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Mostrando postagens de abril, 2014

A terrível quebra de diálogo entre as gerações

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"E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família"  (palavras do papa  Francisco  nos dias de sua visita ao Brasil em 2013) Neste último sábado (26/4), estava a ler o  Salmo 78 , quando os seus primeiros oito versículos me fizeram refletir acerca da nossa atual condição crítica no Brasil e no Ocidente em geral. Em seu poema, Asafe assim teria declarado ao seu povo: "Em parábolas abrirei a minha boca, proferirei enigmas do passado; o que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram não os esconderemos dos nossos filhos;  contaremos à próxima geração  os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez. Ele decretou estatutos para Jacó, e em Israel estabeleceu a lei, e  ordenou aos nossos antepassados que a ensinassem aos seus filhos, de modo que a geração seguinte a conhecesse , e também os filhos que ainda nasceriam, e eles, por sua vez, contassem aos seus...

O Poder Acachapante do Imperador

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Por Levi B. Santos Faz parte de nossa tradição considerar que abaixo de Deus está o Imperador no comando do destino de nossa Colônia. Para confirmar o fascínio que os líderes carismáticos exerciam sobre o povo, o escritor Cassiano Nunes, em seu livro - “Cartas do Povo Brasileiro ao Presidente” , mostra com fortes cores o sentimento de inferioridade dos colonos ante os poderes “divinos” dos imperadores. Quem estudou História do Brasil, sabe muito bem como os missivistas do tempo de nossa colonização se dirigiam ao Rei. Curvando-se até o chão imploravam “A nossa esperança está primeiramente em Deus e depois em Vossa Excelência!" . A sentença era certeira: qualquer um que duvidasse ou discordasse dos decretos imperiais o destino seria o calabouço. Mas lá se vão mais de 120 anos, e o rescaldo dessa cultura, de forma aparentemente sutil, ainda permanece enraizada em nosso inconsciente. Hoje, os calabouços funcionam com outras nuances. Os métodos que os reis da Vene...

Uma Páscoa pra lá de inovadora

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"Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importava comemorar [sacrificar] a Páscoa. Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos. Eles lhes perguntaram:  Onde queres que a preparemos?  Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado;  ali fazei os preparativos . E, indo, tudo encontraram como Jesus lhes dissera e prepararam a Páscoa. Chegada a hora,  pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos . E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento. Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse:  Recebei e reparti entre vós; pois vo...

A Ciência da Sobrevivência Judaica - Pêssach

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Por Dov Greenberg Há mais de três mil anos, um grupo de escravos judeus foram libertados do Egito. Desde então, nessa época do ano, revivemos sua história em Pêssach, a Festa da Liberdade. Imagine que pudéssemos viajar de volta no tempo e dizer ao Faraó: "Temos boas e más notícias. A boa é que um dos povos que estão vivos hoje sobreviverá e mudará a paisagem moral do mundo. A má notícia é: não será o seu povo. Será aquele grupo ali de escravos hebreus, que estão construindo seus gloriosos templos, os Filhos de Israel." Nada poderia ser mais ultrajante. O Egito do tempo dos faraós era o maior império do mundo antigo, brilhante em artes e ciências, formidável na guerra. Os israelitas eram um povo sem terra, escravos indefesos. De fato, já na antiguidade, aqueles no poder acreditavam que os israelitas estavam em vias de extinção. A primeira referência a Israel fora da Bíblia é um obituário do povo judeu. Está inscrito numa pedra grande de granito, que hoje se ...

A Igreja Segundo Espinosa

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No seu mais consagrado livro ― “TratadoTeológico-Político ―, Baruch de Espinosa , diz que as Escrituras Sagradas são fruto da imaginação dos profetas, que entendiam a intenção humana como efeito de um Espírito Divino. Antecipando-se a Freud, diz ele: “os direitos subjetivos de Deus nada mais são que a soma dos direitos subjetivos do todos os indivíduos ( T.Teológico-Político – pág CVII – Editora Martins Fontes ). O prefácio ou introdução dessa magistral obra, realizada por Diogo Pires Aurélio, consomem 137 das 560 páginas que compõem o livro, do qual trago um trecho bastante emblemático em que o filósofo judeu de Amsterdam, por volta de 1674, discorreu sobre a “Igreja Cristã” do seu tempo: “Inúmeras vezes fiquei espantado por ver homens que se orgulham de professar a religião cristã, ou seja o amor, a alegria, a paz, a continência e a lealdade para com todos, combaterem-se com tal ferocidade e manifestarem cotidianamente uns para com os outros um ódio tão exarcebado ...