sábado, 29 de maio de 2010

“Os limites da fé saudável”

Existe um limite seguro para a fé? Ou será que atualmente o que vemos são pessoas vivendo de ilusões... negando-se a encarar a realidade...amparadas por ilusões muitas das vezes criadas fora de seu cérebro...injetadas como drogas, mantendo-as assim num estado limite entre razão e “des-razão”.

Peço licença à todos que crêem que suas ilusões são “reais”, que seus amigos “invisíveis” existem, que ao seu lado está um amigo sempre atento...cuidadoso e pronto para salvá-lo de situações de perigo. Existe separação entre a razão e a des-razão?... Normal e patológico?...Psiquismo e mecanismo cerebrais?... Quais são as fronteiras entre imaginário e real?

O comportamento de alguns líderes religiosos...tem sido semelhante ao da ANFETAMINA, conhecida como indutora de alucinações e delírios em usuários habituais. Pessoas freqüentam templos religiosos hoje, e de maneira grosseira e irresponsável, são bombardeadas por frases de efeito como:

“Sinta o toque do Senhor irmão!”
“Acredite! Jesus está aí do seu lado!”
“Ouça a Voz de Deus!”
“É verdade!...tem anjos aí ao seu lado!”

O que eles não sabem é que uma pessoa com pré-disposição á doenças mentais como, esquizofrenia e distúrbio do humor (bipolar), podem ser seriamente prejudicadas por atitudes assim. O que acontece é que um “gatilho” é disparado e daí em diante fica quase impossível desarmar a “bomba”.

Observo campanhas de libertação em igrejas evangélicas...rituais de exorcismo...pessoas caindo (dizem ser arrebatamento de sentidos...eu já considero crise epilética com “aura estática”)...outras sendo arrastadas pelos cabelos (cenas horrendas). Não seria de se estranhar que em determinadas igrejas, fiéis que congregam há vários anos, todas as semanas caem “endemoninhadas”, e lá está o pastor “ungido” para extirpar o “mal” da pobre criatura.

Como se origina a esquizofrenia eu não sei, mas conheço alguns sintomas de categorias diversas: “positiva”...”negativa” e “cognitiva”. As pessoas estão mais familiarizadas com os sintomas positivos como a agitação...o delírio paranóide... as alucinações e o mais comum...ouvir vozes. Alucinações de comando onde vozes instigam a violência à própria pessoa e contra as outras, são um sinal extremamente grave.

Os sintomas cognitivos e negativos são os menos graves, porém, mais perniciosos. Podem incluir autismo (perda de interesse em pessoas e no ambiente)...ambivalência (sentimentos opostos como amor e ódio, expressos ao mesmo tempo)...embotamento afetivo e perda de associação (no qual a pessoa encadeia pensamentos sem uma lógica evidente, freqüentemente misturando palavras sem sentido). Outros sintomas são: falta de espontaneidade...discurso empobrecido...dificuldade de estabelecer uma relação e lentidão de movimentos.

A esquizofrenia conspira no sentido de roubar das pessoas as qualidades mais intrínsecas para um bom convívio social: Personalidade...habilidades sociais e equilíbrio mental. O que vejo hoje, em muitos casos que observo, são pessoas com delírios persecutórios (o Diabo sempre está tentando destruí-las). Onde está o mal que a persegue? Acredito que ele esteja dentro de sua própria mente. Fica então uma dúvida: “Até onde é inofensiva a fé?”

“A religião é o ópio do povo” disse Karl Marx. Deixando de lado agora a ciência médica e “partindo” para a filosofia do século XIX, que tentar explicar o que Marx quis dizer quando cunhou tão célebre frase: “A religião é o suspiro da criatura oprimida...o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo”. Ele não estava alinhando a religião a todas as drogas que existiam no século XIX e às que ainda viriam a ser inventadas, mas sim a um tipo específico de entorpecente...o ópio.

O ópio era um narcótico que a Companhia Britânica das Índias Orientais, naquele século, contrabandeava às toneladas da Índia para a China, para contrabalançar o comércio entre o Reino Unido e a China, uma vez que o interesse dos britânicos nos produtos chineses (chá...seda...porcelana) era enorme, ao passo que os chineses pareciam se interessar unicamente pelo ópio. A menção ao ópio é, assim, quase uma metáfora, pois o cerne da questão marxista é a exploração dos maios pobres pelos mais ricos (no caso, os chineses ‘os mais pobres’, o Reino Unido os ‘mais ricos’). Para Marx, a religião era um lenitivo para os explorados, que se apegavam a ela como uma compensação (sofrimento religioso compensa o sofrimento real). Numa sociedade sem exploradores, não haveria explorados e a religião deixaria de existir...segundo o pensamento marxista.

O que proponho...ou pelo menos sigo como regra de vida (minha vida), é que a classe dominada (de baixo nível cultural e sócio-econômico) saia do estado de entorpecimento causado pelas religiões..(no geral)...e busquem então a “felicidade-real”, rejeitando assim a “felicidade ilusória” ou pelo menos “impalpável”...oferecida pelas religiões...ou pela “fé”...para ser mais direto.

Obrigado à todos que chegaram até aqui na leitura.

Edson Moura
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