segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Patético. Profundo-Patético


Isaias Medeiros

Muitos crescem a infância atrás das cercas invisíveis que os separam do mundo exterior.

Outros perdem a juventude confinados pelas muralhas do vício (ou) da religião.

A maioria desgasta sua maturidade nos empregos cujos salários só garantem a ração diária e um teto de senzala para se abrigarem.

Uns tantos morrem suas velhices presos pelas cadeias do desprezo e da solidão.

Num dia, a criança inveja a suposta liberdade do adulto; num outro, a antiga criança ressente-se de sua verdadeira liberdade perdida.

Num momento, o indivíduo não compreende nada do mundo onde acabou de chegar e ninguém o pode entender; num outro, ele conhece muito do mundo que está prestes a deixar, mas já não há quem deseje ouví-lo.

Numa hora, o jovem zomba do adulto pela sua falta de ambição; numa outra, o adulto ri do jovem pelos seus sonhos que jamais se realizarão.

Os maus estão sempre no poder, e por trás de toda ação que pareça boa, há pelo menos outra que vise causar um mal ainda maior.

A religião é alienante e não fornece nenhuma certeza, mas a sua simples ausência também não costuma oferecer maior alívio.

A criança não é boa, apenas não possui os meios de usar toda a maldade que lhe é intrínseca. O adulto também não é bom, mas já aprendeu que ser mau pode lhe trazer muitos incômodos.

A felicidade é a nossa mais forte moeda de troca: vivemos trocando-a por um punhado de segurança ou por um pouco menos de peso na consciência.

Ter histórias incríveis para contar aos netos é bom, mas o estilo de vida de quem vive estas aventuras nem sempre lhes permite sobreviver para conhecer seus descendentes.

Escrever é louvável, filosofar também, mas, no fim isto não enche a barriga, não tapa o vazio existencial e não cobre o rombo na conta bancária de quase ninguém!

Patético. Profundo-Patético.

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Apesar de eu haver pensando em postar um texto antigo, resolvi não fazê-lo. Preferi publicar mais esta sincera reflexão que diz respeito a todos nós que nos chamamos de “seres humanos”, com todas as nossas contradições, nossos anseios e o mar de dúvidas que caracteriza a nossa existência. Estou sem internet em casa, portanto, as respostas aos comentários poderão demorar um pouco. Espero que não vejam este modesto ensaio como um pouco caso da minha parte a alguém, e sim como simplesmente uma demonstração “patética” da minha visão da vida. Abraços.
 
Imagem: acervo pessoal (fonte não encontrada)
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