terça-feira, 9 de março de 2010

Uma Analise sobre Hebreus 9


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Ednelson Coelho

*Quer entender melhor esta postagem? Então leia Hebreus 9 antes de começar a leitura deste post.

Enquanto o Antigo Testamento (Aliança) ainda estava em vigor, Jesus disse que nenhum jota ou tio da Lei passaria até que tudo fosse cumprido. E assim foi, posto que na morte Dele, tudo que a Antiga Aliança profetizara acerca Dele foi cabalmente concretizado na Cruz. A partir de sua morte, pois um Testamento só tem força com a morte do Testador (daí Jesus dizer que o Pai e Ele eram apenas um), foi inaugurado o Novo Testamento (Aliança) em seu Sangue, pois tanto a Antiga como a Nova Aliança só teria valia através de derramamento de sangue (a Antiga foi valida com sangue de animais aspergido por Moisés). Jesus é o Testamento Vivo do Pai a toda a humanidade. Seus ensinos são as Palavras do Testador, a saber, Deus Pai, pois Ele sempre falava: “As palavras que digo não falo de mim, mas falo conforme o Pai me tem ensinado”. É ABOMINÁVEL para mim a teologia evangélica, vivendo das culpas, medos e de obras mortas da Antiga Aliança. Querer sustentar opiniões e julgamentos a partir do Antigo Pacto é algo INADIMISSÌVEL, pois não somos judeus (porque tal Aliança foi dada aos judeus, ou não? Ou será que o grito: Está consumado! Foi mentira?) e muito menos adeptos dos sangues de touros e bodes para a justificação e santificação do ser, ou somos? Voltaremos à prática das obras mortas? De maneira nenhuma, pois se assim procedermos, estaremos decaídos da Graça, afastados de Jesus e negando a fé (Gl 5).

E o interessante é que o que se torna imundo nessa Nova Aliança é justamente o que a teologia evangélica menos enfatiza: A Consciência (ou coração, v14). A imundície está na consciência de justiça própria (achando que pode bancar a salvação) a partir das obras mortas da Lei (qualquer Lei, inclusive a Lei Moral que rege a sociedade), explicitamente descrita pelo escritor de Hebreus observado em Jesus. Nela, a Antiga Lei não tem poder de aperfeiçoar ninguém, nem mesmo aqueles que trabalham no ministério, posto que ela se apresente em forma de bebida, comida e várias ebluções e justificações da carne (v 9,10). Ora, o que nos aperfeiçoa (isso em amor para com o Pai e ao próximo) é uma consciência nova que gera obras novas, conforme as Palavras do Testamento de Deus, Jesus Cristo. Por isso Deus haver dito que escreveria as suas Leis em nossos corações, pois a que fora escrita em tabulas apenas nos serviu de Aio até que chegasse o tempo da correção (ou reforma, v.10), pois para que eu venha a ser aperfeiçoado (conforme Jesus, pois aquele que diz conhecê-Lo deve andar como Ele andou), necessário é que o coração seja renovado, como Paulo exorta em Rm 12. Com o advento dessa era (da correção ou reforma), veio Jesus e disse que a Lei durou até João Batista, e que agora seria pregado o Evangelho do Reino, pelo qual todos os homens se esforçariam para entrar nele. Como Testamento são as palavras e vontades de um Testador (nesse caso o Testador é o Pai e Jesus é o verbo, o logos, o Testamento lido e interpretado por todos), Jesus mostrou ao mundo que a vontade do Pai: que cressem Nele e em Jesus Cristo, o qual Ele enviou para a propiciação do pecado de toda a humanidade, reconciliando-O com o mundo através de seu sacrifício de uma vez por toda. Observe como coaduna perfeitamente o que Hebreus 9 afirma com o que João diz no início de seu Evangelho.

Ora, se tais palavras são verdadeiras, o ÚNICO MEDIADOR entre nós e o Pai chama-se Jesus, não as obras da Antiga Aliança (cumprida e abolida por Jesus na Cruz, pois onde se muda de sacerdócio, necessário é que se mude de Aliança, Hb 7:12). Até as Escrituras só existe por causa Dele, pois Ela desde o Gênesis anuncia sua vinda (aliás, sem Ele nada existiria). Na verdade, a consciência que não está corrompida diante do Pai é aquela que confessa sua impotência quanto a sua justificação, não recorrendo às obras mortas da Lei para se justificar. Para tais, não servi mais a teologia da “guarda do sábado, festas da Antiga Aliança, sacerdócio levítico, sacrifícios de qualquer natureza, não toques nisso, não manuseeis aquilo, não fale com aquele, não beba isso, não vá a tais lugares porque é imundo e não é lugar de cristão”, posto que tais ensinos não sejam de Jesus, muito pelo contrário, vejo Jesus andando, falando, comendo, curando no dia de sábado e se alegrando com publicanos e pecados. Ora, se esta consciência está corrompida e chama-se isso de “pecado”, logo se afirma que Jesus também pecou ao assim proceder com as classes marginalizadas e estigmatizadas de sua época. Conclui-se, então, que Jesus falhou em sua missão. Infelizmente é isso que subliminarmente afirmam.

Os evangélicos ainda não aprenderam que quem imputa pecado e justifica o pecador chama-se Jesus, o Cristo e que quem tem a última Palavra acerca de qualquer tema é o Novo Testamento Vivo que se encarnou e habitou entre nós, Jesus Cristo, homem.
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