quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

C.P.F.G. ― RETROSPECTIVA 2011






O ano está terminando. Hoje à tarde tive uma idéia: fazer uma retrospectiva dos comentários chamativos que foram realizados em 2011 pelos confrades, autores deste blog. Tomei a iniciativa de postar as críticas que achei mais engraçadas e satíricas aos textos postados pelos autores durante o ano que se finda. Contudo, os confrades amigos poderão acrescentar à esta pequena retrospectiva, outros comentários, se assim o desejarem (afinal estamos numa democracia e não numa teocracia)

O pensador Altamirando, não me deixa mentir: cerca de 70 % dos comentários registrados neste ano são de cunho religioso. E não poderia deixar de ser, pois nesta confraria todos tem uma história muito parecida de um amor não correspondido com a Senhora Religião.

Como o conteúdo do inconsciente é "indeletável", aqui e acolá, surgem atalhos, por onde escoam desejos reprimidos ou nostálgicos dos velhos tempos em que não entendíamos que aquela preocupação doentia em produzir para Deus, na verdade, era um outro tipo de trevas (a escravidão eclesiástica). 

Entre muitas pérolas de comentários, colhi algumas, que passo a expor, segundo a ordem cronológica das postagens:


“É aquela velha história do PT das massas sofridas: quando chegaram ao poder usaram dos mesmos meios indignos que tanto combatiam (nos adversários). Veja no que deu o Cristianismo quando subiu ao poder com o “petista” Constantino [comentário de Levi, ao texto “Por Que Somos Cristãos” ― do confrade Eduardo]

“Só falta agora alguns ateus começarem a jogar os religiosos nas fogueiras em nome do “NÃO-DEUS”. [Marcio comentando o texto “Os Ateus e o Natal” do confrade Eduardo]

● “Até me perguntei várias vezes em tom alto, para ver se uma ‘luz’ surgia: ‘Qual o sentido da vida?!’” [Paulinha, comentando o texto dela mesma ― “O Sentido da Vida”]

“O Homem só é o mais perfeito dos animais porque nenhum outro reclamou esta pretensão” [Miranda, comentando o texto “Patético. Profundo-Patético”  — do confrade Isaías]

● “Não existe vida em outros planetas, não existem outras galáxias. Os pontos luminosos vistos pelos telescópios mais potentes são manchinhas deixadas por Jeová na cortina dos céus para confundir até os escolhidos. [Evaldo, comentando o texto “Praticamente Inofensivos” – do confrade Gabriel Nagib]

“Meu amadíssimo Edson, quanto conflito querido, como você vivencia uma constante inquisição” [Guiomar, comentando o texto em prosa “Ateu X Crente – Um Repente” do confrade Edson Noreda]

“O texto nos induz ao diálogo e a troca de conhecimentos. Sempre descambamos para a desinformação desnecessária como estas: ‘Em Gênesis 1:2, Deus fez a luz e a separou das trevas. Chamou a luz de dia e a escuridão, de noite. Isto, no primeiro dia’”. [Comentário de Miranda ao texto “A Difícil Arte do Diálogo”, do confrade Levi]

“Não me consta que alguém que tenha se alimentado da galinha imaculada, tenha tido diarréia ou indigestão”. [Levi, comentando o texto “A Carne na Semana Santa” – do confrade Miranda]

“Enganar a si mesmo é alimentar uma ilusão, e iludir-se é tomar um desejo como um fato. Nossas ilusões não são necessariamente falsas, algumas podem ser verdadeiras, mas diferenciar uma das outras está além de nosso alcance. [Comentário de Carlos Herrera ao texto “Liberte-se do Auto-Engano” ― do confrade Rodrigo]

“Existem coisas que são valorizadas e outras igualmente raras que são desprezadas. Tudo depende do interesse que se tenha nelas. NORMAL? Não brinca com a minha modesta inteligência... Ninguém conseguiu definir o que é isso até hoje” [Isaias, comentando o texto “Considerações Sobre Homofobia” – do confrade Eduardo]

“Sinceramente, não posso aprovar o comportamento da Sandy. Sei que, pelo fato de ela ser mulher, há ainda uma dose de repressão machista pelo seu direito de expressar a sexualidade. Porém, não dá para concordar com as sandices dessa cantora que parece viver entre os extremos – antes virgindade e agora libera geral” [Comentário do Rodrigo à postagem de Elídia − “De Freud à Sandy – O que há de Errado?”]

●”O cristianismo sempre teve problemas com as ‘vergonhas’ do corpo humano. tinha uma tradução da bíblia antiga que se referia aos órgãos sexuais como ‘vergonhas’, será que já trocaram esse termo nas edições mais modernas? [Comentário de Elídia ao texto “Abstinência Sexual” ― do confrade Hubner]

O principal órgão sexual é o cérebro, logo, nada que seja sexual pode acontecer sem ele; daí que na maioria das vezes, quando um homem saudável não consegue uma ereção, o problema está na cabeça" [Comentário de Hubner ao seu próprio texto ― “Abstinência Sexual”]

“Somos um povo em construção. Somos um povo extremamente jovem, e como todo jovem, fazemos muitas merdas... [Comentário de Eduardo ao texto “O Povo Brasileiro” ― do confrade Miranda]

Se brasileiros votassem com consciência política, nosso Brasil não seria este paízinho de merda. Marginais não teriam poder, nem dentro de presídios nem em Brasília. [Comentário de Miranda ao texto “O Novo Centro do Mundo” – do confrade Eduardo]


Site da Imagem:  mariaotilha.com

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Novo centro do mundo









Li uma interessante entrevista com o jornalista canadense Douglas Saunders e achei muito interessante a leitura que ele faz da “periferia”. Ele veio ao Brasil e visitou algumas favelas e disse que “Eu esperava ver todos aqueles clichês. E realmente vi garotos de 14 anos armados com rifles e pessoas usando drogas no meio da rua, mas também encontrei comunidades preocupadas em melhorar a vida de suas crianças, migrantes que continuam a enviar dinheiro a seus familiares 50 anos depois de saírem da terra natal e dinâmicos microempreendedores”.

Essa é uma das contradições das periferias e Douglas trata do assunto em seu recém-publicado Arrival city: the final migration and our next world (Periferia: a migração final e nosso novo mundo, numa tradução livre sem previsão ainda de lançamento por aqui). O livro é fruto de um trabalho de 3 anos, realizado nas periferias de quatro países – Brasil, China, Turquia e Egito. O livro afirma que esses espaços e a classe média que emerge deles são o novo centro do mundo.


A seguir, trechos da entrevista.


O que faz das periferias o novo centro do mundo?

Até a Segunda Guerra Mundial, 75% do mundo era rural. Anos depois, ele já era metade urbano, metade rural. Ao longo deste século, quase o mundo todo vai atingir o grau de urbanidade dos países da Europa e da América do Norte. Essa transição é difícil e marcada por conflitos. No centro dessa transformação está a periferia. Precisamos entender como fazer com que as periferias funcionem como um instrumento de mobilidade social e como evitar que as barreiras entre periferia e centro prejudiquem as ambições de seus moradores, levando-os a uma espiral de fracasso e violência.
Eu sabia desde o início que o Brasil teria de ser central no livro. Primeiramente, porque era um dos primeiros países do mundo emergente a ter uma maciça urbanização e forte migração do campo para a cidade. Isso fez com que o Brasil provasse todas as consequências, tanto as boas quanto as más. Além disso, o Brasil e a Turquia são também os dois países que foram governados, na maior parte da década passada, por líderes(Lula e Recep Tayyip Erdogan) cuja história está marcada pela migração do campo para a cidade. As experiências desses dois países oferecem ao mundo a lição mais importante de como lidar com os desafios da urbanização, evitar erros, transformar comunidades de sucesso e fazer das ondas de migração do campo para a cidade histórias de mobilidade social e sucesso.

Por que os empresários deveriam investir nas periferias?

Um pequeno investimento feito agora, para transformar a favela e integrá-la à cidade e à economia formal, pode significar uma grande economia no futuro. Essa economia se refere a gastos sócias e ao combate ao crime que seriam necessários caso essas comunidades continuassem isoladas e se voltassem para a violência como única alternativa. (...)

Por que o senhor diz que o Jardim Ângela, bairro da periferia de São Paulo, é um exemplo de comunidade bem-sucedida?

O Jardim Ângela foi criado nos arredores de São Paulo por migrantes nordestinos na década de 70. Com o colapso da economia nos anos 80, ficou isolado, sem nenhuma forma de assistência do Estado. E as gangues dominaram aquele espaço. Quando a situação melhorou – e eu credito isso especialmente ao governo de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo por causa de seus investimentos em transporte e educação -, muitos moradores estavam aptos a se valer das novas oportunidades e começar a empreender, abrir pequenos negócios. O Jardim Ângela ainda é um lugar pobre, com alto índice de desemprego entre os jovens, nível de educação ruim e problemas graves com álcool e drogas. Hoje, porém, é mais próximo de um lugar onde as pessoas têm esperança e batalham para vencer na vida do que um lugar perdido e esquecido.

(...)

No Rio de Janeiro, temos as UPPs(Unidades de Polícia Pacificadora), um exemplo importante de reabilitação de uma comunidade. A revolução das UPPs é o entendimento de que não basta fazer uma coisa por vez, mas que o todo deve ser tratado e que devem ser proporcionadas para as favelas condições de segurança e higiene, capacidade de autogestão e conexão à cidade.

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Matéria publicada na revista Época
de 18 de abril de 2011






domingo, 4 de dezembro de 2011

O povo brasileiro.

O que dizia a nobreza européia sobre nossa formação intelectual.
O conde francês Arthur de Gobineau escreveu, em 1853, sobre a decadência de civilizações e sua degeneração causada pela mistura racial. Sobre o Brasil, disse:. Os brasileiros só têm em particular uma excessiva depravação. São a ralé do gênero humano com costumes condizentes.
O zoólogo suísso Louis Agassis escreveu em 1868: Qualquer um que duvide dos males causados pela mistura de raças que venha ao Brasil, pois não poderá negar a deterioração decorrente do amálgama das raças, mais aqui do que em qualquer outro lugar do mundo.

Gene, na definição da genética clássica, é a unidade fundamental da hereditariedade. Cada gene é formado por uma seqüência específica de ácidos nucléicos - biomoléculas mais importantes do controle celular, pois contêm a informação genética. Existem dois tipos de ácidos nucléicos: ácido desoxirribonucléico (DNA) e ácido ribonucléico (RNA).
O seu principal papel é armazenar as informações necessárias para a construção das proteínas e RNAs. Os segmentos de DNA que contêm informação genética são denominados genes. O restante da seqüência de DNA tem importância estrutural ou está envolvido na regulação do uso da informação genética.

O Meme é considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde  é armazenada. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.

Nossa formação genética sofreu influência hetérica de três raças distintas; a ibérica, a africana e a ameríndia. Temos no nosso DNA o gene, o meme e as influências psicológicas e biológicas dos portugueses, negros e índios. De cada uma destas três raças nós herdamos características fundamentais para nossa evolução ou não. Somos assim, porque assim foi formado nosso “TRICROSS”.
Entendendo nossa capacidade intelectual.

Somos um povo com pouca expressão intelectual, cultuamos o TER e não o SABER. Nossas personalidades que se destacam pela inteligência não são reconhecidas tanto quanto os que se dão bem através do jeitinho com sorte. Em nossa “corte”, as figuras principais  são o bobo e o lacaio. Temos a virtude de cultuar o indesejável, o pior marginal, o político mais ladrão, o assassino mais cruel. Ainda por cima temos memória curta. Não aprendemos com o passado.

Cultuamos o fundamentalismo cristão, característica herdada através da colonização ibérica que nos imputou a cultura do proletariado, o desprezo pelo saber, a tolerância ao infortúnio e a incapacidade de desenvolvimento. Seremos um eterno país de terceiro mundo mas com uma eterna arte de sonhar.
Tudo por culpa de Napoleão Bonaparte.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A Festa Dos Animais




Os animais se reuniram na floresta para fazer uma festa. Trouxeram bolos, refrigerantes, salgados, etc. Quando eles foram comer, viram que tinham se esquecido de trazer o abridor de garrafas. Aí falou o Leão: vai Arara buscar o abridor lá na cidade!
Não, é muito longe, vá você onça ― falou a Arara.

Não, é muito longe, vou cansar minhas patas. Vá você, bicho Preguiça! ― replicou a onça
Tá bom, só vou com uma condição, que é a de vocês não comerem nada até eu voltar ― disse a Preguiça

Os animais responderam em uníssono: Tá bom, nós prometemos.
Passou um dia, uma semana, um mês, um ano, e os animais tudo magrinho, a comida já estragada, aí o Leão falou:
Ah! Vamos comer. O bicho Preguiça não vai mais voltar.
Foi quando o bicho Preguiça saiu de traz de uma árvore, e falou:
Tá vendo se eu fosse...

P.S.: Quem sabe mais piada sobre preguiça? (rsrs)
Fonte: piadalegal.com.br
Site da imagem: namanhadogato.blogspot.com

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Resgate De Um Pedaço de Nossa História




Era 1967 o último ano do governo ditatorial de Humberto de Alencar Castelo Branco. Lembro-me bem que estávamos todos almoçando, quando o cearense ex-presidente (já falecido) ao desfilar em carro aberto há uns 200 metros do Restaurante Universitário onde estávamos, recebeu alguns apupos. Imediatamente o restaurante foi cercado por policiais, que nos confinaram por varias horas. Nesse dia fomos proibidos de sair daquele recinto para assistir nossas aulas. Algum tempo depois, dois colegas meus de turma, líderes da UNE local (Roberto e Lívia) sumiram misteriosamente. O primeiro alguns meses depois apareceu morto boiando em um açude do sertão paraibano. Quanto a minha colega de turma, até hoje não sabemos o seu paradeiro.
As lembranças daquele tempo de crueldade, dureza e repressão vieram à tona, quando abrindo o primeiro caderno do Jornal O Globo do Rio de Janeiro, de ontem (19/11/2011), me deparei com a reportagem sobre a solenidade da entrada em vigor da Lei do Acesso à Informação que criou a Comissão da Verdade formada por sete integrantes encarregados de no prazo máximo de dois anos, iniciar os trabalhos de revelação dos documentos relativos aos anos terríveis da ditadura militar que estão sob sigilo militar. Esta comissão tem por objetivo esclarecer violações dos direitos humanos, principalmente àquelas ocorridas nesse período de exceção.
Guardei esse jornal como recordação. Quem do meu tempo diria que um dia isso fosse acontecer: Olhando para a foto dos presentes à cerimônia, lá estavam os três comandantes militares, todos cabisbaixos. Segundo a reportagem, os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ouviram em silêncio os discursos inflamados de parlamentares, ministros, ex-militantes e familiares de perseguidos políticos. Houve muitos aplausos, menos da parte dos militares que estavam no recinto do palácio do planalto.
A solenidade foi marcada por cenas de emoção, como o reencontro da presidente Dilma com duas ex-companheiras de cela, com familiares de desaparecidos políticos, e com as filhas do ex-deputado Rubens Paiva ― desparecido desde 1971.
Dilma, ao beijar Rita Sipahi, uma de suas ex-companheiras na prisão, não resistiu e, disse em alto e bom som, sob os olhares de desconforto dos comandantes presentes: “As gerações brasileiras se encontram hoje em torno da verdade”
Disse ainda, a presidente em exercício, de forma enfática: Esse dia é histórico e deve ser festejado como o dia em que o país deve comemorar a transparência e celebrar a verdade. A verdade sobre nosso passado é fundamental para que aqueles fatos que marcaram nossa História nunca mais voltem a acontecer”.
Dilma destacou que “as leis sancionadas ontem são importantes, sobretudo, para as novas gerações, porque irão mostrar a elas a verdadeira História do país nos anos recentes”.
Não importa que essas medidas tenham sido por tanto tempo adiadas. O que importa é saber que se conseguiu resgatar um passado histórico marcante da vida de muitos brasileiros, como finalizou, Dilma, em seu emocionado discurso: “isso coloca, enfim, o nosso país em um patamar superior, um patamar de subordinação do Estado aos direitos humanos”.
Para ouvir, na íntegra, o discurso de Dilma na solenidade histórica de instalação da Comissão da Verdade, CLIQUE AQUI

Guarabira, 20 de Novembro de 2011
Site da imagem: nosdacomunicacao.com

sábado, 12 de novembro de 2011

A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena


Preferi deixar a poeira do câncer de Lula baixar um pouco para então poder fazer um comentário mais sóbrio e maduro sobre o assunto. Claro que a temática central será a campanha para que Lula fizesse seu tratamento pelo nosso decadente Sistema Único de Saúde - SUS, para os íntimos.

Eu não morro, e jamais morri de amores pelo Lula, apesar de ter sido membro do PC do B e haver colaborado na sua primeira campanha vitoriosa  (sim, ninguém é perfeito). Todavia, também não tenho o Lula como inimigo público número 1.

O nosso ex-vice Presidente da República, José Alencar, vice do mesmo Lula que hoje trata-se de câncer, também teve a mesma doença. Lutou bravamente contra a sua enfermidade. Aliados e opositores políticos elogiavam publicamente sua disposição por permanecer na vida. Entretanto, ninguém jamais cogitou a hipótese de ele ir fazer seu tratamento pelo SUS. Tal como Lula hoje faz, Alencar teve acesso aos melhores hospitais do país. Empresário de sucesso, lamentavelmente, não obteve êxito em sua derradeira e mais importante empreitada.

Como dizia um dos folclóricos, porém sábios personagens do clássico seriado mexicano Chaves, "a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". Não duvido que haja pessoas honestamente constrangidas com o fato de tantas pessoas humildes morrerem nos hospitais públicos brasileiros - muitos ainda em seus corredores, à espera de atendimento -, mas também não me resta dúvida de que a maioria daqueles que gostariam que Lula se tratasse pelo SUS na verdade o fazem por rancor, ódio e vingança, na expectativa de que o destino de Lula fosse igual ao de tantos infelizes que acabamos de mencionar.

Por outro lado, eu compartilho da indignação daqueles que não se esqueceram do escândalo do Mensalão que, se não foi realmente inventado pelo PT, ao menos foi patenteado pelos amigos de Lula. Somente aqueles que não compreendem que cada centavo desviado da educação, da saúde e dos programas sociais do governo na verdade significam crianças sem merenda, doentes sem remédios e estudantes sem ensino público decente é que acham que uma coisa não tem nada a ver com outra.

De fato, se fôssemos usar a lei do olho por olho, Lula e sua família deveriam sentir na pele todo o sofrimento que ajudaram a piorar com seu acobertamento à corrupção em seus sucessivos mandatos. Porém, felizmente estamos no século XXI e vivemos num estado democrático de direito. Já passamos do tempo em que tudo era resolvido "da maneira antiga" e já é hora de amadurecermos para reconhecermos detrás dos nossos "queridos adversários" - como diria Arthur Virgílio, duro crítico do ex-Presidente - os seres humanos que, acima de preferências políticas, religiosas ou de quaisquer outras naturezas, precisam ser respeitados. Sobretudo em seus momentos de maior fragilidade na existência.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Abstinência Sexual - Confissões de João Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro


O meu encontro com o Mestre me trouxe uma transformação impar. Aos meus 17 anos, no jardim do Getsêmani, envolto em panos o encontrei. Meu objetivo era confessar os meus pecados, e foi o que fiz, confessei tudo, e todos soube o dia que perdi a virgindade, aos 15 anos.

Na época eu estava curioso e cansado de tanto esperar “para não mencionar o sentimento maldito e solitário dentro do meu coração que me corroía” convidei minha amiga para compartilharmos algo intimo, pulamos na cama e brincamos a noite toda. Mesmo que eu não sentisse atraído por ela, eu queria ter essa experiência. Ela estava lá, e houve a troca mutua de prazer...

Depois me arrependi tanto que decidi me abster sexualmente, e só sairia deste estado se alguém significasse algo importantíssimo para mim.

Precisava do perdão do mestre...

O Mestre me ouviu e antes de falar-me algo Judas o traiu com o beijo no rosto e os guardas romanos atento ao sinal prenderam o mestre. Eles também queriam me prender, me agarraram e fugi, rascou o lençol e pelado corri.

Agora, trinta anos depois, termino de escrever o Evangelho de São Marcos, solteiro, e sem previsão de sair desta abstinência sexual... Todo esse tempo, eu não conheci ninguém, e as moças que eu fui atraído não passavam de ilusões.

Sinto-me pessimista sobre as relações. Não consigo arriscar, passando para elas que o cara perfeito chegou. Às vezes me sinto deprimido, pois é muito difícil abrir mão de tudo. Para aliviar este sentimento eu me masturbo, e faço de um modo diferente, sem pensar em nada, ou seja, sem pecar!

A felicidade é uma opção, e estou feliz pela minha abstinência. Tenho convicção que a abstinência sexual é a resposta para muitos. A vida no celibato é uma opção de entrega total a Cristo. A pessoa doa-se em todo o seu ser incluindo a dimensão física, mas de uma forma diferente da que é vivida no matrimônio.

O estranho é que ha algum tempo nasceu algo no meu coração, e está me incomodando. E este broto é uma garota, me encantei por ela e agora desejo conhecê-la. Eu quero realmente conhecê-la primeiro, antes de ter relações intimas porque não quero complicar as coisas. Mesmo assim, a vida de abstinência sexual não é tão ruim, e as vezes me pergunto, continuo abstendo ou me entrego a está nova relação...

Marcos - autor do Evangelho de São Marcos.
Texto Base: Mc: 14.51-52 (Uma história de ficção)
Twitter @PecadorConfesso

domingo, 30 de outubro de 2011

O Positivismo Filosófico como Religião


Por Edson Moura

Há algum tempo venho escrevendo textos sobre religiões digamos, desconhecidas, mas que de forma silenciosa, influenciou e ainda influencia muitos pensamentos. Sinto certa dificuldade em me manter imparcial frente a algumas delas. Evito também exagerar no sarcásmo e ironia, traço bem característicos dos meus escritos. Pois bem, coletei informações e resolvi trazer à baila (como diria o mestre Levi) para que pudessemos dissecar mais esta vertente religiosa, ou filosófica, para então, por meu de nosso trabalho especulativo, possamos aprender um pouco mais à medida que ensinamos.

O que é “Positivismo”?

Positivismo é um conceito que possui diferentes significados, englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século desenove quanto outras do século vinte. Desde o seu início, com Augusto Comte (1798-1857) na primeira metade do século desenove, até a atualidadeI, o sentido da palavra mudou de forma absurda, incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Nesse sentido, existem correntes de outras disciplinas que se consideram "positivistas" sem guardar nenhuma relação com a obra de Augusto Comte.

Exemplos paradigmáticos disso são o “Positivismo Jurídico”, do austríaco Hans Kelsen, e o “Positivismo Lógico”, de Rudolph Carnap, Otto Neurath e seus associados. Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial (processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). Assim, o Positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.

O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência(na concepção positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. O Positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos observáveis). Em sua obra Apelo aos conservadores, Augusto Comte definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

A ideia-chave do Positivismo Comteano é a Lei dos Três Estados, de acordo com a qual o homem passou e passa por três estágios em suas concepções, isto é, na forma de conceber as suas ideias e a realidade:

1º Teológico: o ser humano busca explicar a realidade por meio de "deuses", buscando responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?"; além disso, busca-se o absoluto;

2º Metafísico: é um meio-termo entre a teologia e a positividade. No lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: "o Éter", "o Povo", "o Mercado financeiro", etc. Continua-se a procurar responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?" e procurando o absoluto é a busca da razão e destino das coisas. é o meio termo entre teológico e positivo.

3º Positivo: etapa final e definitiva, não se busca mais o "porquê" das coisas, mas sim o "como", por meio da descoberta e do estudo das leis naturais, ou seja, relações constantes de sucessão ou de coexistência. A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto.

Auguste Comte deu vida à “Religião da Humanidade”. Após a elaboração de sua filosofia, Comte concluiu que deveria criar uma nova religião, afinal de contas, para ele, as religiões do passado eram apenas formas provisórias da única e verdadeira religião, “A religião positiva”. Segundo os positivistas, as religiões não se caracterizam pelo sobrenatural, pelos "deuses", mas sim pela busca da unidade moral humana. Daí a necessidade do surgimento de uma nova Religião que apresentasse um novo conceito do “Ser Supremo”, então surge a Religião da Humanidade.

Os positivistas diziam que a Teologia e a Metafísica, nunca inspiraram uma religião verdadeiramente racional, cuja instituição estaria reservada ao advento do espírito positivo. Estabelecendo a unidade espiritual por meio da ciência, a Religião da Humanidade possui como principal objetivo a Regeneração Social e Moral. A Religião da Humanidade possui como Ser Supremo a Humanidade. Ela representa o conjunto de seres convergente de todas as gerações, passadas, futuras e presentes convergentes, isto é, que contribuíram, que contribuem e que contribuirão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento humano.

O dogma da Religião da Humanidade é a ciência. Também foram construídos templos e capelas onde são celebrados cultos elaborados à Humanidade. A religião positivista caracteriza-se pelo uso de símbolos, sinais, estandartes, vestes litúrgicas, dias de santos (grandes figuras humanas), sacramentos, comemorações cívicas e pelo uso de um calendário próprio, o Calendário Positivista (um calendário solar composto por 13 meses de 28 dias). O lema da religião positivista é : "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" (sôa familiar?)

Augusto Comte foi o criador da palavra "altruísmo", palavra que segundo o fundador, resume o ideal de sua nova religião. A idéia de uma unidade humana (moral, intelectual e prática) considera que o ser humano só poderá ser harmônico, coerente e, portanto, feliz, se puder manter uma unidade mental individual e, ao mesmo tempo, puder relacionar-se bem com seu meio. Para isso, precisa cultivar o altruísmo e manter idéias sintéticas; com isso, terá sentimentos e noções gerais que permitirão uma conduta generosa e esclarecida em suas atividades cotidianas, que tendem a ser egoístas e dispersivas.

A influência positivista no Brasil ocorreu de diferentes formas e lugares, desde a década de 1870 até meados do século vinte, mas estendendo-se até o século vinte e um. Entretanto, foi no Rio de Janeiro, entre o final do Império e a I República que o Positivismo foi mais notável no Brasil, desempenhando um papel central tanto no processo de Abolição da Escravatura quanto no de Proclamação da República. Além disso, a laicização do Estado e das instituições públicas foi uma das grandes preocupações dos positivistas, além da realização da justiça social e do progresso social. Nessas ações, os nomes mais conhecidos são os de Benjamin Constant Botelho de Magalhães (o "Proclamador da República") e o de Raimundo Teixeira Mendes, autor da bandeira nacional.

O modelo atual da bandeira Brasileira é um reflexo dessa influência na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista “Ordem e Progresso”, surgida a partir do lema comteano: “O Amor por princípio e a Ordem por base, o Progresso por meta, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. Como não poderia faltar, fica a pergunta:

Alguém aqui é positivista?

Noreda Somu Tossan

Fontes: Discurso sobre o Espírito Positivo/Sistema de Política Positiva/Wikipedia

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PRAZER E CATARSE DA FAMÍLIA CIBERNÉTICA


Por Levi B. Santos

São 19 horas de um dia qualquer. Lá está reunida a família da pós-modernidade. Os pais devoram seu hambúrguer + batatas fritas + coca-cola com os olhos fixos na telinha que pode ser da TV, do moderno celular, do Tablet, ou laptop. Os filhos jantam em torno de uma mesa com o olhar fixo numa tela de LCD, jogando vídeo-game. Em outra sala se encontra a netinha ou netinho de apenas seis anos de idade com o seu sanduiche numa mesinha ao lado do computador, mergulhada absorta na cultura das imagens em busca das tecno-surpresas que surgem a todo momento.
Bendita e maravilhosa mídia que faz brotar em nós necessidades a todo momento. A única maneira de acompanhá-la, já que o dia só tem 24 horas, é correr, mas correr mesmo.
A velocidade é o que conta. O lema é correr depressa, ler depressa, trocar depressa de canal, enviar e receber e-mail digitando abreviaturas de palavras (o porque ― vira “pq”). As torrentes de imagens, músicas e histórias, e textos de blogs têm que ser acessados de forma rápida. Nos blogs de confrarias, basta ler o título da postagem e arriscar um comentário: se colar colou. O importante é saciar a fome dos olhos como faz uma criança à frente de um saco de pipocas.
Para que sair de casa e olhar o mundo lá fora, se na internet tenho tudo a um clique. Posso me encantar em minha poltrona com títulos balançando na telinha, com anúncios coloridos piscando, com palavras de cores vivas que murcham e incham para depois explodirem em bolhas flutuantes. A tecnologia virtual nos leva para fora da Terra, numa alucinante viagem que durante a noite (que é uma criança) não percebemos as horas passarem. O negócio principal não é o aprofundamento nos estudos, mas o “boiar” na superficialidade dos instantâneos textos bem delineados do Google.
Quem não deseja consumir ou produzir idéias a um leve toque, sem recorrer à velha estante de livros mofados, é tido como um otário que não quer evoluir, pois a mídia requer que o internauta escreva qualquer coisa, a cada 24 horas, para alimentar a Wikipédia e os canais de procura de assuntos. A voz que se ouve já internalizada é: obtenha acesso mais rápido, crie mais sites na rede para ser visitado, procure fazer mais listas extensas de amigos na rede, publique mais tratados e difunda de todas as maneiras mais informações para seu conforto espiritual e diversão de muitos”.
Um perfeito internauta, para a mídia, é aquele que choca, que muda sempre a definição dos seus conceitos para confundir, ainda que não saiba exatamente o que se está a sentir enquanto digita. Sentimentos são descartáveis, a efervescência é a regra. O importante é atiçar as paixões e afundar-se nas dramaticidades.
Nas tetas do mundo cibernético você pode fazer “gratuitamente” o seu lobismo popular e seu protesto social. Pode organizar sua “primavera dos jovens” incitando a substituição de governos totalitários, por outros super-totalitários. Pode engajar-se na arte da política, da religião, adquirindo o seu diploma de Ganhador de almas em cursos relâmpagos de dois fins de semanas, com direito a registrar a sua igreja pela internet, sem sair de casa. Pode ultrapassar os limites interpostos por seus antigos pais, para de forma agressiva se auto-flagelar: ferir os outros e desfazer os elos fraternos dão a sensação momentânea de orgulho, ao reavivar o narcisismo primário. Aqui não vale o axioma freudiano de que “o nosso maior inimigo é interno e, de forma definitiva nos pertence”.
Golpear, assustar, bombardear ― é o lema das empresas do monstro midiático que agradecem a desnaturação humana.
Nas teias desse monstro midiático você pode realizar a sua catarse sem limites, e, no seu altar realizar o seu ritual de limpeza. É lá que o desejo de ser único se exalta em conflito com os anseios do OUTRO. É o canal apropriado para dar vazão aos instintos mais primitivos —, aqueles afetos de destruição presentes no mito de Caim e Abel. É lá que destruímos parte do que construímos a fim de preservar o que nos parece “essencial”.
Permaneça, a maior parte do tempo com sua mão direita a repousar sobre o “mouse” e, esqueça o que escreveu Ariel Dorfman, sobre Mickey Mouse: “Ele une poder e infantilização”. “Ele domina sobre todos enquanto seu sorriso desarma todas as críticas.”
Site da imagem: profsezimar.com

domingo, 16 de outubro de 2011

AS ASSOCIAÇÕES CRISTÃS E SEU PAPEL NA PERIFERIA URBANA: UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA




Por J.Lima, professor, Mestre em Ciências da Religião



O FATOR RELIGIOSO é um dos principais agentes transformadores da sociedade. Hoje no Brasil não é possível fazer uma analise social sem levar em conta a participação da religião, principalmente as pentecostais históricas quanto as “neopentecostais” .

No entanto, para entendermos os aspectos positivos e negativos dessas ações e necessário avaliar os pressupostos axiomáticos que estão como forca motora dessas atividades. Os atos são efeitos de uma convicção, elaborada numa formulação teológica. A proposta dessa reflexão é fazer uma analise dos pressupostos como causa para as ações sociais efetivas da religião cristã na periferia urbana.


A valorização da pessoa como individuo

A CONTRIBUIÇÃO da religião na periferia urbana tem sua gênese no axioma teológico da bíblia no Antigo Testamento. Já nos livros do Pentateuco havia uma preferência para com os pobres, desvalidos, as pessoas excluídas da sociedade. O oficio do messias era um ministério primariamente que se voltava para os pobres: “Levar boas noticias aos POBRES, anunciar LIBERDADE AOS CATIVOS”(Isaias 61.1)

O êxito da religião evangélica está no fato de que na sociedade, a condição financeira determina a aceitação das pessoas nas redes sociais. Ele só poderá se relacionar de acordo com sua estrutura sócio economica. 

A religião cristã proclama uma mensagem sociológica inclusiva, visto que esta fundamentada toda ideologia na seguinte premissa: “Todos os homens são criaturas de Deus”, por isso, as diferenças sociais não são relevantes diante do criador que vê todos de forma igual.

A religião cristã oferece uma proposta que torna se irrecusável, após a consciência de criatura universal, prossegue: “Mas você pode ir mais longe, pode tornar-se filho de Deus ao “aceitar a Jesus como salvador”. Isso significa que a pessoa que estava excluída da sociedade, agora passa a ter uma “família”, onde “Deus” é o “Pai” e todos os participantes da comunidade se consideram “irmãos”.

Essa construção sem duvida torna-se o primeiro beneficio para a sociedade, pois o individuo, de excluído que muitas vezes não tem sequer uma família, ganha um senso de pertencer, ser amado, há uma mudança sintomática na sua vida. As ações efetivas na sociedade são reflexos do poder dos laços criados a partir da inserção da pessoa na comunidade de fé, visto que elas ganham senso de autoridade.

Essa realidade e descrita por BAUMAN, 2010, p. 76: "Assim os fatores unificadores são valorizados como mais fortes e importantes do que qualquer coisa que possa causar divisões, e as diferenças entre os integrantes, são secundarias em relação as similaridades”. 

A religião cristã ressalta o valor da individualidade ao mesmo tempo em que a coletividade o imerge numa dimensão reflexiva de respeitar princípios que estão além de si, pertencem a um bem maior da comunidade.

A solidariedade social como o reflexo da valorização do individuo

As AÇÕES SOCIAIS governamentais buscam obras que venham abranger um bem coletivo, visam a comunidade numa forma geral, buscando na medida do possível atuar na esfera das necessidades básicas. Contudo muito pouco ou quase nada, fazem para outra dimensão do individuo na sociedade que é a necessidade de "pertencer", da "auto-imagem", de valores que transcendem ao ser humano.

Quando uma pessoa chega na igreja e se "converte" a fé cristã, logo os cooperadores da igreja anotam seu endereço e fazem constantes visitas, ao perceberem que ele precisa de alimentos, ou qualquer outra coisa básica para a sua subsistência logos dão um jeito de tirar ofertas entres os irmãos da comunidade para suprir as necessidade mais básicas da pessoa. 

Contudo a  ajuda maior está na mudança de cosmovisão, a pessoa passa a sacralizar o tempo e o espaço. Tempo porque ele passa a crer que agora há um propósito de “Deus” para sua vida, e o espaçotambém passa a ser sacro, pois "aquele momento" que está notemplo, está fora do “dia normal”, o fiél entra nele e nesse "momento", ele resignifica todos os outros momentos, como se recebesse uma carga energética.

O cristão sente-se o protagonista da sua historia, não apenas um "ser" que vai passar, passa a ter  perspectivas que vão além, uma cosmovisão de continuidade e não de finitude. Essa realidade e bem expressa por Leonardo BOFF, 1980 p.65: “Essa fé cria uma mística que não foge nem teme a perseguição, a prisão a tortura e a morte, porque ela liga a pessoa a um absoluto. Mas insere dentro da normalidade da vida de fé na cruz de Jesus Cristo”.


 Status: "Ser" como primazia sobre o "Ter"

A SOCIEDADE CAPITALISTA tem como premissa básica o acumulo dos bens, automaticamente exclui os indivíduos de baixa ou sem renda. Todas as exigências para se obter um status na sociedade e irrelevante na comunidade cristã. A pessoa torna-se integrante de uma família, ter uma inumerável quantidade de “irmãos na Fé” eleva a sua estima pelo fato dos valores do capitalismo estar no “Ter”, enquanto na religião Cristã esta no “Ser”.

Há uma inversão epistemológica na maneira de refletir a vida, o “Ser” tem primazia sobre o “Ter”. O primeiro passa a ser o Status maior, o segundo torna-se efeito de como ele vai se relacionar com o seu “Deus”. A partir daí ele ganha condições para se ver diferente, ao mesmo tempo em que suas ações vão refletir na sociedade.


A vida religiosa com movimento em direção ao outro

A VIDA RELIGIOSA parte do principio que há necessidade de valorização do individuo, o insere numa “família” que forma uma comunidade de pessoas que agora tem um alvo, por em pratica a ética de Jesus relatada no evangelho, o que significa uma participação mais ativa na rede solidária com o outro. As ações legitimarão o direito dos fiéis entrarem no reino eterno. O julgamento final e descrito como uma reunião de todas as nações onde haverá uma separação entre “ovelhas” e “bodes” em lados opostos.

O cenário é descrito com o rei que dirá para os fiéis vir receber por herança o que foi preparado, isso em razão de terem sido solidários com os excluídos: “Pois eu tive fome; e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro e vocês me acolheram; necessitei de roupas e vocês me vestiram; estive enfermo e vocês cuidaram de mim; estive preso e vocês me visitaram.”(Mateus 7.35,36). As pessoas são chamadas de justas e perguntarão quando foi que fizeram isso ao rei, visto que não fizeram pessoalmente a Ele? (Mateus 7. 37-39). A resposta é: “O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram”(Mateus 7. 40).

Essa e uma condição sine qua non para se alcançar o objetivo proposto pela fé cristã, ou seja, a ação solidária não é uma opção, mas um dever, visto que a isenção do cristão leva-o a exclusão do futuro reino, além de o descaracterizar como cristão, seria o mesmo que ignorar o próprio rei que se coloca no lugar dos marginalizados se identificando com eles: “O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram” (Mateus 7. 40).


O exclusivismo: O aspecto negativo

Se POR UM LADO o fato de ter um absoluto, da sentido a vida na religião cristã, paradoxalmente esse fato que traz benesses, também e responsável por um dos mais graves problemas: O exclusivismo como gerador da intolerância; isso acontece devido aos axiomas teológicos que permeiam toda a reflexão cristã. Esse exclusivismo tem sua origem na definição do conceito de "verdade".


A verdade metafísica, fora do corpo e da historia

O que e a verdade? Essa e a gênese de toda a intolerância religiosa, o cristão normalmente se envolve em conflitos quando responde a essa pergunta. A reflexão cristã tem seus postulados na filosofia grega, a verdade é a concordância entre “sujeito e objeto”, produto da “contemplação”. A verdade tem sua gênese na “teoria”, a “práxis” é apenas o efeito é legitimada pela teoria.

A verdade pronta, nasce na “razão” por isso é “eterna e imutável”. O cristão precisa conhecê-la através da interpretação bíblica, e viver de acordo com ela, o que é chamado de “revelação”. Essa “revelação” para o cristão e metafísica, não leva em conta o tempo, a historia e as situações contingências. Na cosmovisao grega o sujeito precisa interpretar o mundo, a verdade e estática, diferente da teoria marxista onde o homem precisa transformar o mundo, a verdade é dialética, e provisória.

A “verdade” é produto do conflito entre o homem e sua luta pela sobrevivência, portanto nasce no corpo. Na teologia cristã a verdade nasce do "espírito, alma, razão", fora do corpo. Essa forma de refletir é prejudicial por produzir dois tipos de reducionismo: O religioso e o Político.


Reducionismo religioso

Se A "VERDADE" está circunscrita a esfera da hermenêutica com pressupostos nas doutrinas herdadas da tradição, logo, todos os que não pensarem dentro desse circulo, não estão com a “verdade”, assim as demais religiões que professam um credo diferente, são alvo de uma “conversão”, o que causa conflitos.

O que foi positivo para inserir o individuo na comunidade, torna-se a causa geradora de conflitos na comunidade, principalmente com os familiares, pelo fato que agora ele vai lidar com categorias de "sagrado" (tudo que se relaciona com a fé) e "Profano", (tudo o que não relaciona com a fé, chamando de "mundo"). Nessa óptica, a experiência só e legitimada a partir da aceitação da “fé crista”. Esse e um caso muito claro na relação entre católicos e cristãos evangélicos, na reforma protestante (1050 - 1500 d.C). Há certa animosidade quando a pessoa sai da "fé católica" e se "converte" a fé cristã, há rupturas e afastamento por parte do novo fiél da fé evangélica.


  Reducionismo político

O REDUCIONISMO POLÍTICO É outro efeito da herança teológica neoplatônica inserida nas interpretações dos chamados pais da igreja primitiva, século IV d.C. Agostinho praticamente determina o curso da reflexão teológica da igreja, seu pensamento dicotômico herança da filosofia grega estabelece um pensamento dualista, de dois mundos em oposição.

A política foi interpretada como uma dimensão antitética, “secular” e, portanto, em oposição ao “sagrado”, isso fez com que a igreja Cristã de origem protestante, se relacionasse com a política de forma alienada, não e sem razão que Marx a nominou como “ópio do povo”.

A religião atuou com um anestésico frente ao poder da classe dominante. O catolicismo embora tenha uma postura política mais engajada, pode se dizer que foi omissa na maior parte da historia e ainda usou a teologia como meio de legitimar a dominação com uma hermenêutica tendenciosa a favor dos ricos.

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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUMANN, Zigmunt. Aprendendo a pensar Sociologicamente. Rio de Janeiro-RJ. Zahar 2010.

BOFF, Leonardo. Teologia do cativeiro e da Libertação. Rio de Janeiro-RJ. Ed. Vozes 3ª Ed. 1982.

ALVES, Rubem. O suspiro dos Oprimidos. Ed. Paulus. São Paulo - SP. 6ª Edição 2006.


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TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM
http://jl-reflexoes.blogspot.com
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