domingo, 30 de novembro de 2014

A imperfeiçao da vida

Todo organismo vivo ou estrutural precisa de um momento de crise para chegar a uma acomodação, o planeta, as sociedades e as pessoas em particular só se encontram e chegam a um estado de maturação depois de um estado critico de contorções e acomodações severas em sua estrutura, simplesmente pelo fato de que nada era pra ser. E a vontade da natureza e do indivíduo tem que se acomodar ao fato de que a perfeição esta apenas na gêneses da vida, e nao na sua materialização histórica e pratica da existência. Poder viver em si mesmo, na psique do indivíduo, num sistema social e num planeta habitável já é um milagre incrível dado as forças do nao ser existente nos não encontros que nao geram vidas e mundos como o nosso. Crise é o sinal de que tudo nao era pra ser perfeito, que as coisas nao vao vir ao nosso encontro como nosso desejo. Que a gente tem que se acomodar assim como o próprio planeta se ajusta se contorce e se transforma interna e na superfície gerando depois da morte e desastres: vida nova, diferente e adaptada o tempo todo.

A vida esta posicionada na natureza e o homem no mundo de tal maneira em que a paz, o equilíbrio e a perfeição são a exceção e nao a regra da existência. Trata-se apenas de uma estado transitório e nao definitivo como a ideologia prescrevia. O embate, a crise e a confusão tanto no indivíduo como na natureza é seu estado natural de constante transformação, que a vida e a natureza sofrem e infringem a si mesmas na sua necessidade infinita de adaptação. A paz, a perfeição e o equilíbrio dos povos, estruturas, indivíduos e organismos nao é um fim em si mesmo, mais apenas um momento de acomodação e intervalo de constantes transformações que nao tem objetivo algum a nao ser se conformar a necessidade constante de sobrevivência. E só no coração do homem esse vulcão em constante transmutação arrebenta com mais força, pois só nele é sentido o fato de que a felicidade, o amor e a paz é uma raridade por nao ser uma lei de necessidade pré ordenada, mais transitória e ocasionais.

E assim a natureza vai aos poucos destruindo a ideia egocêntrica do homem de que tudo foi feito para ele, como se a noite fosse feita pra dormir, as estações regulares para a beleza e o equilíbrio do planeta, a agua e a chuva enviada para irrigar sua terra, como se tudo fosse de antemão preparado para o homem. Mas o planeta é um organismo vivo independente, e o homem um ser que ou se adapta ou morre. A terra internamente se contorce, as aguas do ceu e da terra sao aleatoriamente jogadas a mercê da sua própria força arbitraria e nao segundo um desejo do homem, pois nao foi feito para ele. Aonde era floresta, um século depois pode ser deserto, aonde tinha quatro estações regulares pode vir a ter duas rigorosas. O planeta muda o tempo todo sem nenhum propósito estabelecido. E é da crença de propósito na natureza que nasce a ideia megalomaníaca de que o homem deve ser feliz, que cada um pode encontrar seu casal ideal, que as coisas se movimentam em função de contribuir de forma direcionada em prol do seu próprio mundo ou de que ele é um ser especial ou escolhido. Por isso tanta contradição no bicho humano, tanta dor, tanta contorção, porque na pratica o mundo nao foi feito para ele, mais por ser um lugar: hora rico, belo e misterioso, hora terrivelmente tirano e hostil. Um lugar onde a vida nunca chega a um estado de paz e equilíbrio definitivo, mais onde a tensão e a luta incessante pela vida e felicidade é seu único bem não doado.

Esdras Gregorio

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