segunda-feira, 11 de março de 2013

Fumaça Preta―Branca―Preta...




                                                        Afresco ― Juízo Final ― Capela Sistina


Está tudo pronto para o início do conclave que escolherá o novo Papa. Ontem foram concluídos os reparos de instalação da chaminé no telhado da Capela Sistina ― famosa pelos afrescos que Michelangelo pintou na parte interna de sua abóbada, dizem, em posição muito incômoda.

Por sinal, foi a pouco mais de três meses que ocorreu o aniversário dos 500 anos dos deslumbrantes painéis desse fenomenal pintor que, diga-se de passagem, deu muito trabalho ao Papa Júlio II: o serviço muito penoso e lento de Michelangelo lhe renderam umas bordoadas do cajado papal. 

O irascível artista foi instado a destruir seu painel com da Origem da Criação, por causa de um Adão frontal completamente nu, com a genitália bem proeminente. Na ocasião, ele bateu o pé e disse: “Se não deixarem tudo como pintei, desisto em concluir a obra!”. Os cardeais, torcendo seus rostos, enfim, aquieceram. Conta-se que grande parte do cardinalato reagiu com rispidez, alegando a indignidade das pinturas, as quais continham anjos e apóstolos com partes pudendas vergonhosamente expostas. Fumaça preta para Michelangelo! (rsrs)

Todo o mundo estará de olho na chaminé da Capela Sistina a partir de terça-feira (dia 11), quando se inicia o conclave (que não deixa de ter suas escaramuças, disputas e guerras santas, etc) aguardando ansiosamente a saída da fumacinha preta ou branca.

Mas aqui pra nós: de onde os cardeais retiraram esse negócio de fumaça da discórdia e fumaça da concórdia, ou, sabe-se lá, do Cão e de Deus?!

Pedi auxílio ao Google sobre a simbologia da fumaça, mas só encontrei isso: “Fumaça negra ― significa que a igreja continua sem Papa; fumaça branca ― significa que existe Papa.”

Mas isso é muito pouco, e não aplaca a minha sede de curiosidade. Deve existir mais significado. Hoje é domingo, a revista Veja atrasou. Estou sem fazer nada, vou escarafunchar mais.

Viva!!! O bispo da diocese de Montenegro deu uma versão plausível para a fumaça, que não tem nada a ver com Mitologia, Escatologia ou Teologia. Diz ele:

“Séculos atrás a comunicação era muito precária. E como havia a necessidade de informar o andamento das votações no conclave, foi criada o sistema da fumaça preta e da fumaça branca. Os cardeais colocavam seus votos para serem queimados e davam um jeito de a fumaça sair preta (grifo meu ― pixe?), indicando dessa maneira a falta de consenso. E quando a escolha acontece, os votos são queimados, e com um processo próprio a fumaça se torna branca”.

Não me contento. Parodiando Shakespeare: há mais coisas escondidas entre o processo “fumaçal” e as quatro paredes da Capela que as minhas vãs palavras escritas nesse ensaio.

Deixo o Google pra lá, e pego meu dicionário de expressões e ditados populares. Finalmente, encontro uma expressão que me alivia e, cai, como uma luva, para explicar a tal da fumaça preta: “A Coisa Tá Pretaato denegrível, sujou, tá num beco sem saída, tá na sinuca de bico, situação insustentável” ― enfim, tudo que o antecessor, Bento XVI já cansou de falar aos quatro cantos da terra sobre a Igreja nos últimos dias. O nó é que mesmo com “a brancura final” da fumaça, o “fantasma de cor negra” vai continuar rondando o Vaticano por, sei lá quanto tempo.

Não foi à toa, que o sarcástico e inteligente Michelangelo, dedicou a maior parte de seu tempo a pintar o maior painel da abóbada da capela Sistina ― cuja foto está no topo desse ensaio ―, representação do JUÍZO FINAL ―, pairando como uma ameaçadora nuvem sobre as cabeças dos que irão escolher o novo Comandante espiritual e Senhor das finanças, esperanças e heranças do riquíssimo império do Vaticano.


Site da Imagem: sabercultural.com
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...