segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Hawking e Deus



Em 2010*, o físico teórico Stephen Hawking lançou um livro em parceria com Leonard Mlodinow que suscitou polêmicas por muitos acharem que ele estaria tentando provar a inexistência de Deus com base em argumentos científicos. O livro diz que agora a física pode explicar de onde surgiu o Universo e por que as leis da natureza são o que são. Diz que o Universo surgiu do “nada” como resultado da força da gravidade e e as leis da natureza são um acidente desta parcela do Universo que habitamos. Diz Hawking que “É possível responder a essas questões exclusivamente dentro do domínio da ciência e sem invocar qualquer seres divinos”.

Evidente que teólogos não gostaram do que leram pelo fato de que a existência de um criador está fora do domínio da ciência. O reverendo Robert E. Barron, professor de teologia da Universidade of. St. Mary of the Lake, ressaltou que o livro é filosoficamente ingênuo, pois a existência das leis que deram origem ao Universo devem ser anteriores ao Big Bang. Declarou também que “As leis da gravidade parecem ser algo diferente de 'nada'".

O assunto ganhou a mídia, os blogues e os tuites. Os autores reagiram dizendo que nunca pretenderam alegar que a ciência houvesse provado que Deus não existe. Hawking declarou no programa Larry King Live, da CNN que “Deus pode existir, mas a ciência pode explicar o Universo sem a necessidade de um criador”. Mlodinow disse também que “nem ao menos dizemos que provamos que Deus não criou o Universo”. Segundo ele, no que diz respeito às leis da física, alguns podem preferir chamá-las de Deus. “Se acreditam que Deus é a personificação da teoria quântica, tudo bem”.

A questão é que a explicação científica da origem do Universo pode não ser tão completa quanto a apresentada por Hawking. Ela está baseada na teoria das cordas e em uma versão dela ainda mais misteriosa -e não testada – chamada teoria-M. O cósmologo brasileiro Marcelo Gleiser declarou que “As teorias que Hawking e Mlodinow utilizam para embasar seus argumentos têm tanta evidência empírica quanto Deus”. Gleiser lembrou que não temos instrumentos capazes de mensurar toda a Natureza, e portanto, não podemos nunca estar certos de temos uma teoria final.


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* Scientific American Brasil, Dezembro de 2010
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