domingo, 22 de maio de 2016

Poemas do "cárcere" de Anderson Mineiro Luiz









Oração à clínica Santa Maria (centro de atenção em psiquiatria)
Santa Maria dos loucos e das loucas Rogai por nós... Santa Maria dos dementes e Dependentes (“de-mentes” químicas ou não), Rogai por nós. Santa Maria dos depressivos (passivos e ativos), Rogai por nós. Santa Maria das bixas passivas e ativas (enrustidas ou não) Rogai por nós Santa Maria dos suicidas (dos egoístas e altruístas) Rogai por nós. Dos não aceitos, dos não queridos, Dos doídos, dos caídos... Dai-nos mais de seu torpor Curai-nos Livrai-nos de nós Amém!...













Nos corredores do Santa Maria Limpeza!... 
Ambientes livres de fumaça, Sem cigarros, QUE PAVOR! Mas ela se esgueirava, a fumaça, a maconha, E o que mais pudéssemos querer e ter Sempre há um jeito e havia. Do torpor, mais entorpecer. Com menos limpeza e com mais cheiros e aromas Ninguém via ou fingia não ver. Era nosso alivio, nossa fuga, “nosso eu?” (alguns viam, confiscavam e puniam, mas o “foda-se” pairava) Da limpeza, a sujeira que nos lavava a alma. Mais entorpecidos em meio ao torpor, Vivos, insanos, rebeldes, presos, mas na alma, libertos. Libertos de nós mesmos e das paredes grades que nos cercavam


(Anderson Luiz Mineiro)
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