terça-feira, 7 de julho de 2015

Refletindo sobre a privatização das rodovias (livre das gaiolas ideológicas)




Sinceramente, não sou contra que as rodovias sejam entregues à iniciativa privada, desde que possamos usufruir de serviços de qualidade que proporcionem mobilidade, conforto e segurança aos usuários. Tendo em vista que uma expressiva parcela da produção agrícola e industrial do país é transportada por meio de caminhões nas rodovias, toda a nossa economia tende a ganhar com as melhorias previstas no Programa de Investimentos e Logística (PIL). Lembremos, por exemplo, de quem faz comércio exterior e depende do transporte terrestre para exportar/importar, sendo certo que hoje o Brasil já não dispõe mais de tantos recursos como no começo da década devido á crise.

Entretanto, faço uma crítica quanto ao fato do governo federal ainda não ter incluído nos últimos editais de privatização das estradas a construção de uma faixa cicloviária, o que considero fundamental para alavancarmos o turismo neste nosso Brasil. Trata-se, pois, de considerarmos uma tendência cada vez mais crescente no continente europeu onde os países membros da UE têm desenvolvido vários trajetos ciclísticos por lá.

Durante a última sexta-feira (03/07), participei de uma audiência pública realizada com o objetivo de debater a proposta de privatização de mais um trecho da BR-101, entre o Rio de Janeiro e Ubatuba, na chamada Rodovia Mário Covas, a qual também é conhecida como "Rio-Santos". A reunião foi no espaço do Centro Cultural Casa Laranjeiras, Praça Zumbi dos Palmares, Centro de Angra dos Reis. Representando um vereador de minha cidade, participei atentamente do evento e, na oportunidade, pude falar sobre a importância de se acrescentar a construção de uma ciclovia no projeto de duplicação da estrada. Expus ainda o anseio de minha Mangaratiba por uma rodovia mais segura, mencionando os notórios casos de atropelamento que acontecem por aqui, inclusive perto de um bairro de nome Cachoeira, localizado no distrito de Muriqui, problema que fora objeto de um protesto no ano passado (ler matéria no EXTRAMoradores de Mangaratiba bloqueiam Rio-Santos em protesto por passarela). 

Na sessão extraordinária de hoje da Câmara Municipal de minha cidade, o tema foi novamente lembrado por outro vereador local, manifestando o seu apoio à construção de um acesso para a travessia de pedestres e se preocupando também com as cocadeiras que, necessitando vender seus produtos, acabam ocupando perigosamente o acostamento da pista. Segundo sua sugestão, deve-se planejar a colocação de um mirante na estrada onde essas mulheres guerreiras possam trabalhar com segurança.

Mas voltando à questão do uso da bicicleta como meio de transporte nas estradas (infelizmente muitos ciclistas são acidentados na Rio-Santos), há que se pensar na importância do cicloturismo como uma tendência mundial. Tal como no Velho Mundo, em que a ciclovia Paneuropa ligou diversos caminhos ciclísticos a uma rota de Paris até Praga, poderíamos fazer o mesmo no Brasil. Aliás, quem já viajou pra Alemanha sabe como o país de Angela Merkel é bem desenvolvido no que diz respeito ao transporte alternativo, sem falar nas fontes renováveis de energia e na preservação do meio ambiente. 

Ora, se pararmos para refletir, a América do Sul pode e deve seguir esta mesma tendência dos europeus, sendo certo que o nosso potencial de exploração turística aqui é enorme. Logo, nessa onda de de investimentos privados em rodovias, pode-se muito bem adotar uma nova visão de Brasil criando nas regiões mais vocacionadas ao turismo verdadeiras estradas-parques. E para quem não sabe, numa estrada-parque devem ser implantados redutores de velocidade, ciclovias e caminhos seguros para pedestres, além de mirantes naturais, pontos de parada (estacionamentos ou áreas de lazer), guaritas, sinalização, centro de visitantes, um conselho gestor e "zoopassagens" – túneis subterrâneos para passagem de animais.

Será que a nossa belíssima rodovia Rio-Santos não poderia ser transformada numa estrada-parque quando vier a ser duplicada?! 

Assim, é dentro desse visão que acompanha os anseios sócio-ambientais da nossa população, buscando ao mesmo tempo alavancar o turismo no país, é que devemos conceber a ideia de privatização das rodovias. Afinal, não basta conceder a exploração de uma estrada para a iniciativa privada ficar colocando seus pedágios! Temos que exigir algo mais como a fluidez do trânsito, segurança, espaços para pedestres e ciclistas, respeito ao meio ambiente, inclusão social e incentivo ao turismo. Do contrário é repetir os velhos erros do neoliberalismo nos anos 90 e isto sabemos que não deu certo.


OBS: A imagem acima refere-se a um trecho da Rio-Santos em Angra dos Reis (Foto: Reprodução/TV Rio Sul).
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