sexta-feira, 5 de março de 2010

O direito de não crer


Por Gresder Sil


Deus não é uma pessoa, como se entende pelo termo pessoa nos dias de hoje. Ele não tem personalidade individual, como individual é cada homem pela sua experiência e tendência particular. A sua identidade intima é “impessoal” pela essência do Espírito puro e livre que ele é. Pois pessoa é apenas o invólucro exterior que envolve a essencialidade da alma do ser de cada ente autoconsciente e existente neste mundo. Deus apesar de não ter uma personalidade como a humana é um Ser pensante consciente de si mesmo: “Eu sou o que Sou” ou como diria o homem: “penso logo existo”.


A personalidade é o conjunto formado pelas experiências e influencias que o ente sofre durante a sua formação, não somente isso como também as próprias inclinações e tendências interiores que colaboram para formação desta pessoa. Sendo Deus livre de toda influencia externa ao seu Ser, logo ele não tem uma personalidade, mas pensa e vive na mais pura inalterabilidade da sua essência.


Portanto Deus não tem sentimentos humanos pessoais como raiva e senso de justiça que são produção inconscientes e inerentes de tendências determinadas que afloram diante de uma experiência exterior irresistível. Deus não é influenciável, não sente cólera, não sente ciúmes, e nem se ofende. Toda atribuição dessas experiências a Deus, são linguagens humanas que tentam descrever em analogia precária a reação do ser de Deus sobre os atos humanos.


Desde que o homem respeite o direito do seu próximo Deus dá o direito de cada um viver como quiser e acreditar no que quiser, e ate mesmo de não Crer na sua existência. Ele não é como os seres extintivos que sentem ciúmes e não aceitam não serem amados e reconhecidos. Ele deu a cada ser o direito a liberdade de escolher, e não vai se sentir ofendido em não ser amado pelo homem usar dessa sua liberdade se não ser ao seu favor.


Ninguém neste mundo tem toda a certeza em todo o momento daquilo que crê e não crê, e por isso uma das expressões implícitas de fé mais pura é a de um ateu justo a qual diz não acreditar, sabendo inconscientemente que se Deus realmente existir, Ele vai relevar a sua descrença. Pois se Deus existe mesmo, Ele é um ser tão nobre e tão livre que não precisa ser adorado pelos homens, mas que permite os homens viverem honestamente como se Ele mesmo não existisse.



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