COMO A ESQUERDA PODE (e deve) DIALOGAR COM OS EVANGÉLICOS
Por Hermes C. Fernandes Durante muito tempo, setores da esquerda acreditaram que a política se reduzia a uma equação tecnocrática: bastava apresentar dados, estatísticas inflacionárias e argumentos racionais para convencer as massas. Imaginou-se que a política fosse uma disputa de informações, e que venceria quem apresentasse os fatos mais sólidos ou os diagnósticos mais consistentes. Mas ninguém vive de planilhas. O ser humano é movido por símbolos, narrativas, afetos e, acima de tudo, pelo senso de pertencimento. Antes de sermos criaturas que raciocinam, somos criaturas que amam. E aquilo que amamos molda a forma como interpretamos o mundo. Os evangélicos não são uma exceção a essa regra; são a expressão viva dela. Eles interpretam a realidade a partir de uma gramática própria, de uma cosmovisão moldada por narrativas bíblicas, canções, sermões, testemunhos, símbolos e experiências espirituais acumuladas ao longo de toda uma existência. Quando um evangélico fala sobre Reino de Deus, ...