sexta-feira, 1 de março de 2013

O Animal Político




Eduardo Medeiros

As virtudes podem ser ensinadas ou elas são inatas? Na sua obra Protágoras, Platão conta o mito da criação do homem e como as criaturas vieram a ter competências e qualidades. Para Platão, as virtudes podiam ser ensinadas, para Sócrates, elas eram inatas. Quem conta o mito é o filósofo Protágoras:
 No tempo da criação de homens e animais, os deuses deram aos irmãos Epimeteu e Prometeu a incumbência de determinar e distribuir qualidades e competência às espécies. Epimeteu ficaria com esse encargo e Prometeu ficaria responsável de conferir o trabalho. Epimeteu então vai distribuindo as qualidades aos animais de modo que apesar de suas diferenças, tivessem a mesma possibilidade de sobrevivência. Força e velocidade, peles ou carapaças, serviram para o bom equilíbrio da natureza. Depois de terminar sua atribuição, Epimeteu se deu conta que tinha se esquecido de dar qualidades ao homem! Ele ficaria sem competência para sobreviver ao frio e a chuva, pois tinha nascido pelado! Prometeu chega e vê seu irmão desolado. O que fazer agora? 

Prometeu, ousadamente, foi até o Olimpo e “tomou emprestado” de Hefesto os atributos do fogo e de Atena, a sabedoria das demais artes técnicas e a capacidade de criar os seus próprios meios de sobrevivência. Então os homens conseguiram construir casas, roupas, plantar; o homem passaria a interferir na natureza.

Mas com o passar do tempo os homens se viram incapazes de encontrar um meio de convivência harmônica, não tinham tal atributo da harmonização. Os homens ignoravam a arte política que, vejam só, era um atributo do próprio Zeus! Mas ainda bem que Zeus compadeceu-se dos homens que  jazia em guerra uns com os outros. Zeus ponderou que a própria sobrevivência da humanidade estava em jogo. Então ele enviou seu mensageiro pessoal – Hermes – e o mandou atribuir aos seres humanos sentimentos de justiça (dikê) e de dignidade pessoal (aidos). Segundo Kraichete, “a maior força moral que o homem conhecia não era o temor aos deuses, mas o respeito pela opinião pública – aidéomei”. Se o homem não tiver “aidos”, não se ocupará de como seus atos serão julgados e qualificados pelo coletivo. Zeus determinou que todos os homens deveriam possuir a arte política, pois se só alguns  a tivessem, não haveria harmonia social. Era obrigação dos homens serem “políticos”. E a essência da virtude política são a justiça e o respeito ao próximo.

Precisamos mais do que nunca, pedir outra vez a Zeus que nos mande mais um pouco de diké e aidos; nossos políticos em Brasília, principalmente,  estão faltosos de tais virtudes.

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