quinta-feira, 29 de julho de 2010

Uma União “Divinamente” Proibida


...............[Duas crianças: uma árabe e outra judia, de braços]





Sobre a raiz do ciúme no convívio entre dois irmãos, a psicologia profunda diz que o primogênito favorito dos pais , vê no irmão mais novo um “intruso”, com quem tem de passar o resto de sua vida dividindo suas coisas. O menor se sente inferiorizado com as sobras que já foram do irmão mais velho.
O estranho é constatar que esse complexo familiar de natureza infantil, ao invés de ser superado com a maturidade, tenha sido assimilado pela religião, fermentando um espírito de competição entre Judeus e Árabes pela preferência de um “Pai espiritual”, que ainda se nutre da rivalidade religiosa e política entre dois povos irmãos. Na história bíblica Abraâmica, fica claro, que o filho “intruso” da tese psicanalítica é representado pelo “ilegítimo” Ismael.
Ecos desse emblemático conflito entre os dois filhos de Abraão (Ismael e Isaque), relatado em minúcias no Livro de Gênesis, vieram à tona esta semana em uma reportagem veiculada pela revista VEJA (Edição 2175), na pele de um árabe e uma israelita, residentes em Israel.
Como se sabe, de Ismael (rejeitado por Sara, esposa de Abraão) vieram os Árabes, e do “filho da promessa”, Isaque, vieram os Judeus. O inusitado ocorrido há dois anos, trouxe ressonâncias dessa milenar rivalidade histórica e religiosa. Tudo começou, quando a intensa paixão que não deveria ter nem cor nem raça, levou o árabe Sabbar Kashur e uma mulher Judia ao “delírio carnal” num quarto de hotel das redondezas de Israel.
Para conseguir a aprovação de sua amada, o moço árabe, Sabbar, se identificou como Daniel (um judeu), talvez querendo se respaldar no relato bíblico em que Jacó astuciosamente enganou o pai (Isaque) ao se passar por seu irmão Esaú, para se apossar das bênçãos que seriam de direito do primogênito.
A recente história da lua de mel do casal retratado na revista Veja desta semana, não teve um final feliz, pois, a judia, depois de saber a origem do rapaz, foi à justiça de Israel denunciar que tinha sido seduzida por ele. No seu dizer, o consentimento em fazer sexo, tinha sido por amor a um judeu, e não a um árabe. Em suma, aquilo que ela tinha consumado com muito amor e paixão, foi de uma hora para outra, revertido em estupro, pois segundo o parecer da Justiça, a “santidade do corpo e da alma” da judia tinha sido violada, através de uma mentira. Pasmem...

Final da história: o árabe de corpo e judeu na “alma” foi condenado a dezoito meses de prisão, sem dó nem piedade.

Em todo esse imbróglio, o que nos deixou perplexos, foi o fato da própria corte suprema de Israel, ter se tornado o principal veículo na consolidação de uma intolerância religiosa entre dois povos irmãos, que já dura quase quatro mil anos. O que a corte fez na resolução desse caso foi, simplesmente, referendar a literalidade de um conflito mitologizado que mostra a inconciliabilidade entre uma geração proveniente de um filho predileto, e uma geração que veio de um filho rejeitado. O Tribunal Israelense pode ter reeditado dessa forma, uma espécie de volta “inconsciente” ao conflito mítico semeado por Sara (esposa de Abraão) entre seus dois filhos (Ismael e Isaque).

Com esse veredicto a corte máxima de justiça de Israel, ao que parece, revitalizou o axioma Vétero Testamentário que subjuga um povo inferior (rejeitado) a um povo superior (escolhido por Deus), mesmo sendo eles descendentes de um mesmo pai.

Numa época em que o governo israelense desencoraja os judeus a se casarem com pessoas de outras religiões, nunca é demais lembrar o francês Roger Garaudy, escritor radicado nos EUA, que se debruçou de corpo e alma sobre as particularidades da guerra santa entre árabes e judeus, e assim escreveu em seu livro “Rumo a Uma Guerra Santa?”: “Afinal, o que salvará o século XXI não será nem o judaísmo, nem o islamismo, nem o cristianismo. Nem a religião dominante dos dominantes, nem a religião dominada dos dominados. Porque a história só começará com a morte das dominações”

Até quando as tradições espirituais das grandes religiões permanecerão mudas ante o flagelo mundial que semeia o ódio entre os povos? Quando as religiões encontrarão, afinal, os princípios de libertação e superação das divisões humanas, que deviam norteá-las?

Por Levi B. Santos



quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Mais Fiel dos Seguidores - Relatos Secretos de Judas Iscariotes.

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"Eis o relato secreto da revelação que Jesus fez num diálogo comigo. Uma semana antes de celebrar a Páscoa", o Mestre puxou a orelha de todos nós sobre não orarmos por vontade própria, mas apenas por acreditar que assim agradaria ao Pai. Olhei para os apóstolos, todos estavam ofendidos com a bronca levada e “começaram a blasfemar contra Jesus em seus corações”. No momento, fui o único a entendê-Lo. Eu era o seu discípulo favorito, o seu tesoureiro, o servo fiel.

Jesus me chama em particular e diz: “Afasta-se dos outros e eu poderei falar-lhe sobre os mistérios do Reino. É possível você alcançá-lo, mas padecerás de extremo sofrimento.” Indaguei a mim mesmo, “quais serão essas revelações?” Como um flash Ele leu o meu pensar e disse: “Você tem a tarefa maior: sacrificará o corpo que carrega o meu espírito. E há conseqüências. Você cairá em desgraça por gerações, mas um dia estará acima disso. Mostrarei um mundo superior, você estará lá...”. Para mim, as palavras eram como punhaladas que penetravam em minha alma.

É difícil aceitar está decisão, é como um rio que não pára de correr. Dá saudades das nascentes do batismo, dos riachos das parábolas e das corredeiras vinda das aulas do Mestre onde me fazia pensar dias a fio. Por isso que ele avisou, pelo menos três vezes, a sua morte era certa. Inclusive revelou que a traição surgiria no meio de nós. E os apóstolos incluindo a mim, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor?

De imediato, uma luz surgiu em minha mente e clareou a idéia que o Mestre revelou. O seu ministério completou aqui na terra e sua volta ao céu era urgentíssima. Para tanto, era necessário dar um fim no seu corpo carnal que aprisionava o espírito divino. Tomei coragem e cumpri à risca as ordens. Imediatamente procurei os sacerdotes para entregá-lo, e pedi uma ninharia de trinta moedas.

Por um momento pensei que estava traindo-O, era quase certo que estaria louco, e, portanto, mereceria compaixão, ou pelo menos uma cura. E pela loucura me precipitei de alto a baixo.

Atenciosamente,
Judas Iscariotes

Textos base ou Fonte: Mt 26.1-49; 27.3-10; Mc 10.10-12; 14.18-21; Lucas 22.3-6; Jo 13,26-27; Atos 1.18; Zc 11.12-13; Jr 18.1-4; 19.1-3; 32.5-16 e por último “O Evangelho de Judas Iscariotes" em que os trechos retirados estão entre as aspas.
(Uma História de Ficção)


Autoria do texto: Hubner Braz

sábado, 17 de julho de 2010

Quando eu era menino pecava como menino





Gostaria que essa carta não corresse o risco de ser entendido como uma replica disputa ou justificativa, mas simplesmente como uma explicação do meu entendimento da coisa. Você me perguntou daquela ultima vez se Davi continuou (pecando) depois do arrependimento? Como se ele tivesse se tornado um santo ou casto! Ai eu respondo que sim! Davi não só continuou transando com as suas sessenta mulheres como fez da viúva de Urias a sua principal esposa. Pecado sexual no velho testamento tem a ver com a invasão da “propriedade” privada de outro homem, e não necessariamente com a quebra quase inevitável do propósito original de Genesis dois. Aja vista a farta documentação das experiências sexuais dos homens nesta época. O que muda no novo testamento? Só o fato de que nele não temos tal registro pessoal dos protagonistas.

Quanto a mim me arrepender? Não sou desonesto e ingênuo diante de Deus! Para oferecer-lhe um sentimento, consciente de que eu não sou capas de mudar a minha própria situação. Já lutei muito! Deus o sabe! Quando eu era menino, pecava como menino, agora que sou homem, peco como homem. Ou seja: lutei em toda minha adolescência da fé, sem êxito nenhum, contra a pornografia e masturbação, acontece que o desejo tornou se não só necessidade física do corpo e do toque, mas como também a necessidade psicológica de sentir o ser da mulher no ato do “amor”. Se quando no fervor puro e apaixonado de meu primeiro amor eu não venci o “pecado”, imagine agora: adulto, viril e “liberal”: impossível né!

Falo e insisto nesta questão não para ser aprovado diante de você; mas para que você nunca de uma definição sobre o estado espiritual de qualquer homem na presença de Deus. As suas palavras de juízo estão gravadas em minha memória! Presumir saber o que se passa na consciência de um homem e a posição de Deus perante ele é monstruoso! Meu “pecado” evoluiu naturalmente com a minha maturidade, no entanto o que sou hoje no coração sempre foi o mesmo desde a minha conversão; essencialmente nada mudou por isso minha mente e minha alma não pode aceitar essa sentença de que perdi algo espiritualmente. Pelo contrario, a serenidade do meu espírito hoje, é maior.

O evangelho é um reino de consciência, e ninguém pode julgar o estado moral de um homem. Primeiro porque não esta sobre as mesmas conjunturas e condições e, principalmente porque é incapaz de saber se a alma de tal homem sente vazio, desespero e culpa, ou: perdão, Graça e paz. Se fôssemos sentenciar quem herda o reino de Deus, conforme Gálatas cinco, pela aquela lista (Lei) quase ninguém sobraria! Mas o sexo tem sido um problema para a igreja que não sabe lidar com ele não é? Meu Deus! Quanta injustiça! Afinal é a lei brutal da natureza né: os fortes e aptos para a vida religiosa ascética sobrevivem, em quanto os fracos são dizimados.

Eu sei que para você me “aceitar” equivale a abrir uma concessão para as suas tentações. Mas você tem uma carne pra tocar e cheirar; você tem uma austera visão religiosa herdada sobre o sexo; você tem a construção de uma família e de uma historia cristã para honrar; você tem praticamente o dobro de minha idade, maturidade e prudência. Você é cercado por toda essa estrutura e pela responsabilidade por muitas pessoas que estão diante de você. E eu?... Não tenho nada disso!... A não ser o instinto e o destino fatídico de Sansão e a missão funesta de profetas que andavam nus. No entanto você tem todo o direito de dizer que isso ou aquilo e grave pecado, mas jamais dizer que um homem tem ou não tem comunhão com Deus. Isso!... Esta além de você!... E é desconhecido de todos!


Gresder Sil


Escrito em 01/08/09

Também no blog: cristianismoa-religioso.blogspot.com

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ignorancia é o diabo: um pequeno ensaio




Bem amigos, após este vídeo introdutório, levanto aqui a questão da ignorância. Pensei numa tese, que gostaria de desenvolver com vocês. É sobre a ignorância, e sua exaltação como algo de valor.

Todos aqui são pensadores, e até os mais fundamentalistas sabem que não é algo fácil pensar. Não no sentido de fluência das ideias, mas de descobrimento e consequente decepção ou deslumbramento com a verdade. A maioria das pessoas não quer pensar. Prefere viver em seu mundo, cheios de certezas, sem questionar demais, com medo de ter que lidar com a verdade. É a mulher traída que desconfia, mas não pergunta, para não ter que lidar com isto.

Então as pessoas se revestem de certezas, por mais estúpidas que elas sejam. Cria-se um tabu, no qual elas acham que o conhecimento não pode entrar. (Vocês sabem do quê estou falando, é a fé. Eu realmente tenho algo contra isto, bato sempre nessa tecla). Pois bem. A ignorância é uma bênção (“ignorance is a bless”, não sei de onde ouvi isto), e exaltados são os que a praticam. Viram pastores, padres, teólogos. Passam anos fazendo faculdade (!!!) sobre algo que, definem eles mesmos, o conhecimento não pode entrar. Escrevem livros e mais livros sobre o vazio.

É um paradoxo. Primeiro estabelecem que é impossível alcançar este vazio, depois passam anos estudando a personalidade deste vazio, sem sequer provar que este vazio seja uma personalidade. Se estivéssemos na época clássica, milhares de anos atrás, ou até centenas, seria aceitável. Haviam poucas ferramentas disponíveis, e os filósofos discutiam horas a fio sobre o movimento dos planetas, apenas com exercícios mentais. Mas a coisa mudou desde então. A filosofia tornou-se experimental. Não bastava mais apenas deduzir que a terra era o centro do universo, era preciso observar o movimento dos planetas, das estrelas, de tudo ao redor, e provar isto.

Mas a ignorância nunca evolui. Ela é a mesma ontem, hoje, e para sempre. Pergunte a um fundamentalista como Noé colocou todos os bichos na arca, e ele parecerá um filósofo grego discutindo sobre como funciona a terra plana. E ele provavelmente será formado em algo, pode até ser um cientista. Capaz de usar seu lobos frontais para raciocinar, mas profundamente dominado pelos suas emoções, que o viciam na tentativa de lhe cegar para a realidade, pois esta pode ser muito cruel para quem não a aceita.

Alguém disse que muitos cientistas famosos eram deístas, ou teístas. Einstein era deísta, Darwin era agnóstico, e ele não via imcompatibilidades entre o quê acreditava e o quê estudava. Muitos outros cientistas eram ateus, outros agnósticos, outro teístas, politeístas, monoteístas, vegetarianos, nazistas, racistas. O quê isto prova? O conhecimento humano caminhou APESAR das crenças das pessoas. Einstein era deísta, mas apesar de suas brilhantes teorias na área da física, ele nunca publicou nada que pudesse apoiar sua crença, cientificamente falando. E ninguém até hoje o fez. Motivo? Ora, a partir do momento que se descobre algo, isto deixa de ser fé, religião, ignorância, para se tornar conhecimento, ciência.

Daí que tenho uma resposta para a imcompatibilidade da religião e ciência, visto que uma desaparece frente a outra.

Tentando voltar ao tema de minha tese, a ignorância é infinitamente mais simples e fácil. Todos podem tê-la, sem estudar, sem pensar. A maioria dos líderes religiosos são ignorantes, que se seduziram pelo poder de ostentar uma suposta sabedoria. Sabedoria real é difícil de se conquistar, leva anos de estudos e experiências. Mas numa religião, por exemplo a evangélica, vemos gente completamente idiota (sim, idiota) que é levantada para suas “funções” na igreja, e logo se vêem como o xamâ da tribo, os importantes, inteligentes, sábios, prontos a darem a resposta para os problemas das pessoas. De repente, um cara que nunca transou na vida se acha sábio o bastante para aconselhar casais, ou um menino com espinhas na cara quer orientar como um homem deve seguir com sua carreira, ou sobre os pecados da filha de alguém.

Por isto eles exaltam um livro como sendo o melhor livro de todos. A maioria deles, nunca sequer leu uma revistinha da mônica, e por lerem aquelas palavras complicadas, acham que este livro é sagrado, inspirado por Deus. Eles não sabem que qualquer um pode escrever um livro e dizer que ele é inspirado, que suas palavras são corretas e divinas. Não sabem que catarse coletiva são facilmente induzíveis. Não sabem que as leis que julgam serem divinas foram inspiradas em leis de outros povos, e que a maioria das histórias daquele livro também o são. Não sabem sequer a origem do livro que lêem.

E é assim que a ignorância vence, e corroi a sociedade por dentro. A mentira, a injustiça, a dor, o sofrimento são propagados principalmente pela ignorância humana, que permite que a ganância se estabeleça com muita facilidade. O povo se deixa dominar por qualquer um que se auto-proclame “enviado de Deus”, torna-se facilmente manipulável.

Mas é mais fácil assim. Pensar demais leva-nos a enfrentar nossos demônios interiores, a encarar a realidade como ela é. A olharmos para o abismo e não vermos futuro, sabermos que não há após, há apenas aqui. Muitos dizem que é melhor assim, permanecer na ignorância. Mas eu digo que não é, pois somos seres em constante conflito de emoções e razões, e nosso lado racional sempre nos diz que algo está de errado com toda aquelas fábulas. É melhor para mim, olhar e ver que não há nada a temer, que a morte é o fim, e por isso finda toda dor, todo sofrimento, pois não há mais, do quê viver esta única vida com medo, e inflingindo a outros este mesmo medo.

Não posso perder a única vida que tenho. Desculpem-me os ignorantes, mas eu preciso saber.

--
Pequeno ensaio desregulado e desmedido. Não foi premeditado, pelo menos este crime foi passional.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Historinhas Bíblicas Infantis

O que você está ensinando a seus filhos?






Filho:
Pai, conta uma historinha para dormir?

Pai:
Vamos lá, vou pegar um livro que tem muitas instruções morais e devo te educar usando seus ensinamentos a você.
Havia um povo que Deus gostava muito.
Eles estavam presos em uma terra chamada Egito.
Havia um homem que Deus tinha escolhido para salvar seu povo e retirá-los do Egito.

Filho:
Qual era o nome dele papai?

Pai:    
Moisés era seu nome.
Ele havia sido escolhido por Deus para salvar seu povo.
Deus usou Moisés demonstrando todo o seu poder.
Deus enviou pragas para destruir o Egito.

Filho:
Destruir o Egito papai?

Pai:
É meu filho.

Filho:
Mas mamãe falou que Deus é meu papai do céu, você destruiria o Egito igual ele fez?

Pai:
Não meu filho, eu não tenho este poder, mas ele é Deus.
Continuando a história, Deus enviou a última das pragas, onde foram mortos todos primogênitos do Egito, desde os animais até os homens.


Filho:
O que é primogênito pai?

Pai:
O primeiro filho que nasce.

Filho:
E quem não tem irmãozinho é primogênito?

Pai:
Sim.

Filho:
Eu sou o primogênito pai?

Pai:
Sim meu filho, você é meu primogênito.

Filho:
Então papai do céu matou crianças no Egito?

Pai:
Meu filho, eles eram maus, tinham prendido o povo do Senhor.

Filho:
Os policiais prenderam titio Juca, vamos pedir a Deus para matar os filhinhos deles?

Pai:
Filho, na época não tinha a lei onde Deus disse "Não matarás".
Depois disto tudo Deus disse que não podia mais matar.
Seu titio foi preso porque fez o que era errado. Os policiais não são maus.



Filho:
A sim, entendi.

Pai:
Filho, vamos trocar de história, deixa esta pra lá e vamos mais à frente.
Vamos lá, bom, esta é legal.
Havia um jovem que cuidava de ovelhas.
Certo dia um urso apareceu para comer suas ovelhas.



Filho:
Que medo papai.

Pai:
Não fique com medo filho, Deus livrou ele, Deus deu força e inteligência para ele matar o urso .
Depois apareceu um leão.



Filho:
Um leão? E comeu o menino?

Pai:
Não, Deus abençoava Davi e ele matou também o leão.
Depois, o povo de Deus estava cercado pelos filisteus.
E não tinha ninguém para os salvar.

Filho:
Quem eram os filisteus?

Pai:
Um povo que não gostava do povo de Deus.

Filho:
E Moisés não os salvou?

Pai:
Já tinha passado muito tempo e Moisés já tinha morrido.
Mas o menino Davi, se ofereceu para lutar contra os filisteus.
Tinha o mais forte de todos, um gigante chamado Golias e Davi foi para lutar com ele.

Filho:
O menino foi lutar com o gigante?



Pai:
Sim e venceu.

Filho:
O menino deu uma surra no gigante?

Pai:
O menino jogou uma pedra na cabeça do gigante, que caiu no chão.
Aí o menino pegou a espada do gigante e cortou a cabeça dele.



Filho:
Mas pai, você não disse que Deus disse "não matarás"?
Porque o menino matou o gigante?

Pai:
Porque ele era inimigo do povo do Senhor.

Filho:
Entendi, quando eu tiver um irmãozinho eu não vou matar ele porque eu e ele somos povo do Senhor não é pai?

Pai:
Sim, irmãos não podem se matar.

Filho:
Pai, mas se alguém vier implicar comigo na escola eu vou fazer igual Davi, vou dar uma pedrada na cabeça dele e cortar o pescoço dele com uma faca, porque, quem desafia um servo do Senhor como eu tem que morrer.

Pai:
Boa noite filho.


FIM.


Isto eu não ensino aos meus filhos nunca mais:

Escrito por um pai de duas adoráveis crianças chamadas Haniel (primogênito) e Louis Fernando.

domingo, 4 de julho de 2010

Religião e Ciência são inconciliáveis?


Há um tempo atrás o jornal Folha de São Paulo propôs essa pergunta a dois grandes pensadores brasileiros: Rubem Alves e Olavo de Carvalho. Abaixo, uma síntese da resposta que eles deram.


Rubens Alves respondeu SIM.

Os dois olhos

“Temos dois olhos. Com um nós vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro nós vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem”. Assim escreveu o místico Ângelus Silésius. O filósofo Ludwig Wittgenstein criou a expressão “jogos de linguagem” para descrever o que fazemos ao falar. Jogamos com palavras... Veja esse jogo de palavras chamada “piada”. O que se espera de uma piada é que ela provoque o riso. Imagine, entretanto que um homem, em meio aos risos dos outros, lhe pergunte: “Mas isso que você contou aconteceu mesmo?”

Acontece que nós, seres humanos, sofremos de uma “anomalia”: não conseguimos viver no mundo da verdade, no mundo como ele é. O mundo como ele é é muito pequeno para o nosso amor. Temos nostalgia da beleza, de alegria e quem sabe? – de eternidade. Mas onde encontrar essas coisas?Elas não são, existem não existindo, como sonhos, e só podem ser vistas com o “segundo olho”. Quem as vê são os artistas. E se alguém, no uso do primeiro olho, objeta que elas não existem, os artistas retrucam: “não importa. As coisas que não existem são mais bonitas” (Manoel de Barros). Pois os sonhos, no final das contas, são a substância de que somos feitos.

É no mundo encantado de sonhos que nascem as fantasias religiosas. As religiões são sonhos da alma humana que só podem ser vistos com o segundo olho. São poemas. E não se pode perguntar a um poema se ele aconteceu mesmo.

Jesus se movia em meio às coisas que não existiam e as transformava em parábolas, que são histórias que nunca aconteceram. E, não obstante a sua não-existência, as parábolas têm o poder de nos fazer ver o que nunca havíamos visto antes. O que não é, o que nunca existiu, o que é sonho e poesia tem poder para mudar o mundo. “O que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?”, perguntava Paul Valèry.

Leio os poemas da criação. Nada me ensinam sobre o início do universo e o nascimento do homem. Sobre isso falam os cientistas. Mas eles me fazem sentir amoravelmente ligado a esse mundo maravilhoso em que vivo, do qual minha vocação é ser jardineiro...

Aí vieram os burocratas da religião e expulsaram os poetas como hereges. Sendo cegos do segundo olho, os burocratas não conseguem ver o que os poetas vêem. E os poemas passaram a ser interpretados literalmente. E com isso, o que era belo ficou ridículo. Todo poema interpretado literalmente é ridículo. Toda religião que pretenda ter conhecimento científico do mundo é ridícula. Conhecimento e poesia, assim, de mãos dadas, poderiam ajudar a transformar o mundo.

Rubens Alves, 77 anos, psicanalista e escritor, é professor emérito da Unicamp. Autor de “A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir” (Ed. Papirus), entre outras obras.


Olavo de Carvalho, respondeu que NÃO.

Voltando à causa primeira

Por irritante que seja para seus velhos correligionários evolucionistas e ateus, a “conversão” do filósofo Anthony Flew* ao deus de Aristóteles (conversão entre aspas, porque esse deus é um conceito metafísico, e não um objeto de culto) só mostra duas coisas. A primeira é o hábito consagrado, quase um direito adquirido entre os materialistas modernos, de opinar em questões de metafísica sem o necessário conhecimento da filosofia clássica e medieval. Basta um deles fazer uma tentativa séria de estudar o assunto, e suas convicções começam a ceder terreno. Nem o velho determinismo de Darwin nem a mais recente moda do acaso onipotente são compatíveis com uma inteligência filosoficamente madura. São poses adolescentes, incapazes de resistir a um exame crítico.

A segunda coisa que o episódio evidencia é a absoluta impossibilidade de colocar o problema da causa primeira em termos de “ciência versus fé”, chavão imbecil baseado no desconhecimento radical de toda a tradição filosófica. A fé não tem nada a ver com a questão, e os materialistas só a inserem no debate para encenar no teatro infantil de incultura contemporânea uma luta de fantoches entre o heroizinho iluminista e o dragão do obscurantismo ancestral. Anthony Flew não se converteu. Apenas consentiu em descer de um pedestal de presunçosa ignorância coletiva e confrontar a idolatria do acaso com dois milênios de discussão filosófica. Fez o que Richard Dawkins não tem nem a honestidade nem a capacidade de fazer. O resultado ainda é pobre – Flew apenas reconheceu a necessidade genérica de uma causa primeira – mas já está infinitamente acima daquela patética metafísica de “nerd” que tantos admiram em Dawkins.

Toda tentativa de provar que a vida se formou por acaso, tão logo certos fatores se combinaram nas proporções adequadas para produzi-la, sem que nenhuma causa inteligente os impelisse a tanto, está condenada na base. Quanto mais a afirmam, mais proclamam, sem o perceber ou sem admitir que o percebem, que o composto só adquiriu força geradora de vida graças, justamente, às proporções, à razão matemática entre seus elementos; e que essa proporção, se teve o dom de produzir esse efeito no instante em que os elementos se encontraram – mesmo admitindo-se que se encontraram fortuitamente – já o possuía desde muito antes desse instante, já o possuía desde toda a eternidade. E basta saber o que significa razão e proporção para entender que nenhuma proporção pode valer sozinha e isoladamente, fora da ordem matemática integral entre todos os elementos possíveis.

Se determinada combinação de elementos pôde gerar determinado efeito, é porque o sistema inteiro das relações e proporções matemáticas que moldavam e determinavam essa possibilidade preexistia eternamente à sua manifestação. No princípio era o “logos”, e não há nada que o apelo ao acaso pode fazer contra isso.

O mesmo se aplica à origem do cosmos na sua totalidade, muito antes do surgimento da “vida”. O mais ínfimo fenômeno de escala subatômica já aparece como realização de uma proporção matemática que o antecede na ordem do tempo e o transcende na ordem ontológica. A ordem das possibilidades definidas, ou forma interna da onipotência, prevalece sobre a desordem das possibilidades indefinidas, as quais só podem se manifestar, precisamente, ao sair do indefinido para o definido, ou, em linguagem bíblica, das trevas para a luz. A estrutura interna do primeiro acontecimento cósmico, qualquer que seja ele, é sempre a manifestação de uma forma ou proporção que, como tal, é supratemporal e independente de qualquer acontecimento.

Se a causa eficiente que acionou essa passagem e determinou o início do processo cósmico operou, por sua vez, fortuitamente ou segundo a ordem, é questão que já está respondida na sua própria formulação, de vez que a noção mesma de uma conexão de causa e efeito só pode ser concebida como forma lógica definida, portanto como expressão da ordem. Mesmo se quisermos imaginar essa causa como puramente fortuita, a forma interna do nexo causal “in genere” tem de lhe haver preexistido desde sempre, e não pode ser concebida como fortuita, já que é precisamente o contrário disso.

Para alegar que não foi assim, seria preciso demonstrar que todas as formas e proporções são caóticas e indiferentes, isto é, que a ordem lógico-matemática não existe de maneira nenhuma, nem no cosmo manifestado, nem como mera estrutura da possibilidade em geral. Porém, depois disso, seria grotesco apelar a instrumentos lógico-matemáticos para provar o que quer que fosse. Para provar até mesmo o império do acaso.

Tudo isso é arquievidente, e negá-lo é eliminar qualquer possibilidade de conhecimento científico, mesmo puramente instrumental e convencional.

Olavo de Carvalho tem 61 anos, jornalista, filósofo e ensaísta, é autor de, entre outros livros, “O jardim das Aflições” (É Realizações, 2001).


* * * * * * * * * * * * * * * * 

Anthony Flew, inglês, falecido em 8 de abril último, foi um dos mais proeminentes filósofos do ateísmo mas em 2004 se "converteu" ao deixar o ateísmo por reconhecer que há evidências para a existência de Deus. É bom que se diga que Flew tornou-seu um deísta. Ele não acreditava no Deus antropormófico da bíblia. É verdade também que muitos pregadores usaram o iminente filósofo como um "troféu" que era exibido para os ateus, o que não deixa de ser lamentável.


"Flew sempre descreveu a si mesmo como um “ateu negativo”, declarando que “proposições teológicas não podem ser ou verificadas ou falsificadas pela experiência”, uma posição que ele expôs em seu clássico Theology and Falsification [Teologia e Falsificação] (1950). Honrosamente a mais citada publicação filosófica da segunda metade do século XX.
Ele argumentava que qualquer debate filosófico sobre Deus deve se dar com a pressuposição do ateísmo, deixando o ônus da prova para aqueles que acreditam que Deus existe. “Nós rejeitamos todos os sistemas sobrenaturais transcendentes, não porque nós examinamos exaustivamente cada um deles, mas porque não parece a nós existir qualquer boa evidência racional para postular alguma coisa atrás ou entre este universo natural”, ele disse. Uma chave principal de sua filosofia era o conceito socrático de “siga a evidência, para onde quer que ela conduza”.
Quando Flew revelou que havia chegado à conclusão de que afinal de contas Deus poderia existir, isto veio como uma bomba sobre seus seguidores ateístas, que há muito o consideravam como um de seus grandes representantes. Pior, ele parecia ter abandonado Platão por causa de Aristóteles, uma vez que foram duas das famosas “Cinco Vias” de Aquino para a existência de Deus – os argumentos do Desing e para o “Primeiro Motor” – que aparentemente encerraram a questão para Flew."
 “Fui convencido de que está simplesmente fora de questão a possibilidade de que a primeira matéria viva evoluiu de uma matéria morta e então se desenvolveu em uma criatura extraordinariamente complexa”, declarou Flew.
Texto publicado em 
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