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Mostrando postagens de março, 2013

Euclides e Os Sertões

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Por Eduardo Medeiros Comecei a ler os clássicos da literatura brasileira no primeiro ano do antigo “segundo grau” por causa de um professor de português. Foi ele que me apresentou Machado de Assis e José de Alencar, meus dois clássicos preferidos. Ele era um ótimo professor. Procurava criar nos alunos o gosto pela leitura enfatizando a importância do ato de ler para a nossa formação pessoal e intelectual   e nos dava boas dicas de como ler os clássicos, como por exemplo, sempre fazer uso de dicionários. Acabei tomando tanto gosto pelos dicionários que fiz planos   para   ler um de capa a capa.   Ia lendo   e aprendendo novas palavras   e   anotava   em um caderno aquelas   que eu achava interessante.   Era o meu dicionário particular. Evidentemente, nunca consegui ler um dicionário do princípio ao fim! Pois bem. Este ano voltei com tudo a ler literatura e resolvi ler “Os Sertões” de Euclides da Cunha. Já conhe...

Fumaça Preta―Branca―Preta...

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                                                        Afresco ― Juízo Final ― Capela Sistina Está tudo pronto para o início do conclave que escolherá o novo Papa. Ontem foram concluídos os reparos de instalação da chaminé no telhado da Capela Sistina ― famosa pelos afrescos que Michelangelo pintou na parte interna de sua abóbada, dizem, em posição muito incômoda. Por sinal, foi a pouco mais de três meses que ocorreu o aniversário dos 500 anos dos deslumbrantes painéis desse fenomenal pintor que, diga-se de passagem, deu muito trabalho ao Papa Júlio II : o serviço muito penoso e lento de Michelangelo lhe renderam umas bordoadas do cajado papal.  O irascível artista foi instado a destruir seu painel com da Origem da Criação, por causa de um Adão frontal completamente nu, com a genitália bem proeminente. Na ocasião, e...

O Animal Político

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Eduardo Medeiros As virtudes podem ser ensinadas ou elas são inatas? Na sua obra Protágoras , Platão conta o mito da criação do homem e como as criaturas vieram a ter competências e qualidades. Para Platão, as virtudes podiam ser ensinadas, para Sócrates, elas eram inatas. Quem conta o mito é o filósofo Protágoras:   No tempo da criação de homens e animais, os deuses deram aos irmãos Epimeteu e Prometeu a incumbência de determinar e distribuir qualidades e competência às espécies. Epimeteu ficaria com esse encargo e Prometeu ficaria responsável de conferir o trabalho. Epimeteu então vai distribuindo as qualidades aos animais de modo que apesar de suas diferenças, tivessem a mesma possibilidade de sobrevivência. Força e velocidade, peles ou carapaças, serviram para o bom equilíbrio da natureza. Depois de terminar sua atribuição, Epimeteu se deu conta que tinha se esquecido de dar qualidades ao homem! Ele ficaria sem competência para sobreviver ao frio e a chuva, poi...