segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Os municípios costeiros e a necessidade de adaptação às mudanças climáticas




No dia 29/10, escrevi no blogue Propostas para uma Mangaratiba melhor o artigo Precisamos de uma política pública de adaptação às mudanças climáticas, no qual comentei sobre a inundação de partes do Município onde moro. Citei o caso da região da Praia do Saco, a qual, no passado, já possuiu dunas enormes abrigando um lindo manguezal, mas que acabou sendo indevidamente ocupada por causa da gananciosa especulação imobiliária sendo que, na atualidade, a comunidade local sofre com frequentes enchentes por causa da maré e/ou chuvas fortes. Em meu texto, esclareci que, independente do cidadão lesado poder pleitear na Justiça o seu direito a indenização individual pela reparação material e/ou moral em face do Município, há que se pensar coletivamente nas políticas públicas para a solução do problema, incluindo aí as medidas de adaptação às mudanças climáticas.

Certamente que a gravidade dos impactos dependerá de quanto o mar vier a subir nas regiões litorâneas, mas sabe-se que os efeitos serão de grande amplitude e de escala global a partir da extrapolação dos fenômenos que têm sido observados. As inundações costeiras já são maiores e mais frequentes do que eram no início do século XX, sendo que outras consequências do aquecimento global contribuirão também (as tempestades e tufões provocam nas costas enormes estragos e perdas de muitas vidas). Logo, a elevação do mar deve causar uma intensificação nas chuvas que caem no litoral, piorando os estragos em que a altura média das ondas tende da mesma maneira a aumentar, tanto pelo efeito de tempestades quando por mudanças no padrão dos ventos e das correntes marinhas.

Ainda que ocorra uma esperada redução nas emissões de CO², a subida do mar deve ser vista como um processo inevitável e que afetará várias gerações à frente. Nada pode ser feito para mitigá-lo diretamente e o combate às suas causas primárias apenas impediria uma subida de dimensões catastróficas dos oceanos num futuro mais distante. Por isso, só nos resta implementar as medidas de adaptação através da elaboração de planos que visam barrar o avanço das águas, através de muralhas, aterros, reflorestamento costeiro, fixação de dunas e outros meios. 

Considerando que iremos enfrentar uma profunda alteração do clima num futuro relativamente próximo, os municípios brasileiros precisam começar a se planejar ainda nesta década. E, sendo assim, as ações a serem tomadas não devem focar apenas nos problemas imediatos gastando o dinheiro público em paliativos ou obras eleitoreiras, mas, sim, preparar as cidades do litoral para os grandes desafios que se apresentarão no decorrer deste século XXI cheio de incertezas.

É evidente que Mangaratiba, assim como a grande maioria das cidades brasileiras, não poderá enfrentar tudo isso sozinha pois dependerá de uma política nacional para integrar diversas ações de municípios e estados, como vem defendendo o climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo. Por isso, cabe às prefeituras se capacitarem e investirem em estrutura dentro da respectiva esfera de alcance, ao mesmo tempo em que, desde já, pode ser feita uma articulação com outras cidades costeiras, do Rio Grande do Sul ao Amapá, a fim de exigirmos juntos uma atenção especial da Presidência da República para o litoral.

Diante desse quadro assustador, o prefeito que souber ir além do mapeamento das áreas de risco e for capaz de mobilizar o país para o enfrentamento dos problemas climáticos certamente estará entrando para a História, Ou melhor, fazendo a História pois é urgente que tenhamos já no Brasil políticas públicas eficientes a esse respeito.

Que haja mais consciência ambiental nas cidades brasileiras!


OBS: Foto acima recebida via WhatsApp  sobre a inundação da Praia do Saco, bairro do 1º Distrito de Mangaratiba, com atribuição de créditos da imagem à profª. Elizabeth Antunes. 
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