Postagens

Mostrando postagens com o rótulo negros

O histórico discurso da Exposição de Atlanta sobre relações raciais

Imagem
  Há exatos 128 anos, mais precisamente em 18 de setembro de 1895, o educador e líder afro-americano estadunidense  Booker Taliaferro Washington  (1856 – 1915) proferia o histórico discurso da Exposição de Atlanta sobre relações raciais.  Sua fala se deu diante de uma audiência predominantemente branca e começou com um chamado aos negros, que compunham um terço da população sulista dos EUA, para ingressar no mundo do trabalho. Ele declarou que o Sul de seu país era onde os negros tinham sua chance, ao contrário do Norte, especialmente nos mundos do comércio e da indústria.  Washington disse ainda ao público branco que, em vez de depender da população imigrante chegando à taxa de um milhão de pessoas por ano, eles deveriam contratar alguns dos oito milhões de negros do país, tendo elogiado a lealdade, a fidelidade e o amor dos negros no serviço à população branca, embora alertando que eles poderiam ser um grande fardo para a sociedade se a opressão continuasse. A...

Neste carnaval, mais do que nunca eu sou Mangueira!

Imagem
Desde criança, eu já tinha duas agremiações pelas quais nutria certas afinidades. Uma era o Flamengo, time de futebol pelo qual meu pai torcia alucinadamente e que, desde os primeiros dias de vida, fez-me um seguidor do rubro-negro havendo me vestido com uma fralda com a estampa do escudo do clube. Já a outra simpatia que eu tinha era pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Ou simplesmente,  Mangueira ... Entretanto, jamais fui um fã do Carnaval e nem cheguei a ter grandes paixões pelo futebol. Anualmente, sempre que rolavam os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, nos meses de fevereiro e março, torcia para que a Mangueira vencesse. Só que, até os tempos de adolescente, nunca me ligava no samba-enredo de nenhuma delas, sendo que me chamavam mais a atenção os carros alegóricos, algumas fantasias e, logicamente, as mulheres quase peladas cujos corpos e movimentos mexem com a libido de qualquer macho. É possível que as três vitórias ...

A discriminação dos afrodescentes continua

Imagem
Por Leonardo Boff* Uma consequência da campanha eleitoral de 2018, anti-democrática e marcada por um sem número de fake news (falsas notícias), foi o fortalecimento do já existente racismo contra indígenas, quilombolas e particularmente contra negros e negras. Segundo o ultimo censo, 55,4% se declaram pardos ou negros. Quer dizer, depois de Kênia somos a maior nação negra do mundo. A maioria tem em seu sangue a herança africana. Aliás todos, brancos, negros e amarelos e outros somos africanos. Pois foi em África que irrompeu o processo da antropogênese há milhões de anos. Como nossa história foi escrita pela mão branca, muitos historiadores tentaram suavizar a escravidão. O fato é que a escravidão desumanizou a todos, senhores e escravos. Ambos viveram a escravidão numa permanente síndrome de medo, de revoltas, de envenenamentos, de assassinatos de patrões, de filhos, de assaltos a suas mulheres. Os senhores para contê-los e aplicar a violência contra os negros, tiveram de repr...

Sem senhores e sem capatazes: Um carnaval aquilombado pelas massas

Imagem
Por  Hertz Dias* O capitalismo tornou-se um fardo insuportável nas costas de nossa classe. Nos setores oprimidos das semicolônias o fardo pesa em dobro. Por isso, o desejo de jogá-lo ao chão é cada vez maior, algo que se refletiu com muita força no carnaval de 2018. A Escola de Samba “Paraíso do Tuiuti” expressou isso na Marquês de Sapucaí. 75 minutos para desfilar, 130 anos de abolição para questionar, 500 anos de exploração e humilhação para denunciar. Emocionante, revoltante, necessário. E não foi só essa escola de samba que transformou as passarelas em “tribunas populares”, foram várias escolas de sambas e blocos alternativos de todo Brasil que resolveram escancarar o verbo com enredos e marchinhas politizadas. Não se trata de um suposto retorno nostálgico à raiz do nosso carnaval, pelo contrário, o que existe é muita luta pela sobrevivência nas trincheiras da guerra social, necessidade de denunciar o genocídio negro como fez brilhantemente a Beija Flor, de mostrar que “...