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Mostrando postagens com o rótulo escravidão

Mangaratiba, Atlântico e Memória

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Há nomes que o vento leva; há nomes que a correnteza engole. Porém, há nomes que, mesmo silenciados por ferro, corrente e decreto, permanecem como pedra viva de memória. Estamos em Mangaratiba, no dia 20 de novembro do longínquo ano de 1860. Lá havia um jovem a quem os moradores chamavam João, mas que nasceu Kauandá, numa terra onde o mar não tinha o sabor salgado que o condenaria para sempre — até ser resgatado, mais de um século e meio depois, pelos olhos atentos de quem decide aprender, não esquecer. Era madrugada e o vento soprava do mar, frio e úmido, carregando cheiro de madeira molhada, café recém-descarregado e suor humano. O Povoado do Saco ainda dormia em silêncio, exceto pelos sons que nunca descansavam: ondas, cordas tensionadas, mastros rangendo e, ao longe, a tosse insistente dos homens que trabalhavam sem sol e sem lua. No alojamento dos carregadores, João despertou antes de ser chamado. Não era o despertador do feitor que o tirava do sono, mas a febre da memória — d...

Esse "pastor" que defende a escravidão não pode ingressar no Brasil!

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  Conforme noticiado pelo  site  de jornalismo investigativo  Intercept Brasil , o campo evangélico brasileiro Consciência Cristã, mais precisamente a Visão Nacional para a Consciência Cristã, convidou para o seu congresso na Paraíba o "pastor" estadunidense Douglas Wilson que, sistematicamente, defende o direito de cristãos escravizarem pessoas negras, com o falso argumento de que essa é uma autorização presente na Bíblia. Além disso, "(...) Douglas Wilson é da geração de teólogos conservadores imediatamente posterior a esse movimento e um dos mais aguerridos defensores públicos da justificação bíblica para escravidão.  Ele trabalhou pelo revisionismo histórico sobre o legado “positivo” da escravidão e sustenta a visão de que, se o sistema escravista do Sul tivesse sido fiel aos princípios bíblicos, teria funcionado harmoniosamente, ou desaparecido “pacificamente” com o tempo.  Wilson chega a dizer que a vitória dos abolicionistas impediu, por exemplo, que...

Neste carnaval, mais do que nunca eu sou Mangueira!

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Desde criança, eu já tinha duas agremiações pelas quais nutria certas afinidades. Uma era o Flamengo, time de futebol pelo qual meu pai torcia alucinadamente e que, desde os primeiros dias de vida, fez-me um seguidor do rubro-negro havendo me vestido com uma fralda com a estampa do escudo do clube. Já a outra simpatia que eu tinha era pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Ou simplesmente,  Mangueira ... Entretanto, jamais fui um fã do Carnaval e nem cheguei a ter grandes paixões pelo futebol. Anualmente, sempre que rolavam os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, nos meses de fevereiro e março, torcia para que a Mangueira vencesse. Só que, até os tempos de adolescente, nunca me ligava no samba-enredo de nenhuma delas, sendo que me chamavam mais a atenção os carros alegóricos, algumas fantasias e, logicamente, as mulheres quase peladas cujos corpos e movimentos mexem com a libido de qualquer macho. É possível que as três vitórias ...

A discriminação dos afrodescentes continua

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Por Leonardo Boff* Uma consequência da campanha eleitoral de 2018, anti-democrática e marcada por um sem número de fake news (falsas notícias), foi o fortalecimento do já existente racismo contra indígenas, quilombolas e particularmente contra negros e negras. Segundo o ultimo censo, 55,4% se declaram pardos ou negros. Quer dizer, depois de Kênia somos a maior nação negra do mundo. A maioria tem em seu sangue a herança africana. Aliás todos, brancos, negros e amarelos e outros somos africanos. Pois foi em África que irrompeu o processo da antropogênese há milhões de anos. Como nossa história foi escrita pela mão branca, muitos historiadores tentaram suavizar a escravidão. O fato é que a escravidão desumanizou a todos, senhores e escravos. Ambos viveram a escravidão numa permanente síndrome de medo, de revoltas, de envenenamentos, de assassinatos de patrões, de filhos, de assaltos a suas mulheres. Os senhores para contê-los e aplicar a violência contra os negros, tiveram de repr...

Sem senhores e sem capatazes: Um carnaval aquilombado pelas massas

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Por  Hertz Dias* O capitalismo tornou-se um fardo insuportável nas costas de nossa classe. Nos setores oprimidos das semicolônias o fardo pesa em dobro. Por isso, o desejo de jogá-lo ao chão é cada vez maior, algo que se refletiu com muita força no carnaval de 2018. A Escola de Samba “Paraíso do Tuiuti” expressou isso na Marquês de Sapucaí. 75 minutos para desfilar, 130 anos de abolição para questionar, 500 anos de exploração e humilhação para denunciar. Emocionante, revoltante, necessário. E não foi só essa escola de samba que transformou as passarelas em “tribunas populares”, foram várias escolas de sambas e blocos alternativos de todo Brasil que resolveram escancarar o verbo com enredos e marchinhas politizadas. Não se trata de um suposto retorno nostálgico à raiz do nosso carnaval, pelo contrário, o que existe é muita luta pela sobrevivência nas trincheiras da guerra social, necessidade de denunciar o genocídio negro como fez brilhantemente a Beija Flor, de mostrar que “...

Escravidão que ainda não terminou

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Há exatos 128 anos atrás, era sancionada pela regente Dona Isabel a Lei Imperial n.º 3.353, cujo projeto foi de autoria do então Ministro dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, o Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva (1833 - 1889). Conhecida também como a Lei Áurea , tal norma formalizou a extinção do trabalho escravo no país, representando a conquista de uma heroica luta pelo abolicionismo, a qual marcou a segunda metade do século XIX. Embora sem prever qualquer indenização aos fazendeiros. a referida lei de apenas dois artigos tão pouco foi capaz de promover uma justa inclusão social dos quase um milhão de ex-escravos que estariam deixando para trás as senzalas. Estes sofreram consequências muito piores do que a desorganização das lavouras brasileiras. Aliás, nos próprios debates ocorridos no Senado brasileiro, Paulino de Souza chamou a atenção de seus pares para o abandono em que ficariam os libertos em situação de desvantagem: "É desumana [a le...

Um herói que não pode ser esquecido

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Nesta última terça-feira (03/11), a OAB prestou uma homenagem ao líder abolicionista  Luiz Gonzaga Pinto da Gama , o qual viveu no século XIX, entre os anos de 1830 a 1882. Durante a solenidade ocorrida na Universidade Mackenzie, em São Paulo, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos advogados do Brasil, Dr. Marcus Vinicius Furtado Coêlho, reconheceu a atuação de Luiz Gama como advogado conferindo-lhe título póstumo como profissional da advocacia, conforme discursou: "Luiz Gama é um herói da nação brasileira. O reconhecimento pela OAB de sua condição de advogado é a declaração de um fato histórico.  Foi Luiz Gama um autêntico advogado, defensor de milhares de escravos nos tribunais.  Sua história há de ser reverenciada na galeria dos mártires da pátria" Importante comentar que Luiz Gama não teve a oportunidade de cursar uma faculdade como os demais estudantes de sua época. Vivendo numa sociedade vergonhosamente racista e aristocrática, ele foi impe...

Que tal uma Comissão da Verdade para apurar a escravidão negra?

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Achei bem oportuna a ideia de se criar uma comissão da verdade sobre a escravidão no Brasil! Durante a  21ª Conferência Nacional dos Advogados , ocorrida mês de outubro no Rio de Janeiro, foi levantada a proposta de se formar um grupo com o objetivo de apurar os crimes cometidos nesse contexto histórico e fazer um resgate social da contribuição negra no país a partir de pesquisas sobre episódios pouco conhecidos. Sugeriu o Conselho Federal da OAB que o governo federal faça algo nos moldes da Comissão Nacional da Verdade (CNV) que apura os delitos da época do regime militar (ler matéria  OAB cria Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil , de 03/11/2014). Verdade é que a história oficial deixou de lado fatos de enorme relevância como o protagonismo do negro em revoltas e insurreições, bem como a contribuição dada pelos escravos para o desenvolvimento da nação. É o que não se costuma ensinar nas escolas e isso trouxe resultados muito negativos para...