sábado, 15 de junho de 2013

Vamos quebrar tudo

                                       


                                                                                                              
                                                                                                                       Elídia Rosa


Lá pelos anos 90, quando no Brasil ascendeu ao poder um homem fabricado nos bastidores da mídia e nos palanques populares, no recém democratizado cenário político após um longo período de breu, era ainda uma menina, entrando na adolescência. No dia em que os cara-pintadas saíram às ruas pra pedir a queda do presidente plastificado, meus colegas mais velhos que eu foram às ruas cheios de tinta ainda fresca no rosto, e eu, louca para estrear a camiseta com a foto do presidente em ‘trajes listrados’ que meu pai, então sindicalista deu-me (com a promessa que jamais usaria na rua) fui proibida de sair. Naquele dia lembro que ele chegou mais cedo em casa, as ruas fervilhavam e a iminência de um grande acontecimento pairava no ar. A partir daí todos sabem o que aconteceu. Inúmeras denúncias graves, o impeachmeant do presidente, e uma sucessão de acontecimentos trágicos e misteriosos, que até hoje constam indissolúveis.

O tempo passou, o então oponente do reluzente caçador de marajás assumiu o poder, este também retornou de forma fácil às dependências legislativas, e um cenário bem diferente daquela época passou a moldar-se a partir desses tempos.

...

Vivemos a contemporaneidade, o momento da história que os lados são indissociáveis, e os discursos não assumem uma forma coerente, e novos arranjos confundem a todos nós. Um outro poder e uma espécie de terceira potência se instala aos poucos não somente no país, mas ocupando o mundo. É um amplo terreno de discussão e que precisamos de apropriações para maiores considerações, mas podemos dizer que as tentativas de resgate do ‘comum’, presente em movimentos que surgem na tentativa de neutralizar os efeitos que nos roubam potência enquanto grupo social, vêm como forma de compor novos possíveis que se abrem e se inventam.  

As formas que antes pareciam garantir aos homens um contorno comum, e asseguravam alguma consistência ao laço social, perderam sua pregnância e entraram definitivamente em colapso, desde a esfera dita pública, até os modos de associação consagrados, comunitários, nacionais, ideológicos, partidários, sindicais. Perambulamos em meio a espectros do comum: a mídia, a encenação política, os consensos econômicos consagrados, mas igualmente as recaídas étnicas ou religiosas, a invocação civilizatória calcada no pânico, a militarização da existência para defender a “vida” supostamente “comum”, ou, mais precisamente, para defender uma forma de vida dita “comum”. No entanto, sabemos bem que essa “vida”ou “forma de vida” não é realmente “comum”, que quando compartilhamos esses consensos, essas guerras, esses pânicos, esses circos políticos, esses modos caducos de agremiação, ou mesmo esta linguagem que fala em nosso nome, somos vítimas ou cúmplices de um seqüestro.(Peter Pal PELBART)


Então, pois, quem são nossos novos revolucionários?
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