quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Supersimetria da criação

Conta uma tradição chinesa da época Xia (2205-1782), que apareceram dez sóis em nosso ambiente cósmico causando súbitas mudanças. Os povos da terra sofreram, terrivelmente com o calor e, por isso o Imperador ordenou ao seu melhor arqueiro que abatesse os sóis extras. O arqueiro foi recompensado com uma pílula  que tinha o poder da imortalidade mas sua esposa a roubou. Por esta ofensa ela foi exilada imóvel no firmamento transformando-se na lua.
Segundo esta lenda, o primeiro ser vivo foi P’na Ku, que cresceu durante 18 mil anos dentro de um ovo cósmico. Quando se chocou, a casca acima dele se tornou o céu, enquanto a casca abaixo tornou-se a terra. Os opostos da natureza foram separados como masculino e feminino, úmido e seco, claro e escuro, yin e yang. P’an Ku se despedaçou e suas feições se tornaram o mundo natural. Seus membros se transformaram em montanhas, seu sangue em rios, sua respiração no vento, sua voz nos trovões, seu cabelo na grama e seu suor na chuva. Seu olho esquerdo se tornou o sol e o direito na lua.
Antes do início dos tempos havia Nu, o oceano primordial do caos. De um ovo na superfície de Nu surgiu uma divindade referida como Amon-Rá. Amon-Rá produziu filhos e filhas divinos. As lágrimas de Amon-Rá fornaram a humanidade. Seu neto, o Deus Osíres se casou com uma sua irmã Ísis que descobriu a identidade de Amon-Rá, o que permitiu que Osíres tomasse seu lugar como rei. Osíres mostrou aos humanos como obter comida e vinho, enquanto Ísis ensinou-lhes a tecer e fazer medicina. Set, irmão de Osíres, que representava o mal, prende-o em um baú lançado ao Nilo.  Ìsis recuperou o corpo dilacerado de Osíres exceto o pênis que fora comido por um peixe. Ela criou um pênis de barro e soprou a vida de volta para Osíres através dele.  Osires viveu apenas o suficiente para engravidar ìsis do seu filho Hórus. Para manter seu filho a salvo de Set, Ìsis o colocou num cesto para flutuar no Nilo, inspirando a história de Moisés.
No princípio o Deus Amma, o sol e a lua, na forma de dois potes, jogou pedaços de barro no espaço para criar as estrelas e uma bola de barro para criar a terra. Sentindo-se só, Amma se aproxima da terra e fertiliza-a para gerar filhos. Entretanto, uma colina vermelha causou um defeito na gestação. Em vez de gêmeos, nasceu um chacal que trouxe inúmeros problemas para Amma. Esta lenda explica a circuncisão feminina realizada por diversas tribos africanas.
A bíblia conta a lenda de quando Josué rezou para que o sol parasse em seu trajeto de forma que a luz do dia se prolongasse, permitindo a ele terminar a batalha contra os Amoritas em Canaã. Segundo o livro de capa preta, o sol ficou parado por um dia. Atualmente sabemos que isto significa que a terra ficou sem rotação por doze horas. Se a terra fosse imobilizada, de acordo com as leis de Newton, tudo que não estivesse preso a ela, continuaria a se mover na sua velocidade original que é de 1.800 km/h no Equador. Um preço muito alto para um pôr do sol prolongado. Por outro lado, o universo não pode ser rebobinado. As leis matemáticas da física moderna não permitem o desvio de seu curso inexorável, para o futuro.
Mitos de criação como estes são tentativas de responder a questão feita pela ciência; Por que há um universo, e por que o universo é do jeito que é.
As lendas têm significados diferentes. As citadas aqui, umas são poéticas, outras são românticas e outras são mentiras enganosas que perduram. O universo é compreensível por que é governado por leis científicas e seu comportamento pode ser descrito como um modelo matemático. A primeira força descrita em linguagem matemática foi a gravidade. A lei da gravitação universal foi descrita por Newton e publicada em 1687  dizendo que todo objeto no universo atrai qualquer outro com uma força proporcional à sua massa. A ideia de que existem leis naturais ,suscita questões semelhantes àquelas pelas quais Galileu Galilei foi condenado por heresia em 1637.
A humanidade parece ter reconhecido que o universo não foi uma criação recente ou os seres humanos  têm existido apenas durante uma fração menor da história cósmica. Isto porque nossa espécie tem aprimorado tão rapidamente seu conhecimento tecnológico que, se existisse a milhões de anos, já teríamos alcançado a singularidade. A menos que a cada limite da evolução, a sociedade entra em colapso e começa tudo novamente. Inclusive a criação.

Dissocia-se o universo da criação humana, mesmo que o homem seja criado à semelhança de alguém e pode ser destruído por seu criador. O universo se mantém simétrico com outros universos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Setenta anos de uma importante conquista




Neste mês completam-se setenta anos da Tomada de Monte Castello, considerada um dos mais importantes feitos do Exército brasileiro em toda a nossa história militar. Embora a mídia pouco esteja relembrando esse acontecimento, sabe-se que tal batalha foi decisiva para conter o avanço dos nazistas no norte da Itália durante a 2ª Guerra Mundial.

Sob o comando do marechal João Batista Mascarenhas de Morais (1883 — 1968), os valentes pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutaram bravamente por três meses, durante os quais foram realizados seis ataques com um grande número de baixas. Enfrentando o rigoroso inverno europeu e o fogo intenso dos alemães, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) conseguiu tomar um estratégico reduto dos inimigos no dia 21 de fevereiro de 1945. E, a partir daí, abriu-se caminho para uma série de novas vitórias até à completa rendição dos nazistas em 08/05/45.

"O rigoroso inverno de 1944-45, suportado galhardamente por nossos soldados, caracterizou-se pela luta em torno do Monte Castello, importantíssima posição alemã que deveria ser conquistada pela 1ª DIE. Na luta por esse reduto, Mascarenhas de Morais confirmou a já sabida teoria de que os grandes generais não se revelam apenas na vitória, mas também na adversidade. Efetivamente, os dois primeiros assaltos brasileiros foram repelidos pelos alemães, fortemente instalados em suas posições. Aliás, em ambas as ocasiões, Mascarenhas não esteve no comando direto dos ataques, os quais foram dirigidos pelo general Zenóbio da Costa. Mas, sem desanimar com os reveses, o chefe brasileiro soube manter o ardor combativo de seus soldados, até o glorioso dia 21 de fevereiro de 1945. Nessa data, a 1ª DIE, sob a direção pessoal de Mascarenhas, tomou finalmente o Monte Castello, depois de uma árdua progressão realizada sob intenso fogo dos alemães, abrindo caminho para uma série de outros sucessos: Castelnuovo, Montese (a mais sangrenta batalha da campanha), Zocca..." (extraído de Grandes Datas Nacionais, Editora Michalany Ltda, 1997)

Ao todo, 1.916 brasileiros morreram em consequência das ações de guerra. Na FEB, foram 13 oficiais e 430 soldados que perderam a vida, além de 17 desaparecidos. Porém, pode-se dizer que, graças aos nossos bravos combatentes, a Itália recuperou a sua democracia ficando livre do terror nazista. A presença da Força Expedicionária na Europa tornou-se então valiosíssima para auxiliar os trabalhos do V Exército Norte-Americano, atuando como uma inegável ponta-de-lança.

Setenta anos depois dessa inesquecível conquista, o mundo vive agora uma outra ameaça que é o Estado Islâmico. Não só o Oriente Médio como a África e a Europa encontram-se ameaçados por terroristas organizados que hoje dominam porções territoriais na Síria, Iraque e até na Líbia. Vários jornalistas e cristãos já foram decapitados por esses criminosos sendo que um piloto jordaniano acabou queimado vivo numa jaula, o que caracteriza um ato de extrema crueldade e covardia.

Mais do que nunca o mundo precisa intervir pondo fim a essa barbárie enviando tropas terrestres da ONU antes que os terroristas se espalhem pelos cinco continentes. E, neste sentido, o Brasil não pode se omitir. Seja através da nossa diplomacia, bem como participando de ações militares, temos aí o dever de zelar pela vida e pela liberdade das pessoas.

Esta semana, apesar do Carnaval ser umas das principais manchetes dos jornais, a imprensa nacional deveria dar algum destaque às comemorações do episódio da Tomada de Monte Castello. Relembrar um passado de lutas e de glórias contribui para a significação do presente ajudando a projetar um futuro pacífico. Logo, vale a pena parabenizar mais uma vez os feitos de nossos soldados, os quais foram os verdadeiros heróis brasileiros do século XX.


OBS: Imagem acima extraída da galeria de fotos do Portal FEB, conforme consta em http://www.portalfeb.com.br/wp-content/gallery/fotos-da-feb-forca-expedicionaria-brasileira/feb-tomada-de-monte-castello.jpg
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