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Saudade e gratidão

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Por Marina Silva* Aprendi com meu pai e com minha Vó Julia a gostar das palavras e recorrer a elas quando preciso aceitar grandes perdas (ou ganhos) e contornar grandes dificuldades, talvez porque me recuso ainda a deixar o conforto e a intimidade de sua presença e do diálogo incessante que sempre tivemos, talvez porque sinta que preciso gravar em letras os sentimentos tantas vezes compartilhados e dizer mais umas tantas vezes, obrigada. Sou grata a Deus pela forma de meu pai ensinar e educar, de forma tão peculiar, a todos e a cada um de nós. E olha que nem preciso contar o mundo de amigos, só em casa éramos muitos: eu, minhas seis irmãs – Deuzimar, a primogênita, Lucia, a Mita, que consideramos nossa matriarca, Dóia, Zete, Socorro – e nosso único irmão, Arleir, nora e genros, com um batalhão de netos, bisnetos e tataranetos, todos alunos dele. Aprendendo a amar com o amor com que amou. A respeitar com o respeito que em sua vida praticou. A valorizar a diferença sendo di...

A necessidade de normatizar as uniões poliafetivas

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Li por esses dias numa nota do jornal O GLOBO que o primeiro casamento poliafetivo do Rio de Janeiro, com duas mulheres e um homem, foi assinado na última sexta (01/04), às 11 horas, no 15º Ofício de Notas da Comarca. De acordo com a reportagem, o marido é funcionário público, tem 33 anos, e mora em Madureira numa casa de um quarto com as duas esposas, ambas com 21 anos. Uma delas é dona de casa e a outra estudante de técnica em enfermagem (clique em AQUI para ler a matéria na íntegra). Lamentavelmente, esse não foi o primeiro caso de união poliafetiva ocorrido no país. No ano de 2012, um outro "trisal" do interior paulista havia registrada a sua união estável na cidade de Tupã, cerca de 500 quilômetros da capital estadual, decidindo oficializar a família.  Entretanto, com todas as minhas discordâncias morais sobre esses tipos de relacionamento fora dos padrões familiares tradicionais, respeito a liberdade individual de cada um e considero necessária a prote...

Seria errado colocar os pais numa casa de repouso?

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Muitas pessoas de bem, quando chegam a uma certa etapa de suas vidas, deparam-se cedo ou tarde com um preocupante problema: como manter o pai ou a mãe dentro de casa quando um deles, ou ambos, numa avançada idade, tornam-se doentes e passam a depender dos cuidados especiais de alguém? Nessas horas difíceis, uns permanecem até o fim ao lado de seu genitor e compartilhando do mesmo ambiente enquanto que outros contratam um enfermeiro, ou um ajudante capacitado, para tal objetivo. Porém, há filhos que, por variadas razões, optam pelos serviços de uma  casa de repouso , termo que hoje em dia seria mais digno do que o vocábulo asilo. Ocorre que o fato dos filhos tomarem a decisão de colocar os pais num lar para idosos ainda é muito mal vista dentro da nossa sociedade. Principalmente pelas mentes hipócritas mais julgadoras sempre prontas a atirar a primeira pedra no outro sem nem ao menos conhecerem de perto a realidade fática de cada caso. Muitos até consideram essa atitud...

O direito de conviver com o pai

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Finalmente chegou o segundo domingo de agosto! Sei que se trata de uma data com um apelo bem comercial, mas reconheço o seu devido valor para as famílias e, principalmente, para as crianças. Perdi meu pai aos sete anos de idade. Foi uma experiência super dolorosa, jamais poderei negar, mas pelo menos posso dizer que o tive presente em vários momentos importantes durante um breve período de minha vida. No entanto, quantos meninos e meninas não passarão esse dia sem a companhia de um pai?! De uns anos para cá, muito tem se discutido no Direito brasileiro sobre as questões relativas à  negação do afeto . Seriam os casos de pais que abandonam o filho, independente de fornecerem a ajuda material (pensionamento), escolha que poderá causar prejuízos irreversíveis no desenvolvimento da personalidade da criança. Pode-se afirmar que, com a Constituição de 1988, a família deixou de ser um fim em si mesmo passando a ser lugar de realização existencial dos seus membros. Neste...

Dialogando com a diversidade familiar do século XXI

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O mês de maio costuma ser uma época dedicada a pregações sobre a família nas igrejas cristãs. Durante os cultos dominicais, os pastores ministram mensagens sobre casamento e a relação entre pais e filhos, quase sempre encorajando o dever de submissão aos genitores bem como da esposa ao marido. Repete-se, assim, conhecidas passagens bíblicas entre as quais versículos das epístolas paulinas. Porém, observo que poucas vezes esse discurso é atualizado e, não raramente, os púlpitos de determinadas congregações são mal utilizados para incitar repressão e ataques homofóbicos aos gays por estes buscarem hoje em dia a conjugalidade bem como adotarem crianças. Verdade seja dita que a família deste século XXI já não é mais a mesma de cinco décadas atrás. Se, nos anos 60, ela foi se tornando mais nuclear do que estendida, devido às migrações e ao êxodo rural, vive-se na atualidade uma situação bem diversificada em que até esse núcleo está se modificando. Mudanças que acabam sendo irreversív...