quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

“Não sou pedófilo”



Era pra ser uma pergunta bem simples: “Prefere mulher depilada ou peludinha?”

Caí na besteira de confessar minhas opções (as raspadinhas), e não deu outra, fui rotulado. Mas as raspadinhas se parecem com xoxotas de crianças, logo, você gosta de crianças, logo, és pedófilo. Puts! Será?

Será que pelo simples fato de um homem preferir mulheres que carreguem traços neotênicos faz dele um estuprador de vulneráveis? Não seria aceitável que o homem, até pelo processo evolutivo, sinta certo tipo de atração por uma fêmea jovem, que carregue consigo a capacidade reprodutiva, diga-se de passagem, a maneira pela qual a espécie se prolifera? Saiamos então do campo da ciência e partamos para o campo dos afetos.

Nutrir desejos por mulheres mais jovens, ou melhor, por aquelas que aparentam ser mais jovens, consequentemente mais belas e “durinhas” não é algo que deva ser recriminado ou mesmo criminalizado. É apenas uma questão de gosto.

Há os que preferem as “cheinhas”, outros as magricelas. Alguns se esbaldam com uma coroa e já outros se acabam com uma novinha. Também tem aqueles mais estranhos que preferem apanhar, bater, lamber os pés, e serem pisados por saltos-agulha com uma combinação perfeita de chicotes, algemas e parafina derretida, também existe uma parcela significativa que gostam de dominar, amarrar, chamar de puta, cadela e outros adjetivos “carinhosos”.

Os normais (normais?), são carinhosos, atenciosos apagam a luz para poupá-las do constrangimento de verem sua estrias e celulites, colocam aquela música romântica de fundo para dar um clima.

Quase esqueci de falar dos mais estranhos ainda, que se excitam vendo suas parceiras serem possuídas por um “negão da picona” enquanto observam pelo buraco da fechadura do armário. Gosto é gosto, eu não discuto.

Agora, tem os doentes, estes sim, são um perigo. Sentem atração por crianças, guardam material pornográfico infantil em seus computadores, molestam filhos de vizinhos, amigos e até os seus próprios, estupram e matam. E com esse tipo de animal eu não quero ser comparado quando digo que gosto de mulheres magras, pequenas e que raspem os pelos pubianos.

A mulher que não percebe que ao se maquiar com espessas camadas de corretivo, ao pedalar o “tour de france” nas ergométricas de academias, ao arriscarem sua saúde em regimes absurdos e entrarem na “faca” de cirurgiões açougueiros, estão criando um padrão de beleza que estimula esse desejo pelo que é mais jovem, ou aparenta ser, estão redondamente equivocadas.

Ah, mas eu estou apenas cuidando da minha saúde! Ah vá! E precisa colocar aquele decote mostrando a auréola do peito? Precisa colocar um shorts tão apertado na frente que podemos distinguir lábios inferiores e clitóris, e tão enfiados no cu que nem precisa fazer depilação anal, pois as fibras de tecido se encarregam de fazer o serviço? Isso tudo é pra saúde? Saúde de quem?

Parece uma crítica perversa o que estou fazendo (e é), mas a mulherada precisa se valorizar. Não estou dizendo para vestirem uma burca, jamais, apenas digo que não precisam exagerar. Nós homens já temos imaginação em demasia fértil para criarmos nossas fantasias com vocês.

Fugi um pouco do tema, mas retorno à ele. Respeitar o gosto do outro sem rotular, é um exercício de sabedoria. Nós homens somos rotulados o tempo todo por mulheres e acreditem (sei que acreditam) fazemos isso com vocês o tempo todo. São vadias, galinhas, putas, promíscuas, feministas, burras quando loiras, metidas quando inteligentes, loucas quando implicam e santas quando calam.

Mesmo assim somos profundos admiradores de todas. Das tísicas às obesas, das “fionas” às princesas, das putas às santas e obviamente, das novinhas às lobas, e nunca deixará de ser assim. Precisamos uns dos outros e essa misoginia e misandria que verifico na sociedade líquida, só prejudica os relacionamentos por vezes tão estranhos que tentamos desenvolver.

Edson Moura







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