quinta-feira, 25 de maio de 2017

Protestos violentos não me representam!




Não imaginava que, no protesto nacional desta quarta-feira (24/05), para o qual alguns amigos meus partiram ontem rumo a Brasília, a manifestação iria terminar em atos de violência e de vandalismo.

No meio de milhares de pessoas boas, defensoras da ordem e da decência, alguns maus elementos infiltrados resolveram depredar prédios públicos e estruturas que compõem a Esplanada na capital federal. Tais baderneiros chegaram a incendiar a área interna dos ministérios da Agricultura, do Planejamento e da Cultura. De acordo com o portal de notícias G1

"O primeiro prédio a ser atingido pelo fogo foi o do Ministério da Agricultura, por volta das 15h – as chamas foram extintas cerca de 40 minutos depois. Segundo o Corpo de Bombeiros, o tumulto dificultou o acesso dos carros para combater as chamas. Segundo o ministério, o prédio foi evacuado e não houve registro de feridos. O fogo atingiu o auditório no andar térreo, e fotos de ex-ministros foram quebradas. A Tropa de Choque entrou no prédio para evitar o avanço da depredação."

Informou também a reportagem, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, que "sete pessoas foram detidas durante os protestos, suspeitas de dano ao patrimônio público, desacato e porte ilegal de arma". E, até às 19:30 horas de hoje, já constava o registro de 49 pessoas feridas, entre manifestantes e policiais militares.

Embora eu compartilhe do mesmo sentimento de indignação dos manifestantes contra os políticos corruptos, sou contra o uso da violência. Esses indivíduos que destroem o patrimônio público não me representam e precisam ser parados pelo uso da força. Inclusive para que as demais pessoas tenham assegurado o direito de protestar pacificamente quanto às ideias que elas acreditam.

Mais do que nunca, precisamos manter a ordem e sermos pacientes nesse processo de limpeza ética da nação através da Operação Lava Jato, do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e dos pedidos de impeachment protocolados na Câmara a fim de que todos os bandidos, tanto os de esquerda como os de direita, sejam punidos pelos seus crimes. 

De qualquer modo, mesmo discordando da conduta criminosa dos que incendiaram os nossos prédios ministeriais, não deixo de compreender os sentimentos de revolta já que os trâmites processuais são lentos, as instituições encontram-se corrompidas e o presidente insiste em se manter no cargo apesar das vergonhosas gravações que vieram à tona graças aos telejornais. Só que é necessário esperarmos os prazos legais, aceitando o cumprimento da Constituição e das demais normas jurídicas estabelecidas. 

Que se faça Justiça nesse país!


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos a Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-11/apos-tumulto-no-congresso-grupo-segue-pela-esplanada-em-confronto-com-pm

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Pela Governabilidade

Carta de Formulação e Mobilização Política - Quinta-feira, 18 de maio de 2017
(Nota do Instituto Teotônio Vilela)

O que está em jogo é algo muito acima de paixões ideológicas e partidárias: é o futuro de toda uma nação de 200 milhões de cidadãos que só querem voltar a viver num país melhor

O país vive momento gravíssimo de sua história. Nestas horas, o que a nação exige é serenidade, equilíbrio, compromisso absoluto com o interesse coletivo. Mais que nunca, os brasileiros clamam por lideranças imbuídas de um único objetivo: o bem comum, a busca do bem-estar da população, a reconstrução de uma nação em frangalhos.

O Brasil já passou por crises de dimensões até maiores. Quando prevaleceu o conflito, a democracia pagou caro. Quando os interesses particulares foram deixados de lado e o interesse maior da nação sobressaiu, o Brasil seguiu adiante, e mais forte. É o que precisa ser feito agora.

Momentos de crise aguda não devem resultar em paralisia, tampouco em retrocessos. Devem, sim, ser incentivo ainda maior para que sejam tomadas as medidas necessárias, imperiosas para que o Brasil retome seu rumo, para que tudo o que há de errado no país - e há muita coisa errada - seja passado a limpo. A hora é agora.

Todas as acusações, graves, precisam ser investigadas e comprovadas. Não há que se condenar ninguém sem a devida garantia de defesa, com açodamentos, com pré-julgamentos. Que a Justiça caminhe por seu veio natural.

É na solidez das instituições, no equilíbrio das lideranças e num entendimento amplo, geral, responsável, sensato e republicano que vise apenas o bem do país - e de ninguém em particular - que está a saída, dura, difícil, mas possível, para o Brasil.

O desfecho para a atual crise, qualquer que seja, será oneroso e árduo. Qualquer que seja, custará ao país enorme energia para superar a turbulência e recolocar-nos de volta à situação em que vínhamos seguindo.

O Brasil, é inegável, vinha caminhando para uma recuperação. Ainda tímida, ainda gradual, mas promissora. Isso não pode ser desperdiçado. Estamos saindo da mais dura e prolongada recessão da nossa história. Não podemos retroceder.

Os avanços, as reformas, a reconstrução em marcha não são deste ou daquele presidente, deste ou daquele partido. São do país. Devem ser preservadas e por elas vale a pena perseverar.

Por trás de números frios estão vidas, estão famílias, estão pessoas ansiosas por retomar seu trabalho, crianças à espera de oportunidades de aprender, jovens que querem voltar a sonhar e idosos que se angustiam com o risco de não ter uma aposentadoria segura.

Nesta hora difícil, de decisões difíceis, que exigem posições maduras, são estas as pessoas que as lideranças precisam ter em mente, e não a imagem odienta deste ou daquele adversário político. O Brasil é maior, muito maior, que nossas querelas políticas, nossos projetos particulares.

Não há respostas fáceis, não há soluções mágicas. Por ora há mais dúvidas do que certezas, de todos os lados. Mas deve haver um consenso básico: as saídas devem ser buscadas no estrito limite da Constituição. Atitudes intempestivas, imponderadas, impulsivas não colaboram.

O que o país precisa é de serenidade, liderança e um enorme esforço coletivo para reencontrar seus melhores dias. O que está em jogo é algo muito acima de paixões ideológicas, interesses partidários: é o futuro de toda uma nação de 200 milhões de cidadãos que só querem voltar a viver num país mais digno.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

domingo, 14 de maio de 2017

Semipresidencialismo à brasileira





Por Antonio Anastasia

Em recente evento acadêmico em Lisboa, fui desafiado a palestrar em painel cujo tema era: “O presidencialismo de coalizão é reformável?”. Todos sabemos das dificuldades do assunto e das singulares peculiaridades do modelo político brasileiro. Todavia, não podemos nos acostumar com o atual quadro de instabilidade e crise sem oferecer ao debate, despido de preconceito de ideias, propostas que eventualmente possam colaborar com a superação do grave momento pelo qual ora passamos no país.

Deste modo, instigado pelo tema do aludido debate, cheguei à conclusão de que o atual formato político-institucional brasileiro, amparado no denominado, e já bem estudado, presidencialismo de coalizão, sofre de um interessante paradoxo: de tanta força tem o nosso chefe de estado e de governo, que daí advém suas fragilidades. E explico. O modelo presidencial brasileiro enfeixou nas mãos do Presidente da República uma gama imensa de poderes e atribuições, quer em matéria financeira-orçamentária, quanto de organização administrativa, bem como de políticas públicas. O instrumento das medidas provisórias permite-lhe legislar. E não há contraponto dos executivos estaduais, fragilizados por uma federação tímida, que não confere autonomia verdadeira aos estados, e por uma crise financeira que os insere em absoluta dependência do poder central. O Legislativo, por seu turno, fragmento em um cipoal de siglas partidárias, não tem a iniciativa de leis relevantes e as profundas divisões internas não permitem uma agenda coordenada e efetiva de reforma política que melhore a legitimidade e a representatividade dos mandatos legislativos. Assim enfraquecido, sem pauta, agenda ou projetos, a maioria parlamentar governista, no âmbito da decantada coalizão, passa a buscar espaço de poder, por meio de indicações de cargos e de emendas. E caso não seja contemplada, deixa de votar os projetos de interesse do Executivo, levando ao paradoxo de fragilidade dito acima.

E tal comportamento parlamentar ocorre, a meu juízo, porque falta, no modelo brasileiro, um fator que considero muito importante: responsabilidade parlamentar. Na atual conjuntura, o parlamentar não tem qualquer compromisso com o seu partido, com uma linha programática ou mesmo ideológica. Não há consequência prática de sua ação legislativa, salvo uma eventual censura ou elogio de seus eleitores, o que sabemos ser raro, pois a eleição proporcional afasta, e muito, o eleito do eleitor…

Assim, uma possível solução seria mitigar o poder do executivo federal, aumentando o espaço de atuação institucional do Parlamento, que passaria, também, a ter um grau maior de responsabilidade pela aprovação e co-execução das políticas públicas. Para tanto, surge a ideia do semipresidencialismo, pelo qual o chefe do executivo, eleito diretamente pelo povo, indica um gabinete ministerial, a ser aprovado pelo Congresso, com um respectivo plano de ação governamental. A aprovação ao gabinete, livremente escolhido pelo executivo, no modelo de coalizão atual, e do plano de governo, vincularia o poder legislativo, e traria aos parlamentares um grau maior de responsabilidade, reduzindo os excessos atuais do presidencialismo absoluto brasileiro. Caso o gabinete perdesse o apoio parlamentar ou as leis atinentes ao plano de ação governamental não fossem aprovadas, restaria ao executivo recompor o gabinete e suas prioridades, ou, a grande novidade, convocar novas eleições legislativas, para se complementar o mandato parlamentar em curso.

Tal modelo levaria o parlamentar a refletir bem sobre suas posições, pois haveria a possibilidade desta antecipação de eleições, ainda que limitada a uma única vez em quatro anos. Esta maior responsabilidade, refletida, também, em maior ação parlamentar no âmbito das políticas públicas, especialmente orçamentária, poderia reduzir os atritos e consolidar uma forma mais adequada de governo, com meios mais eficazes de superação das crises.

Idealmente, deveria ser aprovada, concomitantemente, a figura do recall (Proposta de Emenda Constitucional pelo qual se pode convocar a manifestação do eleitor sobre o desempenho presidencial).

Esta proposta, ainda em suas linhas gerais, tem o objetivo de, tão somente, estimular o debate, com maior divisão de responsabilidades entre os atores políticos, para diminuir os efeitos das crises rotineiras.


*Artigo publicado pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) no Correio Braziliense do dia 12/05.


OBS: Créditos autorais da imagem acima atribuídos à Moreira Mariz/Agência Senado

quinta-feira, 27 de abril de 2017

“Cidades mais inclusivas”




Por Marcello Richa

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em abril apontaram um aumento de 60% no índice de obesidade no Brasil nos últimos dez anos. Esse número reforça o problema que representa as doenças não transmissíveis, responsáveis por 72% das causas de morte no país, com prevalência de doenças cardiovasculares, hipertensão, depressão, diabetes e colesterol elevado – todas relacionadas ao sedentarismo e sobrepeso.

Vivemos em uma época em que as tarefas diárias e o exercício profissional gastam pouca energia, porém exigem muito tempo e possuem uma pressão por resultados constante. Somado a isso, o acesso fácil a alimentos industrializados pouco indicados para uma dieta saudável e menos tempo para a realização de atividades físicas tem contribuído para uma constante queda na qualidade de vida da população.

Reverter esse quadro exige uma atenção maior ao incentivo de mudança de hábitos para um estilo de vida mais saudável, de forma a prevenir a incidência dessas doenças. Nesse sentido, é necessário que tenhamos cidades mais ativas na promoção e oferta da prática de exercícios físicos que trabalhem a perspectiva de melhoria da qualidade de vida, diversão, inclusão social e facilidade para a realização das obrigações diárias.

A mudança deve começar na comunicação e alcançar até a promoção de programas e serviços. É consenso que campanhas institucionais precisam sair do padrão de culpar o indivíduo pelo sobrepeso (uma vez que diversos fatores, que vão desde genético ao emocional, afetam essa questão), respeitar a diversidade corporal de cada pessoa e apresentar os benefícios de saúde que a atividade física regular e alimentação adequada trazem para sua vida.

Já na área estrutural a mudança é ainda mais desafiadora, especialmente considerando os poucos recursos destinados para esse fim. É difícil incorporar, por exemplo, a bicicleta como um modal de transporte quando não são disponibilizadas ciclovias que liguem diferentes pontos da cidade ou que ofereçam segurança adequada para sua utilização. Também pouco adianta ter unidades de Esporte e Lazer se não são realizadas capacitações ou disponibilizado equipamentos para a oferta de diferentes modalidades, que iriam permitir que pessoas de todas as idades e gostos pudessem praticar as atividades que tenham preferência.

O esporte e a atividade física representam uma ferramenta fundamental de mudança social que não pode ser encarado como gasto em políticas secundárias, mas como uma ação intersetorial que irá complementar os serviços de saúde e trazer melhorias nos índices de educação, assistência social e segurança.

Ainda temos no Brasil uma mentalidade voltada a resolver os problemas apenas quando eles aparecerem, ignorando que a prevenção é a maneira mais econômica e eficaz para o desenvolvimento das políticas públicas. Se não fizermos nada para mudar o atual cenário, os danos causados por doenças não transmissíveis continuarão a expandir e exigir investimentos cada vez maiores para seus tratamentos.

(*) Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)


OBS: Texto e imagem extraídos de http://www.psdb.org.br/acompanhe/artigos/cidades-mais-inclusivas-por-marcello-richa/

domingo, 23 de abril de 2017

Indignação contra a chacina em Mato Grosso




Em meio à enxurrada de notícias sobre corrupção envolvendo as investigações da Lava Jato, pouco se tem falado acerca do mais recente massacre ocorrido nas áreas rurais brasileiras, sendo desta vez no estado de Mato Grosso. A este respeito, o bispo Dom Pedro Casaldáliga, morador de São Félix do Araguaia (MT), que participou, na década de 70 da criação da Comissão Pastoral da Terra, manifestou no feriado de Tiradentes a sua indignação no tocante à chacina da última quinta-feira (20/04), na Gleba Taquaruçu, município de Colniza, a qual deixou nove mortos. O religioso assinou uma nota que foi enviada pela Prelazia de São Félix do Araguaia, a qual compartilho a seguir:



EM MATO GROSSO O CAMPO JORRA SANGUE

A Prelazia de São Félix do Araguaia, em reunião com suas/seus agentes de pastoral, seu bispo dom Adriano Ciocca Vasino e o bispo emérito dom Pedro Casaldáliga, na cidade de São Félix do Araguaia - MT, manifesta sua dor, indignação e solidariedade com as famílias assassinadas na Gleba Taquaruçu, município de Colniza – MT, no dia 20 de abril.


Este massacre acontece num momento histórico de usurpação do poder político através de um golpe institucional, com avanços tão graves na perda de direitos fundamentais para o povo brasileiro que coloca o governo do atual presidente Temer numa posição de guerra contra os pobres, isso refletido de forma concreta nos projetos, como as Medidas Provisórias 215 e 759, que violam direitos dos povos do campo e comunidades tradicionais, como também no acirramento do cenário de violações contra as/os defensores de direitos humanos. Diversos políticos expõem abertamente seus discursos de ódio e incitação à violência contra as comunidades que lutam pelos seus direitos. Vivemos um clima de “Terra sem lei”, uma verdadeira guerra civil em nosso país.


Como consequência, o ano de 2016 foi o mais violento dos últimos 13 anos, apontando para uma perspectiva desoladora no campo. E esta situação de Colniza, onde assassinaram inclusive crianças, nos expõe diante dos objetivos de ruralistas que não temem nada para conseguir as terras que buscam.


As famílias de agricultores da Gleba Taquaruçu vêm sofrendo violência desde o ano de 2004. Neste período, em decisão judicial, a Cooperativa Agrícola Mista de Produção Roosevelt ganha reintegração de posse concedida pelo juiz de Direito da Comarca de Colniza, como anunciada na Nota da Comissão Pastoral da Terra, de 20 de abril deste ano. Em 2007, ao menos 10 trabalhadores foram vítimas de tortura e cárcere privado e, neste mesmo ano, três agricultores foram assassinados.


Como estão, neste momento, as famílias que vivem em Colniza? O município já foi considerado o mais violento do país. Sabemos que na região existem outros conflitos de extrema gravidade, como o da fazenda Magali, desde o ano 2000, e o conflito na Gleba Terra Roxa, desde o ano de 2004. A população teme que outros massacres possam acontecer.


Clamamos justiça e que os autores desses crimes sejam processados e punidos. A conseqüente impunidade no campo, fruto da omissão dos órgãos públicos, perpetua a violência.


Na semana em que lamentamos o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1997, que vitimou 19 lutadoras e lutadores do povo, somos surpreendidos por outro massacre no campo, que quer amedrontar, calar as vozes e submeter a dignidade do povo brasileiro.


Temos a certeza que o massacre ocorrido jamais roubará os sonhos e as esperanças do povo. E jamais calará a voz das comunidades que lutam.


O sangue dos mártires será sempre semente de JUSTIÇA e VIDA!



OBS: Imagem acima MST/divulgação

segunda-feira, 17 de abril de 2017

As associações de moradores merecem um tratamento especial pela legislação brasileira




Considero uma pena a legislação pátria não dar às associações de moradores uma atenção especial. Pois, embora se tratem de pessoas jurídicas de direito privado, elas não deixam de ser entidades representativas das pessoas residentes numa determinada localidade, quer se trate de uma rua, um quarteirão, um bairro, uma vila, ou um distrito.

É verdade que o nosso Código Civil, em seus artigos 53 a 61, buscou assegurar um mínimo de direitos aos associados bem como garantir um processo minimamente democrático na eleição dos membros da diretoria em assembleia geral segundo previa inicialmente inciso I do art. 59, cuja redação foi logo alterada pela Lei n.º 11.127/2005. Só que, quando tratamos de uma entidade representativa dos moradores de uma localidade, há uma importante diferença em relação às demais associações civis.

Ora, jamais podemos esquecer de que a associação de moradores constitui um instrumento que interessa a todas as pessoas que vivem num bairro e que tem por objetivo reivindicar junto ao Poder Público (principalmente das prefeituras) questões de caráter coletivo de uma parcela da população da cidade como melhores condições de infraestrutura, serviços de transporte, segurança, lazer, educação, saúde, etc. Ou seja, não são apenas as pessoas associadas que possuem interesse nas suas ações, os quais são comuns também aos não associados residentes no lugar. 

Assim sendo, tanto o processo de criação de uma associação de moradores quanto a admissão de novos filiados e a eleição dos membros da diretoria precisam se distinguir das demais entidades da sociedade civil. Em outras palavras, considero que tudo precisa ser feito da maneira mais transparente e democrática possível, ampliando ao máximo as oportunidades de participação das pessoas interessadas da comunidade.

No que se refere à fundação de uma associação de moradores, não basta um grupo de pessoas do bairro se reunir num local para aprovar numa só data o estatuto e eleger uma diretoria junto com um conselho fiscal. Entendo ser preciso que os indivíduos interessados, ao formarem uma comissão, cumpram um cronograma legalmente estabelecido para a elaboração e a aprovação do estatuto através de duas reuniões abertas feitas no bairro. Somente num terceiro encontro é que os membros da diretoria e do conselho fiscal seriam eleitos.

Já a admissão dos associados (somente pessoas com residência na localidade abrangida) seria livre sem o estabelecimento de exigências que dificultem a filiação. Assim, bastaria ao interessado solicitar a sua inscrição e se dispor a cumprir com os deveres estatutários básicos de modo que a condição de membro da entidade não dependeria nem da Assembleia Geral ou da Diretoria, bastando viver no local.

Refletindo com mais profundidade sobre o assunto, creio que também faltou em nossa Carta Magna algum dispositivo específico sobre a organização dos moradores dentro dos municípios. E, por mais que a Constituição de 1988 seja criticada por haver se tornado prolixa, analítica e casuística, não consigo engolir como o constituinte deixou de lado algo tão importante para o desenvolvimento democrático da sociedade brasileira.

Pensando nisso, talvez seja oportuno pensarmos numa emenda constitucional que disponha sobre a estrutura e os direitos das associações de moradores perante os órgãos públicos. Aliás, deveria até ser assegurado ao líder comunitário a possibilidade de fazer uso da palavra nas sessões das Câmaras Municipais de suas respectivas cidades, o que daria uma maior representatividade a todos os bairros uma vez que não temos o voto distrital no Brasil.

Sendo assim, acredito que, com uma valorização legislativa das associações de moradores, as populações dos nossos municípios experimentarão uma melhor articulação com as suas instituições locais, porém uma inovação dessas irá depender do interesse político de nossos deputados e senadores em Brasilia. Mas, em que pese a inércia dos parlamentares e a falta de credibilidade do Congresso em razão das delações na Operação Lava Jato, ainda assim considero justo lutarmos pela causa em comento.


OBS: Ilustração acima extraída de http://www.bauru.sp.gov.br/sear/associacao_moradores.aspx

sábado, 15 de abril de 2017

A Lava Jato e a Páscoa brasileira




Incrível como que as notícias sobre a "Lista de Fachin", referente às delações dos executivos da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato, têm tomado conta dos nossos telejornais. Se antigamente as reportagens desta época mostravam mais as procissões sacras pelas cidades e demais eventos da Semana Santa, eis que, em 2017, os acontecimentos da vida cultural e religiosa do povo brasileiro estão sendo tratados como algo secundário depois que toda a podridão de alguns depoimentos guardados em sigilo passou a ser exposta nos horários mais nobres da TV. 

Ao que parece, a Globo e outras emissoras estariam focalizando mais no assunto da corrupção do que os usuários das redes sociais onde vejo as postagens diversificando-se em que, por exemplo, muitos internautas preferem lembrar do martírio de Jesus, exibir fotos de suas viagens, comentar sobre piadas, etc. Daí fico a indagar se, nesses três anos de investigações (a Lava Jato iniciou-se em 17/03/2014), a população já não se sentiria agora saturada com tantas notícias ruins sendo continuamente vomitadas a ponto de muitos até trocarem de canal quando o apresentador William Bonner passa a falar das revelações dos depoimentos e das novas prisões.

Entretanto, por mais que a televisão possa estar potencializando um tipo de informação em detrimento das demais, tento ver algo de útil nisso tudo e estabelecer uma conexão da Lava Jato com a Páscoa, a qual muitos comemoram sem saber do que se trata. Pois, afinal, o significado cultural dessa época não tem a ver com a ingestão dos deliciosos chocolates ou menos ainda com a figura de um coelhinho que trás os ovos para a criançada na madrugada de sábado para domingo. Antes de mais nada, estamos falando de uma tradição de origem judaica e que foi re-significada pelo cristianismo em relação à morte de Jesus de Nazaré.

Como se sabe, o Pessach, que é a "Páscoa judaica", celebra a libertação dos hebreus da escravidão egípcia sob o comando de Moisés. De acordo com a tradição, cujo relato encontra-se muito bem narrado no segundo livro da Bíblia (Êxodo), a primeira festa dos israelitas teria ocorrido há mais de três mil anos, quando Deus enviou ao Egito dez "pragas" contra os opressores. Antes do décimo castigo, cada família hebreia foi instruída para que sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais das portas de suas casas com o sangue do animal, a fim de que, quando o anjo passasse, os seus filhos mais velhos não fossem acometidos pela morte. Assim, depois que Deus feriu todos os primogênitos egípcios (desde as primeiras crias dos animais até os da família do Faraó), o rei, por temer a ira divina, concordou em liberar o povo de Israel para a adoração no deserto, o que levou a uma saída definitiva do país. Logo, como uma recordação desse evento mítico, ficou instituído para todas as gerações seguintes o sacrifício pascal.

Por sua vez, o Novo Testamento ensina que a ressurreição de Jesus, também celebrada pela Páscoa, seria o fundamento da fé cristã. Diz a primeira epístola de Pedro que Deus regenerou a humanidade para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1ª Pe 1:3). Com isso, os cristão são espiritualmente ressuscitados com Cristo a fim de que possam ter uma nova vida. Aliás, a este respeito, o apóstolo Paulo também escreveu dando as seguintes advertências à Igreja em Corinto:

"Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade." (1ª Co 5:7-8)

O que podemos entender acerca da Páscoa é que ela nos traz a ideia de renovação e aí, se pensarmos em política, isso diz muita coisa. Ou seja, vejo todos esses acontecimentos reveladores da Lava Jato como um convite para passarmos do velho para o novo, superando de vez esse nosso passado vergonhoso de uma escravizante corrupção para um relacionamento libertador entre o cidadão e o Poder Público.

Ora, quando falo em renovação, meus amigos, não me refiro apenas em mudarmos os nomes dos políticos, tipo colocar no Legislativo e no Executivo pessoas sem envolvimento com a Lava Jato apenas. Defendo é a eleição de homens e mulheres verdadeiramente íntegros, sem nenhuma vinculação com o "fermento antigo", ressaltando também a necessidade de não darmos mais um apoio aos candidatos que esteja condicionado a benefícios pessoais nos quais os políticos possam nos favorecer em troca. Pois é justamente isso que tanto enfraquece o mandato de um parlamentar vitorioso que, uma vez empossado, fica impossibilitado de lutar por propostas mais nobres porque se encontra comprometido a, por exemplo, empregar os seus principais colaboradores de campanha na ocupação dos cargos comissionados num governo.

Não podemos negar, queridos, que, assim como os políticos, a sociedade também se acha corrompida desde a sua base. Ontem mesmo a Globo mostrou o delator Henrique Valadares declarando que deu dinheiro a índios, policiais e sindicalistas por causa de obras feitas por sua empresa em Rondônia. Isto teria sido feito para evitar problemas na construção das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau. Segundo ele, os sindicalistas "cobravam pedágios mensais" à Odebrecht para "não apoiarem greves, atos de violência, esse tipo de coisa".

Sendo assim, há que se dar um novo significado à nossa Páscoa! Pois, se bem pensarmos, do que adianta assistirmos todos os anos aquelas procissões e encenações típicas que rememoram a morte de Cristo se nada de bom que as Escrituras ensinam é posto em prática pela nação?! Logo, considero até apropriado que possamos ver diante dos nossos olhos toda essa podridão agora para que amanhã sejamos capazes de estabelecer uma renovação do nosso pacto republicano de uma maneira consciente, madura e verdadeiramente arrependida dos pecados que são coletivamente cometidos até hoje.

Certamente que a Páscoa não é e nem será algo instantâneo na vida de uma pessoa ou de um povo. Ela inaugura um processo histórico dialético com seus avanços e recuos, tratando-se de uma marcha que termina por seguir em frente no passar das eras, acompanhando uma espiral evolutiva. Por isso, precisamos dessa passagem libertadora que nos conduza a uma nova política na qual os valores éticos possam prevalecer e haja uma maior transparência juntamente com a participação social dos cidadãos.

Para concluir, quero amanhã poder degustar, mesmo simbolicamente, o produto da foto ilustrativa lançado pela Casa de Chocolates Schimmelpfeng, o qual seria um ovo de chocolate no sabor "moroango", em referência ao sobrenome do magistrado que julga casos da Operação Lava Jato - o juiz Sérgio Moro. E embora a chocolateria não pretenda tomar partido de nenhuma questão ideológica nesse momento político do Brasil, mas tão somente prestar uma homenagem a um profissional que se tornou nacionalmente célebre pelo cumprimento de seu papel, é com muito gosto que dou significado a esse novo doce. Adoto-o, pois como um símbolo para a Passagem que necessitamos empreender em nossa caminhada histórica rumo a um desejado futuro que "mana leite e mel", quando o brasileiro finalmente poderá desfrutar de bons serviços prestados pelo Estado bem como orgulhar-se de seu país, além dos vitoriosos jogos da seleção de futebol.

Portanto, desejo uma feliz Páscoa a todos e viva Sérgio Moro.


OBSTexto publicado originalmente em meu blog pessoal (clique AQUI para acessar), sendo que a foto acima foi extraída de http://www.erickvidigal.com.br/empresa-lanca-ovo-de-pascoa-de-moroango-para-homenagear-juiz-da-operacao-lava-jato/

terça-feira, 11 de abril de 2017

O POETA

Por CÉU
(Do blogue Ausente do Céu)



O poeta gera e pare sonhos e fantasias, conta histórias
e vive memórias, incrível, que nem dele são
que se farão imaginação, demência ou verdade
vivendo dores pungentes e prantos alheios
trazendo, ao de cima, neste enleio e neste meio
um amor martírio, muita desilusão e mais as saudades.

E como se isso não bastasse, como se não fosse pouco
busca, indomável, nos sonhos dele, um rosto
que jamais encontrará, mas, só ele não vê isso
porque tem um pouco, um muito de louco
continuando, afincadamente, buscando, procurando
o que nunca perdeu, e que, paradoxalmente, não é seu.

Encontra o fim do arco-íris e junta-lhe ainda mais cores
achando tesouros de piratas e chaves de baús
que dá aos corações desafortunados e desalojados
descurando o dele, que do mesmo mal sofre
mas os sonhos, que trilha, mais vastos que a morte
oferecem-lhe horizontes irresistíveis, que o fazem delirar.

O poeta não possui calendário, passado, presente, futuro
nem relógios que o compreendam ou aceitem
que o façam parar ou avançar. O tempo é casmurro
porém, ele vive em muitas épocas e lugares
e em tantos cantadores e trovadores, mas em tantos
que entoam e tocam versos a mais, ao som de liras irreais.

Dão festas mentais, repletas de sensualidade e erotismo 
e em cada momento que faz nascer poesia
o poeta renasce e perde a alma para ser de outro
antes, de muitas almas penadas e cansadas
que se vão perdendo numa boca surda e carnuda
e nuns lábios de mosto, ali à mão de semear, fogo posto.

Perde-se olhando uns olhos pacatos, arrasadores, de gato
acha-se com aquele marialva de viela e ruela
que fugiu da legítima, para uma saborosa escapadela
no quarto mais reles, que já excitado encontrou
onde o poeta tem tantos rostos, gostos, contragostos
que se pararmos, para lhe escutarmos o peito
ouviremos trombetas e clarins, entoando, exaltando
de batida diferente, insensata, descoordenada e incoerente.

Tanto novo, quanto velho, o poeta é eterno, nunca fenece
e nos anos e séculos que se seguem, é gente
que vos pede, encarecido, que não desconfieis dele
porque pode engendrar e criar mil e um versos
arrebatadores, acerca de histórias de bizarros amores
que caso não pareça que é ele, ele é aquilo que não parece.

Porém, se ele parecer insensato, inominável, algo abstrato
não o culpem dos desenganos e desencantos
dos planos, por água abaixo, destronados, arrasados 
porque a culpa é dos desencontros, que gritam
dos olhos desiludidos, exaustos, desbotados, perdidos
que guardam as desventuras dos poetas, que nele habitam.


OBS: Postagem acima de 21/03/2017, o Dia Mundial da Poesia, conforme extraído de http://ausentedoceu.blogspot.com.br/2017/03/o-poeta.html

quinta-feira, 16 de março de 2017

"Educação estagnada é sinônimo de futuro fracassado"


É um texto de desabafo. Em meio a revoltas populares, manifestações e paralisações que via de regra, impedem que outros cidadãos exerçam seu direito fundamental de locomoção, acabo por me surpreender com um amigo que, contra tudo e contra todos, resolveu remar contra a maré, um típico Pensador Fora da Gaiola, um educador, formador de opiniões, um professor por excelência. Aldim, este artigo, pouco didático e muito mais explicativo é pra você.

No último exame do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, sigla em inglês) que é realizado pelo OCDE (Organização para Cooperação e desenvolvimento econômico) que avalia os estudantes dos países-membros da OCDE e convidados, e três áreas fundamentais, conhecimentos de matemática, de Ciências e de Línguas (obviamente a língua materna do estudante, portanto, compreensão e regras de funcionamentos da língua), na última edição de 2012, dos 65 países avaliados o Brasil estava na posição 59ª, ou seja, posição cinquenta e nove de sessenta e cinco, o Brasil agora, conseguiu piorar aquilo que já era ruim. Na última edição agora, divulgada no final de 2016, de 65 países, o Brasil alcançou a posição de 63ª, olhem o absurdo, só dois países avaliados tiveram posição pior do que a nossa.


O jornalista Ricardo Boechat, por quem confesso que nutro uma grande admiração, pela clarividência de suas palavras, pela análise crítica e pela pessoa inteligente que é, há algum tempo fez uma crônica que eu achei perfeita, ele disse o seguinte: […quando nós não temos como prioridade a saúde pública e a segurança pública, que para mim são duas áreas prioritárias e para ele também, você acaba matando o presente do país, porque são os nossos concidadãos que vão padecer nas unidades de pronto atendimento, nas unidades de urgência, nas unidades hospitalares, ou que estão submetidos a toda ordem de violências nas nossas ruas …]. Portanto, tanto pra mim, quanto para ele, saúde e segurança são prioridades máximas de um estado democrático de direito, de um estado civilizatório.

No entanto, segundo a avaliação que ele faz (e eu acho corretíssima) quando você tem uma saúde pública e uma segurança pública, precárias, que não são tratadas pelas nossas elites como prioridade (até porque as nossas elites têm planos de saúde, segurança particular em seus condomínios fechados, carros blindados etc.) você mata o presente do país, porém, a educação, ou melhor, a falta dela, mata o nosso futuro.

O que a gente sabe, é que a elite dirigente brasileira, os extratos sociais mais abonados, a educação para eles, via de regra, não é um problema, por que convenhamos, eles estudam nas melhores escolas particulares, vão cursar universidades públicas porque têm uma qualidade de Ensino Fundamental e Médio boa, que lhe garantem uma aprovação para uma universidade pública, ou vão estudar em excelentes universidades privadas, dentro e fora do país. Portanto, a educação para essa elite é uma preocupação, mas não é um dado grave.

No entanto, para a população mais pobre essa educação é absolutamente essencial. Eu estava ainda a pouco conversando com esse meu amigo Aldim e explicando que a população mais pobre tem pouquíssimas alternativas de mobilidade social. Ou você tem um talento muito especial para os esportes, e aí estamos falando de esportes de alto rendimento e que seja bem remunerado como o futebol, ou você tem um talento muito significativo para a música ou outras áreas congêneres, ou a terceira grande alternativa para a população pobre ascender socialmente é via educação, e acredite, para mim, a educação é uma prioridade da população brasileira. Em todas as pesquisas a população coloca a saúde, segurança pública e educação como elementos-chave para a mobilidade social e qualidade de vida. Todavia, lamento dizer, essa mesma educação não é prioridade no Estado Brasileiro, e observem que o Estado brasileiro é comandado por uma elite econômica e política que também não tem na educação algo que seja prioridade. Por exemplo:

O Brasil fala em Lei de responsabilidade fiscal (que eu concordo, é necessária, é possível e é urgente que se faça), no entanto, o senador Cristóvão Buarque propôs uma Lei de responsabilidade Educacional, onde Municípios, Estados e União se comprometem com parâmetros objetivos de melhoria de qualidade de educação, agora, perguntem-me quando que uma Lei dessas passa no parlamento brasileiro? Eu mesmo respondo: Nunca!!! Porque os políticos não querem se comprometer com parâmetros objetivos mensuráveis a respeito da melhoria da qualidade da educação no país. E aí o Brasil vai amargando, ano após ano, resultado pífio na educação, quando na verdade, não existe nenhuma receita de bolo pronta que possa ser aplicada a todos os casos.

Mas, via de regra, a maioria dos especialistas e outros que se dedicam a refletir sobre o caso (creio que o Aldim é um desses) costumamos eleger cinco elementos-chave, que não são nada extraordinários, mas que são condição sine qua non de embasamento de uma boa educação.

1º Um professor bem formado é um elemento-chave. Pesquisa recente realizada por uma universidade Australiana mostra que a maior diferença no processo de “ensino-aprendizagem” quem faz é o professor. Não e a metodologia de ensino, não é a escola, não e laboratório, não é equipamento… é o professor. Então, ter um professor bem formado é uma condição essencial. Por outro lado, significa dizer que deve existir um plano de carreira bem estruturado e que seja atraente. Hoje no Brasil, apenas 2% dos estudantes querem ser professores. Na Coreia do Sul, onde o plano de carreira é atraente e os salários altos, 30% dos estudantes querem ser professores. Sendo assim, sem ter um professor bem formado, bem remunerado e com uma carreira atraente e estruturada, nós vamos continuar amargando o mesmo problema.

2º Precisamos ter um aluno que tome consciência de que o processo de “ensino-aprendizagem” é o seu passaporte para a mobilidade social.

3º Precisamos ter uma família que entenda que o processo de “ensino-aprendizagem” não é feito a duas mãos, as do professor, ela é feita no mínimo a seis mãos, as do professor, as do aluno e as mãos dos pais. Educar dá trabalho? Dá! Indiscutivelmente, dá trabalho, mas isso é algo que os pais escolheram quando decidiram ter filhos, então, participar deste processo, não deve ser só uma obrigação, deve ser acima de tudo uma alegria poder contribuir com o crescimento intelectual dos filhos.

4º Nós precisamos ter uma política de Estado na educação brasileira, e não apenas uma política de governo, porque a cada governo mudam-se todas as prioridades.

5º Precisamos ter uma infraestrutura básica de educação. Não precisamos ter um laboratório de primeira geração ultramoderno, mas precisamos ter uma escola que ofereça um mínimo de conforto e instalações adequadas para que a produção e a transmissão de conhecimento se dê de maneira adequada. Sem isso, a gente vai continuar amargando os piores indicadores da educação, matando o futuro de nosso amado país, e ouso dizer, com essa classe política que nós temos hoje, talvez este seja o desejo mais profundo que eles tenham, um povo sem educação que não sabe hoje e provavelmente não saberá no futuro, lutar pelos seus direitos.

Edson Moura


sábado, 11 de março de 2017

O lápis

O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
  
— Vovô, o senhor está escrevendo algo sobre mim?

O avô sorriu e disse ao netinho:

— Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.

O menino olhou para o lápis e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:

— Mas este lápis é igual a todos os que eu já vi. O que ele tem de tão especial?

— Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo, respondeu o avô.

— Primeira qualidade: assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma "mão" que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.

— Segunda qualidade: assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um "apontador". Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas, ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.

— Terceira qualidade: assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.

— Quarta qualidade: assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.

— Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas na vida das pessoas. Portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas. 


OBS: Texto de autor desconhecido compartilhado pelo participante Baltazar no grupo da CPFG do Whatsapp
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