segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Hino Nacional pelo olhar de uma menina




Conta-se que certa vez, na cidade catarinense de Joinville, houve um concurso de redação na rede municipal de ensino, cujo título recomendado pela professora teria sido: "Dai pão a quem tem fome". O primeiro lugar foi então conquistado por uma menina de apenas 14 anos de idade, a qual inspirou-se exatamente na letra de nosso Hino Nacional para redigir seu texto.

A redação dessa adolescente, além de significar uma grande lição de civismo e de ecologia, faz também um apelo à nossa consciência nacional a fim de que sejamos capazes de reagir diante de tantos escândalos de corrupção e desigualdades para mudarmos os rumos do país. Leiam o texto:

"Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil a chorar: O que houve, meu Brasil brasileiro? Perguntei-lhe!
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo... Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?
Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.
Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.
Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado. Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais... Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?
Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido."

Apesar de ter vibrado com a mensagem comunicada pela adolescente, levando em conta a sua pouca idade, pondero que, talvez, jamais o Brasil conseguiu acordar verdadeiramente de seu berço. já não tão esplêndido. Despertamos em alguns momentos da História, mas ainda precisamos ser capazes de nos levantar de vez desse leito a fim de que a letra de Joaquim Osório Duque-Estrada (1870 - 1927) deixe de ser apenas uma profecia apontando para um desejado futuro. 

Que se levantem os braços fortes!

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