segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Resgate De Um Pedaço de Nossa História




Era 1967 o último ano do governo ditatorial de Humberto de Alencar Castelo Branco. Lembro-me bem que estávamos todos almoçando, quando o cearense ex-presidente (já falecido) ao desfilar em carro aberto há uns 200 metros do Restaurante Universitário onde estávamos, recebeu alguns apupos. Imediatamente o restaurante foi cercado por policiais, que nos confinaram por varias horas. Nesse dia fomos proibidos de sair daquele recinto para assistir nossas aulas. Algum tempo depois, dois colegas meus de turma, líderes da UNE local (Roberto e Lívia) sumiram misteriosamente. O primeiro alguns meses depois apareceu morto boiando em um açude do sertão paraibano. Quanto a minha colega de turma, até hoje não sabemos o seu paradeiro.
As lembranças daquele tempo de crueldade, dureza e repressão vieram à tona, quando abrindo o primeiro caderno do Jornal O Globo do Rio de Janeiro, de ontem (19/11/2011), me deparei com a reportagem sobre a solenidade da entrada em vigor da Lei do Acesso à Informação que criou a Comissão da Verdade formada por sete integrantes encarregados de no prazo máximo de dois anos, iniciar os trabalhos de revelação dos documentos relativos aos anos terríveis da ditadura militar que estão sob sigilo militar. Esta comissão tem por objetivo esclarecer violações dos direitos humanos, principalmente àquelas ocorridas nesse período de exceção.
Guardei esse jornal como recordação. Quem do meu tempo diria que um dia isso fosse acontecer: Olhando para a foto dos presentes à cerimônia, lá estavam os três comandantes militares, todos cabisbaixos. Segundo a reportagem, os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ouviram em silêncio os discursos inflamados de parlamentares, ministros, ex-militantes e familiares de perseguidos políticos. Houve muitos aplausos, menos da parte dos militares que estavam no recinto do palácio do planalto.
A solenidade foi marcada por cenas de emoção, como o reencontro da presidente Dilma com duas ex-companheiras de cela, com familiares de desaparecidos políticos, e com as filhas do ex-deputado Rubens Paiva ― desparecido desde 1971.
Dilma, ao beijar Rita Sipahi, uma de suas ex-companheiras na prisão, não resistiu e, disse em alto e bom som, sob os olhares de desconforto dos comandantes presentes: “As gerações brasileiras se encontram hoje em torno da verdade”
Disse ainda, a presidente em exercício, de forma enfática: Esse dia é histórico e deve ser festejado como o dia em que o país deve comemorar a transparência e celebrar a verdade. A verdade sobre nosso passado é fundamental para que aqueles fatos que marcaram nossa História nunca mais voltem a acontecer”.
Dilma destacou que “as leis sancionadas ontem são importantes, sobretudo, para as novas gerações, porque irão mostrar a elas a verdadeira História do país nos anos recentes”.
Não importa que essas medidas tenham sido por tanto tempo adiadas. O que importa é saber que se conseguiu resgatar um passado histórico marcante da vida de muitos brasileiros, como finalizou, Dilma, em seu emocionado discurso: “isso coloca, enfim, o nosso país em um patamar superior, um patamar de subordinação do Estado aos direitos humanos”.
Para ouvir, na íntegra, o discurso de Dilma na solenidade histórica de instalação da Comissão da Verdade, CLIQUE AQUI

Guarabira, 20 de Novembro de 2011
Site da imagem: nosdacomunicacao.com
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