quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Alemanha e o multiculturalismo

Merkel diz que o multiculturalismo "falhou redondamente na Alemanha".



Abaixo, um trecho do artigo publicado no site  publico.pt Recomendo a leitura completa do artigo.


A Chanceler quer que os 15 milhões de imigrantes aceitem os valores cristãos germânicos e aprendam a falar a língua, se não quiserem deixar de ter lugar no país. 

A chanceler alemã, Angela Merkel, lançou nova acha para a fogueira do já incendiado debate em curso no país sobre a imigração - e em particular do islamismo -, afirmando que a tentativa de criar uma sociedade multicultural na Alemanha "falhou redondamente". E exigiu aos imigrantes que aceitem e se integrem de acordo com os valores germânicos, sob a pena de perderem o seu lugar no país.   

(...) 

A tendência crescente de xenofobia e anti-islamismo na Alemanha foi expressa, de resto, num detalhado estudo publicado quarta-feira pela Fundação Friedrich Ebert (com ligação ao SPD), que mostra um terço dos alemães a defender a repatriação dos imigrantes. O mesmo estudo revela que mais de metade dos alemães - 58,4 por cento - é favorável a restrições à prática do islão, e 55,4 por cento disse "compreender que os árabes sejam vistos por algumas pessoas como sendo desagradáveis"

(...) 

Ao longo desta discussão, Merkel - sob pressão da linha mais dura dentro da CDU - tem tentado não hostilizar nenhum dos lados do debate. E o argumento a favor da mais profunda integração dos imigrantes na forma de vida alemã tem vindo a ser temperado com declarações em que, por exemplo, insta os alemães a aceitarem que as mesquitas se tornaram parte da sua paisagem social e cultural.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Avestruz






Autor "convidado" Rubens Alves


Falam muito mal dos avestruzes, injustamente. Seus detratores, movidos por motivos inconfessáveis, declaram que aquelas aves são de estupidez sem paralelo. Dizem que elas, ao se defrontar com um leão, enterram suas cabeças na areia. Se assim eles se comportam é porque devem ser adeptos de uma antiga filosofia que afirmava que "ser é perceber". Raciocinam os avestruzes: se não percebo o perigo, o perigo não existe para mim. (traduzindo popularmente: "Aquilo que os olhos não veem, o coração não sente"). Continua o pensamento dos avestruzes: "Posso, assim, me comportar como se ele não existisse, desde que continue com a cabeça enterrada na areia". Tudo estaria bem se o leão não fosse de verdade. E o resultado é que o avestruz acaba na barriga do leão...Mas, como disse antes, eu não acredito que os avestruzes sejam assim tão estúpidos. Estupidez igual somente encontrei em exemplares da espécie Homo Sapiens a que pertencemos. O que provocou essa meditação foi uma conversa que tive com o dr. Augusto Rocha, que me falou sobre o curioso comportamento de pessoas que têm hipertensão arterial e se recusam a tomar remédio. Hipertensão é doença crônica. Sem cura. Para o resto da vida. Como o diabetes. Embora não possam ser curadas, as doenças crônicas podem ser controladas. Para isso, o doente há de aceitar uma rotina diária de tomar os remédios devidos. Se isso é doença crônica, podemos dizer que todos nós somos portadores de uma enfermidade crônica que, se não for tratada rotineiramente e diariamente, pode levar à morte em um mês. É a fome. E o remédio diário para ela é um bom prato de comida...O fato é que ninguém se esquece de comer. Mas alguns doentes crônicos se esquecem de tomar seus medicamentos. Na verdade, não creio que seja esquecimento. Segundo Freud, todos os esquecimentos são intencionais. Os portadores de doenças crônicas se "esquecem" de tomar seus medicamentos porque eles são adeptos da filosofia dos avestruzes. Acham que, não percebendo, a coisa não existe. Acham que ninguém pensa assim?
Tive um amigo, um homem inteligente de extraordinárias habilidades mecânicas que não ia ao médico de forma alguma. Alegava: "Não vou ao médico porque pode ser que eu tenha alguma coisa...". Não ia ao médico para não saber. Não sabendo, ele acreditava que a doença não existia. O leão existe mesmo quando fechamos os olhos...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pra que tantas partidas no futebol brasileiro?!




Ontem tive o prazer de assistir a admirável conquista do tricampeonato do Flamengo na Copa do Brasil assim como pude acompanhar os últimos posicionamentos da CBF quanto às reivindicações do movimento Bom Senso Futebol Clube, o qual defende as seguintes propostas, entre as quais podemos situar a crítica dos jogadores ao excesso de partidas nas competições:

1- Calendário do futebol nacional;
2- Férias dos atletas;
3- Período adequado de pré-temporada;
4- Fair Play financeiro;
5- Participação nos conselhos técnicos das entidades que regem o futebol.

Embora no entender de muitos os jogadores podem estar reclamando de "barriga cheia", visto que são suficientemente bem pagos pelos grandes clubes (alguns recebem salários até milionários), vejo razão quanto às citadas reivindicações. Inclusive no que diz respeito às férias porque, nesses meus quase quarenta anos de vida, já experimentei os dois lados da vida. Sei o que significa ter algum dinheiro e nenhum tempo para aproveitar passeando com a família num período razoável de férias, assim como o inverso (bastante tempo livre e nada de recursos para viajar). Aliás, há anos que a OAB batalha para que os advogados possam, finalmente, gozar férias, o que está previsto no projeto do novo Código de Processo Civil ainda em trâmite no Congresso.

Quanto ao excesso de partidas, este seria um dos principais motivos pelo qual apoio o Bom Senso F. C. porque entendo ser algo muito prejudicial para a organização da sociedade no enfrentamento das questões políticas mais relevantes. Pode-se dizer que, nos últimos cem anos, determinadas competições esportivas, entre elas o futebol, tornaram-se um dos componentes da velha política do "pão e circo" utilizada pela antiga aristocracia romana para anestesiar a plebe. Pois, nos dias de hoje, após os últimos jogos da temporada do Brasileirão, finalizado nas primeiras semanas de dezembro, eis que os campeonatos estaduais logo se iniciam na segunda quinzena de janeiro, bem no auge do verão. Assim, havendo tanta distração, nem sempre o trabalhador consegue focar o seu interesse nas mudanças que precisam ser conquistadas afim de mudar a sua condição exploratória.

Tenho pra mim que um dos motivos que levou a população brasileira a aderir aos protestos nos meses de junho e de julho deste ano teria sido a suspensão das competições esportivas entre clubes durante a Copa das Confederações, a qual envolveu somente seleções. Para grande parte do público, torcer pelo Brasil já não proporciona a mesma emoção do que acompanhar o desempenho do seu time, bebemorar etilicamente e, no dia seguinte, poder encarnar o colega de trabalho que torce pela equipe adversária. Por isso, a propaganda automobilística Vem pra rua acabou gerando um efeito bem diferente do que esperavam os seus patrocinadores. O cidadão dirigiu-se para as principais vias e praças das capitais do país, mas não de carro e, sim, a pé em passeatas que reuniram milhões de manifestantes.

Apesar de não ver o protesto como sendo a única maneira para um povo expressar a sua voz, considero importante que a população tenha uma melhor oportunidade de debater os seus principais problemas e de formular propostas. Assim, acredito que, com o atendimento das reivindicações dos atletas de futebol, os movimentos sociais no Brasil terão melhores condições de evoluir, criando uma pauta de assuntos coletivos, aumentando a pressão sobre as nossas autoridades políticas e obrigando-as a dialogarem.

OBS: A ilustração acima refere-se ao logotipo utilizado pelo movimento Bom Senso F. C. de autor desconhecido.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

por Matheus De Cesaro


Cresci ouvindo falar que o Brasil sempre foi um país de todas as raças e de todas as cores. Sempre escutei dos mais antigos que o Brasil é "como coração de mãe", sempre cabe mais um, mais dois, ou ainda uma família inteira. Partindo desta premissa, eu quero iniciar este artigo enfatizando uma pergunta que talvez todos se façam, mas tenham receio de compartilhar:


"Por que o dia da consciência negra?"


Seria uma comemoração pela mais pura e bela conscientização da luta pelos direitos igualitários, ou simplesmente o desejo inconsciente (em alguns casos consciente) da criação de um grupo privilegiado lutando unicamente e exclusivamente pelos seus interesses e anseios? Me pergunto, e lhe pergunto: Até que ponto uma comemoração como esta contribui e influencia de forma legitima na luta contra a discriminação, o preconceito e a garantia de que tenhamos direitos iguais para todos?


Não sei quanto a vocês nobres amigos confrades, mas eu percebo que os defensores mais ferrenhos de tal comemoração, na sua grande maioria estão em defesa de uma posição separatista em todos os aspectos possíveis, sejam eles sociais ou profissionais. Há um esforço muito claro na formação de guetos, e um empenho muito nítido na luta por privilégios e tratamentos diferenciados, e isso com todas as forças (até mesmo de forma desproporcional). Fica no ar a sensação de que estão exigindo uma recompensa, uma espécie de retratação pelos séculos de sofrimentos que seus antepassados sofreram, principalmente nos períodos da escravidão. 

Eu tenho plena consciência de que os negros foram humilhados, explorados, marginalizados, massacrados e sofreram as maiores barbáries que se possa imaginar. Por isso penso que seja inadmissível que uma pessoa em seu perfeito juízo não repudie toda e qualquer ação que conote em discriminação e preconceito, ou qualquer forma de escravidão que venha ser adotada. O que não coaduna com meus pensamentos e afirmações em relação a este assunto de variados pontos de vista e incontáveis fatores de análise, esta ligado exatamente a defesa de que histórias de sofrimentos venham resultar em classes de pessoas favorecidas. Não há como ser a favor de que pessoas recebam vantagens em relações as outras, porque seus antepassados foram explorados, escravizados e sofreram por elas. Isto na minha forma de compreensão do mundo, e do que seriam "direitos humanos e iguais", trata-se da abertura de precedentes para que no futuro vivamos entre classes especificas e separadas, em meio a um povo dividido por privilégios e pela disputa em provar qual contexto histórico é mais triste ou digno de ser respeitado. Falamos de um mecanismo que opera como alimento, fortalecendo o preconceito, a divisão, as rixas, e principalmente a simples e natural convivência entre seres humanos, que independente de raça, etnia, credo ou qualquer outra esfera são todos iguais.

Se a data comemorativa em questão tivesse um efeito real na configuração atual em que estamos inseridos, ela sozinha não seria suficiente. Precisaríamos criar no Brasil o "dia da consciência indígena""dia da consciência nordestina""dia da consciência asiática""dia da consciência austríaca""dia da consciência italiana", e tantas outras datas que trariam a memória os sofrimentos dos filhos de uma nação construída por pessoas que se viram obrigadas a abandonarem seus países na esperança de uma nova vida, uma nação que recebeu fugitivos do pós guerra, uma nação que tem em sua história uma trajetória repleta de sofrimentos, e de pessoas que literalmente foram desculturizadas e forçadas a esquecer  e renunciar suas raízes, não por escolha, mas sim porque a vida lhes submeteu a tal processo, derivado de mentes doentias e tiranas.

Eu já imagino, que neste momento você esteja pensando: "muitos foram oportunistas, e viram no Brasil apenas um bom negócio", e eu vou concordar com você. Sim, é verdade. Mas em contrapartida vou lhe convidar a refletir com a seguinte indagação: "que mal reside em buscar novos horizontes em uma outra nação, estando minimizadas as oportunidades em sua própria nação? A que nível fica nosso senso de equidade nesta questão?".

Vamos imaginar um cenário onde de uma hora para outra, todas as etnias que possuem um passado marcado por sofrimento e sangue fossem beneficiadas por privilégios como cotas em universidades, concursos públicos e nas seleções para recebimento de benefícios federais. Me pergunto: O que aconteceria com o conceito de "meritocracia"? Seria de fato, uma medida justa com aqueles que nas mesmas condições não se acomodaram, e nem se entregaram ao coitadismo, empenhando-se e dedicando-se para alcançar as melhores oportunidades? Eu fico aqui imaginado onde poderia encaixar o sentimento de "auto realização" do ser humano, caso todos que tenham um contexto histórico de sofrimentos viessem a exigir direitos exclusivos? Tem algumas coisas que não entram em minha mente turrona.

Hoje em dia é muito comum (para não enquadrar como modismo) o surgimento de grupos em defesa de ideia que visualizam preconceito em tudo (até mesmo neste artigo), ideias que limitam o ser humano e que são ultra tendenciosas a criação de possíveis "síndromes de inferioridade" que se camuflam nestas supostas lutas por "direitos iguais". Minha postura é em contrariedade a qualquer ideia que se adicione um pensamento onde se detecte "seleção racial", como "orgulho negro" ou "consciência negra", ou seja la qual for a raça ou etnia que se acrescente a conotação de serem "especiais". Pois penso que ninguém deva nutrir orgulho por ser negro ou branco, pardo ou amarelo, brasileiro ou estrangeiro, ou seja lá o que for. Nosso orgulho deve estar ligado ao fato de sermos corajosos, capazes e determinado em conquistar nosso espaço por nós mesmos, da forma como somos. Independente das diferenças, já vivemos em uma sociedade materialista, desumana, seletiva, e extremamente competitiva, onde como já diria o poeta, "filho chora e mãe não vê". Não consigo visualizar ou entender qual é o beneficio coletivo que se tem ao criar e defender ideias onde se elevam algumas raças e etnias "A, B ou C", em detrimento de outras. Direitos iguais não seriam exatamente condições iguais a todos?

É necessário compreendermos que hoje não é só o negro que sofre injustiça, que sofre com as desigualdades sociais deste país. É claro que em uma escala quantitativa, os negros são a maioria nas classes menos desenvolvidas, o que requer um cuidado maior, porém não especial e por meio de privilégios. É essencial que se perceba que os grandes problemas que enfrentamos hoje, já não são mais problemas raciais, e sim sociais e políticos. Problemas que todos nós precisamos enfrentar todos os dias. E mesmo que se utilize do fator "burguesia" para defender esta ideia de que os negros estão em desvantagem, seria um equivoco atribuir privilégios aos negros, e sim deveriam ser atribuído privilégios aos pobres, dos quais entre eles estão os negros, os brancos, os pardos, enfim, toda espécie de raça e etnia. Esta ai uma boa ideia, "dia da consciência pobre" kkkkkkk.

Por isso, mesmo ciente da represália, mesmo sabendo que não serei compreendido por muitos, e sabendo que talvez receba alguns elogios bem equilibrados, eu deixo aqui o meu grito de protesto, não pela maioria, e nem pelas minorias, mas pela totalidade, pela igualdade das raças, pela justiça social para todos, pelo fim da exploração de qualquer ser humano, pelo negro, pelo branco, pelo pardo, pelo índio, pelo homem, pela muher, pelo brasileiro e pelo estrangeiro, enfim, pelo ser humano!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

“A criação da evolução e a evolução da criação, mais uma teoria”




Por Edson Moura

     E foi criado o Ser. Cresceu, multiplicou-se como tinha sido designado. Atingiu seu apogeu em menos de oito mil anos. Elevou-se aos mais altos patamares de sabedoria. Desenvolveu um cérebro absurdamente inteligente – não só um, mas todos de sua espécie. Decifrou os códigos de sua origem quando sua raça tinha apenas trinta mil anos. Fora realmente criado por um ser maior que ele, e por saber disto, buscou seu projetista, lançando mão da tecnologia mais avançada de que já se ouvira falar. E por fim... encontrou-o.

  Uma seleção da “nata” de seres fantasticamente evoluídos invadiu o recanto sagrado do projetista mor. Fizeram-lhe perguntas –que foram devidamente respondidas-  sobre tudo que fora criado, o porquê e o como. Foi-lhes explicado que tudo nunca havia saído do controle.  Que seu criador desenhara cada passo da criatura, examinara os pensamentos, planejara o futuro, e até mesmo este momento de encontro havia sido predestinado.

    Encantaram-se com o poder do projetista, e também o desejaram ter. Exigiram, e conseguiram. Cada um dos dez que se apresentaram foram devidamente testados. Testaram o conhecimento, a capacidade de tomar decisões, a bondade e a maldade, a paciência, a tolerância e a força. Só um venceu. Todos os outros foram aniquilados pelo Chefe dos chefes, e a este foi oferecido um prêmio. Ser um projetista.

   Foi lhe dado um pequeno espaço no universo onde bilhões e bilhões de estrelas brilhavam. Este seria seu reino. E dali precisaria dar inicio a uma nova criatura, semelhante a ele, mas limitada em cultura e poder. E assim fez.  Não quis imitar seu criador, partiu de um fragmentos apenas. Uma pequena partícula de universo, sem forma, inerte, simples, mas com grandes capacidades de transformação. 

  Um a partícula, um átomo, uma molécula, uma célula, um organismo, uma vida. Esta era a ideia. E funcionou perfeitamente. Lentamente sua criatura evoluiu. Tomou as mais variadas formas, transmutou-se nos mais diferentes seres. No mar, no ar, na terra, cada um adquiriu qualidades diferentes. Uns mais fortes, mas menos inteligentes. Outros muito inteligentes mas menos resistentes. Já outros tão resistentes que tornaram-se doenças. E ao mais fraco de todos afinal, seria o único com chances de dominar. E assim aconteceu.

  O homem ganhou características semelhantes às de projetista. Também ficou cada vez mais sábio. Um misto de sua pouca visão com sua curiosidade, o fez enxergar mais longe. Agora a criatura também buscava o seu criador. Mas este se escondeu, e num lugar secreto onde, assim como havia decidido, jamais um humano entraria. Deixou apenas promessas vagas. Plantou a dúvida na mente de todos. Poucos foram os que duvidaram, mas estes poucos o caçam como mais avidez do que os que creem. 

  Desesperadamente tentam negá-lo, mas não percebem que esta negação é justamente a ânsia por uma resposta definitiva de sua origem. Perda de tempo. Este projetista não é tão tolo quanto o primeiro. Não cometeu os mesmos erros de seu mestre. Superou-o em sabedoria e poder. Adquiriu capacidades inimagináveis de camuflagem. Muitos acham que já esteve entre eles, outros duvidam seu sua kenosis. Mas todos permanecem cegos.

  Cegos assim como o próprio desenhista. Que projetou tão minuciosamente sua história - com riqueza de detalhes e final já escrito- que hoje se vê preso em sua própria teia. De tanto saber o futuro, tornou-se escravo de seu projeto. Já não consegue mudar o desfecho, não consegue apreciar o que acontece, pois tudo é um grande passado para ele. Tudo que virá já aconteceu em sua mente descomunal, e por fim se vê amalgamado num eterno existir, enfadonho e solitário. Não ouve súplicas e se ouve, nada pode fazer.

   Não se preocupou em deixar lacunas para sua criatura. Não foi sábio o suficiente para entender que deveria permitir que sua grande obra precisaria ser uma página em branco a partir de determinado tempo. Foi egoísta, ganancioso, vaidoso demais, e sem perceber, recebeu como prêmio de seu mestre, a maior prisão que se pode dar a um ser...a posição de Deus. 

(Uma crítica ao Criacionismo, ao Evolucionismo e a mim mesmo)

domingo, 10 de novembro de 2013

Lady Gaga: a rainha dos alteregos





Por Eduardo Medeiros


Já desconfiou que em você, mora outro? Ou conscientemente você já criou um outro em você e acabou por confundir-se quem é quem? Bem-vindo ao mundo dos Alteregos. Desde muito pequeno, eu convivi com alteregos sem saber do que se tratava. Afinal de contas, o mundo dos personagens de quadrinhos está cheio deles.  O que seria de Batman, Homem-aranha e Superman sem suas identidades secretas de Bruce Wayne, Peter Parker e Clark Kent?

Segundo a psicanálise, a estrutura psíquica se compõe de Ego, Alterego, Superego e Id. Sendo o “Ego” (do alemão “ich” – “eu”) a estrutura que se desenvolve a partir do “Id” com  o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes em relação ao mundo externo; sendo o Id (do alemão “ele”, “isso”) a fonte da energia psíquica (libido), formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes; o Superego é o “supereu”, a instância moral da mente humana que representa os valores sociais. E por fim, a instância psíquica de que trata este texto – o Alterego (do latim “alter” – “outro egus – “outro eu”), ou seja, outra personalidade de uma mesma pessoa.

Alteregos sempre foram usados por artistas pops, tanto para entreter o público quanto para explorar novas identidades para si mesmos.  Um dos primeiros a usar tal recurso foram os Betles no álbum Sergeant Pepper and Lonely Hearts Club Band. Segundo eles próprios: “Para alterar nossas identidades, nos libertar e nos divertimos aos montes”. Depois deles, outros como David Bowie (com os nomes de Ziggy Stardust, um ET de olhos coloridos), os mascarados do Kiss, Alice Cooper e Marilyn Manson que exploram temas de horror.  Por aqui, o mais famoso sem dúvida é Ney Matogrosso com seu grupo Secos e Molhados.  Matogrosso explora muitíssimo bem o seu alterego. Aquela figura exótica, esvoaçante, que canta com olhares expressivos e figurinos prá lá de criativos. Certa vez em uma entrevista, Ney comentava que algumas pessoas pensavam que ele vivia 24 horas como seu alterego. “Eu não sou maluco de andar na rua daquele jeito que eu me apresento no palco”, ele disse. Essa questão do “eu não sou maluco” seria o quê? Defesa do eu “normal”? Deixo a pergunta para os psicanalistas de plantão.

Muitos outros artistas além dos citados usam muito bem o recurso do alterego, mas uma, em especial, merece nossa atenção: LADY GAGA.  Esta é um caso de múltiplos alteregos. Ela é Mother Moster Mãe, Jo Calderone, Candy Warhol, Bride, Nymph, Maria Madalena, e Yuyi Mermaid (sereia). Gaga ultrapassa todos os limites da “normalidade”. Mistura de Andy Warhol com Madonna , alcançou fama pela excentricidade, mesmo suas músicas estando dentro do padrão costumeiro do segmento. Gaga parece querer ultrapassar todos os limites antes navegados no mundo “pop-choque” (de querer chocar). Recentemente enxertou próteses estranhas nos ombros e rosto (o que ele nega), põe seus discos no top das paradas e mais ninguém como ela se apresentou com vestido feito de carne, chapéus de lagosta, pianos incendiando ou óculos de LCD. Gaga não vai a eventos – ela é o evento.

Em texto publicado na revista Psicologia & Vida, o autor diz sobre Gaga:

“Mas se você arrisca um olhar mais profundo, verá que está diante de uma mulher que decidiu abdicar de sua própria identidade para ser ela mesma a obra de arte (ruim ou boa, essa não é a questão). Lady Gaga é uma eterna criação de Stefani Joanne Angelina Germonotta (seu nome real). Uma obra que ela pode mexer, atualizar sempre que assim o quiser e , mais que isso, baixar em si mesma as últimas atualizações”.

Em uma de suas músicas, “Telephone”, Gaga diz: “Eu não quero mais pensar! Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança!”.  Em uma gravação de um show para a HBO ela declarou: “Às vezes eu ainda me sinto como um garoto perdedor no colégio...eu costumava ficar fora das brincadeiras de infância por ser muito excêntrica ou provocativa, então passaram a me deixar de lado. Eu não encaixava me sentia uma aberração”.

Essas “feridas abertas” levaram a menina excêntrica a uma busca insaciável de ser aceita, compondo uma máscara ou várias, distanciando-se completamente do “eu” original. Gaga se re-imaginou passando de “aberração” para Diva. Mas fica a questão: quanto em Lady Gaga há de Stefani Germanotta? Se é que ainda há.



Artistas que usaram e abusaram dos alteregos



2 - The Betles 3 - Hulk Hogan 4 - Alice Cooper 5 - Marilyn Manson 6 - Os irmãos Marx: Groucho/harpo/chico




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Referência para esta postagem:
Revista Psicologia e Vida.Ed especial
Ed Minuano
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Ilustrações:
www.fanpop.com 
Revista Psicologia & Vida

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Falsos conhecimentos para falsos leitores


Por Esdras Gregório


Existe uma diferença muito grande entre o amor ao conhecimento e o desejo de só querer tirar vantagens do conhecimento humano. Pois muitos falsos buscadores de conhecimento tem se passado por amantes da busca pela verdade. Isso se nota no nível baixo e imundo da literatura em que buscam ler para tirar algum aproveito sem o verdadeiro compromisso com a profundidade de uma leitura séria. O que consomem esse tipo de pessoas são os livros de autoajuda. Fórmula mágicas para a longevidade da vida, meios de adquirir rápido o sucesso, modo de manipulação emocional, métodos de seduzir mulheres, receitas para aumentar o pênis, emagrecer rápido, crescer cabelo na cabeça; segredos sobre a força da mente. Exercícios do pensamento positivo e todo esse lixo inútil que vende pra caralho por que o que mais existe no mundo são pessoas interesseiras e mesquinhas que só querem se dar bem e que sempre vão ser consumidores desses escritores e produtores que vão despejar na cara dos seus consumidores o entulho que eles desejam para se auto-enganar.  

Um livro ruim se nota pela quantidade de bilhões de pessoas no mundo que os buscam por preguiça de aprender a viver de verdade e querer fórmulas e receitas mágicas, fáceis e rápidas para a vida. Por que para cada esperto no mundo existe um mais esperto ainda que sabe que o ser humano é zoiudo e ganancioso e que por isso vai manipular o conhecimento como um ilusionista que direciona o olhar da pessoa para onde ele quer que ela veja e assim condiciona o leitor a ler e raciocinar de forma que ele quer. Dai a pessoa lê uma merda desses livros de segredos para isso e para aquilo e diz que o livro é bom. Lógico: você quis acreditar. O escritor mastigou pra você só engolir. Quer saber?  Esse tipo de pessoa tem que se fuder mesmo, pedem para isso.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Crônica Para Um Finado

Por Levi. B. Santos


As Exéquias do Excêntrico Bioanalista   



O laboratório era a sua segunda casa. A bem dizer, quase todos habitantes da pequenina cidade já tinham passado por suas mãos. Respeitavam-no, pois era a ele a quem recorriam; a quem entregavam seu sangue, seus excrementos sólidos e líquidos para ser examinados minuciosamente.

Na tarde cinzenta e fria de seu sepultamento ninguém ousou dizer uma palavra sequer. O sacerdote esperava que alguém se pronunciasse, antes do féretro descer à cova, mas nenhum tomou essa iniciativa. Aliás, nada podiam fazer, pois estavam perplexos, como que atacados por uma sisudez mórbida, como se uma aura paralisante tivesse caído abruptamente sobre seus nervos e músculos. Uma mistura de perplexidade e tristeza transparecia em todos os olhares.

O silêncio que reinou minutos antes do corpo do cientista descer à sepultura, talvez fosse resultado do clima de extrema religiosidade da população a colidir com a personalidade paradoxal do douto senhor. Talvez, os seus defeitos estivessem a anular as suas virtudes, impedindo os discursos fúnebres, que geralmente se nutrem do lado “bom” do sujeito. O certo é que um clima de temor caiu sobre os que estavam ao pé de sua última morada. Uns temiam que surgisse algum antipático a falar, ali, sobre as fraquezas e as excentricidades do defunto; outros receavam que as palavras de elogios ao morto, pudessem desaguar em um sonoro “não é verdade!”.

Não é que uma das garotas ali presente balbuciava ao ouvido da outra! É que o falecido tinha encontrado tantas variedades de vermes em suas fezes que, ao apresentar-lhe o resultado, chamou-a humoradamente de “verminosa” ― termo compreendido pela examinada como um xingamento.

Enfim, o doutor era o paradoxo em pessoa ― o que não é novidade nenhuma, pois é exatamente a contradição que caracteriza o humano. Por vezes, pessoas que compareciam a seu laboratório para lhe fazer perguntas sobre resultados de exames, recebiam como resposta, o silêncio, ou, quando muito, o lembrete: “Não abra o envelope, seu médico é quem vai informar o que você tem. Denotando todo o seu ser paradoxal, às vezes, quando inquirido insistentemente sobre o que tinha dado nos exames, disparava: Huuuuumm! Parece uma infecção aguda”.

Não encontrando fórmulas para dizer a verdade em toda sua plenitude sobre a vida do velho analista, naquele cair de tarde, a maneira melhor, mais simples e sincera que encontraram, foi não emitir opiniões sobre ele. Na falta de expressões que abarcassem toda a verdade sobre o falecido, resolveram aproveitar o silêncio ou o vazio de palavras do momento para recordar fatos pitorescos e engraçados da vida do doutor ― homem que conhecia muito bem o que estava oculto no sangue e nos excrementos de todos que o acompanhavam em sua última caminhada.

As últimas palavras do sacerdote confirmaram o que preconizam os filósofos e estudiosos da alma humana: “Não existe olhar neutro ― ele está sempre carregado de subjetividades nas relações que construímos uns com os outros”.

O enunciado bíblico “... e as suas obras os sigam” recitado pelo pároco no final do ritual fúnebre ―, mudara instantaneamente o ar dos velhos amigos de infância do analista a caminho de sua última morada. A estranheza denunciada pelos olhos deles, talvez se devesse a palavra “obra”. Este termo parece ter sido a senha para que viessem à tona fatos longínquos de suas vidas. É de se pensar que chegaram às suas mentes, lembranças reprimidas do tempo em que depositavam as latinhas com os dejetos de seus filhos e netos sobre o balcão de madeira do velho laboratório a fim de serem examinados. “Eu vim trazer a obra de meu menino para o senhor examinar”  era assim que os ex-colegas de infância, com o olhar cabisbaixo e carregado de vergonha, se dirigiam ao homem sisudo, de avental branco, que vivia sempre cercado de tubos de ensaios com um antiquado microscópio bem ao centro de uma grande mesa de madeira de lei, cheirando a clorofórmio. 

Depois do enterro de um ente querido, comumente, há sempre pessoas que têm o dom de contagiar o ambiente com suas traquinices, como que para quebrar a monotonia de fundo melancólico instaurada em ocasiões como essa. Descendo a ladeira do cemitério, rumo a suas casas, riram muito a respeito do paralelismo lingüístico entre “fezes” e “obras”(*). Até confidenciaram entre si que o falecido poderia (por que não?) ter sua função re-exercida na eternidade.


(*) Há na simbologia mítica uma relação intrínseca entre os significantes “fezes” e “obras”. No Dicionário Psicanalítico de Símbolos, as fezes representam a primeira manifestação criativa e concreta do poder individual; na Alquimia esses excrementos são considerados a matéria prima que acaba se transformando em ouro.



Guarabira, 30 de outubro de 2013


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A proibição das máscaras nos protestos de rua



Durante a primeira semana de setembro, vários Tribunais de Justiça dos estados brasileiros começaram a proferir decisões autorizando a identificação das pessoas mascaradas nas manifestações de rua. Aqui no Estado do Rio de Janeiro, por determinação da 27ª Vara Criminal da Comarca da Capital, quem estiver com máscara e se recusar a retirá-la quando abordado por um policial, poderá ser conduzido a uma delegacia afim de que seja tirada sua fotografia e colhida as digitais. Trata-se, pois, de uma medida que considero bem positiva para o desenvolvimento da nossa marcha democrática e que foi aprovada pelo presidente da OAB/RJ Dr. Felipe Santa Cruz:


"Acho uma medida correta. A máscara pode ser alguma forma de expressão, mas tem servido para esconder o rosto de pessoas que se infiltram nas manifestações para fazer arruaça. Se lutamos para que os policiais sejam identificados, por que os manifestantes não deveriam seguir o exemplo?"

O texto constitucional é claro quando declara a liberdade de manifestação do pensamento mas proíbe o anonimato (art. 5º, IV, CRFB/88). Toda e qualquer expressão de caráter evidentemente política precisa ter uma assinatura/identificação. E, neste sentido, quem comparece a um protesto precisa ao menos mostrar o rosto. Seja por motivo de segurança pública ou mesmo de coerência e de transparência perante à sociedade na qual vivemos. Do contrário, o movimento será uma atitude covarde de apunhalar o opositor.

A meu ver, seria bom que o Congresso Nacional, seguindo uma iniciativa já adotada da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, aprovasse uma norma proibindo em todo o país a presença de pessoas mascaradas nas passeatas e estabelecendo penalidades pecuniárias e disciplinares para determinados comportamentos potencialmente nocivos, mesmo que não configurem vandalismo. Isso já serviria para inibir a ação dos arruaceiros porque permitiria à polícia deter os elementos não identificados. Assim, os baderneiros encontrariam dificuldades para juntar-se aos manifestantes com o rosto coberto. E, se a PM estiver filmando tudo desde o início, ficará mais fácil descobrir quem jogou pedra ou quebrou o ponto de ônibus usado pela coletividade. Além da aplicação de multas, deveria a legislação suspender a participação do cidadão que tiver demonstrado um comportamento agressivo da mesma maneira como vem ocorrendo hoje nos estádios de futebol.

É certo que tais medidas preventivas e repressivas não serão suficientes para por fim à onda de violência nos protestos, mas poderão contribuir muito para promover um processo de pacificação. Muitas pessoas, inclusive eu, têm se ausentado das manifestações de rua por causa da ação dos baderneiros. E aí, se houvesse menos episódios de vandalismo e de confrontos com os PMs, os movimentos sociais ganhariam muito mais expressão de modo que os gestores públicos e os legisladores poderiam conhecer melhor as insatisfações populares.


OBS: A imagem acima foi produzida pela Agência Brasil sobre os protestos do 7 de Setembro, no Rio de Janeiro, com atribuição de autoria Mídia Ninja, conforme consta em http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/09/no-rio-19-detidos-nos-protestos-sao-liberados-e-um-continua-preso

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Absurdidades "Javelianas"







Erich Fromm, em seu livro ― “Psicanálise e Religião” ―, discorre de maneira bem inteligível sobre o desejo
do ativista religioso em querer santificar ou purificar as instituições. O idealista
divino não mede esforços no sentido de por em prática o velho ritual de limpeza
vétero-testamentária.


Segundo Freud, esse ritual neurótico, no
fundo no fundo, não passa de impulsos vindos do inconsciente, cujo objetivo é o
de sempre: tentar esconder, negar ou varrer a “sujeira” (recalques) que reside dentro
de sujeito para longe da percepção do outro, naquilo que ele denominou de Mecanismos de Defesa. Segundo o pai da psicanálise, o que interessa
mais ao exército Javeliano, é o gozo
alcançado pela imposição das doutrinas, não importando que sejam revestidas de absurdidades.


O religioso, inconscientemente, não
raramente, deseja transformar o seu ideal devocional em uma lei que sirva de orientação
para todos.  A essa homogeneização idealista,
ele dá o nome de “Reino de Deus”. Em função desse totalitarismo “divino”, os
que estão no topo de uma agremiação com influência no poder político passam a
formular projetos para superar a maldição ou pecados da sociedade da qual faz
parte.

Recentemente, lendo o artigo, Bancadas de Deus
― tema de capa da “Revista Carta Capital” (edição 745) ―, pude refletir sobre essa ansiedade premente de se coadunar a política aos moldes javelianos do Velho Testamento que,
sem dúvida, pode ser considerada uma sutil ressonância do estilo religioso
ainda em voga no Oriente Médio.

A reportagem da revista, sob o título, “De Grão em Grão”, mostra uma bancada de evangélicos em plena ascensão: a instituiçãodo Exército Guerreiro de Javé já conta com 73 deputados na Câmara, reunidos aos
moldes da sigla APEB (Associação de Parlamentares Evangélicos do Brasil)

No Monte Sinai, a Moisés e ao seu povo hebreu, Javé deu as tábuas da Lei com os Dez Mandamentos. Nos últimos tempos, Ele tem inspirado “maravilhosamente”
os seus profetas a fazerem projetos de lei à moda antiga, como mostra a tabela
abaixo, onde DEZ propostas foram ventiladas não no alto de um Monte, como na primeira
vez, mas em municípios importantes do Brasil e no vasto planalto central de Brasília:




    [A Tabela acima foi publicada originariamente na Revista CARTA CAPITAL N° 745 ]




Por Levi B. Santos
Guarabira, 1° de maio de 2013

sábado, 28 de setembro de 2013

O noticiário de 2063

Considerando a tendência de aumento na expectativa de vida, existem boas possibilidades de que uma pessoa de minha idade, nascida nos anos 70, viva mais uns 50 anos. No entanto, fico a pensar nas condições do nosso planeta na segunda metade do século XXI. Será que o mundo dará algum gosto para as pessoas quererem viver tanto?

Com tantas variáveis incidindo sobre as tendências sociais, políticas, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, qualquer projeção do cenário global para daqui cinco décadas será pura fantasia. Temos, a meu ver, um número bem grande de probabilidades. Imaginando um futuro pessimista, mas que deixe muitos de nós vivos para conferirmos os resultados de ações e omissões praticadas, imaginei esta fictícia apresentação de um noticiário da TV do ano de 2063:

Às nove e meia da noite de uma sexta-feira de setembro, um homem octagenário chega em seu apartamento de vinte metros quadrados no sexto andar do subsolo de um prédio na cidade grande cujas prestações do programa habitacional ainda pagava. Após ter trabalhado onze horas, ele precisaria acordar bem cedo no dia seguinte para dar continuidade ao serviço na empresa onde era empregado. A única distração que tinha era o telejornal.

Através de um gesto feito no sensor da residência, ligado ao computador único do apertamento, a telinha inteligente de TV é automaticamente ligada exibindo o fechamento da cômica novela das oito. Pega então uma bebida na geladeira e senta exausto no seu sofá cama.

Começa o noticiário e os dois apresentadores surgem em três dimensões como se estivessem dentro da casa. Ou melhor, como se o telespectador fosse sugado para o interior da TV. Começam então a falar:

- Brasília, 28 de setembro. O Congresso Nacional reunindo-se extraordinariamente aprova mais uma mudança no Estatuto da Terceira Idade. Passam a ser considerados idosos os cidadãos com 110 anos.

- Houve manifestações violentas em todo o país e mais de duzentas pessoas mascaradas foram presas pela polícia. Sindicalistas protestavam também contra a proposta de aumento da idade mínima da aposentadoria de 100 para 120 anos.

- Um ataque com armas nanotecnológicas deixou oito mil mortos no Oriente Médio e até agora nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do atentado.

- Nos Estados Unidos o governo emitiu alerta máximo contra furacões. É esperada a tempestade mais forte dos últimos dez mil anos.

- O dólar torna a subir e, segundo a Fundação Getúlio Vargas, a inflação da semana passada foi de 43%.

- É criado o imposto sobre a propriedade de animais domésticos.

- Um avião cai misteriosamente no deserto amazônico sem deixar pistas e a aeronáutica ainda não pôde iniciar as buscas por falta de combustível.

- O advogado do ex-senador Carlos Antonio Tetraneto, acusado de desviar um trilhão de reais novos da Fundação José Sarney, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal e vai responder ao processo em liberdade.

- Robôs assassinos voltam a assaltar motoristas na Avenida Luís Inácio Lula, em São Paulo.

- Evangélicos fazem show gospel em Belo Horizonte e pastores protestam contra a nova lei que determina a destruição de sêmen e de óvulos nos bancos genéticos de pessoas falecidas.

- A governadora do Rio Mariana Menininha anunciou que vai construir um terceiro Maracanã para a Copa de 2070.

- Meteorologistas estão prevendo calor de 50 graus para este final de semana.

- E assistam ainda os gols do Flamengo pela série B do Brasileirão.

- Tudo isso você vai ver em instantes depois da propaganda eleitoral obrigatória do Partido Zoofilista Islâmico Brasileiro.

Com raiva dos políticos, o homem resolve desligar a TV e, naquele mesmo instante, ocorre mais um apagão de energia. Sem nada para fazer, ele vai dormir.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Biblicamente Falando... Existe Espirito Humano?

“Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade, antes que... (contexto deve ser acoplado ao que aponto aqui)... E o pó volte a terra como era, e o espírito a Deus que o deu...” 

Eclesiastes 12:1 e 7

Estávamos estudando "cristologia" e surgiu uma pergunta interessante sobre a encarnação de Cristo. Perguntaram se ao chegarmos ao paraíso encontraremos dois "Jesus", o que possuía o espirito humano e o que possuía o espirito divino. Nem preciso dizer que isso causou um rebuliço na sala de aula kkkkkkkk Mas confesso que foi uma pergunta interessante e perspicaz... E agora??? Existe um "espirito humano"??? É óbvio que se trata de um assunto teológico e que para alguns aqui, pouco importa isso. Mas gostaria de ler as opiniões dos eruditos confrades que por aqui transitam e emitem seus tratados. Abaixo listo as argumentações bíblicas que encontrei, e que me respaldaram a emitir uma posição sobre o assunto, mesmo sendo contrariado por praticamente toda a classe.

  1. As escrituras afirmam e contribuem para a manutenção da ideia de tricotomia do ser humano em relação a sua composição. Somos corpo, alma e espírito (I Tessalonicenses 5:23 e Hebreus 4:12), cada qual com uma origem, função e um destino especifico. Com base nisto, a sentença que cito acima me fornece condições lógicas de afirmar que a expressão “espírito humano” é apenas uma força de expressão não tendo existência no campo teológico e filosófico por deficiências etimológicas e também por não se enquadrar na lógica racional das escrituras. Posso como força de expressão afirmar que o espírito é humano, somente se estiver me referindo à posse, ou seja, o “espírito é humano por estar no humano”. Afinal, o ser humano nada pode criar de si mesmo, e sendo assim, tanto Cristo como nós mesmos não possuímos um “espírito humano”, e sim um “espírito divino”. Por isso ele, o espírito esta pronto (Mateus 26:41) como bem disse Jesus, e no momento da morte ele retorna a Deus como pontuou o autor de Eclesiastes (Eclesiastes 3:7).
  2. A pré-existência de Cristo (João 1:1, Hebreus 1:2 e I Pedro 1:20) o dota de espírito, o qual anula qualquer possibilidade de que Deus o dê outro espírito. Sendo assim, fica simples de se compreender que Cristo apenas recebe corpo e alma ao vir a terra, considerando já ter o espírito divino em si. Logo, a ideia de que haja dois espíritos, ou que Jesus recebeu um ao nascer, é antibíblica devido a sua pré-existência.
  3. A diferença do que é apresentado nestas linhas em relação ao que Apolinario afirmou nos primeiros séculos da igreja se dá pela confusão que se faz etimologicamente entre os termos “espirito e alma”, fazendo relação a posição de mente/coração. Sendo que o termo mais apropriado para definirmos como mente seria a alma e ele utiliza espírito, pois é na alma que se concentram todas as emoções, sentimentos e desejos do ser humano (Provérbios 4:23), e que pela lógica e pela ciência corresponde a mente. Pois se a mente fosse definida pelo espírito, ele (espírito) jamais estaria pronto (Mateus 26:41), e sim em constante transformação, sendo sujeito a enganos e erros (Jeremias 17:9 e Romanos 12:2).
  4. Sendo assim, minha defesa é esta, “que Cristo ao se tornar Verbo Encarnado em Jesus, ele recebe um corpo para que haja materialização humana, e uma alma para que nela sejam lançados os pecados da humanidade e assim cumprir a sua missão de redenção, não recebendo um espírito, por já possuir o mesmo, o qual foi dado por Deus como a todos os homens”.

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