domingo, 25 de novembro de 2012

Lutar por blasfêmia.



Dizer, como Mark Twain, que «o Antigo Testamento mostra Deus como sendo injusto, mesquinho, cruel e vingativo, punindo crianças inocentes pelos erros de seus pais e pessoas pelos pecados de governantes, vingando-se em ovelhas e bezerros inofensivos, como punição por ofensas insignificantes cometidas pelos proprietários», é a blasfêmia erudita. Prefiro a forma popular dos espanhóis a dirigirem-se à hóstia ou a nomearem a Virgem mas nada é tão estimulante como ouvir um calabrês, com a bela sonoridade da língua italiana, a classificar Deus.

O crime de blasfêmia é uma sobrevivência medieval que ainda contamina os códigos penais de alguns países republicanos, laicos e democráticos. Para o espírito obtuso dos clérigos é uma blasfêmia duvidar do pobre Moisés que subiu a pé o Monte Sinai, para receber de Deus as tábuas com os Mandamentos, ou do arcanjo Gabriel que voou até à Palestina para dizer a uma pobre judia que estava grávida. Esta gente deve fumar erva suspeita ou tem azar na escolha dos cogumelos.

A blasfêmia está para os ateus  assim como a confissão para os beatos. A primeira é pública e a segunda, privada. A confissão é uma arma a serviço da Igreja, a blasfêmia é um desabafo individual. Na primeira, as pessoas põem-se de joelhos e falam baixo para uma só pessoa – o padre; na segunda, fala-se alto, para quem quiser ouvir, através de vocabulário indecoroso nos salões mais frequente nas feiras, nas ruas e nos bares. O que surpreende é o fato de os códigos penais de países civilizados acolherem como crimes atos tão estimulantes como a blasfêmia e de os punirem com penas de multa ou de prisão. Eu admito que Deus não goste do que eu penso dele, já que me é indiferente o que ele pensa de mim. Irracional é poder ser-se punido por insultar quem não existe. E pior, sem o ofendido, se queixar!

A descrença não me impede de ver a importância da religião na formação das sociedades primitivas. Evoluir é muito difícil, mas, com um pouco de esforço os anencéfalos fundamentalistas cristãos poderiam aprender com a história o quão errados estão sobre seus conceitos. As três religiões abraamicas são o maior lixo criado pela humanidade. Países com belo passado - Arábia, Iraque, Turquia vêm suas culturas destruídas aos poucos pelo islamismo. A Faixa de Gaza apresenta precárias condições de vida, não há infra estrutura adequada e consequentemente a economia é extremamente debilitada. Apenas 13% das terras da Faixa de Gaza são aráveis. Mesmo sem oferecer condições, a Faixa de Gaza é um dos territórios mais densamente povoados da Terra, conta com 1,4 milhões de habitantes no pequeno território menor que o Estado de Alagoas. Sua população é extremamente marcada pela religião islâmica, sendo mais de 99% dos habitantes fiéis muçulmanos. Entre estes se destaca ainda a soberania dos muçulmanos sunitas. O restante da população professa a fé cristã, mas não soma sequer 1% dos habitantes. A língua mais falada na Faixa de Gaza é o árabe, seguida pelo hebraico.

“Mudarei a sorte de meu povo de Israel; reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, plantarão vinhas e beberão o seu vinho, farão pomares e lhes comerão o fruto.  Plantá-los-ei na sua terra, e, dessa terra que lhes dei, já não serão arrancados, diz o SENHOR, teu Deus” (Amós 9.14-15).
Existem duas polêmicas com relação a Israel. A primeira é se a promessa feita a Abraão era uma promessa de terra real ou do céu. A segunda é se a terra real prometida a Abraão e seus descendentes é uma promessa incondicional ou dependente da obediência de Israel a Deus. A partida de Israel em direção à Terra Prometida foi literal porque eles foram para um Egito literal. Depois de quatrocentos anos, eles haviam se transformado numa nação de três milhões de pessoas, que partiu fisicamente de um Egito literal para uma Terra Prometida literal – e não para o céu. Então, a terra prometida foi um presente de grego, uma invasão infrutífera de uma terra inóspita ocupada por pobres cananeus. Blasfemar contra este Deus é jogar pedra na lua. Ato praticado por judeus, xiitas, sunitas, palestinos e outros tresloucados seguidores da mesma crença, apesar da terra prometida ser uma blasfêmia contra fiéis seguidores após 400 anos de escravidão.  Uma bela lenda.
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...