verdadeiramente agir, dentro dos limites do nosso próprio "cárcere".

Posso aqui citar, inúmeros exemplos de prisões: somos prisioneiros de nossos próprios afetos - não se escolhe não amar que você ama; somos prisioneiros de nossa biologia – mesmo que queiramos, não podemos, por mera decisão (e sem equipamento) voar, pois nossa constituição anatômica não permite; psicanaliticamente falando, somos prisioneiros do nosso inconsciente – fazemos coisas alegando ser por um motivo, mas inconscientemente, fazemos por outro; prisioneiros da nossa situação socioeconômica – posso desejar (e fazer planos) de morar em Paris, mas se for pobre e estiver desempregado, não posso ir; prisioneiros das nossas leis morais – por mais, que às vezes, possa querer descer a “lenha” em uma pessoa que me irrita, sei que não devo (e não “posso”) fazer, pois sofrerem punição; enfim, os exemplos são inúmeros.

Inclusive, somos prisioneiros de nossas próprias escolhas: podemos ser "livres" - num certo sentido bem restrito da palavra - para escolhermos, mas não somos livres para escolher o que queremos ou não colher das suas inevitáveis (e incontroláveis) consequências.

Mas ai você pode me perguntar: já entendi perfeitamente que não somos tão livres assim como imaginava, pelo contrário, somos e muito, presos, mas onde é que entra a liberdade ai?

Respondo dizendo que, dentro dos limites impostos – pela sociedade, vida, religião, , circunstâncias – podemos agir com certa liberdade: não posso voar, então invento meios de poder voar; não posso agir contra um afeto, então uso outro afeto mais forte para contrapor o outro afeto; posso não escolher como e se serei afetado pelo outro, mas posso escolher como vou reagir a essa afetação; posso não ter dinheiro no momento para morar em Paris, mas posso fazer planos de um dia poder ir lá morar ou de viajar para conhecer; e etc.

Portanto, não posso escolher as escolhas pelas quais posso escolher, mas posso escolher dentre as escolhas que irão surgindo no meu caminho, qual escolha quero fazer.

Se me é "dado" escolher entre "A" e "B", somente posso escolher entre "A" e "B": não tenho como criar uma escolha que não existe como possibilidade para escolher.

Enfim: quanto mais tenho consciência das prisões que me prendem, mais aumenta minhas possibilidades de ter um pouco mais de liberdade para me mover dentro dela. Só quem conhece seus próprios limites, suas próprias possibilidades, é que tem mais chance de ser (um pouco) livre.


OBS: Foto extraída do perfil do Facebook do autor sendo que o artigo foi postado originalmente no blogue Outro Evangelho, em 19/08/2016, conforme consta em http://outroevangelho.blogspot.com.br/2016/08/voce-acha-que-voce-e-livre-mesmo.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Educação e saúde são direitos fundamentais




Por Claudio Lamachia (*)

Tramita no Congresso Nacional a PEC 241/16, proposta do governo federal que limita os gastos públicos durante até 20 anos, vinculando-os à variação da inflação do ano anterior. É inegável a necessidade urgente de ajuste das contas públicas, sobretudo por causa do enorme torniquete colocado em cima dos Estados, cada vez mais incapazes de fazer frente aos compromissos básicos como segurança, saúde, educação e acesso à Justiça.

Mudanças são necessárias. Mas esse debate tem que levar em conta os fatores “carga tributária” e “qualidade dos serviços públicos oferecidos ao cidadão”. É chocante o abismo entre a sede arrecadatória e a minguada oferta àqueles que pagam a conta do serviço.

A proposta que tramita no Congresso estabelece que, por até 20 anos, saúde e educação tenham um teto de investimento anual. Ou seja: o funcionamento das instituições de saúde e ensino – garantidas constitucionalmente aos cidadãos – podem simplesmente deixar de receber o investimento necessário para realizar sua atividade fim. 

Saúde e educação são fundamentais para o bom desenvolvimento da sociedade e do país. Dar mais eficiência aos recursos já destinados a essas áreas não significa a necessidade de economizar em despesas fundamentais. Do jeito que estamos, a qualidade da saúde e da educação já está muito aquém daquilo que os brasileiros precisariam receber em contrapartida aos impostos que pagam. Vamos piorar esse cenário?

O desenvolvimento da nação é urgente. É espantoso que, mesmo diante de um cenário tão ruim, o estabelecimento de limites para o desenvolvimento de áreas tão importantes não constranja seus proponentes.

A sociedade, e não apenas a OAB, enxerga com extrema preocupação a adoção de medidas que diminuem ainda mais as chances de que se crie uma futura geração com restrições de acesso de qualidade a direitos básicos que poderão garantir justamente o futuro promissor que o país tanto necessita.

Uma pátria que pretende verdadeiramente prosperar, sabe que depende do desenvolvimento intelectual e de cidadãos saudáveis para que possam promover os avanços que nos levarão a um novo patamar socioeconômico, ético e moral. 

Ciente da sua responsabilidade, a OAB promoverá amplos debates e audiências públicas sobre o tema, para garantir a sociedade o direito de opinar em tema de tamanha relevância. Tomaremos as medidas que forem necessárias para que o direito da sociedade seja preservado.


(*) Claudio Lamachia é advogado e presidente nacional da OAB


OBS: Artigo publicado em 25/08/2016 no Jornal do Comércio, sendo que a imagem acima eu extraí da OAB/AL em http://oab-al.org.br/noticia/leia-manifestacao-do-presidente-lamachia-sobre-audios-de-juca

“O PT em seus estertores”




Por Luiz Carlos Hauly *

Dilma Rousseff promoveu, confortavelmente instalada ou no Palácio do Planalto ou no da Alvorada, uma maratona de entrevistas para denunciar à imprensa estrangeira ser vítima de um “golpe”.  Ela se referia ao processo de impeachment por crime de responsabilidade que resultou no seu afastamento temporário da Presidência da República. O processo seguia e segue estritamente o ordenamento jurídico e o regimento do Congresso.

Um dia depois de ela ser formalizada como ré no Senado por maioria esmagadora de votos, deputados do PT protocolaram na Comissão de Direitos Humanos da ONU um aloprado pedido de “suspensão liminar” do processo de impeachment, alegando tratar-se de um “golpe de estado com a participação do Judiciário e do Congresso”.

Entrementes, o ex-presidente Lula batia às portas da ONU para acusar o juiz federal Sérgio Moro, que preside os processos da Lava Jato, de ser “parcial” e “arbitrário” em relação a ele. Fiel a esse argumento despudoramente mentiroso, o PT editou uma “cartilha” em quatro idiomas para denunciar à imprensa e autoridades estrangeiras que Lula sofre uma “perseguição implacável”, sem paralelo na história brasileira e movida por “agentes partidarizados do Estado, no Ministério Público, na Polícia Federal e no Poder Judiciário”. Esses agentes, segundo a “cartilha”, estão empenhados numa caçada frenética para “encontrar um crime – qualquer um – para acusar Lula e levá-lo aos tribunais”.

Essa campanha internacional teve início depois de esgotados todos os meios – e foram vis e truculentos – para impedir que o país despertasse para o pesadelo em que o PT o havia mergulhado e o avanço das investigações da Lava Jato.

O PT fez da mentira o trampolim para chegar ao topo do poder político e nele se manter e recorre a ela para denegrir aqueles que, amparados na lei, os apearam para impedir que a volúpia pelos bens públicos e a inépcia administrativa, que caracterizaram o ciclo lulopetista, destruíssem o país.

O ciclo petista encerrou-se – o afastamento definitivo de Dilma o sacramentará -, e ouso sentenciar: encerrou-se definitivamente! O mito que o PT construiu de si e de seu líder máximo Lula ruiu por obra e desgraça de sua arrogância, erros e crimes. O PT chegou aonde chegou porque fez a nação acreditar que finalmente surgiram homens e um partido empenhados em construir um novo país, fundamentado na ética da vida pública. E que a fidelidade à ética associada à excelência administrativa impulsionaria o crescimento econômico.

O PT entregou justamente o contrário do que prometeu!

Líderes do partido presos – entre eles três tesoureiros! Dilma, ré por crime de responsabilidade e também por tentativa de obstrução da Justiça. Lula réu por tentativa de obstrução da Justiça e investigado em várias frentes por corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e apontado pela Lava Jato como o mentor e beneficiário do petrolão.

O PT e seus líderes estão não apenas sendo afastados do poder: estão fazendo história como a mais poderosa e ousada organização criminosa surgida em terras brasileiras.

As mentiras que difunde mundialmente são os estertores de um partido e dos mitos que construiu. Quem vive indignamente, morre da mesma forma.


(*) Luiz Carlos Hauly é deputado federal (PSDB-PR)


“Políticas para geração de empregos”




Por Rogério Fernandes

A preocupação com a retomada do crescimento e superação da crise econômica é, sem sombra de dúvidas, a maior expectativa da sociedade.

Certamente, os municípios, como células da organização institucional brasileira, podem contribuir decisivamente com políticas públicas e ações coordenadas para assegurar as condições necessárias aos empreendimentos produtivos, geradores de empregos e de renda.

Podemos considerar que uma das principais estratégias seria evitar fatores que contribuíram para os desequilíbrios regionais, sobretudo a guerra fiscal, incentivos e anistias que permitem instalação de empresas, sem que sejam garantidos também compromissos contratuais de geração de emprego e medidas de responsabilidade social, situação que provoca instabilidade na permanência de empresas em determinados municípios ou regiões por causa de atrativos oferecidos, que sacrificam arrecadação e constroem bolsões de pobreza. Neste sentido, há que se mobilizar representantes legislativos para disciplinar e coibir propostas de vantagens fiscais, estabelecendo limites, como no modelo da responsabilidade fiscal.

Apresentamos a seguir algumas observações que consideramos prioritárias nesta expectativa de estimular o crescimento econômico.


Criação da secretaria do trabalho e emprego

A atividade econômica é vital socialmente, seja para gerar receitas fiscais, empregos, interdependência de empresas e distribuição social da renda.

Sua estruturação e filosofia precisam estar umbilicalmente enraizadas em ações de sustentabilidade econômica das empresas e de responsabilidade social, buscando dar igualdade de oportunidade aos empreendimentos e deixando rigorosamente transparente todas as oportunidades aos investidores e aos trabalhadores. Apesar de necessária para dar qualidade na prestação de serviços públicos, a tecnologia não pode ser pensada na máquina administrativa para substituir o trabalho humano, mas para dar-lhe as melhores condições para exercê-lo com eficiência.


Descentralização administrativa

Sugerimos a criação de regionais da Secretaria do Trabalho, para que a população possa usufruir dos serviços públicos sem a necessidade de deslocamentos, colocando à disposição dos cidadãos toda a estrutura informatizada, permitindo efetivamente a inclusão social e fazendo com que todos tenham acesso imediato às oportunidades oferecidas de empregos, de cursos, treinamentos e outros.

A prefeitura deve retomar um projeto decantado e não levado a cabo para a inclusão digital dos cidadãos, dotando locais urbanos de sinal para acesso gratuito à internet e redes de computadores públicos, para fazer serviços on line, sem demandar o atendimento presencial.


Captação de vagas e seleção de pessoal

Tivemos ótima experiência durante o Governo Anastasia da estrutura do Centro de Solidariedade e Apoio ao Trabalhador (CSAT), que funcionou modelarmente na captação de vagas existentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte e permitindo o fácil acesso de trabalhadores às ofertas de empregos através de um filtro cruzado de perfil necessário para preencher os empregos oferecidos.

Apesar de ser uma agência do sistema dos SINEs, o CSAT inovou com agendamentos via internet ou telefone, agilizando o atendimento, sem necessidade do comparecimento físico à agencia de empregos e permitindo que o trabalhador enxergue suas reais possibilidade de preenchimento da vaga. Ao mesmo tempo, a estrutura do CSAT oferecia orientação do trabalhador para os processos seletivos de entrevistas, além de oferecer cursos de treinamento e qualificação profissional através de recursos destinados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).


Agência Móvel

Apesar da criação das Regionais, para descentralizar os atendimentos, sugerimos resgatarmos a experiência da “Agência Móvel”, que percorre todas as demais regiões com agendamento anunciado previamente.

Esta “Agência Móvel”  instalada em veículo com toda a estrutura e conectada com o sistema de banco de dados pode coletar tanto as vagas em todas as regiões, como encaminhar trabalhadores da localidade para ofertas de empregos já cadastradas, além de atender demandas de confecção de carteiras de trabalho, encaminhamento de seguro desemprego e demais benefícios dos trabalhadores.


OBS: Texto e foto extraídos de http://www.psdb.org.br/politicas-para-geracao-de-empregos-por-rogerio-fernandes/

Quem é o seu candidato? Voto é coisa séria!




Por esses dias, encontrei algumas postagens nas redes sociais informando que a senhora Paula Maia, condenada em co-autoria com o marido pelo assassinato da atriz Daniela Perez, havia se candidatado na capital mineira para ser mais uma vereadora deste país. Uma das mensagens mais coerentes que li foi essa de um amigo meu compartilhada na data de ontem (25/08):

"Os jornais noticiaram essa semana que Paula Thomaz, que assassinou com seu ex-marido Guilherme de Pádua a atriz Daniela Perez, em liberdade após ter cumprido seis anos da sua pena, é candidata a vereadora em Belo Horizonte pelo PPL - Partido Pátria Livre. Todos têm direito a refazer a vida, mas estaria a candidata apta a cuidar do bem estar da população? E os candidatos que você apoia? Eles têm em seu histórico de vida ou profissional o amor genuíno e necessário ao ser humano para ser seu representante na gestão pública? Nada mudará em Mangaratiba e no Brasil se cada eleitor não votar com mais consciência e responsabilidade." (postado por Evando Rezende no Facebook)

Tendo procurando informar-me a respeito desse fato, busquei por sites de notícias, os quais, além de me confirmarem a polêmica candidatura, acrescentaram mais informações sobre a vida atual da postulante:

"A ex-mulher do ator Guilherme de Pádua, assassino confesso da atriz Daniela Perez, é candidata a uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte pelo PPL. Aos 32 anos, Paula Maia, que viveu durante oito anos com o ator e se divorciou ano passado depois de uma relação conturbada, quer ser vereadora tendo como mote de campanha os direitos animais. Paula é a presidente e uma das fundadoras de uma organização não governamental chamada Arca de Noé, ligada a Igreja Batista da Lagoinha, que resgata e cuida de animais abandonados pelas ruas da capital (...) Ela conta que resolveu entrar na disputa porque até hoje a Câmara Municipal não tem ninguém que represente de forma efetiva a causa animal. 'Tantos projetos de lei aprovados e nenhum executado. E como já estou há anos na causa animal e com a ONG há cinco sei bem o que precisamos, não só para os animais mas para toda a cidade', conta a candidata que sonha em ser pastora. (trecho de Ex-mulher de Guilherme de Pádua concorre a vereadora em Belo Horizonte, publicado em 25/08 no Estado de Minas)

Como bem havia comentado o meu amigo no Face, "todos têm direito a refazer a vida", sendo que eu, como advogado e herdeiro dos valores cristãos, defendo a inclusão social de quem deixou o sistema carcerário. Aliás, reprovo qualquer tipo de discriminação que alguém possa fazer contra tais pessoas hoje em liberdade, as quais já pagaram a pena prevista pela legislação e, se precisam prestar contas ainda, será com a própria consciência. 

Todavia, quando se fala no exercício de um cargo político, há que se adotar critérios mais rígidos bem como pesquisar bem a vida pregressa do candidato. E aí considero quase proibitivo votarmos em homens ou mulheres que um dia cometeram determinados delitos mesmo que a conduta não esteja relacionada à corrupção. Pois, quando se trata de legislar ou administrar a coisa pública, estamos falando também de vidas sendo que, ao elegermos alguém, estamos dando uma significativa parcela do poder a essa pessoa.

É possível que essa jovem senhora esteja melhorando coimo ser humano, mas confesso que dificilmente votaria nela como vereadora, caso morasse em BH. Nada contra ela desejar ser pastora numa igreja ou representar uma ONG pois são organizações privadas. Segundo a Bíblia, o apóstolo Paulo e tantos homens de passado tenebroso foram escolhidos para o ministério eclesiástico, mas, quando tratamos da política, estamos falando das obras dos homens (e não de Deus) onde se deve ter uma avaliação puramente racional acerca do candidato. Pois, sem duvidar da possibilidade de regeneração de qualquer condenado pela Justiça, nós simplesmente não podemos saber se de fato ocorreu uma mudança interior tal como no milagre da conversão da água em vinho.

De qualquer modo, sem fazer julgamentos morais específicos sobre a pessoa da senhora Paula de Castro Maia, a qual não conheço pessoalmente, eis que a sua candidatura chama a nossa atenção para a necessidade de analisarmos quem são os candidatos a vereador e prefeito nestas eleições dentro das cidades onde vivemos. Pois, infelizmente, há muitos outros condenados da Justiça (a maioria pouco conhecidos no meio social) que podem estar concorrendo a tais cargos de modo que não podemos ignorar o passado de cada um.

Fiquemos atentos!


OBS: Imagem acima extraído do sítio do TRE-ES, conforme consta em http://www.tre-es.jus.br/imagens/fotos/tre-ma-votacao-eletronica-2012/@@images/b789bdba-c19f-447e-91f6-7cd5ace53bca.jpeg

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

"Olimpíadas 365 dias"




Por Eduardo Freires

Sempre fui contra a realização das Olimpíadas no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro. Mas confesso que estou arrependido. Muito arrependido! Aliás, a partir de agora sou um defensor voraz de Olimpíadas 365 dias, ou seja, o ano inteiro! Será o Ano Olímpico, que tal? 

No ano Olímpico não haverá mais assaltos nas ruas, balas perdidas ceifando a vida de inocentes, policiais assassinados sem piedade, moradores de rua e pivetes por toda parte. Isso tudo, jamais! Até os salários dos servidores estaduais serão pagos em dia! Eu garanto! Os hospitais públicos atenderão todos indiscriminadamente, com seus serviços em funcionamento pleno, e com qualidade máxima. Os políticos vão parar de disputar o poder e até a operação Lava-Jato será extinta, porque a corrupção vai acabar. O transporte público será o melhor do planeta!

No Ano Olímpico iremos torcer por medalhas de ouro para o Brasil todos os dias do ano. Isso é demais! Os canais de TV vão mostrar competições 24 horas. Não haverá espaço para a propaganda eleitoral gratuita e debates políticos, e só isso já valerá à pena. O sonho é possível, gente! Essa foi a sensação que tivemos nesses últimos 17 dias de agosto, no período da Rio 2016. O sonho é possível, sim! A rede Globo, então, provou isso. Ela me fez enxergar um Brasil lindo, um Rio de Janeiro fantástico, espetacular que eu não enxergava há anos, afinal, “somos todos olímpicos”, não é mesmo? Obrigado, Globo e canais afiliados e afilhados, vocês fizeram apagar de minha memória a crise econômica e política que “pairava” sobre todos nós. 

É, o campeão voltou mesmo e a esperança ressurgiu! Os jogos Olímpicos são mágicos e nós, brasileiros e brasileiras, merecemos tê-los o ano inteiro. Aliás, precisamos, e muito, disso! Então, não me envergonho de ter me arrependido. Vergonha, nada! Já provamos que somos capazes de ser olímpicos 365 dias ou pelo menos de sermos induzidos a pensar assim até quando quiserem! 


 OBS: Artigo escrito pelo autor em 22/08/2016, encaminhado para mim via e-mail. Sendo que a imagem acima eu a obtive na web em http://feal.com.br/wp-content/uploads/2016/08/olimpiadas.jpg

Justiça americana se posiciona contra decisão de Obama na "batalha dos banheiros"




Segundo li no portal de notícias do G1, a decisão do governo Obama que permitia aos estudantes transgêneros usar os banheiros dos colégios de acordo com sua identidade de gênero, ao invés do sexo biológico, foi suspensa pela Justiça americana. De acordo com o magistrado federal Reed O'Connor do distrito de Fort Worth (Texas), citado na reportagem,

"Este caso apresenta a difícil questão de equilibrar a proteção dos direitos dos estudantes e os da privacidade pessoal ao usar os banheiros, vestiários e outras instalações íntimas". (extraído de Juiz dos EUA bloqueia lei sobre uso de banheiros escolares por transgêneros, publicada em 22/08)

A decisão do juiz coincidiu com o início das aulas para milhões de estudantes nos Estados Unidos após as férias de verão e foi proferida depois que o Texas e mais outros 12 estados apelaram contra a norma federal por considerá-la inconstitucional (ler artigo E se a "batalha dos banheiros" do Obama chegasse por aqui?, publicado neste blogue em 17/05). Pois tal orientação da Casa Branca gerou protestos conservadores, a exemplo de campanhas de boicote e reivindicações legais, de modo que vários governadores se posicionaram contrariamente.

A meu ver, a decisão provisória da Justiça americana pareceu-me bem sensata. Pois, se de um lado existe o interesse do aluno transgênero em não ser discriminado no ambiente escolar, desejando receber tratamento conforme a sua identidade de gênero, há também uma certa agressão à intimidade das estudantes na hipótese destas encontrarem no banheiro ou vestuário do colégio alguém com o corpo masculino nu ou trocando de roupa.

Refletindo sobre as diversas reivindicações da comunidade LGBT, muitas delas eu considero justas, dignificantes e de acordo com os direitos humanos, a exemplo do direito de uso do nome social. Aliás, tenho defendido que seja dado tratamento nominal às pessoas transexuais e travestis nos órgãos públicos, incluindo o atendimento em hospitais, delegacias e os registros relativos a serviços públicos prestados no âmbito da Administração Direta e Indireta, além das escolas. Porém, não posso acompanhar as ideias de alguns ativistas na questão dos banheiros.

Penso que, quando um estudante ou seus progenitores notificam uma mudança de gênero com o qual o aluno se identificava previamente, a escola deve atuar em consequência e procurar respeitar essa nova identidade. Só que nem sempre isso é possível de ser realizado de maneira ampla porque esbarra não só nos direitos de outros alunos como nas restrições orçamentárias do estabelecimento escolar (na hipótese de que sejam imediatamente construídos banheiros só para pessoas transgêneras).

Tão importante quanto tentar humanizar o tratamento ao estudante transgênero é auxiliá-lo a lidar com as próprias diferenças já que não podemos querer que o mundo seja conforme gostaríamos que fosse. Pois, da mesma maneira como a pessoa portadora de necessidades especiais aprende a se locomover pelo ambiente e perceber a realidade de acordo com as suas possibilidades, também o indivíduo transgênero pode desenvolver a capacidade de convivência consigo mesmo, aprendendo a compartilhar do mesmo banheiro que as demais pessoas de seu sexo biológico.


OBS: Ilustração acima extraída de http://novojornal.jor.br/cotidiano/eua-orienta-escolas-a-disponibilizarem-banheiros-para-transgeneros

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Sua trajetória de vida é a sua melhor campanha!




Por Daniel Santiago

Chegamos em mais um ano de importantes eleições para o Brasil, não só pela representatividade em si, mas também por dar o tom do que veremos no ano de 2018.

Vamos escolher nossos vereadores e prefeitos, ou seja, os cargos eletivos com atuação mais próxima do cidadão. São as pessoas que tomarão decisões que em sua maioria afetarão a forma como se vive nas cidades, são as políticas e propostas que, de fato, terão impacto direto na forma como interagimos com a nossa comunidade no dia-a-dia.

A campanha política é item mais do que obrigatório para se obter uma reeleição ou chegar ao seu primeiro mandato, também fundamental para a oxigenação da política – a entrada da juventude com novas ideias e propostas! Um fator novo são as inéditas regras eleitorais que estabelecem menos tempos para este momento e com a proibição de doação das empresas, o poderio financeiro influenciando no resultado é diminuído e ganha mais a força das ideias!

Mas quem pensa que a campanha eleitoral começa agora está mais do que enganado. A campanha começou há anos junto com a trajetória de vida dos candidatos, o seu “currículo”, seus resultados obtidos em maior ou menor expressão.

Com toda certeza você já viu diversos candidatos a diversos cargos não só na política partidária, mas em vários espaços de poder, e não conseguia acreditar que aquelas promessas seriam cumpridas, mas não sabia definir o motivo disso. Só havia aquele senso comum de que “político é tudo igual” e só está tentando ganhar voto, mas, quando você conhece melhor a pessoa, esse pensamento muda um pouco. Posso te dar uma ideia?

Você subconscientemente não conseguia achar a conexão entre as capacidades daquela pessoa, os resultados que ela já tinha obtido e o que ela estava prometendo. Em resumo, ela não tinha como fazer o que estava prometendo, nunca chegou nem perto de tentar ou conseguir.


Nas próximas eleições vamos votar com consciência.

Mais do que votar em propostas bem fundamentadas, que tenham bandeiras em que nós também compartilhamos como causas pessoais de luta, vamos, principalmente, votar em boas histórias de vida, em trajetórias retas de caráter, em um “currículo” recheado de resultados positivos que credenciam aquela pessoa a ter credibilidade para cumprir aquelas promessas.

É essencial que conheçamos os nossos candidatos, afinal é a pessoa que irá nos representar ao longo de quatro anos e, como já dito, nessa eleição em particular, são os que afetarão a forma como vivemos nas cidades, para o bem ou para o mal.

Tenho certeza que quando perguntarem “em quem você votou para vereador na última eleição”, em vez de falhar a memória, você irá dizer com orgulho o nome do seu candidato, independente dele ter sido eleito ou não.

Uma política melhor precisa do envolvimento de todos nós!


OBS: Texto e foto extraídos de http://www.psdb-rj.org.br/site/blog/blog-da-juventude/5451-sua-trajetoria-de-vida-e-a-sua-melhor-campanha

A polêmica questão do financiamento da democracia




Por Marcus Pestana

O Brasil tem que mergulhar profundamente na questão do financiamento da democracia no pós-impeachment e pós-Lava Jato.

A democracia é uma conquista inalienável. A liberdade, um valor universal. A primazia da sociedade sobre o Estado, o estabelecimento de controles sociais e a construção de instituições republicanas constituíram base sólida para a discussão coletiva dos problemas da sociedade e suas soluções. Não sei você, mas eu não gostaria de viver em Cuba, na Venezuela, na Coreia do Norte ou na Turquia. A democracia carrega virtudes e defeitos e é um processo permanente de aprendizado.

Um aspecto negligenciado no Brasil é o do financiamento. O funcionamento das instituições democráticas, dos partidos políticos, das candidaturas, das eleições tem um preço. Para que a competição democrática seja legítima e justa, é preciso reduzir custos, democratizar o acesso ao financiamento e garantir transparência total e controle social. A redução de custos pode se dar com a restrição de determinados instrumentos de campanha. Nesta eleição, por exemplo, foram proibidos cavaletes e minioutdoors, como no passado foram proibidos showmícios. Mas a verdadeira redução de custos só se dará com a mudança do sistema político e eleitoral. O voto nominal proporcional em território aberto é caríssimo. Algum tipo de regionalização do voto se faz necessário, com a redução do território de ação política dos candidatos a deputados. Ou a coletivização do processo, por meio das listas partidárias. O pior dos mundos é o sistema atual.

Hoje as eleições parlamentares têm pouco a ver com méritos e desempenho. Fui eleito pela revista “Veja” o melhor deputado de 2014 na luta pela modernização do país. Fui considerado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) um dos cem “cabeças” do Congresso Nacional. Confesso que isso tem baixíssimo impacto eleitoral e é irrelevante no enfrentamento do poderio econômico.

Os custos também podem ser reduzidos com a racionalização do quadro partidário, por meio de diretrizes como a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais.

A nova regra de financiamento para as eleições de 2016 favorece candidatos milionários e partidos sem vida orgânica. Não há tradição de doação de pessoas físicas no Brasil. Isso não suprirá o vácuo deixado pela proibição das doações empresariais. Ademais, a Lava Jato e o ambiente derivado lançaram uma névoa de interrogações que obscurece a diferença entre doações legais legítimas e propina fruto de corrupção.

O futuro sistema de financiamento da democracia brasileira terá que ser institucionalizado, com regras claras, universais e garantidoras da maior equalização possível das oportunidades, neutralizando a força do poder econômico. Por outro lado, é preciso dar transparência total aos fluxos financeiros envolvidos na sustentação da vida democrática.

Fora isso, a política não encontrará solo fértil para a discussão de ideias e programas, e a editoria política continuará se confundindo muito com o noticiário policial.


OBS: Artigo do deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) publicado no jornal O Tempo (22/08).

Cisma




Por Mariani Lima

Somos assim:
Plantamos na terra a carne imóvel
E cismamos que a alma dança no céu
Ergue-se uma barreira infinita
E cismamos que é um véu.


OBS: Texto e imagem extraídos do blogue da autora Mar e Poesias, conforme publicado em 22/09/2012.

Felicidade




Por Aline Cleo Vieira

Felicidade
Menina faceira
Lépida e arteira
Tilintando seus traques
Salteia na areia
Passeia pelas estrelas

Pobres daqueles que
Perdem seu rastro
Mesmo com seus brilho
Perdem seu trilho

Voa voa minha pequena
Grande amiga
Mas não vá para longe
Goste de te ver no horizonte


OBS: Poema publicado originalmente no blogue da autora Não Sou Apenas Uma Diva, sendo a imagem acima extraída de https://bemestardocente.files.wordpress.com/2012/06/livre.jpg

terça-feira, 23 de agosto de 2016

"O Brasil que a gente ama e a gente cuida"




Por Juvenal Araújo

Com o fim da Olimpíada, ficaram a tristeza e a saudade, após vermos tantos jogos espetaculares em nosso país. Vivenciamos algumas experiências fantásticas, vendo atletas brasileiros se tornando os melhores em suas modalidades, e também nos emocionando com histórias de atletas de outros países. Não há uma festa como a Olimpíada, é a celebração da diversidade e de todas as virtudes do esporte.

Pela primeira vez em terras tupiniquins, a Olimpíada foi um marco em nossa história. Logo após uma crise sem precedentes, que nos tirou a esperança e que nos fez duvidar de nós mesmos, ganhamos um estímulo, um banho de auto-estima, para voltarmos ao rumo de desenvolvimento que vinhamos seguindo já há alguns anos. Caminho que deixamos de seguir com Dilma, que teve o suporte de seu companheiro Lula, que introduziram pesadas doses de populismo ao governo levando-nos ao fracasso.

Se é nos momentos difíceis que podemos nos superar e nos reinventar, nessa Olimpíada podemos fazer isto de forma majestosa, com a audiência do mundo inteiro. Por mais que tenhamos tantas mazelas, temos também inúmeras qualidades que devem ser enaltecidas. Uma cultura riquíssima, diversa e única!

Fizemos um dos mais belos eventos da história da humanidade porque colocamos a nossa alegria de viver em cada detalhe da competição. No twitter, vi um amigo relatando que um japonês questionou se “treinamos” a torcida para que fosse tão animada. Talvez, a resposta fosse mesmo sim, treinados desde o berço, para sorrir, mesmo com as adversidades.

De tudo, podemos tirar uma lição: o Brasil pode ser o melhor país do mundo, e essa deve ser a nossa meta. Somos capazes, criativos e competentes, podemos fazer daqui um lugar mais justo e próspero e para todos. Devemos nos orgulhar daquilo que somos. Da nossa ginga. Da nossa mistura. Da nossa cor. Do nosso samba. Somos únicos, e somos sim um povo admirado em todos os cantos do mundo.

O que você sentiu quando a Gisele desfilou ao som de Tom Jobim no Maracanã? No momento em que Caetano, Gil e Anitta, cantaram Ary Barroso? No momento em que Rafaela Silva ganhou o ouro? Em que Robson Conceição foi ovacionado após ser campeão? Quando o nosso vôlei provou ser o melhor do mundo, quando o time de futebol ganhou da Alemanha em pleno Maracanã? Quando aquele jovem negro, cheio de carisma, acendeu a pira olímpica?

Não precisamos negar, sentimos esperança. O que é ótimo, porque não a sentíamos neste nível há muito tempo. Como disse um jornalista da Globo, não devemos nos envergonhar de quem somos. Exaltando as nossas potencialidades e forças poderemos ir além. Não é depreciando a nossa pátria que faremos algo melhor por ela. Porque, por mais que pareça clichê, a gente sabe que a gente cuida mesmo é quando a gente ama.


OBS: Texto e imagem extraídos de http://www.psdb.org.br/tucanafro/o-brasil-que-a-gente-ama-e-a-gente-cuida-por-juvenal-araujo/

“No Brasil não existem crentes de verdade!”

Por Noreda Somu Tossan


Depois de muito escrever sobre fé e devoção, cheguei à triste (triste?) conclusão que o país em que eu vivo, é um país sem convicções. O brasileiro é um povo que ainda não sabe muito bem o que quer da vida, ou melhor, o brasileiro é constantemente empurrado adiante por algo que ele nunca se preocupou em questionar. Ele vive dilemas éticos filosóficos, e não se importa se no final será chamado de idiota ou de herói da resistência.

Já conversei com muitos ateus, e também com muitos crentes (e quando falo crentes, não estou me referindo a um grupo evangélico restrito, e sim, a todos que de certa forma creem em algo sobrenatural para sua existência).

Alguns dos ateus, se é que posso considerá-los ateus, dizem não fazerem afirmações sobre a inexistência de Deus, pelo simples fato de não poderem provar tal afirmação. Então, eu posso concluir que eles não são de fato ateus, e sim crentes. Já os crentes, creem em algo que não se pode provar, mas, sua fé os mantém “convictos” que, algum dia, tudo será explicado, mesmo que não tenham certeza se haverá um lugar reservado para os que creem. Então, neste caso, posso considerá-los ateus.

O mais fiel de todos os crentes “atuais”, tomam golpes todos os dias, quando são questionados sobre assuntos simples como, evolução, pré-história, ciências, e geografia. Todo crente moderno, deseja ser bem-sucedido, contrariando exatamente aquilo que seu mestre Jesus cristo falou (não ajunteis tesouros na terra onde a traça e a ferrugem podem consumi-los, antes, juntem tesouros nos céus, e blá-blá-blá).
E para chegarem ao topo, para serem cabeça e não calda, muitas vezes é necessário negar suas crenças, mesmo que isso seja advertido pelas Escrituras Sagradas a qual tanto defendem. Um crente é selecionado para uma prova admissional, e antes de sair de casa ele ajoelha-se e agradece a Deus pela oportunidade lhe concedida, diz que não seria nada se não fossem as mãos do Senhor guiando seus caminhos.

Muito bem, é chegada a hora da prova e as perguntas que estão naquela folha o fazem rir por dentro. Ele pensa: Obrigado Senhor, até aqui Tu tens me ajudado, e posso ver que até facilitou um pouco. Essas perguntas eu responderei sem pestanejar, pois são facílimas. Além de serem de múltipla escolha. Glória a Deus!

1ª Pergunta: “O homem é um produto de”:

(A)   Fábrica
(B)   Artesanal
(C)   Evolução lenta a partir de um organismo unicelular
(D)   Foi criado por uma força misteriosa a mais ou menos sete mil anos
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Vocês têm alguma dúvida de qual foi a resposta dele? Se responderam a letra D erraram, pois ele sabe que a única resposta correta é a C. E com isso ele pode estar garantindo o ingresso dele numa boa empresa, mesmo que tenha negado veementemente a sua origem como obra divina.

2ª Pergunta: “No período glacial, o homem sobreviveu porque”:  
 
(A)   Sua capacidade de adaptação o ajudou
(B)   Não houve era glacial
(C)   Uma força misteriosa o protegeu
(D)   O homem a não existia nesse período, e nessa época a Terra era sem forma e vazia
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Novamente ele responde o óbvio que é a alternativa A, negando mais uma vez àquilo em que crê de verdade (será que crê mesmo?)

3ª Pergunta: “Por que você acha que foi selecionado para esta prova”:

(A)   A empresa não teve outra opção
(B)   Suas qualificações e conhecimentos o favoreceram
(C)   Uma força misteriosa o colocou à frente de todos os outros
(D)   Por incrível que pareça, existem cem vagas por pessoa, portanto...
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Paro por aqui, acho que é desnecessário continuar pois, como podem ver, o mais fiel de todos os crentes, nega sua fé o tempo todo. Você pode usar a imaginação e desenvolver outras perguntas, mas eu garanto, todas o levarão a ver que não existe essa tal fé genuína...não aqui no nosso Brasil.

Venho procurando há anos um crente que refute minhas teorias, mas não encontro um sequer. Quando fazem um comentário num de meus textos, ou fazem como anônimos, ou apenas fazem um comentário sem “pé-nem-cabeça” e desaparecem. Será que eles não têm coragem? Não, não é isso, a verdade é que eles não existem.

"Olimpíadas, Silvas, Martas e Marias"




Por Solange Jurema

Conseguimos mostrar a nós mesmos e ao mundo que os brasileiros e seu País são capazes sim de realizar um evento desta grandeza, reunindo mais de 206 países,10,5 mil atletas e recepcionar milhares de turistas que puderam conhecer um pouco mais do Rio de Janeiro e do Brasil. O Brasil se despediu das Olimpíadas Rio 2016 com o sentimento do dever cumprido. Dezesseis dias depois de surpreender o mundo com uma cerimônia de abertura que encantou a todos, dentro e fora do Maracanã, o ato final dos jogos olímpicos também emocionou a todos.

Tudo funcionou pontualmente de acordo com a programação e o script e os pequenos incidentes – como o do nadador norte-americano – cairão no esquecimento e não impediram o reconhecimento da mídia mundial sobre a qualidade de excelência das olimpíadas realizadas na cidade maravilhosa.

O justificado temor de um eventual atentado não se confirmou, felizmente, e mostrou aos povos que o nosso território ainda está imune a esse tipo de ação nefasta. A lamentar, a morte de um militar da Força Nacional.

Há de se destacar o desempenho da delegação brasileira nestas olimpíadas. Superamos todas as marcas com o maior número de medalhas e o maior número delas de ouro e, apesar de não termos alcançados a meta estabelecida de 27 – alcançamos 19.

Uma delas é simbólica em todos os sentidos.

O ouro da judoca Rafaela Silva é especial. Sua história de vida é igual à de milhares de jovens negras brasileiras que moram em comunidades e que sofrem preconceitos e restrições de toda a ordem – de raça, de gênero e econômica.

O sobrenome dela é Silva, não por acaso o mesmo de mais de cinco milhões e brasileiros espalhados pelos rincões de norte a sul deste nosso imenso país.

São milhões de Silvas que, como Rafaela, lutam diariamente para superar dificuldades e conquistar melhores salários, melhores condições de moradia, por uma mobilidade urbana melhor.

São milhões de mulheres que enfrentam cotidianamente todas as adversidades para manter, sozinha, 40% dos lares brasileiros. Enfrentam o descaso do poder público com a Saúde, com a falta de creches ou de uma educação adequada para seus filhos.

Mulher, guerreira, humilde, Rafaela é também a marca da superação pessoal, da obstinação, da disciplina para se chegar a um objetivo. Ela não é diferente destas milhões de Silvas, de 11,7 milhões de Marias que marcam a identidade feminina nacional.

A vitória de Rafaela, o desempenho da delegação feminina nas olimpíadas e o sucesso do evento revelaram ao mundo que apesar de todas as nossas dificuldades econômicas, políticas e sociais, o Brasil e seu povo são capazes, competentes e eficientes.

E que, no rumo certo da democracia, com o pleno funcionamento das instituições, vamos nos tornar um exemplo, não só no esporte, mas principalmente na qualidade de vida do valoroso povo brasileiro.

Para dar maior significado à vida das Silvas, Martas e Marias do Brasil.


(*) Solange Jurema é presidente nacional do Secretariado da Mulher/PSDB


"Improvável retorno de Dilma significaria instaurar caos político e econômico"




Por Rogério Marinho

Um improvável retorno de Dilma Rousseff à presidência da República significaria instaurar caos político e desastre econômico. Em 13 anos de poder, o PT atrasou o Brasil. Há tudo por fazer: reformas da previdência, trabalhista, política e tributária são exemplos.

Os avanços obtidos na área social e econômica foram perdidos e o país ficou em risco em função da irresponsabilidade fiscal, do aparelhamento do estado, da gestão temerária e populista, além da institucionalização da corrupção em nome de um projeto de manutenção de poder a qualquer custo. Nossos fundamentos econômicos, tão duramente conquistados a partir da implantação do Plano Real, foram destroçados. Saquearam as instituições, tomaram as escolas e universidades em busca da hegemonia do pensamento marxista e propagandas políticas partidárias, fragilizando a qualidade do ensino e afrontando a Constituição, dividiram a população e confundiram os destinos do país com os ditames do PT. O Estado foi agigantado em detrimento da sociedade.

Descontrole inflacionário, desemprego de milhões de brasileiros, violência urbana avassaladora, dívidas astronômicas, destruição das principais estatais, recessão, crise ética e o agravamento dos problemas sociais são alguns elementos da herança deixada por Dilma ao país; certamente, uma herança maldita que deverá nos atormentar por muito tempo.

Em carta à nação e aos senadores da República, Dilma propõe voltar para sair através de um plebiscito (é uma piada pronta). Falta grandeza e sobra arrogância de quem não entendeu que o País não suporta mais a repetição do discurso do “golpe”: mantra daqueles que procuram uma falsa versão para justificar o pior e mais catastrófico governo da história da República brasileira desde 1889. Querem desqualificar o impeachment, um instrumento que a Constituição prevê e que está sendo usado em defesa do país e de sua população.

No passado, Dilma e seus pares que defendiam a ditadura do proletariado lutaram com armas querendo substituir uma ditadura por outra. No presente, mentiu à nação para se reeleger e, agora, acuada, grita golpe para enganar os desavisados. Ela guarda a essência dos que não conseguem conviver com o regime democrático e de forma autoritária desqualificam àqueles que pensam diferente e apontam seus evidentes defeitos e crimes.

O país não merece essa longa agonia que impede a volta da normalidade. O melhor e mais saudável gesto por parte da presidente afastada é a renúncia, porém, todos os sinais indicam o contrário.

A conclusão do impeachment no final deste mês de agosto será o definitivo ponto de inflexão para as mudanças necessárias. O empenho de todos que amam o Brasil será vital para o resgate da nação e a retomada do crescimento econômico e da moralidade pública. Hoje, mais do que nunca, é necessário varrer do poder Dilma e tudo o que ela representa. É preciso garantir a vitalidade da democracia nacional conquistada com tantas lutas do nosso passado e do nosso presente.

O país precisa virar essa “pagina infeliz de nossa história”. Vamos precisar de todos neste extraordinário esforço de reconstrução e resgate da confiança no futuro. Adeus Dilma e seja bem-vindo um novo Brasil.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A evolução do povo brasileiro: de analfabeto político para semi politizado




Por Dag Vulpi

Graças ao advento da internet e do aumento nos índices de escolaridade do seu povo, o Brasil começa a dar provas de que boa parte de seus cidadãos está evoluindo da condição de analfabetos políticos para cidadãos com uma conscientização política mínima, ou, se preferir, tornaram-se semi-politizados. E este está sendo um passo gigante no caminho da conquista de valores antes desconhecidos por aqueles.

Porém, acompanho com muita preocupação a pseudo evolução da conscientização política do nosso povo. Afinal, não faz muito tempo e o cidadão brasileiro exigia que para ser seu representante maior, ou seja, ser o presidente da Republica Federativa do Brasil, o candidato ao posto deveria no mínimo ser um cidadão SELETO. Hoje, idos alguns anos, e os cidadãos tendo uma aparente evolução na sua conscientização política, já não se faz necessário ser SELETO, basta ser SELETIVO para tornar-se modelo de um político preparado para ocupar cargo de tamanha responsabilidade.

A internet, e principalmente o aumento nos índices de sua escolaridade, permitiu ao cidadão brasileiro caminhar rumo às conquistas necessárias para uma sociedade mais justa. Ao conseguir evoluir ainda que minimamente sua consciência política, ele passou a ser conhecedor dos seus direitos, e essa evolução fez com que ele não permita mais ser usado como massa de manobra, já os analfabetos políticos, que infelizmente ainda são a maioria, não possui este discernimento, e acabam sendo facilmente induzidos a lutarem por interesses alheios às suas verdadeiras necessidades.

O cidadão comum, porém com a vantagem de ter uma consciência política mediana, sabe muito bem o valor e a importância de sua participação política do país, ele tem consciência da necessidade de saber identificar e reivindicar seus direitos, pois ele sabe que se ficar esperando a boa vontade dos políticos que o representam, seus direitos dificilmente serão respeitados.

Um bom exemplo da conscientização, ainda que mínima, do cidadão brasileiro, mas muito importante para a democracia, foram as manifestações de junho de 2013, quando, nos quatro cantos desse país, milhões de brasileiros mobilizaram-se, e até determinado momento, ordenadamente, reivindicaram e conquistaram alguns direitos básicos, digo até determinado momento pelo fato de os protestos terem sido pacíficos e ordenados até que houve a infeliz invasão por parte de grupos que tinham por objetivo somente promover a desordem, os black blocs. Estes, aliás, acabaram por desvirtuar os objetivos e afastar o cidadão comum das manifestações. Porém e inclusive, nesse advento também se pode perceber a evolução da conscientização política da sociedade, quando aquela repudiou e não permitiu a infiltração de partidos políticos nos manifestos. O cidadão que antes abraçava a ideia, e erguia as bandeiras das legendas partidárias, agora levanta as bandeiras de suas próprias reivindicações, ele percebeu que o único interesse dos partidos nestas manifestações é promover suas siglas e fortalecer seus candidatos.

A conscientização do povo esta sendo a retirada do tampão que durante muitos anos vendou seus olhos, fazendo com que o cidadão passe a enxergar realidades que até então não eram perceptíveis.        

Apesar de ainda estarmos engatinhando, se comparados a alguns países da Europa, ainda assim, podemos afirmar que as condições são favoráveis para o incremento da evolução da politização do povo brasileiro. Pior sorte tiveram as gerações anteriores, pois aquelas não tiverem acesso ao mínimo conhecimento necessário para a formação de uma consciência política.

sábado, 20 de agosto de 2016

"A agonia do Mercosul"




Por Luiz Carlos Hauly *

Concebido em 1985 pelos presidentes brasileiro José Sarney e argentino Raúl Alfonsín e formalizado em 1991, o Mercosul prometia a tão desejada integração comercial do Cone Sul latino-americano, capacitando-o a disputar mercado com as potências mundiais – que, então, articulavam a União Europeia e a Alca, esta capitaneada pelos Estados Unidos e envolvendo os países das três Américas.

Três décadas depois, a União Europeia é uma realidade irreversível em médio prazo, apesar de algumas defecções, e a Alca foi substituída pelo Tratado de Livre Comércio Trans-Pacífico, formalizado no ano passado, que concentra 40% da economia mundial. Estados Unidos e Japão são os cabeças do grupo. E o Mercosul? Fragilizado por barreiras comerciais, notadamente as impostas pela Argentina, e vedando a assinatura de tratados de livre comércio por seus membros, o bloco entrou em declínio. E violentou a cláusula democrática que regeu sua fundação, ao admitir, em 2012, como membro pleno a Venezuela – onde, desde o tempo do caudilho Hugo Chávez, são crônicos a falta de liberdade democrática e o respeito aos direitos humanos. A admissão da Venezuela foi precedida da suspensão temporária do Paraguai – outra violência -, a pretexto do impeachment do presidente Fernando Lugo, processo que obedeceu estritamente ao ordenamento constitucional.

O declínio do bloco se acentuou com o retrocesso econômico da Argentina e Brasil, motivado pela política populista e forte intervenção estatal adotada por seus presidentes, a saber: Cristina Kirchner e Dilma Rousseff. As duas deixaram o cargo (Dilma provisoriamente, por enquanto), e seus sucessores estão soltando as amarras do estatismo. O Uruguai, onde também houve troca de presidente – saiu José Mujica, entrou Tabaré Vásquez -, mantém a economia de mercado, apesar da prevalência da esquerdista Frente Ampla. A economia venezuelana, minada por Chávez, deteriorou-se ainda mais com Nicolás Maduro. O Paraguai vai de vento em popa.

E chegou a hora, em observância ao princípio da rotatividade, de a Venezuela assumir a presidência do Mercosul. Argentina, Brasil e Paraguai se rebelaram: como dar o comando a um país arruinado economicamente e subjugado por um ditador impiedoso e destrambelhado? Não é apenas a cláusula democrática renegada pela Venezuela que levou a essa tomada de posição, mas a inobservância desse país de transformar em leis os termos do acordo que formalizou sua admissão. Os chavistas demonstram em relação a seus parceiros comerciais o mesmo desdém que os orienta em matéria de democracia e respeito às liberdades individuais.

Argentina, Brasil e Paraguai propõem a presidência colegiada até o final do ano, delegando-a à Argentina (a primeira em ordem alfabética) a partir de janeiro de 2017. E, ainda, a Venezuela seria rebaixada à condição de membro associado, como Bolívia e Chile. Uruguai e naturalmente a Venezuela protestam, e o que deveria ser um bloco resultou em duas facções.

O impasse está criado. E enseja, além de uma solução para o membro espúrio que é a Venezuela, uma profunda reformulação dos princípios do Mercosul, a começar da revisão do veto à proibição de que seus membros façam acordos individuais de livre comércios. Pois, se já agonizava, em contraste com a vitalidade dos outros blocos, o affaire venezuelano deflagrou o estado comatoso do Mercosul. Uma terapia intensiva e invasiva – e urgente – é indispensável para que recobre a vida.

(*) O autor é deputado federal pelo PSDB/PR.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Como será o amanhã?




Por Teresa Bergher *

Quanto vai custar a Olimpíada? Venho fazendo esta pergunta há sete anos. E nenhum esclarecimento me é dado.

Numa cena da ópera Tosca, de Giacomo Puccini, a cantora Floria Tosca pergunta ao chefe de Polícia de Roma, o cruel e corrupto Barão Scarpia, quanto precisava pagar para que ele libertasse seu namorado, o revolucionário Mário Cavaradossi: "Quanto? O preço"? Na ópera bufa que se desenrola no Rio, é a mesma indagação que os cariocas fazem ao prefeito Eduardo Paes: afinal, quanto vai custar a Olimpíada? Venho fazendo esta pergunta há sete anos. E nenhum esclarecimento me é dado.

Como meu projeto que exige transparência nos gastos olímpicos vem sendo boicotado pelos vereadores dóceis ao alcaide e a prefeitura não revela por conta própria o que efetivamente gastou, talvez nunca saibamos ao certo a conta desta festa sobre a qual ninguém nos perguntou coisa alguma, mesmo sabendo que vamos receber a conta. Estamos engolindo, com engulhos, a conversa de que a maior parte dos gastos correu por conta do setor privado. Talvez Paes se tenha inspirado na frase atribuída a Josef Goebbels, a de que uma mentira muitas vezes repetida acaba virando verdade. Mas, é preciso que todos saibam: não é bem assim. Além da gastança do dinheiro do orçamento municipal, temos gastos públicos indiretos. A começar pela distribuição de imóveis da Prefeitura (na verdade, nossos) para a instalação dos equipamentos olímpicos e um sem fim de benefícios fiscais para bem afortunados, que, na prática, significam menos dinheiro no caixa da Prefeitura.

Mas, o prefeito precisa saber que, em breve, esta farra olímpica, conquistada com mentiras, ruirá como a sua ciclovia. Tão logo terminem as Olimpíadas - e, que fique bem claro, torço para que sejam bem-sucedidas - pretendo recorrer a diferentes órgãos auxiliares de fiscalização (na Câmara, dócil ao Executivo, é quase impossível) para exigir o chamado "preto no branco", quanto, afinal, custou esta festa, para a qual apenas a família olímpica foi convidada? Pelo pouco que sabemos, só com os cachês pagos a artistas ligados ao governo gastamos R$ 10,5 milhões, para os shows no Boulevard Olímpico do Miécimo da Silveira.

Depois da festa, quando o dopping das contas públicas for revelado, virá a ressaca de um endividamento que, pelo que se sabe, já bateu todos os recordes, ultrapassando a marca de 75% da receita corrente líquida do orçamento municipal (traduzindo para o bom Português, o dinheiro arrecadado pelos nossos impostos).

E a nós, habitantes da cidade do Rio de Janeiro, que assistimos ao espetáculo pirotécnico pela televisão, pois o prefeito teve a petulância de nos mandar ficar em casa para não atrapalhar o deslocamento olímpico, nos restará o desemprego, os transtornos causados por uma política de transportes caótica, uma Prefeitura tão falida quanto o Estado, um Porto Maravilha, o BRT e o metrô lotados, um VLT ineficiente e muitas e muitas contas a pagar. Dá calafrios só de pensar como será o amanhã...

(*) Teresa Bergher é professora, milita na política carioca há 15 anos e cumpre o terceiro mandato como vereadora na Câmara Municipal do Rio de Janeiro sendo líder do PSDB.


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