Lembranças da gaiola
1990. A reunião daquele dia na igreja Assembleia de Deus no bairro de piedade, Rio de Janeiro, prometia ser conturbada. Um jovem diácono, com um futuro brilhante no ministério da palavra (segundo lhes diziam) estava prestes a chutar o balde... 1980. O rapaz procurava com afinco, ser um bom cristão evangélico assembleiano. Passara pelas águas do batismo um ano antes e estava extasiado com todo aquele clima espiritual à sua volta. Muitas vigílias. Cultos de oração. Muitos "não pode". O mundo não tinha nada a nos oferecer. O mundo era território do Maligno, do mal, da oposição ao espírito e à vida santa. Santidade. Essa era, com certeza, a palavra que ele mais ouvia nas pregações. Não podia ir ao cinema. Nem à praia. Nem jogar bola ou qualquer outra brincadeira que tivesse bola. Palavrão, era pecado capital. Namorar, só com o consentimento do pastor e sobre a vigilância implacável das "irmãs de oração", todas, com idades acima dos 50 e cheias de recalques. ...