Postagens

Dilemas: CPI da Covid, Renan e Randolfe

  O DILEMA (proposto por mim) DE RENAN CENA 1. A POLÍCIA FEDERAL realizou em 28 de maio deste ano, operação para investigar desvios de recursos públicos que eram para serem usados no combate à pandemia em SERGIPE E ALAGOAS.  Os crimes investigados teriam acontecido em 2020, causando um prejuízo de R$ 1.071.221,90 ao Fundo Nacional de Saúde. CENA 2, O MPF-AL (Ministério Público Federal de Alagoas) está apurando os gastos do governo de Renan Filho (MDB) no combate à pandemia de covid-19. O procedimento administrativo de acompanhamento de políticas pública foi instaurado em junho de 2020 e encaminhado ao Senado na última semana. CENA 3. Após operação policial em Manaus, CPI decide antecipar depoimento de governador do Amazonas. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD) é de Manaus.  PERGUNTA E DILEMA . Ranan Pai estaria disposto a apoiar pelo menos um convite ao seu filho, Renan Filho, para depor na CPI? P.S. eu acho que não, melhor culpar só o presidente que tá de bom ...

EXÍLIO FORÇADO

Imagem
  Albert Camus publicou A peste , em 1947, oferecendo à posteridade uma metáfora absolutamente instigante da condição humana. Seu livro, como alegoria, está carregado de verdades cuja raiz mais profunda é o desafio da vida humana no planeta e, ainda mais, o desafio de fazer do planeta uma casa para o ser humano. A peste é, nesse caso, uma ameaça e um exílio. Esse pode ser considerado o eixo central da obra, cujos relatos de mortes e medos remetem ao exílio existencial, metafísico e social. Trata-se daquele estranhamento vivido por Meursault no seu livro anterior, O estrangeiro: “Ah, o senhor não é daqui?” .  O exílio é a perda do mundo , o deslocamento, o desenraizamento, a falta de referências, a crise de fundamentos e suas consequências práticas: a falta de expectativa, a ruína da esperança, o colapso do interesse, a ausência de pertencimento. Não é por acaso que o móvel dessa perda de raiz é uma peste: uma doença contagiosa anula aquilo que nos qualifica como seres humanos,...

TodEs a PostEs!

Imagem
  "Tenho dúvidas da relação entre as palavras de gênero neutro e a igualdade"   Em “Não Perca o Seu Latim”, Paulo Rónai conta a história do imperador Sigismundo, que no Concílio de Constança se enganou no gênero de uma palavra e ordenou que, dali em diante, a palavra passasse a ter aquele novo gênero. Um monge considerou a ideia absurda e contestou, celebremente: “Caesar non supra grammaticos”, que significa “o imperador não está acima dos gramáticos”, ou seja, não manda na gramática. Em princípio, o monge tem razão: ninguém manda na gramática, nem mesmo um imperador. No entanto, o Liceu Franco-Brasileiro, do Rio de Janeiro, resolveu tentar, e dirigiu-se aos estudantes com a saudação “querides alunes”, por “respeito à diversidade e à inclusão”. Eu sou daquelas pessoas que acreditam ser possível respeitar a diversidade e a inclusão em português. Ao que parece, é uma crença absurda e reacionária: a língua portuguesa só deixa de discriminar se as palavras acabarem em ...

Qual será o avanço ético da humanidade neste século XXI?

Imagem
  Em meus quase 45 anos de idade, ainda não tive o mesmo tempo de vida nestas duas décadas do século atual do que as 23 últimas translações solares do milênio anterior. Porém, todos os que passamos de 2000, ainda com uma idade suficiente para saber ler e escrever, já podemos nos considerar testemunhas oculares de uma história pouco produtiva. A meu ver, a humanidade teve consideráveis avanços éticos durante a segunda metade do século XX, após o fim da 2ª Guerra Mundial de modo que os anos 90 foram o resultado das inúmeras iniciativas que tentaram incansavelmente promover a paz entre as nações, os direitos humanos, a proteção do meio ambiente e uma adequação das políticas de bem estar social às necessidades do mercado pela liberalização da economia.  Apesar de termos iniciado aquela década com o Kwait invadido pelas tropas do ditador iraquiano Saddam Hussein (1937-2006), tal fato pode ser considerado atípico assim como foi o conflito em Kosovo. Pois não seria exagero afirmar qu...

Sorria, sua privacidade acabou!

Imagem
  MUITO se discute hoje o papel das empresas de tecnologia que acabaram com nossa privacidade. Livros estão sendo escritos, como "Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais " , de Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual. Lanier não possui redes sociais e explica porquê: "Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas" . Somos hoje regidos pelos "algorítimos"; eles nos controlam e modificam nossos comportamentos sem nem mesmo percebermos.  No  recente lançamento, "Privacidade é Poder ",  Carissa Véliz discute  ética do mundo digital. Abaixo, reproduzo partes da matéria do jornal A Folha de São Paulo que entrevistou a autora.  * * * * * * * * *   “Se os carteiros lessem nossas cartas da maneira que o Gmail faz, iriam para a cadeia”, escreve. O poder econômico das big techs é facilmente conversível em poder político, e a ascensão e queda de Donald Trump está aí de exemplo. Essa simbiose deve muito ao 11 de ...

Memórias de um escritor quase esquecido num Rio que passou...

Imagem
Houve uma época em que havia mais cultura no Rio de Janeiro, antes que as subculturas do funk e do evangelicalismo dominassem a cidade, como foi ocorrendo visivelmente nas últimas três décadas. Pesquisando sobre personalidades que fariam aniversário neste segundo dia do mês de janeiro, caso estivessem ainda entre nós, descobri que, há exatos 166 anos, nascia em Lençóis o militar, jornalista, cronista, humorista e dramaturgo Urbano Duarte de Oliveira (1855 — 10 de fevereiro de 1902), um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras (Cadeira número 12).  Urbano fez parte do grupo boêmio de Olavo Bilac e, durante mais de 20 anos, colaborou em órgãos da imprensa da época, como a Gazeta Literária , O Paiz , Correio do Povo (com Alcindo Guanabara, Artur Azevedo e Alfredo Madureira), Gazetinha e Jornal do Commercio , tendo se destacado como um dos maiores cronistas humorísticos na imprensa do Rio de Janeiro e também no teatro, deixando-nos, entre outras, as seguintes obras: ...

O Rio já teve políticos melhores que os de hoje...

Imagem
  " É preciso prosseguir ainda quando se saiba que os outros não estão preparados para a nossa generosidade." ( Artur da Távola ) Houve um tempo em que a população do Estado do Rio de Janeiro votava um pouco melhor do que atualmente e elegia pessoas mais interessantes. Era o caso do jornalista, advogado, escritor e professor Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros, conhecido pelo pseudônimo de  Artur da Távola  que, se estivesse ainda entre nós, completaria 85 anos em 03/01/2021.  Tendo iniciado a sua vida política em 1960, no extinto Estado da Guanabara, Artur da Távola chegou a ser deputado, mas foi cassado da Assembleia Legislativa pelo regime militar, precisando deixar o país para escapar da perseguição ideológica. E chegou a viver na Bolívia e no Chile, retornando depois  à vida pública de modo que foi um dos nossos constituintes em 1988.  Artur da Távola nunca foi eleito prefeito, porém exerceu mandatos de deputado federal de 1987 a 1995 e, d...