domingo, 10 de novembro de 2013

Lady Gaga: a rainha dos alteregos





Por Eduardo Medeiros


Já desconfiou que em você, mora outro? Ou conscientemente você já criou um outro em você e acabou por confundir-se quem é quem? Bem-vindo ao mundo dos Alteregos. Desde muito pequeno, eu convivi com alteregos sem saber do que se tratava. Afinal de contas, o mundo dos personagens de quadrinhos está cheio deles.  O que seria de Batman, Homem-aranha e Superman sem suas identidades secretas de Bruce Wayne, Peter Parker e Clark Kent?

Segundo a psicanálise, a estrutura psíquica se compõe de Ego, Alterego, Superego e Id. Sendo o “Ego” (do alemão “ich” – “eu”) a estrutura que se desenvolve a partir do “Id” com  o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes em relação ao mundo externo; sendo o Id (do alemão “ele”, “isso”) a fonte da energia psíquica (libido), formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes; o Superego é o “supereu”, a instância moral da mente humana que representa os valores sociais. E por fim, a instância psíquica de que trata este texto – o Alterego (do latim “alter” – “outro egus – “outro eu”), ou seja, outra personalidade de uma mesma pessoa.

Alteregos sempre foram usados por artistas pops, tanto para entreter o público quanto para explorar novas identidades para si mesmos.  Um dos primeiros a usar tal recurso foram os Betles no álbum Sergeant Pepper and Lonely Hearts Club Band. Segundo eles próprios: “Para alterar nossas identidades, nos libertar e nos divertimos aos montes”. Depois deles, outros como David Bowie (com os nomes de Ziggy Stardust, um ET de olhos coloridos), os mascarados do Kiss, Alice Cooper e Marilyn Manson que exploram temas de horror.  Por aqui, o mais famoso sem dúvida é Ney Matogrosso com seu grupo Secos e Molhados.  Matogrosso explora muitíssimo bem o seu alterego. Aquela figura exótica, esvoaçante, que canta com olhares expressivos e figurinos prá lá de criativos. Certa vez em uma entrevista, Ney comentava que algumas pessoas pensavam que ele vivia 24 horas como seu alterego. “Eu não sou maluco de andar na rua daquele jeito que eu me apresento no palco”, ele disse. Essa questão do “eu não sou maluco” seria o quê? Defesa do eu “normal”? Deixo a pergunta para os psicanalistas de plantão.

Muitos outros artistas além dos citados usam muito bem o recurso do alterego, mas uma, em especial, merece nossa atenção: LADY GAGA.  Esta é um caso de múltiplos alteregos. Ela é Mother Moster Mãe, Jo Calderone, Candy Warhol, Bride, Nymph, Maria Madalena, e Yuyi Mermaid (sereia). Gaga ultrapassa todos os limites da “normalidade”. Mistura de Andy Warhol com Madonna , alcançou fama pela excentricidade, mesmo suas músicas estando dentro do padrão costumeiro do segmento. Gaga parece querer ultrapassar todos os limites antes navegados no mundo “pop-choque” (de querer chocar). Recentemente enxertou próteses estranhas nos ombros e rosto (o que ele nega), põe seus discos no top das paradas e mais ninguém como ela se apresentou com vestido feito de carne, chapéus de lagosta, pianos incendiando ou óculos de LCD. Gaga não vai a eventos – ela é o evento.

Em texto publicado na revista Psicologia & Vida, o autor diz sobre Gaga:

“Mas se você arrisca um olhar mais profundo, verá que está diante de uma mulher que decidiu abdicar de sua própria identidade para ser ela mesma a obra de arte (ruim ou boa, essa não é a questão). Lady Gaga é uma eterna criação de Stefani Joanne Angelina Germonotta (seu nome real). Uma obra que ela pode mexer, atualizar sempre que assim o quiser e , mais que isso, baixar em si mesma as últimas atualizações”.

Em uma de suas músicas, “Telephone”, Gaga diz: “Eu não quero mais pensar! Deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança!”.  Em uma gravação de um show para a HBO ela declarou: “Às vezes eu ainda me sinto como um garoto perdedor no colégio...eu costumava ficar fora das brincadeiras de infância por ser muito excêntrica ou provocativa, então passaram a me deixar de lado. Eu não encaixava me sentia uma aberração”.

Essas “feridas abertas” levaram a menina excêntrica a uma busca insaciável de ser aceita, compondo uma máscara ou várias, distanciando-se completamente do “eu” original. Gaga se re-imaginou passando de “aberração” para Diva. Mas fica a questão: quanto em Lady Gaga há de Stefani Germanotta? Se é que ainda há.



Artistas que usaram e abusaram dos alteregos



2 - The Betles 3 - Hulk Hogan 4 - Alice Cooper 5 - Marilyn Manson 6 - Os irmãos Marx: Groucho/harpo/chico




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Referência para esta postagem:
Revista Psicologia e Vida.Ed especial
Ed Minuano
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Ilustrações:
www.fanpop.com 
Revista Psicologia & Vida
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