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A TEIA MASTER

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou no ano passado um recurso ajuizado na corte por um notório desafeto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital. A decisão foi proferida em maio de 2025, período em que o dono do Banco Master também processava o rival e era defendido pelo escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro, e seus filhos. O escritório Barci de Moraes manteve um contrato de R$ 3,5 milhões mensais com o Master, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, para representar os interesses da instituição financeira. Os processos envolvendo Vorcaro e Timerman, com o envolvimento de Viviane Barci e a participação de Moraes como juiz, não configuram conflito direto, segundo as regras da magistratura, mas mostram como as redes de influência do dono do Master podem se misturar no Judiciário. Na mesma época da decisão de Moraes contra o gestor da Esh, Vorcaro também processava Timerman, em uma queixa...

ATÉ ONDE VAI FLÁVIO BOLSONARO?

  Artigo escrito pelo colunista Élio Gáspari do jornal O Globo. A notícia não podia ser pior para o PT. Numa simulação para o segundo turno, o Datafolha mostrou que Lula (46%) e Flávio Bolsonaro (43%) estão tecnicamente empatados. A avaliação negativa do governo chegou a 40%, e 49% desaprovam o trabalho de Lula. Quando se vai para a rejeição, estão novamente empatados: Lula (46%) e Flávio (45%). Lula já surfou com sucesso noutras pesquisas, e faltam sete meses para a eleição. Flávio até agora jogou parado, à sombra do pai preso. Podem-se atribuir os números do Datafolha à polarização que envenena as eleições desde 2018. Os números do terceiro mandato de Lula revelam que há algo de injusto nesse empate com Flávio. A economia anda de lado, mas o Brasil saiu do Mapa da Fome, a renda dos trabalhadores melhorou, e o desemprego caiu a níveis inéditos. Uma explicação pode estar no próprio Lula. Três dias depois da divulgação do Datafolha, ele recebeu o presidente da África do Sul e repeti...

📸 Carnaval sem celular: quando desligar também vira gesto cultural

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A Folha de S.Paulo noticiou que parte dos foliões tem optado por deixar o celular em casa durante o Carnaval, levando consigo apenas câmeras fotográficas — muitas vezes simples, antigas ou de baixo valor — como forma de registrar a festa sem o risco de furtos. A  matéria  descreve relatos de frequentadores de blocos que, diante do aumento recorrente de roubos de smartphones em grandes aglomerações, buscam alternativas práticas para preservar suas memórias e evitar prejuízos materiais. A análise da reportagem confirma que o medo do furto é real e fundamentado. Dados de carnavais anteriores mostram que o celular se tornou um dos principais alvos de crimes patrimoniais durante a folia, o que explica a adoção de estratégias preventivas. Nesse sentido, a câmera aparece como solução funcional: registra imagens, custa menos, chama menos atenção e reduz a ansiedade associada à perda de um objeto central da vida cotidiana contemporânea. No entanto, o gesto pode ser lido para além da se...

Avanço Ético x Fragilidade Política: um olhar autocrítico sobre o Brasil a partir de Leonardo Boff

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No artigo “O fracasso ético e moral da humanidade” , Leonardo Boff traça uma linha provocadora que vai da origem dos hominídeos à sociedade contemporânea. Sua tese central é conhecida e consistente: avançamos enormemente em técnica, ciência e cultura, mas não acompanhamos esse progresso no campo da ética e da moral. O resultado seria uma civilização poderosa, mas ainda incapaz de cuidar plenamente da vida, do outro e do planeta. Coerente com sua ética do cuidado e com a proposta de uma ecologia integral, Boff dá concretude política ao diagnóstico ao criticar lideranças contemporâneas como Donald Trump. Mas seria esse fracasso absoluto? Vale nuançar o diagnóstico, sem esvaziar sua força crítica. Avanços éticos: do discurso à realidade? É difícil negar que houve avanços relevantes. Tratados internacionais de direitos humanos, o amadurecimento da bioética e a construção de mecanismos de diplomacia global nunca foram tão sofisticados. O problema central não parece ser a inexistência des...

📜 Quando a maconha foi proibida no Brasil? — Um olhar histórico sobre o Rio de Janeiro do século XIX

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A proibição da maconha no Brasil é muito mais antiga — e mais reveladora — do que geralmente se imagina. Diferente do senso comum, ela  não nasce no século XX , nem surge inicialmente como resposta a estudos científicos sobre saúde pública. Sua  primeira proibição formal ocorreu em 1830 , no Rio de Janeiro, então capital do Império, ainda nos primeiros anos do Brasil independente. Naquele contexto, a  Câmara Municipal do Rio de Janeiro  aprovou um  Código de Posturas  que proibia expressamente a venda e o uso do chamado  “pito do pango” , denominação popular da maconha à época. A norma previa  multas para quem vendesse a substância  e  pena de prisão para quem a utilizasse  — sendo que os usuários atingidos pela repressão eram, em sua maioria,  africanos escravizados ou negros libertos . Esse episódio, frequentemente ignorado nas narrativas mais gerais sobre a política de drogas, é analisado de forma aprofundada na tese “É proi...

Venezuela em disputa: petróleo, poder e quatro cenários para o mundo — e para o Brasil

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A crise venezuelana deixou de ser uma questão regional para se transformar em um dos temas centrais da geopolítica global. O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o controle direto sobre parte das receitas do petróleo elevaram o grau de instabilidade internacional, recolocando no centro do debate três temas sensíveis:  soberania, legalidade internacional e disputa estratégica por energia . Se inicialmente se falava apenas em ocupação política e operação militar, o quadro recente revelou algo mais complexo. A Venezuela não está apenas sob pressão política: ela se tornou um laboratório de um novo modelo de poder — onde  força militar, diplomacia seletiva e controle econômico  caminham juntos. Hoje, 08/01/2026, quatro cenários se desenham no horizonte — e cada um deles tem consequências diretas para o Brasil, para a Petrobras e para a ordem internacional. Cenário 1 — Consolidação de um controle estratégico americano sobre o petróleo venezuelano Nesse cenário, a operação de...

São Telêmaco e o escândalo da violência legitimada

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O dia 1º de janeiro é lembrado no calendário litúrgico cristão como a festa de São Telêmaco , um mártir pouco conhecido, mas cuja história lança luz sobre uma das mais profundas contradições da civilização romana — e, talvez, da nossa própria. Segundo relatos do historiador cristão Teodoreto de Ciro , Telêmaco era um monge que, por volta do ano 404 d.C. , entrou em um anfiteatro em Roma ao presenciar uma luta de gladiadores. Indignado, teria se colocado entre os combatentes, clamando para que o espetáculo cessasse. A reação da multidão foi brutal: Telêmaco foi apedrejado até a morte pela plateia . Seu crime não foi a violência, mas a tentativa de interrompê-la. Esse episódio causa estranhamento imediato a muitos: como ainda havia gladiadores se o cristianismo já era a religião oficial do Império Romano? De fato, desde 380 d.C. , com o Édito de Tessalônica, o cristianismo niceno era a religião oficial do Estado. No entanto, práticas profundamente enraizadas na cultura romana — como ...