quinta-feira, 14 de novembro de 2013

“A criação da evolução e a evolução da criação, mais uma teoria”




Por Edson Moura

     E foi criado o Ser. Cresceu, multiplicou-se como tinha sido designado. Atingiu seu apogeu em menos de oito mil anos. Elevou-se aos mais altos patamares de sabedoria. Desenvolveu um cérebro absurdamente inteligente – não só um, mas todos de sua espécie. Decifrou os códigos de sua origem quando sua raça tinha apenas trinta mil anos. Fora realmente criado por um ser maior que ele, e por saber disto, buscou seu projetista, lançando mão da tecnologia mais avançada de que já se ouvira falar. E por fim... encontrou-o.

  Uma seleção da “nata” de seres fantasticamente evoluídos invadiu o recanto sagrado do projetista mor. Fizeram-lhe perguntas –que foram devidamente respondidas-  sobre tudo que fora criado, o porquê e o como. Foi-lhes explicado que tudo nunca havia saído do controle.  Que seu criador desenhara cada passo da criatura, examinara os pensamentos, planejara o futuro, e até mesmo este momento de encontro havia sido predestinado.

    Encantaram-se com o poder do projetista, e também o desejaram ter. Exigiram, e conseguiram. Cada um dos dez que se apresentaram foram devidamente testados. Testaram o conhecimento, a capacidade de tomar decisões, a bondade e a maldade, a paciência, a tolerância e a força. Só um venceu. Todos os outros foram aniquilados pelo Chefe dos chefes, e a este foi oferecido um prêmio. Ser um projetista.

   Foi lhe dado um pequeno espaço no universo onde bilhões e bilhões de estrelas brilhavam. Este seria seu reino. E dali precisaria dar inicio a uma nova criatura, semelhante a ele, mas limitada em cultura e poder. E assim fez.  Não quis imitar seu criador, partiu de um fragmentos apenas. Uma pequena partícula de universo, sem forma, inerte, simples, mas com grandes capacidades de transformação. 

  Um a partícula, um átomo, uma molécula, uma célula, um organismo, uma vida. Esta era a ideia. E funcionou perfeitamente. Lentamente sua criatura evoluiu. Tomou as mais variadas formas, transmutou-se nos mais diferentes seres. No mar, no ar, na terra, cada um adquiriu qualidades diferentes. Uns mais fortes, mas menos inteligentes. Outros muito inteligentes mas menos resistentes. Já outros tão resistentes que tornaram-se doenças. E ao mais fraco de todos afinal, seria o único com chances de dominar. E assim aconteceu.

  O homem ganhou características semelhantes às de projetista. Também ficou cada vez mais sábio. Um misto de sua pouca visão com sua curiosidade, o fez enxergar mais longe. Agora a criatura também buscava o seu criador. Mas este se escondeu, e num lugar secreto onde, assim como havia decidido, jamais um humano entraria. Deixou apenas promessas vagas. Plantou a dúvida na mente de todos. Poucos foram os que duvidaram, mas estes poucos o caçam como mais avidez do que os que creem. 

  Desesperadamente tentam negá-lo, mas não percebem que esta negação é justamente a ânsia por uma resposta definitiva de sua origem. Perda de tempo. Este projetista não é tão tolo quanto o primeiro. Não cometeu os mesmos erros de seu mestre. Superou-o em sabedoria e poder. Adquiriu capacidades inimagináveis de camuflagem. Muitos acham que já esteve entre eles, outros duvidam seu sua kenosis. Mas todos permanecem cegos.

  Cegos assim como o próprio desenhista. Que projetou tão minuciosamente sua história - com riqueza de detalhes e final já escrito- que hoje se vê preso em sua própria teia. De tanto saber o futuro, tornou-se escravo de seu projeto. Já não consegue mudar o desfecho, não consegue apreciar o que acontece, pois tudo é um grande passado para ele. Tudo que virá já aconteceu em sua mente descomunal, e por fim se vê amalgamado num eterno existir, enfadonho e solitário. Não ouve súplicas e se ouve, nada pode fazer.

   Não se preocupou em deixar lacunas para sua criatura. Não foi sábio o suficiente para entender que deveria permitir que sua grande obra precisaria ser uma página em branco a partir de determinado tempo. Foi egoísta, ganancioso, vaidoso demais, e sem perceber, recebeu como prêmio de seu mestre, a maior prisão que se pode dar a um ser...a posição de Deus. 

(Uma crítica ao Criacionismo, ao Evolucionismo e a mim mesmo)
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...