Saudade e gratidão
Por Marina Silva* Aprendi com meu pai e com minha Vó Julia a gostar das palavras e recorrer a elas quando preciso aceitar grandes perdas (ou ganhos) e contornar grandes dificuldades, talvez porque me recuso ainda a deixar o conforto e a intimidade de sua presença e do diálogo incessante que sempre tivemos, talvez porque sinta que preciso gravar em letras os sentimentos tantas vezes compartilhados e dizer mais umas tantas vezes, obrigada. Sou grata a Deus pela forma de meu pai ensinar e educar, de forma tão peculiar, a todos e a cada um de nós. E olha que nem preciso contar o mundo de amigos, só em casa éramos muitos: eu, minhas seis irmãs – Deuzimar, a primogênita, Lucia, a Mita, que consideramos nossa matriarca, Dóia, Zete, Socorro – e nosso único irmão, Arleir, nora e genros, com um batalhão de netos, bisnetos e tataranetos, todos alunos dele. Aprendendo a amar com o amor com que amou. A respeitar com o respeito que em sua vida praticou. A valorizar a diferença sendo di...