sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Videogames x Redes Sociais

 





Estudos apontam que jogos podem estimular foco e funções cognitivas, enquanto redes sociais estão ligadas à perda de atenção


Com conteúdo inesgotável e um algoritmo preparado para atender às suas expectativas, o celular prontamente gera pequenos prazeres através da dopamina, neurotransmissor produzido no cérebro. Rolar a tela sem controle possui efeitos negativos comprovados cientificamente. Entretanto, um artifício antes mal visto por parte das pessoas, hoje é fuga para quem quer se divertir e exercitar a capacidade cognitiva.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, descobriu que videogames estão associados ao aumento do foco, enquanto mídias sociais estão relacionadas à diminuição dele.

Publicado no Scientific Reports, o estudo revelou que os níveis de hemoglobina oxigenada (HbO) aumentaram mais após o uso das redes, enquanto os de hemoglobina desoxigenada (HbR) subiram depois de jogar. Na segunda situação, o cérebro estava usando ativamente mais do oxigênio que recebia.

“Essas descobertas sugerem que tipos interativos de entretenimento realmente deixam o cérebro mais envolvido", diz Alexandra Gaillard, autora principal do estudo.

O estigma em relação aos jogos surgiu anos atrás, associado ao vício, ao isolamento social e, em alguns casos, à violência. Para Amanda Bastos, neuropsicóloga, ainda existem resquícios desse preconceito — mais sutis que antes — em algumas gerações que cresceram ouvindo críticas sobre o ato de jogar.

Rogério Panizzutti, neurocientista e coordenador do Laboratório de Neurociência e Aprimoramento Cerebral da UFRJ, atribui a “alienação” como outro fator responsável por essa percepção.

— Hoje, mesmo que o adolescente esteja isolado no quarto, muitas vezes ele está jogando com amigos ou com pessoas que conheceu através do jogo, formando um grupo social. Isso desmistificou a ideia de que o videogame precisava ser algo negativo — afirma o especialista.

De acordo com Amanda, o cenário atual é diferente no âmbito da psicologia cognitiva e da neurociência. Hoje, os videogames auxiliam na avaliação de funções cognitivas e neuropsicológicas, em uma estratégia de gamificação.

— É possível avaliar funções executivas e cognitivas, como tomada de decisão, planejamento, resolução de problemas e engajamento com a tarefa — explica.




_____________________________

Publicado em O Globo, 29/08/25

2 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Não sou médico mas tenho receio de outros efeitos colaterais dos jogos eletrônicos, embora, quando criança jogasse e ficava horas. Aquilo causava irritabilidade e fuga das obrigações estudantis.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Temos é que nos conectar mais à natureza e viver menos no mundo digital. Caminhar, ir num parque ecológico, tomar um banho de mar, encontrar amigos na rua e ver o Sol se por são hábitos saudáveis que estamos perdendo

Videogames x Redes Sociais

  Estudos apontam que jogos podem estimular foco e funções cognitivas, enquanto redes sociais estão ligadas à perda de atenção Com conteúdo ...