terça-feira, 9 de agosto de 2011

De Freud a Sandy – O que há de errado?


Lídia Rosa

 Foi no segundo dos "Três ensaios de sexualidade" das Obras Completas, que Freud postulou o processo de desenvolvimento psicossexual, quando o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo, pois nos primeiros tempos de vida, a função sexual está intimamente ligada à sobrevivência. O corpo é erotizado, isto é, as excitações sexuais estão localizadas em partes do corpo (zonas erógenas) e há um desenvolvimento progressivo também ligado as modificações das formas de gratificação e de relação com o objeto, que levou Freud a chegar nas fases do desenvolvimento sexual, que sabemos tal qual um be-a-bá: 

Fase oral (0 a 2 anos) - a zona de erotização é a boca e o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação da mucosa dos lábios e da cavidade bucal. Objetivo sexual consiste na incorporação do objeto.

Fase anal (entre 2 a 4 anos aproximadamente) - a zona de erotização é o ânus e o modo de relação do objeto é de "ativo" e "passivo", intimamente ligado ao controle dos esfíncteres (anal e uretral). Este controle é uma nova fonte de prazer. Acontece entre 2 e 5 anos o complexo de Édipo, e é em torno dele que ocorre a estruturação da personalidade do indivíduo. No complexo de Édipo, a mãe é o objeto de desejo do menino e o pai (ou a figura masculina que represente o pai) é o rival que impede seu acesso ao objeto desejado. Este processo também ocorre com as meninas, sendo invertidas as figuras de desejo e de identificação. Freud fala em ‘Édipo feminino’, ou Complexo de Electra.

Fase fálica - a zona de erotização é o órgão sexual. Apresenta um objeto sexual e alguma convergência dos impulsos sexuais sobre esse objeto. 

A teorização é longa e o espaço é curto. A explanação freudiana seria talvez uma das formas de representação que poderiam nortear reflexões diante dos fatos ora apresentados:

Essa semana, uma polêmica ascendeu, primeiro nas redes sociais, depois espalhou-se como pólvora ‘mundo afora’. A cantora Sandy, conhecida pelo comportamento recatado, e as maria-chiquinhas da infância, fez uma declaração polêmica, em entrevista à Revista Playboy.

“É possível ter prazer anal”

A princípio não dei muita importância, acreditando tratar-se de uma jogada de marketing, para promover a edição, ou mesmo aquecer as vendas de DVDs da moça. Mas de repente, o Brasil inteiro viu-se espantado com as questões que surgiam por trás do assunto. Sandy recuou diante da declaração anterior, a família constrangeu-se e até o marido fez-se de desentendido (?).

Instaurou-se um debate nacional, sobre novas-velhas questões profundas sobre os mitos da sexualidade, o quanto ela está enraizada de forma arrevesada em nossa cultura (quantos palavrões você conhece que não tenham cunho sexual?) e os limites da liberdade feminina de se pronunciar sobre questões que a priori, lhe interessam diretamente.

Muitas questões a discutir.


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