quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pra que tantas partidas no futebol brasileiro?!




Ontem tive o prazer de assistir a admirável conquista do tricampeonato do Flamengo na Copa do Brasil assim como pude acompanhar os últimos posicionamentos da CBF quanto às reivindicações do movimento Bom Senso Futebol Clube, o qual defende as seguintes propostas, entre as quais podemos situar a crítica dos jogadores ao excesso de partidas nas competições:

1- Calendário do futebol nacional;
2- Férias dos atletas;
3- Período adequado de pré-temporada;
4- Fair Play financeiro;
5- Participação nos conselhos técnicos das entidades que regem o futebol.

Embora no entender de muitos os jogadores podem estar reclamando de "barriga cheia", visto que são suficientemente bem pagos pelos grandes clubes (alguns recebem salários até milionários), vejo razão quanto às citadas reivindicações. Inclusive no que diz respeito às férias porque, nesses meus quase quarenta anos de vida, já experimentei os dois lados da vida. Sei o que significa ter algum dinheiro e nenhum tempo para aproveitar passeando com a família num período razoável de férias, assim como o inverso (bastante tempo livre e nada de recursos para viajar). Aliás, há anos que a OAB batalha para que os advogados possam, finalmente, gozar férias, o que está previsto no projeto do novo Código de Processo Civil ainda em trâmite no Congresso.

Quanto ao excesso de partidas, este seria um dos principais motivos pelo qual apoio o Bom Senso F. C. porque entendo ser algo muito prejudicial para a organização da sociedade no enfrentamento das questões políticas mais relevantes. Pode-se dizer que, nos últimos cem anos, determinadas competições esportivas, entre elas o futebol, tornaram-se um dos componentes da velha política do "pão e circo" utilizada pela antiga aristocracia romana para anestesiar a plebe. Pois, nos dias de hoje, após os últimos jogos da temporada do Brasileirão, finalizado nas primeiras semanas de dezembro, eis que os campeonatos estaduais logo se iniciam na segunda quinzena de janeiro, bem no auge do verão. Assim, havendo tanta distração, nem sempre o trabalhador consegue focar o seu interesse nas mudanças que precisam ser conquistadas afim de mudar a sua condição exploratória.

Tenho pra mim que um dos motivos que levou a população brasileira a aderir aos protestos nos meses de junho e de julho deste ano teria sido a suspensão das competições esportivas entre clubes durante a Copa das Confederações, a qual envolveu somente seleções. Para grande parte do público, torcer pelo Brasil já não proporciona a mesma emoção do que acompanhar o desempenho do seu time, bebemorar etilicamente e, no dia seguinte, poder encarnar o colega de trabalho que torce pela equipe adversária. Por isso, a propaganda automobilística Vem pra rua acabou gerando um efeito bem diferente do que esperavam os seus patrocinadores. O cidadão dirigiu-se para as principais vias e praças das capitais do país, mas não de carro e, sim, a pé em passeatas que reuniram milhões de manifestantes.

Apesar de não ver o protesto como sendo a única maneira para um povo expressar a sua voz, considero importante que a população tenha uma melhor oportunidade de debater os seus principais problemas e de formular propostas. Assim, acredito que, com o atendimento das reivindicações dos atletas de futebol, os movimentos sociais no Brasil terão melhores condições de evoluir, criando uma pauta de assuntos coletivos, aumentando a pressão sobre as nossas autoridades políticas e obrigando-as a dialogarem.

OBS: A ilustração acima refere-se ao logotipo utilizado pelo movimento Bom Senso F. C. de autor desconhecido.
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