segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Perder a fé...




Pode haver vantagens e desvantagens quando alguém "perde a fé". Sejamos racionais!

Se, por um lado, o ex-crente se sente aliviado por se livrar das recompensas e punições da religião, tornando-se mais conectado à realidade, eis que tal pessoa já não encontra o mesmo amparo psicológico das vezes quando costumava dobrar os joelhos em oração acreditando numa intervenção divina para os seus problemas. Diante de um desafio da vida, o descrente apenas conta consigo mesmo, isto é, com sua capacidade e habilidade para a superação dos obstáculos.

Assim sendo, já não existe mais para ele rituais que consigam dar jeito na coisa, quer sejam rezas, oferendas, leituras de cartas, banhos de erva, azeite ungido, a fogueira de Israel feita pelos pastores da IURD, os três pulinhos na festa do ano novo, jejum, etc. Trata-se de matar o leão ou ser comido pela fera, sabendo que, em qualquer dia desses, vamos acabar de algum jeito devorados pelos vermes dentro de um túmulo.

Certa vez um pregador falou em púlpito que "difícil não é ser crente", mas "ímpio", referindo-se ele aos não crentes. E, sem dúvida, ele falou de algo bem pertinente pois viver não dependendo mais de milagres requer uma enorme maturidade do indivíduo.

Obviamente que nem todas as religiões ou segmentos religiosos alimentam a crença no "sobrenatural". Dentro do próprio cristianismo, há grupos que entendem ter já se passado o tempo dos milagres, com o final da era apostólica no primeiro século, e uma minoria desses considera o aspecto meramente simbólico dos atos miraculosos de Jesus relatados nos evangelhos da Bíblia. Porém, o fato é que a grande maioria de religiosos ao redor do planeta prefere a ambiguidade de pedir ajuda aos céus e, ao mesmo tempo, procurar soluções práticas no mundo material mesmo contrariando os princípios da fé seguida. Por exemplo, conheço um comerciante, membro de uma igreja pentecostal, que justificou o seu pagamento de propinas aos agentes da fiscalização do Poder Público em defesa de suas atividades empresariais...

Mas será que um ateu "perde" a fé totalmente?

Em algum momento, ele não se sentirá tentado a falar com o Papai do Céu quando estiver diante de uma situação difícil ou praticamente impossível de resolver?

Como lidar com o sentimento de eternidade diante da inevitável morte física (do próprio corpo ou de alguém próximo)?

Tenho pra mim que um descrente acaba de algum modo encontrando os seus novos significados para a vida, caso não caia nas armadilhas da embriaguez ou da revolta ressentida contra tudo e todos. Permanece nele o desejo de se religar ou de se harmonizar com a realidade, buscando o sentido da existência. Logo, todas as desconstruções quanto à religião não importariam na "perda" da fé mas, talvez, em reencontrá-la.

E você? Qual a opinião que tem acerca do assunto?

Acredita que alguém, quando deixa a religião, "perde" a ré ou a reencontra?
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