sábado, 31 de dezembro de 2016

O que eu penso sobre o sexo anal




Olá, amigos. 

Resolvi fazer a última postagem do ano neste blogue escrevendo sobre sexo... E por que não tratar de um assunto tão quente já que transar com quem a gente ama seria uma ótima opção para esses dias de férias e intenso calor?

Entretanto, confesso sem nenhuma vergonha fazer parte de uma minoria masculina no Brasil que não aprecia e até recusa o sexo anal, muito embora haja também uma minoria de mulheres, a meu ver bem pequena, que goste disso (se bem que a grande maioria delas aceite fazer para agradar o parceiro). Aliás, se algo assim ocorresse comigo, isto é, se a minha mulher desejasse ardentemente que eu penetrasse em seu ânus, negaria realizar o desejo dela. Justo por eu optar por uma forma não violenta de sexo, prefiro me abster de algo que extrapolaria a esfera do meu desejo de modo que, até se fosse um gay, decidiria ter um romance homo por meios não penetrativos de satisfação sendo que, em qualquer hipótese, inclusive nas relações heterossexuais, não me oponho ao uso alternativo de vibradores por quem goste de algo que o parceiro não possa ou não queira proporcionar.

Mas falando da realidade da maioria das pessoas, pois sou um homem excêntrico na nação brasileira, considero que uma mulher não deve permitir ser assediada pela vontade masculina se ela não quiser ser penetrada (inclusive quanto à conjunção carnal que é o sexo vaginal). Cabe ao parceiro compreender e respeitar essa vontade, não insistindo. Mesmo quanto aos pedidos verbais quando vão se tornando reiterados pois podem caracterizar um tipo de assédio.

Todavia, quando ambos querem fazer algo de livre e espontânea vontade, seja o sexo anal ou o vaginal, é recomendado o uso do preservativo. Pois penso que, na atualidade, mesmo havendo controle e tratamento para determinadas doenças sexualmente transmissíveis, há que se ter sempre cautela e prevenção. Ainda que se cuide de um casal casado, não seria racional uma exposição ao risco de passar a vida inteira tomando medicamentos por causa da SIDA/AIDS, bem como indo constantemente ao ginecologista para tratamento desta ou daquela doença sexualmente transmissível nem sempre pega por meio de um ato de infidelidade.

Assim, considerando que, num relacionamento mais comprometido, homens e mulheres também costumam se relacionar mais pela penetração vaginal (sendo esta ainda a forma mais frequente entre os casais em nossa cultura ocidental), o uso do preservativo torna-se sempre recomendado, ainda mais para o coito anal a fim de que a mulher não venha a contrair alguma infecção posteriormente em seu aparelho genital se o homem vier a penetrá-la nos dois orifícios sem a tal da "camisinha". Isto porque existem muitos micro-organismos que o pênis pode transmitir para a mulher depois de ter entrado em seu ânus sem qualquer proteção. Logo, se um homem e uma mulher optam pelo sexo in natura, que façam somente nas formas orais e vaginal, mas nunca no caso da bizarrice do anal.




De qualquer modo, como coloquei, há quem defenda que, até entre os casados compromissados de relacionamento exclusivo, um deles deve usar o preservativo para qualquer ato que envolva a penetração. E acho que, nessas ocasiões, a penetração anal, quando desejada somente pela esposa, poderia ser melhor experimentada com o auxílio de um vibrador como já existem alguns objetos usados na chamada "dupla penetração". Aí a escolha vai conforme o gosto de cada um com respeito ao desejo e vontade do outro. Aliás, essa seria a solução que eu encontraria se minha mulher exigisse praticar ter o coito anal comigo, coisa que eu assumidamente recusaria a fazer.

E como havia também colocado, uma mulher não deve permitir ser assediada pela vontade masculina se ela não quer ser de modo algum penetrada. Aí cabe ao parceiro respeitar essa vontade e não insistir. Aliás esse é um assunto há tempos debatido no meio jurídico pois, segundo Damásio de Jesus, um dos nossos maiores doutrinadores de Direito Penal, sempre que alguém não consentir na conjunção carnal e o cônjuge a(o) obrigar ao ato, com violência ou grave ameaça, em princípio caracterizar-se-á o crime de estupro. Porém, tal autor entende que a vítima deva ter "justa causa" para a negativa. Ou seja, Damásio (e outros penalistas também) sustenta a possibilidade de a mulher não consentir na relação sexual apenas no caso de haver "justo motivo", o que já não concordo.

Assim sendo, existe sim a possibilidade de o marido ser agente de crime de estupro praticado contra a esposa, o que vem ganhando cada vez mais força tanto na doutrina jurídica quanto na jurisprudência. Isto porque, não importa a circunstância, seria penalmente ilícito constranger tanto o homem como a mulher a praticar qualquer tipo de ato sexual, o que, a meu ver, se agrava conforme a conduta do agente. Principalmente se for algo violento e contrário à natureza como é o sexo anal. Aliás, até mesmo se o casal estiver no auge do calor das emoções, qualquer conduta involuntária pode gerar o repreensível constrangimento ilegal, podendo este ser punido tanto na  esfera criminal  quanto na cível (indenização por danos morais). 

Por outro lado, entendo que a recusa de qualquer cônjuge ou companheiro em manter um relacionamento sexual frequente pode ser resolvido pacificamente entre eles, havendo, neste caso, apenas repercussão na esfera cível pela separação, divórcio e até mesmo um pedido de indenização por danos morais, dependendo das circunstâncias. Porém, em se tratando de bizarrices e de algo contrário à natureza, como é sexo anal ou um ménage à trois, o marido frustrado com a recusa da esposa provavelmente careceria de razões para reclamar.

Bem, sei que o assunto é polêmico e foge um pouco das últimas postagens que venho publicado aqui ultimamente mais sobre política e temas filosóficos. Porém, essa polêmica pode talvez render algum debate como nos tempos antigos da blogosfera brasileira que acabou esvaziada pelo Facebook e agora pelo Whatsapp.

De qualquer modo, caso eu receba ou não comentários, desejo desde já a todos uma feliz passagem de ano (não de ânus) e que o seu 2017 seja de muitas conquistas e realizações.

Abraços fraternos.


OBS: Ilustrações acima extraídas de http://www.pramulherada.com.br/ele-quer-sexo-anal-e-agora17-dicas/

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"A educação avança"




Por Solange Jurema

Envolvida com a crise político-jurídica que o país vive diariamente, a mídia não deu muito espaço para uma grande decisão da Câmara dos Deputados, a aprovação da reforma do ensino médio, depois de quase dois meses de intenso e acalorado debate, às vezes sem muito sentido.

Digo isso porque havia um consenso no país de que o nosso sistema educacional, especialmente o do ensino médio, estava falido e precisava de uma urgente reforma para estimular os nossos jovens ao estudo e a aproveitar de maneira mais efetiva e prática os ensinamentos recebidos nos bancos escolares.

O governo Temer teve a coragem de acelerar esse processo de discussão e torná-la produtiva com o encaminhamento de uma medida provisória reformulando o já arcaico sistema educacional do ensino médio, como escrevi, já condenado por todas as forças políticas e correntes pedagógicas nacionais.

Só havia um consenso: como estava, o sistema era inviável e condenaria nossos jovens à má educação e formação.

No entanto, como a atual “política” brasileira está irremediavelmente contaminada e dividida entre o “pró” e os “contra” qualquer coisa, a oposição e alguns de seus ilustres representantes na educação resolveu atacar a reforma encaminhada pelo presidente Michel Temer.

Essa discussão, por vezes insana, me remeteu aos idos das décadas de sessenta e setenta do século XX, quando se discutia e combatia no Brasil o famoso acordo MEC-USAID, entre os governos brasileiro e norte-americano, sem muita profundidade e muita ideologia.

Vivia-se nos tempos de guerra fria, do regime militar no Brasil e isso impregnou a discussão com a ausência de um rigor científico, pedagógico e técnico indispensáveis para encarar as dificuldades da educação brasileiras de então.

Naqueles tempos, assim como agora, debateu-se muito, criticou-se muito, na maioria das vezes sem consonância com a realidade do sistema educacional que se pretendia mudar. Falou-se mal do que sequer se compreendia exatamente, como na atual discussão da reforma do ensino médio.

Não há como não haver uma reforma do atual modelo. Ele é antiquado, retrógrado e ineficiente. A taxa de evasão escolar é altíssima, a formação inadequada e o ensino ineficaz e distante do mercado de trabalho para o jovem que pretende se profissionalizar a nível técnico.

Os recentes resultados do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o PISA em inglês, mostram a queda do Brasil no ranking mundial e na pontuação em três áreas avaliadas e fundamentais para o bom desenvolvimento do estudante brasileiro: ciências, leitura e matemática.

Aprovada na Câmara dos Deputados, com a inclusão de artes, educação física, filosofia e sociologia como disciplinas obrigatórias nos três anos na Base Nacional Comum Curricular, a medida provisória segue para o Senado, onde se espera que sua aprovação repita a mesma tramitação ágil e democrática que recebeu na outra casa legislativa nacional.

Os milhões de jovens estudantes brasileiros precisam de um novo ensino médio para desenhar, com segurança e tranquilidade, o seu próprio destino profissional.

A discussão é séria e afeta o futuro da nossa juventude e do Brasil como nação.


OBS: Texto e imagem extraídos de http://www.psdb.org.br/a-educacao-avanca-por-solange-jurema/

sábado, 17 de dezembro de 2016

Levar esperança ao suicida



Lendo neste sábado o artigo Como prevenir o suicídio, de Daniel Martins de Barros, publicado em 30/08 no Estadao, gostei muito de uma parte quando o autor escreve sobre "oferecer esperança" à pessoa que pretende tirar a própria vida.


"Às vezes basta alguém dizer que vai melhorar para que o instinto de sobrevivência retome o controle"

Fala também o texto que, além dos transtornos mentais, uma das causas do suicídio seria "a sensação de estar sem saída", e isto se observa com maior frequência em momentos de crise econômica. Ou seja, quando alguém fica desempregado, ou vai à falência nos negócios, ou sente sua reputação ameaçada, é alvo de cobrança de dívidas, ação de despejo, contantes humilhações, tal pessoa começa a sofrer por antecipação, podendo bloquear o pensamento racional pelo domínio das emoções descontroladas.

Ao refletir sobre essa mensagem publicada meses atrás no jornal, recordei-me de algo muito bem antigo que é uma passagem do livro bíblico de Atos dos Apóstolos quando Paulo e Silas estavam presos em Filipos e foram sobrenaturalmente libertos por meio de um súbito terremoto. Na ocasião, o carcereiro, por pensar que os detentos tivessem fugido enquanto dormia, planejou tirar a própria vida como se lê a seguir:


"O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos! Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa." (At 16:27-31; ARA)

Certamente que, segundo a lei romana da época, o guarda estava sujeito a receber uma punição caso o prisioneiro escapasse. Logo, era provável que o funcionário da cadeia temesse um castigo mais severo que o açoitamento. Mesmo porque ele estava dormindo na hora do tremor de terra, o que deve ter aumentado ainda mais o seu temor pela responsabilidade ainda que não houvesse dado causa.

Todavia, a esperança de salvação foi uma forte mensagem de ânimo para o carcereiro de Filipos. A ideia de que tanto ele quanto sua família estariam acima de qualquer coisa que os homens pudessem lhe causar trouxe inegável segurança para o seu interior submetendo as emoções ao controle dos bons pensamentos. Pois, até diante da possibilidade de ser morto, nenhum magistrado da cidade conseguiria causar dano à sua alma.

Considero que uma esperançosa pregação sempre pode auxiliar a quem vem a exercer a fé. Porém, a assistência prestada pelos religiosos deve avançar mais. Pois é preciso uma dose maior de compreensão, conhecimento técnico de causa e diálogo com o assistido a fim de que a ajuda se torne realmente eficiente. Daí a importância das lideranças pastorais darem ouvidos à voz da ciência tanto quanto lêem as Escrituras Sagradas, atentando para as orientações dos psicólogos, psiquiatras e demais terapeutas de saúde mental.

De qualquer modo, conclui-se que, desde os tempos antigos, as pessoas do bem já desenvolviam intuitivamente a virtude da esperança no indivíduo de tendência suicida. Isso nos mostra o quanto a crença na possibilidade de alcançar resultados positivos é capaz de motivar o ser humano a romper os grilhões emocionais.

Desejo, meus amigos, que, com sabedoria, possamos transmitir ânimo às pessoas em conflito a fim de que, com ou sem fé, o assistido supere os seus sentimentos negativos.

Tenham todos um ótimo domingo!


OBS: A ilustração acima refere-se à obra A Saída, ou Idealização suicida, feita por George Grie, em 2007, conforme extraído do acervo virtual da Wikipédia em https://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio#/media/File:The_way_out.jpg

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Mensagem do Janot sobre o dia do MP




Mensagem interna do Procurador-Geral da República, há pouco, a todos os colegas do Ministério Público:

"Prezados Colegas,

Neste dia 14 de dezembro, em que comemoramos o Dia Nacional do Ministério Público, venho à rede para reafirmar o orgulho e a honra de integrar esta Instituição. Ser Ministério Público é o que nos move, o que nos motiva, o que não nos deixa esmorecer. Esse tem sido o meu norte, reforçado a cada novo Procurador da República que, ao tomar posse, me faz reviver e renovar os ideais e sonhos que experimento desde o meu primeiro dia de atuação funcional. Na Procuradoria-Geral da República, esses sentimentos surgem com maior vigor.

No entanto, os mares nem sempre são calmos. A hora é grave e decisiva para o nosso futuro.

Às milhares de ações que fazem parte de nosso cotidiano veio se somar a maior e mais complexa investigação criminal de que se tem conhecimento, que avança e desagrada parte da estrutura de poder. Esse processo, necessário para a consolidação da democracia, das instituições e da própria República, jamais transcorreria sem tribulações para o país e, particularmente, para o próprio Ministério Público.

A Lava Jato é fato que se impõe a todos. Prosseguir é, sobretudo, um dever institucional. Exercer o munus de conduzir uma investigação de combate à corrupção de tamanha magnitude requer serenidade, profissionalismo e, acima de tudo, resiliência.

Muitas forças se levantam contra o Ministério Público nesse momento, não por seus eventuais erros, mas pelo acerto de seu trabalho. Fazer parte desse processo, que representa mudança de cultura e progresso social, sempre e necessariamente, contraria fortes interesses dos que se habituaram a tirar proveito de um sistema, em sua maior parte, corrompido. A reação é, muitas vezes, desproporcional. Exemplo disso são os inúmeros projetos de lei, pautados ou aprovados nos últimos dias e especialmente nas últimas horas, a toque de caixa, contendo institutos e instrumentos que podem servir para coartar a Instituição ou que, de alguma maneira, afetam o exercício eficiente das nossas atribuições. Nenhum deles jamais teve o meu apoio.

As ameaças de retaliação e o revanchismo não podem nos desviar do caminho reto que é o cumprimento do dever. Somos forjados na luta diária contra injustiças de toda ordem. É preciso coragem para agir, apesar dos desígnios contrários à nossa atuação institucional. Coragem que sei existir em cada um de nós. Coragem que dignifica e permite acreditarmos em um amanhã melhor para o nosso País.

A hora é de nos mantermos firmes no bom combate. A hora é de sermos o Ministério Público do primeiro dia de trabalho. Ainda há muito por fazer. E faremos.  

Festejemos o Dia Nacional do Ministério Público com vigor no nosso trabalho.

Sigamos unidos!
Forte abraço!

Rodrigo Janot"


OBS: Ilustração acrescentada em 16/12, conforme extraída de http://www.ebc.com.br/noticias/2015/08/janot-vence-eleicao-interna-do-ministerio-publico-para-ser-reconduzido-ao-cargo

domingo, 11 de dezembro de 2016

“STF legisla sobre aborto e abre polêmica”




Por Terezinha Nunes *

(publicado no Diario de Pernambuco de 3/12)


Pesquisas que têm sido feitas de forma reiterada ao longo do tempo demonstram que a prática do aborto é condenada pela maioria da população brasileira. Por isso mesmo, os movimentos favoráveis ao aborto têm esbarrado na resistência do Congresso Nacional a aprovar leis nesse sentido. Sabem os congressistas que, de imediato, perderiam o apoio de evangélicos, católicos e de outras denominações religiosas que são favoráveis à preservação da vida desde a concepção até a morte.

Causou, portanto, perplexidade que uma turma do STF, ao julgar habeas corpus impetrado por médicos e enfermeiros funcionários de uma clínica clandestina de aborto no Rio de Janeiro, decidisse em uma sessão que a prática do aborto até o terceiro mês não é crime. Em outras palavras: quem fizer aborto nesse período está isento de responsabilidade criminal sobre os seus atos.

Não está claro se com essa decisão a prática do aborto está autorizada mas nada impede que juízes, demandados a partir de agora, autorizem o aborto, com base no julgamento de três ministros que se posicionaram esta semana no STF, e até obriguem o estado a oferecer esse serviço na rede credenciada pelo SUS.

No momento grave em que vivemos de crises as mais variadas, agora degringolando para uma disputa entre os principais poderes da República, foi inoportuna a decisão do STF sobre algo de tamanha complexidade num país tão heterogêneo como o nosso, sobretudo no que se refere ao tema proposto, e de dimensões continentais.

Da mesma forma que vai ser difícil implantar o parlamentarismo no país sem que a sociedade o referende, igualmente o aborto requer semelhante providência pela complexidade que envolve o tema e pelas consequências que uma atitude isolada pode ter.

Em primeiro lugar a Constituição Brasileira consagra em seus artigos 1º, 3º e 5º o direito à vida. Independe, portanto, de posicionamento religioso essa questão.

Da mesma forma, a Ciência, a quem caberia – também independente de qualquer credo – dizer em que momento da concepção existe vida, até hoje não chegou a um acordo.

Pode haver um dia e disso ninguém pode duvidar que o aborto venha a ser implantado no país mas que seja através do Congresso Nacional com a manifestação clara de todos os congressistas e ouvida a sociedade civil.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se posicionou de imediato diante da decisão do STF e promete um pronunciamento do poder legislativo sobre o assunto. Se a Câmara, que dormiu em berço esplêndido sobre o tema até o momento precisava de um lenitivo para enfrentar a questão, agora o tem.

Embora o Congresso esteja enfraquecido nessa época de grande ebulição e de vigor da Operação Lava-Jato é ele que tem a prerrogativa de representar o conjunto da população brasileira e de legislar. O Supremo não pode mudar ou criar leis.

Um debate claro e amplo sobre o assunto é urgente diante do posicionamento do STF. Até porque os ministros, na pressa por concederem habeas corpus aos profissionais, abrindo o caminho para a legalização do aborto, esqueceram de puní-los, independente da prática do aborto, por terem agido clandestinamente, pondo em risco a vida das mulheres atendidas.


* Terezinha Nunes é jornalista e presidente estadual do PSDB-Mulher em Pernambuco


OBS: Texto e imagem extraídos de http://www.psdb.org.br/stf-legisla-sobre-aborto-e-abre-polemica-por-terezinha-nunes/

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Escola Proativa em período Integral




Por Renato José Pereira *
( Tio Renato Fiu Fiu )


Grandes nações reergueram-se do pós-guerra através da garantia de políticas públicas eficazes num projeto sério de educação de qualidade para o povo. No Brasil, vivemos uma guerra civil contra o tráfico de drogas, a corrupção, o crime organizado e outras mazelas nas quais sempre o peso da injustiça cai sobre o cidadão das classes menos favorecidas.

Em Mangaratiba, além de todos os problemas dantes citados, enfrentamos ainda as questões ambientais, econômicas e o desemprego.

Como educador, creio numa sociedade que se ergue pelo conhecimento pois o saber gera liberdade. O desenvolvimento de cidadãos livres se dá  numa escola de qualidade. Crianças e Jovens também são cidadãos com plenos direitos de ter leis que garantam o seu desenvolvimento.

Fui aluno do antigo projeto do saudoso Darcy Ribeiro, os CIEPS, chamados também de "Brizolões". Orgulho-me de minha trajetória nas escolas públicas da minha cidade. Por experiência, acredito que o melhor período de minha vida estudantil passei na escola integral. Fiz amizades, recebi boa alimentação, recreação, tive os melhores profissionais e, principalmente, a melhor formação acadêmica.

Assim sendo, defendo normas municipais que garantam escolas apropriadas de recursos com profissionais valorizados e, em especial, crianças e jovens que tenham acesso à cultura, lazer, esporte, além de projetos de vida, de protagonismo juvenil e empreendedorismo .

Meu sonho é vivermos numa cidade dona de si mesma na qual o cidadão possa ser livre para pensar e partilhar as suas ideias. Para isso, precisamos formar homens e mulheres preparados para fazer a diferença, protagonizando na política, nas igrejas, nas ruas, nas escolas, nas associações e em todos os ambientes.

O povo precisa descobrir a sua força!


(*) Renato José Pereira (Tio Renato Fiu Fiu) é formado em Licenciatura em Educação Física, pós-graduado em  Educação Física Escolar e empreendedor no ramo de Recreação e Lazer. Trabalha como professor concursado na Secretaria Estadual de Educação do R.J., sendo também cidadão mangaratibense, casado e ex-aluno de escolas pública do Município. Foi eleito vereador pelo PSDB com 593 votos para a legislatura de 2017/2020.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"Abaixo todo extremismo!"

 

Por Luiz Carlos Hauly

A invasão do plenário da Câmara dos Deputados, em 16 de novembro, e sua ocupação durante três horas por um grupo que pedia que pedia a “intervenção militar” não é um mero incidente a mais no tumultuado processo político brasileiro. É um episódio que merece reflexão. E uma decidida tomada de posição contra o extremismo, seja de que lado for.

Do outro lado do espectro político, colégios estaduais – mais de um milhar deles – e universidades foram ou estavam naquele momento ocupados por saudosistas do lulopetismo. Depois de se omitir ou apoiar cegamente o processo de destruição levado a cabo pelos governo de Lula e Dilma Rousseff, os invasores de escolas e universidades, orientados por seus tutores petistas e afins, atuam para impedir a penosa reconstrução do país, que dá os primeiros e decisivos passos sob o comando de Michel Temer.

É compreensível que a opinião pública esteja exasperada com a situação em que nos encontramos e exija uma rápida solução para a crise. Rapidez que, infelizmente, não acontece em casos dramáticos como o nosso, assim como não há cura imediata para um paciente acometido de grave enfermidade. O processo, em ambos os casos, é lento e muitas vezes doloroso. E exige paciência. A rebeldia em relação a esse rito só contribui para prejudicar, ou mesmo inviabilizar, a recuperação – do país ou do paciente.

À crise econômica e seu reflexo mais nefasto – o desemprego -, que compõem a parte mais visível da herança maldita do lulopetismo, somam-se outros problemas aflitivos: corrupção, insegurança, precariedade do atendimento público à saúde, deficiência do ensino, etc. Esse turbilhão ceva o ambiente em que os radicais fisgam suas presas.

Prestam igual desserviço à Nação tanto os invasores de escolas e universidades como os da Câmara dos Deputados, pois ambos são movidos pelo espírito autoritário: os primeiros, por se insurgirem contra a mudança de governo prevista na Constituição e consequência dos crimes de responsabilidade cometidos por Dilma -; os segundos, por vislumbrarem no regime militar a solução para os males do país.

O retorno à democracia após 21 anos de regime militar foi uma conquista dolorosa e dela não podemos abrir mão em hipótese alguma. Aprimorar as instituições, sim – o desafio é permanente. Corrigir o sistema político, idem. E uma das propostas, e sou um de seus defensores ardorosos, é adotar o parlamentarismo, transferindo-se assim parte dos poderes do presidente da República ao Congresso, o que daria mais transparência e segurança ao governo. Além disso, em caso de fracasso do governo de turno, sua substituição por outro seria infinitamente menos traumática do que ocorre no presidencialismo – o impeachment de Dilma que o diga…

A democracia é um regime imperfeito, mas, como observou Winston Churchill, não se inventou nada melhor. Temos, portanto, que defendê-la como princípio de vitalidade da Nação e fazer o possível para aperfeiçoar seus métodos e instituições. Abalar seus alicerces ou destruí-la, como querem os que defendem a intervenção militar e os jovens manipulados pelo PT, comprova o acerto da definição do general Golbery do Couto e Silva, ideólogo de processo de abertura democrática: “Direita e esquerda são como as extremidades de uma ferradura: estão em lados opostos, mas quase se tocam”.



OBS: Texto e imagem extraídos de http://www.psdb.org.br/abaixo-todo-extremismo-por-luiz-carlos-hauly/

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Foco de luz em quem arrasou o Rio




Por Lurdinha Henriques

A cada um sua tarefa: a uns, mais sacrifício; aos criminosos, as punições.

Há algumas providências prioritárias para defensores do pacote das "maldades", em vez do chamado terrorismo da falência, aliás previsível há, pelo menos, 2 anos. Aí incluídos setores da mídia, do empresariado, economistas etc. Por exemplo: poderiam fazer a defesa intransigente da transparência de todas as ações públicas que se relacionem a benefícios, isenções fiscais, gastos em viagens, compras supérfluas, licitações públicas combinadas, dispensa de licitação, projetos de grandes obras... Em todos os Poderes, é claro. Listão enorme. Transparência, aliás, já obrigatória e não cumprida. Este é o primeiro passo para recuperação de credibilidade, hoje ausente. Sem isso, torna-se quase impossível acreditar em informações e justificativas.

Seria importante, também, a partir dos dados reais obrigatórios, solicitar que cada Poder, de forma transparente, fizesse seus projetos de cortes, notadamente, naqueles benefícios que se caracterizam como privilégios de minorias.

Mas há outra ação fundamental: pendurar o guizo no gato. Para quem conhece o ditado, deixar bem claro quem foram os responsáveis pelo volume de irregularidades e privilégios que levaram o Rio de Janeiro à falência. Além disso, exigir a punição adequada a crime tão grave e impor os ressarcimentos necessários e compatíveis aos cofres públicos. Uma sugestão: tirar Sérgio Cabral da zona de conforto da escuridão e levar luz do sol às suas ações. Seria um grande passo.

Como podem ver são coisas simples de fazer e com grande alcance social. Se é necessário caminhar na direção de soluções, é, sem duvida, fundamental, andar para trás e ver que são os responsáveis e dar eles a punição correspondente a seus atos. Assim, sacrifícios, quem sabe, fazem sentido.


Algumas soluções para superar o "pacote das maldades"




Por Luiz Paulo *

Aluguel social, restaurante popular, alíquota de 30% - as maldades a serem superadas.

Até o dia 31 de dezembro, o único tema que se vai discutir na Alerj é a crise do Estado e o "pacote das maldades", que se revela a cada dia como um conjunto de medidas sem alma, colcha de retalhos, não precedida de um amplo estudo da organização do Estado nem das suas despesas nem tão pouco das suas receitas.

Observemos o decreto do governador extinguindo o aluguel social, como se atrás desse aluguel social não estivessem pessoas desabrigadas da calamidade de janeiro de 2011 na Região Serrana e das obras do PAC de Alemão, Manguinhos, Rocinha, entre tantas outras. Mas nos projetos de lei que encaminhou à Alerj, o governo solicita que se desvincule 50% do Fundo Estadual de Combate à Pobreza para que aplique onde quiser e bem desejar.

Esqueceu o governo que o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social existe com 10% dos recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza, projeto de lei de minha autoria e do deputado Gilberto Palmares. No ano passado, 2015, a Alerj fez um aumento brutal, proposto pelo Executivo, da carga tributária. O Fundo Estadual de Combate à Pobreza iria perder os 4% de sobrealíquota sobre a energia e telecomunicações, que foram adicionados. O Fundo cresceu, naquele momento, para R$ 1,6 bilhões e, neste ano de 2016, a arrecadação do Fundo Estadual de Combate à Pobreza atingirá R$ 4 bilhões. Logo, R$400 milhões serão destinados para o Fundo de Habitação e de Interesse Social.

Mesmo que a Alerj desvincule R$200 milhões, que correspondem a 50% de R$400 milhões, sabem quanto é o máximo que se gasta por ano em aluguel social? Cerca de R$60 milhões. Jamais ultrapassará isso, uma base de cinco milhões de reais por mês - dados da Secretaria de Assistência Social. Então, basta vincular esses 30% do Fundo de Habitação e de Interesse Social para o aluguel social. É equação em emendas do projeto.

Simultaneamente, a Comissão de Orçamento, numa ótima reunião, dando redação ao projeto de lei que reduz os vencimentos do governador, vice-governador, secretários e subsecretários em 30%, colocou outro artigo para que o somatório de tudo o que ganham os que ocuparem esses cargos, principalmente os requisitados, não seja superior ao teto constitucional. Essa sobra de recursos será alocada para o pagamento de aluguel social, estendendo o mesmo até o dia 31 de dezembro de 2017, porque o decreto o extingue a partir de junho de 2017. Na emenda ao projeto de lei, se for aprovada, fica garantido permanentemente o aluguel social.

A bancada do PSDB, aberta à adesão de outros companheiros, apresentou também dois decretos legislativos, um para sustar a extinção do aluguel social e outro propondo a extinção de outro arbítrio incomensurável - o fechamento dos restaurantes populares.

Vi pessoas chegarem para tomar o café da manhã nos restaurantes populares, algumas choravam. Era a possibilidade de terem alimento naquele horário e, depois, na hora do almoço, com os únicos dois reais que possuíam.

Pacote de maldades não é retórica; é mundo real. E os fiscalistas acham que tudo se conserta no mundo dos números, esquecendo que, atrás disso tudo, tem gente, pessoas, seres humanos, e muitos com renda muito precária.

Foi devolvido o pacote previdenciário da alíquota de 30%, e o governo anunciou que deixaria de arrecadar bilhões. Todos os números que o governo manda para não os demonstra. Temos que acreditar no número mágico. É preciso o demonstrativo. Mas jamais ele disse e calculou que, se o confisco de 30% acontecesse, ele tinha que entrar com uma contribuição patronal do dobro, de 60%. Se ele não tem dinheiro, ele vai tirar a contribuição patronal de onde, se, obrigatoriamente, tem que vir do Tesouro? Falta informação e transparência, como sempre aconteceu neste governo e no que ele sucedeu.


(*) Luiz Paulo Corrêa da Rocha é deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro


OBS: Texto e imagem extraídos de http://www.psdbcarioca.org.br/v3/midia/artigos/4487-algumas-solucoes-para-superar-o-qpacote-das-maldadesq-por-luiz-paulo

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Encontro da galera em Realengo no domingo (13/11)




Acredito que, se não fosse por causa desse blogue, surgido ainda em fins de 2009, talvez nunca tivéssemos formado um grupo de amigos da C.P.F.G. que passasse a se encontrar presencialmente no mundo real.

Se, durante um tempo, esse blogue quase morreu devido à atração do vicioso Facebook, em que pelo menos uma parte dos fundadores e antigos colaboradores da página foi mantendo contato pelas redes sociais, eis que, em 2016, a C.P.F.G. ressuscitou. Após a criação no tal sítio de relacionamentos de um grupo de debates, depois uma página, finalmente entramos num canal de WhatsApp por iniciativa de um confrade de Sampa, o Edson Moura. 

É certo que, no decorrer desses anos, novos amigos e participantes foram surgindo enquanto outros se afastaram. Houve quem preferiu não aderir às conversas via celular no WhatsApp de modo que tal grupo acabou se diferenciando em muito da turma original aqui do blogue. Até mesmo porque nós também mudamos com o avançar dos anos, não é mesmo?

Eu, embora não esteja entre os fundadores da C.P.F.G, conheci o grupo no final de 2010, ao comentar alguns artigos aqui, tendo começado a postar textos como colaborador somente a partir do ano seguinte, quando morava ainda em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro. Mudei-me para o Grajaú, Zona Norte da Cidade Maravilhosa, onde fiquei somente por uns meses, e depois fixei residência em Muriqui, 4º Distrito de Mangaratiba, litoral sul-fluminense. Entretanto, jamais havia estado num encontro pessoal da turma.

Após a era WhatsApp da C.P.F.G., houve um primeiro reencontro do qual não cheguei a participar. Daquela vez estava complicado por causa do meu envolvimento com a campanha política. Mas ontem, apesar da chuva forte que caía, saí de casa com determinação até chegar na residência do amigo Edson Viana Pinto no bairro carioca de Realengo. Como a temperatura estava um pouco abaixo da média, vesti minha camisa de manga comprida quadriculada e parti para um churrasco, coisa que há tempos não fazia fora de restaurantes. Até porque evito o excesso de carnes.





Para ir de Muriqui até Realengo, foi preciso tomar três conduções. Peguei um ônibus até o município vizinho de Itaguaí, outro até Santa Cruz (bairro da Zona Oeste do Rio) e de lá fui de trem. Ao descer na estação de Magalhães Bastos, no viaduto, o Edinho Viana me buscou de carona e fomos para a sua casa. Lá já estavam sua mulher Cristiane, o amigo Eduardo Medeiros de Jesus com a esposa Adeildes, a irmã Shirlene, o cunhado dele Márcio, a Aline Cleo Vieira e sua amiga Isabela. Após minha chegada, juntaram-se a nós as amigas Elaine Rodrigues e Mariani Lima.

Não nego que acabei comendo muita carne e o almoço estava show de bola. Aliás, o Edinho preparou um churrasco nota dez. O cupim então, sem comentários... Sendo que também teve outras carnes de boi, asa de frango, linguiça, pão assado na brasa e espetinho de queijo. Porém, contentei-me apenas com os pedacinhos de galinha e de boizinho com um pouco de arroz para acompanhar no início. E nem tinha tomado café de manhã, exceto comido umas bananas antes de sair de casa. Até porque levantei tarde da cama.




O tempo passou rápido. Entre os deliciosos pedaços de carne e os goles de mate, feitos pelo nosso churrasqueiro número 1, conversamos sobre diversos assuntos (política, Bíblia, reencarnação, Direito, etc), tendo sido necessário que eu e o Edu contássemos resumidamente sobre como surgiu a C.P.F.G., sendo ele o mais antigo de todos ali. Havia também crianças no local, todas bem comportadas e brincando na sala ao lado.




Por volta das cinco da tarde, o grupo foi se despedindo. Peguei uma carona com Eduardo até sua casa em Campo Grande, outro bairro carioca, onde aproveitei para conhecer a sua biblioteca cheia de livros, a qual ele vem tentando reduzir há tempos. Fiquei lá mais ou menos uma hora conversando e ainda tiramos fotos. No final, fui presenteado com três obras que o amigo não se interessava mais.




Já de noite, saí de Campo Grande e voltei pra Muriqui passando por Itaguaí. Por ser meio de um feriadão, o trânsito estava fluindo bem tal como na ida pro churrasco, exceto pela demora do trem cujos horários são reduzidos aos domingos. As ruas também estavam vazias tanto lá quanto em Itaguaí, sendo que a chuva dificilmente dava alguma trégua.

Enfim, valeu a pena ter conhecido pessoalmente essa turma do bem e espero que nos encontremos mais vezes nessa estrada da vida. Inclusive aqui em Mangaratiba, seja na minha residência e/ou na casa de praia do Edinho que fica na localidade de Apara. 

Ótimo feriado a todos e um brinde à convivência!




OBS: Imagens acima recebidas via WhatsApp

sábado, 12 de novembro de 2016

Depoimento sobre o meu livro "45 Dias de Pânico Total!"

  • Queria falar a respeito do livro do Marcio que estou lendo “45 dias de pânico total”. Primeiramente, quando li o título fiquei com um sentimento ambíguo. “Pánico”, não tem a ver comigo. Hum. “45 dias” não deve ser um livro técnico sobre síndrome do pânico como já estudei na faculdade. Deve ser vivência, deve ser humano, pensei. Isto tem a ver comigo. Comprei e estou lendo. Bom, não me enganei, é humano, e muito, não fala só de pânico e o Márcio relata sua experiência de sofrimento, seus sentimentos, suas sensações, seus pensamentos estando muito mal. Dificil não se identificar. Consegue descrever aquilo que quase todos sentimos sem, muitas vezes, sabermos nem o que é. Enfim, depois eu volto a comentar quando tiver adiantado mais no livro.
  • Muito bom Márcio, muito corajoso.

Escrito por: Christophe Blondin

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

As eleições de 2016, o PSDB e o futuro do país



Por Marcus Pestana

O PSDB foi o grande vitorioso nas eleições de 2016. Reafirmamos nossa centralidade na vida política nacional, consolidamos o papel de principal fiador do governo Temer e nos habilitamos a liderar um projeto presidencial em 2018. Nossa votação cresceu 25% em relação a 2012, enquanto a do PT despencou 61%. Disputamos 19 segundos turnos, ganhamos 14. O PT disputou somente dois, perdeu os dois. Governaremos um quarto dos eleitores brasileiros em 803 cidades. Elegemos 5.355 vereadores e 539 vice-prefeitos. Temos a figura emblemática do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sete governadores, 12 senadores, 50 deputados federais e cem deputados estaduais. Mais uma vez o PSDB é chamado a ser protagonista na construção do futuro do país.

Mas é preciso ter os pés no chão, não precipitar, não passar, como falamos em Minas, “o carro na frente dos bois”. Sabedoria, unidade, sensibilidade, mobilização e comunicação eficiente serão as chaves para o sucesso do PSDB.

A agenda da sociedade, das pessoas comuns, no entanto, não é a sucessão de 2018. A população está preocupada com os níveis alarmantes de desemprego, o elevado endividamento das famílias, a queda da renda média dos brasileiros, a recessão, a inflação persistente e o combate à corrupção. A tarefa principal não é jogar foco na legítima, natural e democrática disputa interna. Se não devolvermos o Brasil aos trilhos, a aliança PSDB-PMDB não terá clima favorável para a disputa presidencial e poderá haver margem para um outsider que conteste o status quo e tente capitalizar a insatisfação com a crise econômica e os efeitos da Lava Jato.

Por isso, temos que estar antenados com a agenda que interessa às pessoas. Se nos esquecermos delas, elas poderão se esquecer de nós. Nossa energia deve estar voltada para as difíceis e complexas discussões em torno da reforma da Previdência, da modernização do mercado de trabalho, da simplificação tributária e da inadiável reforma política. Se tivermos êxito, a economia poderá voltar a crescer 1,7% em 2017 e 4% em 2018, com a inflação no centro da meta. É isso que a sociedade espera de nós. E aí, estaremos prontos para abordar a eleição presidencial de 2018.

Não adianta precipitar artificialmente o processo sucessório. Todos aqueles que têm responsabilidade pública e a exata dimensão da gravidade da crise em que mergulhamos devem cerrar fileiras em torno do presidente Michel Temer para fazer avançar o conjunto de ajustes e reformas necessários. Antes de 2018 temos que concluir 2016, inclusive com a aprovação no Senado da PEC 55, que limita a expansão dos gastos públicos, e vencer 2017. Serão temas complexos e polêmicos, tratados à sombra do ápice da operação Lava Jato.

Cada coisa a seu tempo. Na hora certa realizaremos prévias partidárias e escolheremos nosso candidato à Presidência. Por enquanto, é melhor acompanhar o sambista: “Faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar”.


OBS: Artigo do deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) publicado no jornal O Tempo (07/11), conforme consta em http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/marcus-pestana/as-elei%C3%A7%C3%B5es-de-2016-o-psdb-e-o-futuro-do-pa%C3%ADs-1.1395985

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Os municípios costeiros e a necessidade de adaptação às mudanças climáticas




No dia 29/10, escrevi no blogue Propostas para uma Mangaratiba melhor o artigo Precisamos de uma política pública de adaptação às mudanças climáticas, no qual comentei sobre a inundação de partes do Município onde moro. Citei o caso da região da Praia do Saco, a qual, no passado, já possuiu dunas enormes abrigando um lindo manguezal, mas que acabou sendo indevidamente ocupada por causa da gananciosa especulação imobiliária sendo que, na atualidade, a comunidade local sofre com frequentes enchentes por causa da maré e/ou chuvas fortes. Em meu texto, esclareci que, independente do cidadão lesado poder pleitear na Justiça o seu direito a indenização individual pela reparação material e/ou moral em face do Município, há que se pensar coletivamente nas políticas públicas para a solução do problema, incluindo aí as medidas de adaptação às mudanças climáticas.

Certamente que a gravidade dos impactos dependerá de quanto o mar vier a subir nas regiões litorâneas, mas sabe-se que os efeitos serão de grande amplitude e de escala global a partir da extrapolação dos fenômenos que têm sido observados. As inundações costeiras já são maiores e mais frequentes do que eram no início do século XX, sendo que outras consequências do aquecimento global contribuirão também (as tempestades e tufões provocam nas costas enormes estragos e perdas de muitas vidas). Logo, a elevação do mar deve causar uma intensificação nas chuvas que caem no litoral, piorando os estragos em que a altura média das ondas tende da mesma maneira a aumentar, tanto pelo efeito de tempestades quando por mudanças no padrão dos ventos e das correntes marinhas.

Ainda que ocorra uma esperada redução nas emissões de CO², a subida do mar deve ser vista como um processo inevitável e que afetará várias gerações à frente. Nada pode ser feito para mitigá-lo diretamente e o combate às suas causas primárias apenas impediria uma subida de dimensões catastróficas dos oceanos num futuro mais distante. Por isso, só nos resta implementar as medidas de adaptação através da elaboração de planos que visam barrar o avanço das águas, através de muralhas, aterros, reflorestamento costeiro, fixação de dunas e outros meios. 

Considerando que iremos enfrentar uma profunda alteração do clima num futuro relativamente próximo, os municípios brasileiros precisam começar a se planejar ainda nesta década. E, sendo assim, as ações a serem tomadas não devem focar apenas nos problemas imediatos gastando o dinheiro público em paliativos ou obras eleitoreiras, mas, sim, preparar as cidades do litoral para os grandes desafios que se apresentarão no decorrer deste século XXI cheio de incertezas.

É evidente que Mangaratiba, assim como a grande maioria das cidades brasileiras, não poderá enfrentar tudo isso sozinha pois dependerá de uma política nacional para integrar diversas ações de municípios e estados, como vem defendendo o climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo. Por isso, cabe às prefeituras se capacitarem e investirem em estrutura dentro da respectiva esfera de alcance, ao mesmo tempo em que, desde já, pode ser feita uma articulação com outras cidades costeiras, do Rio Grande do Sul ao Amapá, a fim de exigirmos juntos uma atenção especial da Presidência da República para o litoral.

Diante desse quadro assustador, o prefeito que souber ir além do mapeamento das áreas de risco e for capaz de mobilizar o país para o enfrentamento dos problemas climáticos certamente estará entrando para a História, Ou melhor, fazendo a História pois é urgente que tenhamos já no Brasil políticas públicas eficientes a esse respeito.

Que haja mais consciência ambiental nas cidades brasileiras!


OBS: Foto acima recebida via WhatsApp  sobre a inundação da Praia do Saco, bairro do 1º Distrito de Mangaratiba, com atribuição de créditos da imagem à profª. Elizabeth Antunes. 

Reavaliação urgente




Por Claudio Lamachia *

Após quase 32 anos do fim da ditadura militar e 127 anos da proclamação da República, ainda é longa a lista de privilégios desmedidos que beneficiam políticos e autoridades públicas em detrimento dos interesses da sociedade. Um deles é o "foro especial por prerrogativa de função" - nome longo e pomposo que a sabedoria popular resumiu, de forma muito apropriada, como "foro privilegiado".

Não está de acordo com as aspirações da Constituição Democrática de 1988 a existência de um instrumento que, na prática, confere vantagens exclusivas a uma casta de agentes públicos. Entre as consequências negativas do "foro privilegiado", estão a sobrecarga dos tribunais obrigados a julgar os privilegiados e a aplicação de tratamento distinto para casos idênticos. Outro efeito péssimo é a impunidade, uma vez que as estruturas dos tribunais ficam congestionadas e não dão conta de julgar as ações contra as autoridades privilegiadas, dando margem às prescrições e à morosidade. É preciso desafogar as cortes.

O Supremo Tribunal Federal (STF), que deveria cuidar das grandes questões constitucionais do país, dirimir impasses relevantes e orientar a aplicação da Carta, é obrigado a travar seus trabalhos com os casos corriqueiros de centenas de agraciados com o direito de serem processados na mais alta corte.

São mais de 600 detentores de foro no STF: presidente da República e vice, todos os ministros de Estado (24 atualmente), todos os deputados federais (513), todos os senadores (81), o procurador-geral da República, os comandantes das Forças Armadas e os ministros do próprio STF (11). Por mais que a Suprema Corte se esforce, as causas de grande interesse social ficam paradas. É de interesse da coletividade que alguns poucos ocupantes de cargos-chave na República estejam plenamente protegidos contra as variações de humor de seus adversários políticos e dos agentes econômicos. Isso é necessário para manter o funcionamento contínuo das instituições e garantir que a ascensão ao poder siga estritamente as regras definidas em lei.

O "foro privilegiado" tem que acabar ou deve ser muito reduzido. Em seu lugar, deve ser estabelecido um mecanismo de proteção às instituições democráticas que confira imunidade às poucas pessoas que realmente necessitem dela. Perante essa situação alarmante, o Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), instância máxima de deliberação da entidade, discutirá ainda neste ano a elaboração de uma Proposta de Emenda Constitucional destinada a corrigir as deformações causadas pelo "foro privilegiado" e apontar quais autoridades precisam manter essa proteção. Os objetivos são atuar, de forma prática e efetiva, contra a corrupção e a impunidade e em favor do descongestionamento do sistema de Justiça.


(*) Claudio Lamachia é advogado e presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)


OBS: Créditos autorais da imagem atribuídos a Eugênio Novaes - CFOAB, sendo o texto extraído de http://www.oab.org.br/noticia/52403/artigo-do-presidente-reavaliacao-urgente?utm_source=3604&utm_medium=email&utm_campaign=OAB_Informa

sábado, 5 de novembro de 2016

What a Wonderful World






     Quando novo era um idealista. Via o mundo por lentes cor-de-rosas. Acreditava na superioridade moral do ser humano; duvidava que pessoas "boas" fossem capazes de fazer coisas ruins. Seu mundo era maravilhoso e a trilha sonora era o clássico de Louis Armstrong "What a Wonderful World". Ouvia "I see trees of green....red roses too...I see them bloom...e pensava "o mundo é mesmo maravilhoso e as pessoas são éticas e boas e sempre falam a verdade...". Era como aquele que amava os Beatles e os Rolling Stones mas teve que acordar do sonho na Guerra do Vietnã. Apresentaram-lhe o Vietnã! 
A hipocrisia moral. A ruindade nata da espécie humana. O mundo não era um "what a wonderful world". O mundo era feio. Pessoas "boas" eram capazes de coisas moralmente condenáveis, impublicáveis, hipócritas e dissimuladas. 
Era como aquele que quando criança sonhou ser Super-homem, Robim Hood ou até um rei dos contos de fada e ser ídolo numa banda de rock ou mocinho num filme de cowboy...(1) Doeu quando entendeu que os ídolos morriam de overdose que os heróis de papel não existiam que os mocinhos queriam comer as meninas e descartá-las como objetos do seu bel-prazer. 

O mundo não é um lugar maravilhoso o mundo é um lugar maravilhoso: Descobriu o paradoxo e buscou uma síntese! Via um gatinho dorminhoco a se espreguiçar em cima do banco de uma moto estacionada na rua. Via o sorriso enrugado de uma velhinha cheia de décadas expostas nas linhas do seu rosto. Via que no alto de um poste um passarinho fizera um ninho. Via o sol nascer e se por. 
Lia um poema que o transportava para uma dimensão diferente "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta"... (2) Ah, que força era aquela que paria poemas? Esculturas? Quadros? Sinfonias? De qual mundo saiu Beethoven, Cecília, Drummond, Aleijadinho, Vinícius, Ravel...diga-me, de que mundo saiu o messias de Handel? Que força era aquela que levava alguém pondo em risco a própria vida ajudar a salvar judeus dos fornos de Hitler? Que mundo pariu Hitler, Mao Tsé-Tung e Stalin? Os grandes impérios opressores de gente pobre e mais fraca? Que mundo pariu Gandhi? Que mundo pariu Jesus de Nazaré? Que mundo te pariu?
Que mundo maravilhoso...



Eduardo Medeiros, 05/11/2016
___________________________
(1) "Super-homem, Robim Hood ou até um rei dos contos de fada e ser ídolo numa banda de rock ou mocinho num filme de cowboy..." - Referência a uma música gospel dos anos 80 do cantor Janires.

(2) "Eu canto porque o instante existe e a mina vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta"...  - Verso de um poema de Cecília Meirelles

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

“40 dias no Vale da Sombra da Morte”


Título original: Carta a um Confrade
 
Caro confrade Márcio

Dias atrás me pediste para fazer uma resenha crítica de teu livro recém lançado ― “45 Dias de Pânico”. Confesso que me senti incapaz de realizar tal façanha, ante a impossibilidade de tratar de um assunto tão intrínseco subjetivo e altamente individual. Preferi, te escrever uma carta, ao estilo dos velhos tempos em que nem de longe imaginávamos o advento de um progresso tecnológico tão atraente como o da internet.

Recebi teu livro por e-mail, e comecei a lê-lo aos poucos, para degustar melhor. Na ocasião, em uma mensagem postada no teu Face, falei que estava iniciando a leitura de tua passagem pelo “Vale da Sombra da Morte” ― expressão de grande valor metafórico e muito conhecida entre nós, que tivemos um passado não mui agradável pelos meandros da religião. Ressalte-se aqui, que os arquétipos religiosos plantados nos arquivos mais profundos de nossa psique são indeletáveis, e a todo momento, sem que percebamos, estão eles a enviar ressonâncias para o tempo presente.

Como você bem sabe, a psicanálise jamais teria existido sem o pano de fundo dos símbolos e dogmas religiosos da tradição judaico-cristã, a qual, por sinal, é a base de toda a cultura do mundo ocidental. Os grandes expoentes da Psicanálise beberam dessa fonte inesgotável: Freud (seu herói era o Moisés retratado por Michelangelo) fez uma leitura partindo dos mitos judaicos, considerando a religião uma “ilusão infantil” ou neurose obsessiva(mas quem não tem um pouco dessa “loucura”? Se não fosse a tal da neurose nesse nosso mundo esquizóide, não existiria o artista, que é justamente aquele que consegue dar as suas experiências dolorosas um significado elevado para si e para os demais). Jung, brilhantemente aproximou sua nascente ciência da rica simbologia do Protestantismo (seu pai era um pastor protestante). Lacan, católico, por sua vez, conciliou Freud com a simbologia dos termos aparentemente ambíguos presentes nas histórias bíblicas, substituindo a palavra “Deus!” ou imago-deus de Jung, por “Grande Outro”.

Logo na página 25 do teu livro, um insight, ou mesmo o sentimento “religa-re”(de natureza religiosa) creio eu, vindo dos obscuros porões do teu inconsciente, me prendeu a atenção, quando repetiste uma das frases mais contundentes do messias que os evangelhos relatam: “A Minha Alma está Angustiada até a Morte.”

Na página 75, para expressar a forte dimensão analógica de tua angústia como companheira inseparável (e não poderia ser diferente), recorreste as regiões abissais dos arquivos arquetípicos religiosos escondidos em tua psique: “...igual a Jesus disse do seu Pai nos evangelhos. Que Ele e o Pai (Deus) eram um.”

Ainda sobre a desditosa e inseparável angústia, na página 89, eis que me deparo com uma ressonância poderosa do tempo em que eras pregador das Boas Novas: “Por que Afinal Tenho Que Recorrer à Bíblia? Tu mesmo respondes de forma profunda, tanto do ponto de vista psicanalítico, quanto do ponto de vista teológico: ...porque ninguém em sã consciência deseja e vai ao encontro dela…, nem precisa mesmo…, ele é quem vem sempre ao nosso encontro.” O conteúdo do inconsciente é assim: nós não o escolhemos; ele vem a nós quando nos desarmamos.

Perdão peço, porque em meio a descrição de tua enorme agonia, não pude evitar que a figura de Edir Macedo viesse a minha mente, quando li a expressão largamente usada e abusada no meio fundamentalista ― “Demônios da Insônia”, na página 95. Na ocasião lembrei-me de um texto por mim postado em junho de 2010 na C.P.F.G.: “Sobre Nossos Demônios Interiores”, de onde, para avivar a memória, retiro esse pequeno trecho:

“É nesse grande palco mental que o apóstolo Paulo denominou de “lugares celestiais”, que se trava a imaginária luta entre as forças divinas e diabólicas” — que rendeu 120 comentários. Dentre eles, ressalto a tua irretocável réplica: “Sendo assim, conhecemos um pouco do caráter do sujeito através da imagem que ele nutre de seu deus”.(Marcio)

Na página 123, com o sub-título “Afinal o que Deus tem a Ver com Isso?” esboças uma reação (afinal, somos todos reativos). Continuando, fazes a seguinte afirmação (ou reação defensiva – Freud explica – rsrs): “Não acredito na existência de Deus! Acabou a minha fé em um Deus celeste.”

Considero que quando afirmamos “sou ateu” estamos defensivamente a nos referir àquela parte obscura e recalcada de nós que nos incita a anular uma provocação, talvez vinda do inconsciente. Quando a provocação vem, seja de fora (de outro) ou interna, o sujeito ativa o mecanismo de negação. Quando a cobrança ou ameaça vem da esfera do inconsciente, o indivíduo passa a guerrear contra si mesmo. Freud, certa vez, disse que estamos fadados a perder no conflito com o Superego. O equilíbrio reside em fazer as pazes com essa imago-paterna-ameaçadora, tornando-a menos importunadora, nunca tentando desafiá-la ou destruí-la

Sabemos que o que mais caracteriza o homem é a sua contradição ou ambivalência, como tentei passar no último ensaio do meu blog “Ensaios&Prosas”, que tem por título: “Homem, Teu Nome é Paradoxo!”. Do qual replico seu epílogo:

"Quem livrará o nosso EU, do peso da Contradição?” Quem atentar para essa brilhante enunciação da dúbia alma humana realizada pelo apóstolo fundador do cristianismo, verá que ela está em perfeita consonância com o sujeito da psicanálise, que às avessas do jargão cartesiano 'penso, logo existo', abarca o Homem Paradoxal com esta emblemática frase:'Penso onde não sou; sou onde não penso'.”

Olha lá o que colhi da paradoxalidade dos nossos afetos (advinda do polo que, devido certas circunstâncias, consideramos negativo) que a tua veia poética traduziu em forma de uma extraordinária prece:
“Meus Deus, como faz bem para minha alma tão sofrida e angustiada, ficar neste momento… ...olhando a tranquilidade, serenidade e paz do meu filho dormindo.” (Márcio — 45 dias de Pânico — página 130)

Jung, já bem avançado de idade, fez uma declaração autobiográfica que considero emblemática para o nosso tempo tão des-humano: “Não posso me referir aos meus relacionamentos mais íntimos que me voltam à mente como lembranças longínquas, pois constituem não somente minha vida mais profunda como também a dos meus amigos.” (“Memórias, Sonhos, Reflexões” — Carl G. Jung — página 21)

No capítulo “Antes de Tudo Religião” (página 183), Márcio, meu caro confrade, fazes aflorar uma profusão de lembranças que,creio eu, tem ainda hoje o condão de te impulsionar a escrever, escrever e escrever sempre… sobre teu ser em si, como mostra tão bem o parágrafo abaixo:

“A religião foi durante grande parte de minha vida, meu chão, meu norte, minha bússola… A pior coisa que me aconteceu na vida foi ter-me tornado 'ateu'. […] Eu queria transformar o outro (crente) em ateu, justamente porque o 'outro' era meu espelho que refletia o que já fui e ainda o que está bem vivo dentro de mim.”

Lendo o teu instigante livro, de modo reflexivo, não consegui nas entrelinhas, identificar em ti a ausência desse tal ‘sentimento sublime!” que grupos religiosos banalizaram para interesses mercadológicos. Como escrevi em um artigo nos idos de 2011 a um amigo da blogosfera:

"embora uma pessoa rejeite toda a crença, dogma e ilusão religiosa, não significa que ela tenha anulado o sentimento nobre de re-ligar-se a um éden utópico”.

P.S.:

Mas voltando ao título do teu livro. Usando o simbolismo judaico-cristão do número 40, e à guisa de encaixá-lo dentro de uma metáfora bíblica, penso que não seria tão danoso subtrair cinco dias de tua agonia para denominá-lo de: “40 dias no Vale da Sombra da Morte” ― tema que faria o Eduardo, o Esdras e o J. Lima se esbaldarem em comentários psico-teológicos, como fazíamos naquele saudoso e idílico tempo da C.P.F.G. (rsrs)

Abçs,

Levi B. Santos

Guarabira, 02 de novembro de 2016

link de onde é possível comprar o livro "45 DIAS DE PÂNICO TOTAL!" impresso pela Editora: http://www.agbook.com.br/book/219640--45_Dias_de_Panico_Total


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