sábado, 17 de julho de 2010

Quando eu era menino pecava como menino





Gostaria que essa carta não corresse o risco de ser entendido como uma replica disputa ou justificativa, mas simplesmente como uma explicação do meu entendimento da coisa. Você me perguntou daquela ultima vez se Davi continuou (pecando) depois do arrependimento? Como se ele tivesse se tornado um santo ou casto! Ai eu respondo que sim! Davi não só continuou transando com as suas sessenta mulheres como fez da viúva de Urias a sua principal esposa. Pecado sexual no velho testamento tem a ver com a invasão da “propriedade” privada de outro homem, e não necessariamente com a quebra quase inevitável do propósito original de Genesis dois. Aja vista a farta documentação das experiências sexuais dos homens nesta época. O que muda no novo testamento? Só o fato de que nele não temos tal registro pessoal dos protagonistas.

Quanto a mim me arrepender? Não sou desonesto e ingênuo diante de Deus! Para oferecer-lhe um sentimento, consciente de que eu não sou capas de mudar a minha própria situação. Já lutei muito! Deus o sabe! Quando eu era menino, pecava como menino, agora que sou homem, peco como homem. Ou seja: lutei em toda minha adolescência da fé, sem êxito nenhum, contra a pornografia e masturbação, acontece que o desejo tornou se não só necessidade física do corpo e do toque, mas como também a necessidade psicológica de sentir o ser da mulher no ato do “amor”. Se quando no fervor puro e apaixonado de meu primeiro amor eu não venci o “pecado”, imagine agora: adulto, viril e “liberal”: impossível né!

Falo e insisto nesta questão não para ser aprovado diante de você; mas para que você nunca de uma definição sobre o estado espiritual de qualquer homem na presença de Deus. As suas palavras de juízo estão gravadas em minha memória! Presumir saber o que se passa na consciência de um homem e a posição de Deus perante ele é monstruoso! Meu “pecado” evoluiu naturalmente com a minha maturidade, no entanto o que sou hoje no coração sempre foi o mesmo desde a minha conversão; essencialmente nada mudou por isso minha mente e minha alma não pode aceitar essa sentença de que perdi algo espiritualmente. Pelo contrario, a serenidade do meu espírito hoje, é maior.

O evangelho é um reino de consciência, e ninguém pode julgar o estado moral de um homem. Primeiro porque não esta sobre as mesmas conjunturas e condições e, principalmente porque é incapaz de saber se a alma de tal homem sente vazio, desespero e culpa, ou: perdão, Graça e paz. Se fôssemos sentenciar quem herda o reino de Deus, conforme Gálatas cinco, pela aquela lista (Lei) quase ninguém sobraria! Mas o sexo tem sido um problema para a igreja que não sabe lidar com ele não é? Meu Deus! Quanta injustiça! Afinal é a lei brutal da natureza né: os fortes e aptos para a vida religiosa ascética sobrevivem, em quanto os fracos são dizimados.

Eu sei que para você me “aceitar” equivale a abrir uma concessão para as suas tentações. Mas você tem uma carne pra tocar e cheirar; você tem uma austera visão religiosa herdada sobre o sexo; você tem a construção de uma família e de uma historia cristã para honrar; você tem praticamente o dobro de minha idade, maturidade e prudência. Você é cercado por toda essa estrutura e pela responsabilidade por muitas pessoas que estão diante de você. E eu?... Não tenho nada disso!... A não ser o instinto e o destino fatídico de Sansão e a missão funesta de profetas que andavam nus. No entanto você tem todo o direito de dizer que isso ou aquilo e grave pecado, mas jamais dizer que um homem tem ou não tem comunhão com Deus. Isso!... Esta além de você!... E é desconhecido de todos!


Gresder Sil


Escrito em 01/08/09

Também no blog: cristianismoa-religioso.blogspot.com

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