sábado, 12 de novembro de 2011

A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena


Preferi deixar a poeira do câncer de Lula baixar um pouco para então poder fazer um comentário mais sóbrio e maduro sobre o assunto. Claro que a temática central será a campanha para que Lula fizesse seu tratamento pelo nosso decadente Sistema Único de Saúde - SUS, para os íntimos.

Eu não morro, e jamais morri de amores pelo Lula, apesar de ter sido membro do PC do B e haver colaborado na sua primeira campanha vitoriosa  (sim, ninguém é perfeito). Todavia, também não tenho o Lula como inimigo público número 1.

O nosso ex-vice Presidente da República, José Alencar, vice do mesmo Lula que hoje trata-se de câncer, também teve a mesma doença. Lutou bravamente contra a sua enfermidade. Aliados e opositores políticos elogiavam publicamente sua disposição por permanecer na vida. Entretanto, ninguém jamais cogitou a hipótese de ele ir fazer seu tratamento pelo SUS. Tal como Lula hoje faz, Alencar teve acesso aos melhores hospitais do país. Empresário de sucesso, lamentavelmente, não obteve êxito em sua derradeira e mais importante empreitada.

Como dizia um dos folclóricos, porém sábios personagens do clássico seriado mexicano Chaves, "a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". Não duvido que haja pessoas honestamente constrangidas com o fato de tantas pessoas humildes morrerem nos hospitais públicos brasileiros - muitos ainda em seus corredores, à espera de atendimento -, mas também não me resta dúvida de que a maioria daqueles que gostariam que Lula se tratasse pelo SUS na verdade o fazem por rancor, ódio e vingança, na expectativa de que o destino de Lula fosse igual ao de tantos infelizes que acabamos de mencionar.

Por outro lado, eu compartilho da indignação daqueles que não se esqueceram do escândalo do Mensalão que, se não foi realmente inventado pelo PT, ao menos foi patenteado pelos amigos de Lula. Somente aqueles que não compreendem que cada centavo desviado da educação, da saúde e dos programas sociais do governo na verdade significam crianças sem merenda, doentes sem remédios e estudantes sem ensino público decente é que acham que uma coisa não tem nada a ver com outra.

De fato, se fôssemos usar a lei do olho por olho, Lula e sua família deveriam sentir na pele todo o sofrimento que ajudaram a piorar com seu acobertamento à corrupção em seus sucessivos mandatos. Porém, felizmente estamos no século XXI e vivemos num estado democrático de direito. Já passamos do tempo em que tudo era resolvido "da maneira antiga" e já é hora de amadurecermos para reconhecermos detrás dos nossos "queridos adversários" - como diria Arthur Virgílio, duro crítico do ex-Presidente - os seres humanos que, acima de preferências políticas, religiosas ou de quaisquer outras naturezas, precisam ser respeitados. Sobretudo em seus momentos de maior fragilidade na existência.
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