sexta-feira, 5 de abril de 2013

A tensão nuclear na Ásia causada pela Coreia do Norte




As notícias sobre as ameaças de guerra feitas pela Coreia do Norte trazem de volta à memória as tensões experimentadas durante os anos de guerra fria entre URSS e EUA.

Quantas pessoas em Seul e outras cidades da Coreia do Sul não estão desenvolvendo distúrbios psíquicos neste momento como a síndrome do pânico? Pois, ainda que muitos interpretem as declarações de guerra como um possível blefe para a Coreia do Norte negociar com os Estados Unidos como potência militar, afastando de si as penalidades econômicas, existe a real possibilidade de haver um conflito bélico regional com risco de uso de armas nucleares.

Certamente que, numa guerra nuclear, não há vencedores. Isto porque, se algum país vier a derrotar o outro, ele não consegue ocupar o território adversário por causa da poluição ambiental com radioatividade, a qual pode durar anos tornando improdutivo o solo da área afetada. Além do mais, se ambos os lados têm bombas atômicas, quem for atacado primeiro pode retribuir ates de ser atingido por algum míssil desde que seja capaz de identificar o lançamento de foguetes vindo em sua direção.

Embora a Coreia do Norte não deva ter toda essa tecnologia avançada, principalmente quanto ao lançamento de foguetes de longo alcance a ponto de conseguir atingir a costa oeste dos EUA, ou mesmo as bases norte-americanas no Japão, há uma fundada preocupação quanto à segurança do país vizinho - a Coreia do Sul. Neste caso, até as barreiras anti-mísseis dos Estados Unidos talvez não proporcionem o efeito desejado para proteger a vida de civis.

Gostemos ou não do estilo dos EUA, o certo é que os norte-coreanos já teriam imposto uma unificação vermelha aos seus irmãos do sul, sob o regime totalitário de esquerda, caso a maior potência militar do planeta não estivesse presente no extremo asiático para impedir uma nova guerra ali. Logo, por mais interesseira que possa ser, a pax americana acaba sendo preferível do que o começo de uma terceira guerra mundial.

Por outro lado, o controle das potências militares e da ONU sobre países que já têm a bomba atômica é menor do que sobre outras nações que não têm essa arma letal. Não dá para Obama arriscar uma intervenção armada na Coreia do Sul, como fez George W. Bush há uma década no Iraque, sem colocar em risco a vida de milhões de civis no planeta. Isto porque um governo que não respeita os direitos humanos, a ponto de prender, torturar e matar os seus oponentes políticos (até missionários cristãos encontram-se nesta condição na Coreia do Norte), pode muito bem apertar o botão vermelho e destruir Seul em instantes.

Todavia, a pergunta é. Será que o ditador norte-coreano seria capaz de usar armas nucleares e matar civis na Coreia do Sul?

Bem, quando analisamos o comportamento de culturas diferentes da nossa, não podemos utilizar os mesmos valores para medi-los. E, neste sentido, é importante lembrar que o suicídio é praticado pelos orientais com menos limitações do que aqui no Ocidente. Até à Segunda Guerra Mundial, o Japão promoveu inúmeras carnificinas em fins do século XIX e na primeira metade do XX. Vivendo um momento de militarização e de orgulho nacional o País do Sol Nascente invadiu seus vizinhos objetivando colonizar novas terras a ponto de exterminarem 200 mil civis no cerco a Nanjing, então capital da China, em apenas sete semanas do ano de 1937.

É certo que os japoneses da primeira metade do século passado agiram sob a orientação de doutrinas religiosas que pregavam a indiferença pela vida numa situação de batalha (o ato de matar desprovido de egocentrismo) enquanto os norte-coreanos de hoje seriam ateus por causa do comunismo. Ainda assim, seria um equívoco acharmos que o totalitarismo de esquerda alterou imediatamente a cosmovisão de um povo. Pois, quando ocorreram as revoluções socialistas no Oriente, o pensamento de Karl Marx foi concebido de maneiras diferentes adequando-se a cada cultura. Logo, há diferenças enormes entre Cuba e a Coreia do Norte, apesar de ambas serem na prática duas "monarquias comunistas".

Mais do que nunca, o momento de tensão em que o mundo presencia hoje na Península Coreana torna-se uma evidência clara de que é preciso por fim a essas duas reais ameaças globais: o terrorismo e o belicismo nuclear. A soberania estatal plena tornou-se um fundado risco para a paz no planeta uma vez que cada governo passa a ter condições de desenvolver tecnologias de destruição em massa já conhecidas sem que outros países possam impedir diretamente. A então fórmula secreta da bomba atômica já deixou de ser um segredo das potências de modo que essa arma perigosa já pode ser produzida até pelas nações subdesenvolvidas desde que tenham equipamento, material e o tempo necessários.

Lamentavelmente compartilhamos um planeta onde os níveis de maturidade cosmoética são diferentes, além da pluralidade de valores que compõem a diversidade cultural entre os povos. As comunidades já não conseguem mais viver em estado de isolamento geográfico como foi no passado e uma nova ordem política precisa ser estabelecida antes que seja tarde demais. Antes que o poder bélico da Coreia do Norte cresça ou surjam novos países com propósitos semelhantes na própria Ásia, Oriente Médio, África e até aqui na América Latina.

Gostemos ou não do estilo de vida dos norte-americanos, precisamos reconhecê-los. São intervencionistas, tentam influenciar o mundo conforme os seus interesses econômicos, mas são os EUA, juntamente com as demais potências, que têm contribuído para o equilíbrio político global. E, enquanto não houver outra opção melhor, capaz de conciliar a liberdade com a segurança, é preferível que as potências continuem desempenhando o papel de polícia global promovendo até ações militares.

Oremos pela situação na Coreia do Norte e não nos esqueçamos dos nossos irmãos em Cristo que estão sofrendo perseguições religiosas naquele país.
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